segunda-feira, 11 de abril de 2011

QUESTÃO - 3

AFA
ACADEMIa FRANCISCO DE Assis
questão
abril  – 2011 – 3ª edição

Neste mês de abril, teremos a “chamada” Semana Santa. Por que Semana Santa? Essa semana é o resumo final da vida de Jesus Cristo, aqui na terra. No Domingo de Ramos, a glória e o louvor do povo que o segue pelas ruas, chamando-O de Rei. É o reconhecimento de sua Divindade pelo povo. Na Quinta-Feira Santa, a última ceia, seu último alimento, sua última refeição, aqui, na terra, entre os homens, com seus apóstolos. Nessa Ceia, Ele se entrega, se deixa para os apóstolos e para todos os homens na forma de pão e vinho. Ele pede também que esse gesto já repetido sempre e em todos os lugares. Para os católicos, a instituição da Eucaristia e a instituição do sacerdócio – concessão do direito de fazer o que Ele fez. Na Sexta-Feira Santa, dia de sua paixão, morte. Agonia, sofrimento, resignação, entrega! Via das dores! Via-Sacra! No Sábado Santo, saudade, silêncio, enterro, jazigo, sepulcro, No Domingo de Páscoa, a Ressurreição! A vitória sobre a morte. “Inútil seria a nossa fé, se não fosse a Ressurreição”. Morreu para não mais morrer, mas para ficar vivo, viver em cada ser humano e em todos os seres humanos. “Vós sois deuses! Vós sois templos do deus Vivo!”
Professor Décio Bragança Silva
 
Questão   filosófica

Muitas idéias são publicadas e discutidas sobre o homem e sua educação, sobre o homem e seu meio... Todas elas tentam definir as principais tarefas e os deveres do homem. Poucas, pouquíssimas, propõem a liberdade por princípio, o amor por lei, a vida e o prazer e a felicidade como recompensa, a solidariedade e honestidade como caminhos.
O fato é que o caráter e a personalidade do homem vão se fazendo, vão sendo construídos, na família e na escola, experimentando a vida nas suas diversas e diferentes formas e manifestações. Faz-se o caminho, enquanto se caminha.
O homem vive na ambiência social e vai se fazendo com emoções, com sensações, com idéias que surgem na sua vivência, no seu interior, no seu ser.
O homem, assim, busca a interação constante e progressiva das diferentes sociedades consigo mesmo, provocando a formação de sua personalidade.
Tudo isso é bom e perigoso, porque sem o controle absoluto da família, da escola, das religiões, dos governos. Essas instituições tentam de qualquer maneira e forma dominar e domar o homem, verticalizando as relações para impor o poder.
A verdade é que poder e amor não combinam, assim como riqueza, obediência, hierarquia... não combinam com o amor. É preciso inverter ou reverter ou subverter as relações de poder, as relações entre o homem e a família, e a escola, e a religião, e os governos, e as leis.
As instituições não podem ser dominadores, mas um “servidor” ou “devedor” do homem. As instituições existem para isso. Só um homem livre das próprias instituições pode legitimar a instituições.
Cada homem é uma personalidade, por isso uma individualidade, uma eudade, um sentimento e uma significação em si e para si mesmo.
Cada homem, por si também, pode romper os limites da subjetividade e entrar nos limites do outro homem. Por isso, o amor tem por princípio o outro e sua compreensão está em relação a outros homens.
O amor, assim, não é uma simples emoção, mas a entrada e permanência na vida do outro, distinguindo-se como único, inédito, intransferível, irrepetível, novo, autônomo, independente...
Visto assim, o amor é esclarecedor, porque concretiza a transformação, o melhoramento do homem e, em conseqüência, o melhoramento da sociedade.
O amor é a educação para a não-obediência, para o não-poder, para a não-submissão, para a não-verticalidade.
O amor é subversão.O homem não vive só o presente, traz o passado, porque é humanidade, e se projeta no e para o futuro.
O amor é sempre o futuro, é sempre uma possibilidade, sempre um vir-a-ser. Por isso, os homens do poder não amam e não gostam dos que amam.
Por isso, também os homens do dinheiro não amam e não gostam dos que amam. Quem ama será sempre perseguido, porque força e energia e ideal e sonho.
Pelo amor, o homem pode acostumar-se com a vida em sociedade ou exigir que a sociedade se torne capaz de acostumar-se com o amor, com os homens e mulheres amorosos.
Assim, o homem junto com todos e tantos outros homens formam uma união viva de que cada um de nós necessita, independentemente da nação, das condições econômicas e financeiras, da religião, da raça, das leis, dos governos... 
Queiramos ou não, o homem é um ser relacional e por isso a humanidade toma forma nele, harmoniosa e equilibradamente.
Educação é isto, ir além do espaço e até do tempo, porque desobedecer é libertar o homem de suas amarras e algemas. Só é livre quem desobedece.
Educação é isto, ir além de qualquer racionalismo ou racionalidade. Educação para o amor, que é sempre o futuro, um vir-a-ser, uma porta e janela aberta, uma alternativa e uma possibilidade, não é um autocontrole subjetivo, mas uma indução à desobediência no aqui e no agora, buscando todas as maneiras e formas e modelos e fórmulas de amar e de ser amado.


Questão   vernácula

A formação de palavras é um estudo verdadeiramente fascinante. Na realidade, não há nenhum idioma puro. As pessoas vão criando palavras dependendo de sua necessidade, sem muita explicação. “A necessidade faz o sapo pular” – diziam os antigos. Conhecendo radicais gregos, latinos, celtas, ingleses, japoneses ou de qualquer língua, misturamos radicais e formamos novas palavras.
Com o avanço das ciências, novas palavras têm de ser criadas. Uma ferramenta nova, um produto novo, como as pessoas quando nascem são registradas e/ou batizadas, novos nomes vão sendo registrados e dicionarizados, sem nenhum critério, praticamente.
Hoje, vamos “brincar” com o radical: ITE – com o auxílio do Dicionário Aurélio. Vamos citar as palavras referentes somente ao ser humano, especialmente vocábulos ligados à medicina.
Sabendo o sentido de ITE, você poderá criar outras palavras, Vamos, então, dar o sentido de ITE = designativo de doença inflamatória do órgão, tecido, etc., a que se refere o radical. Note-se a ocorrência informal desse sufixo, com valor irônico e/ou pejorativo, no português do Brasil, indicando caráter transitório, ou pouco importante: paixonite, reformite...
Agora, algumas palavras:
·  acarodermite = inflamação cutânea causada por ácaro;
·  acroartrite = artrite que compromete extremidade(s);
·  actinite = dermatite produzida pela ação de raios luminosos situados além da faixa violeta do espectro solar;
·  actinodermatite – radiodermite – radiodermatite = inflamação cutânea resultante da ação de radiação ionizante;
·  adenite = inflamação de glândula, ou de gânglio linfático; bubão;
·  adiposite – paniculite = inflamação de panículo adiposo;
·  alveolite = inflamação, ou de alvéolo dental, ou de alvéolo pulmonar;
·  amidalite – amigdalite = inflamação de amígdala, em especial de amígdala palatina; angina tonsilar, esquinência;
·  anexite = inflamação de anexos uterinos;
·   angiite – angite = inflamação de um vaso;
·  angiocolite = inflamação dos canais biliares;
·  anorretite = inflamação que acomete o ânus e o reto;
·  antrite = infecção de antro, especialmente o da mastóide;
·  aortite = inflamação da aorta;
·  apendicite = inflamação do apêndice;
·  aracnoidite = inflamação da aracnóide;
·  arterite = inflamação arterial;
·  artrite = Inflamação em articulação, reumatismo;
·  artocondrite = inflamação de cartilagem;
·  ascite = acúmulo de líquido na cavidade abdominal, barriga d’água;
·  balanite = inflamação da glande, acompanha com frequência a fimose;
·  balanopostite = inflamação da glande e do prepúcio;
·  barossinusite = inflamação que ocorre em um ou mais seios paranasais, causada pela diferença entre a pressão do interior deles e a ambiental;
·  bartholinite = inflamação das glândulas vulvovaginais denominadas glândulas de Bartholin;
·  basite = processo inflamatório banal em base pulmonar;
·  blefaradenite = inflamação de glândulas meibomianas;
·  nlefarite – palpebrite – tarsite = inflamação de pálpebra, sapiranga;
·  blenadenite = inflamação de glândula mucosa;
·  blenenterite = diarréia mucosa;
·  bronquite = inflamação brônquica, carregação do peito;
·  bursite = processo inflamatório de bursa;
·  cardite = inflamação do coração;
·  cavernite = inflamação de corpo cavernoso;
·  celulite = inflamação difusa de tecido conjuntivo frouxo, devido a infecção, e que pode culminar em ulceração e abscesso, gordura localizada, especialmente nas nádegas e nas coxas;
·  ceratite = inflamação da córnea;
·  cervicite = inflamação do colo do útero;
·  cionite = inflamação da úvula;
·  cistite = inflamação da bexiga;
·  cistopielite = inflamação da bexiga e do bacinete;
·  cnemite = inflamação de tíbia;
·  colangite = inflamação de canais biliares;
·  colecistite = inflamação da vesícula biliar;
·  colite = inflamação do colo, parte do intestino grosso situada entre o ílio e o reto;
·  colpite – elitrite – vaginite  = inflamação da vagina;
·  conjuntivite = inflamação da conjuntiva, carregação dos olhos;
·  coriorretinite = inflamação de coróide e retina;
·  coroidite = inflamação da coróide;
·  coxite = coxartria, inflamação de articulação coxofemoral;;
·  criptite = designação genérica de inflamação de cripta;
·  dacriosistite = inflamação do dacriociste;
·  dactilite = inflamação em dedo;
·  dermatite – dermite = inflamação da pele;
·  dictite – retinite = inflamação da retina;
·  didimite – orquite = inflamação dos testículos;
·  discite = inflamação de disco, especialmente daquele em situação interarticular;
·  diverticulite = inflamação em divertículo;
·  duodenite = inflamação do duodeno;
·  encefalite = inflamação no encéfalo;
·  encelite = inflamação de víscera abdominal;
·  endocardite = inflamação do endocárdio;
·  endrometite = inflamação do endométrio;
·  enterite = inflamação no intestino, em especial, em relação ao intestino delgado;
·  enterogastrite – gastreneterite = inflamação simultânea do estômago e dos intestinos;
·  epididimite = inflamação do epidídimo;
·  epiglotite = inflamação da epiglote;
·  epiploíte = inflamação de epíploo;
·  episclerite = inflamação dos tecidos suprajacentes à esclerótica;
·  esmeraldite = termo da medicina popular para designar dificuldade, muitas vezes inesperada, que sobrevém no curso de tratamento de paciente médico ou parente de médico, frequentemente em caso tido como de resolução tranqüila;
·  esofagite = inflamação do esôfago;
·  esplenite = inflamação do baço;
·  espondilite = inflamação do espôndilo;
·  espondilodiscite = osteíte vertebral, infecciosa, que compromete o disco intervertebral e corpos vertebrais adjacentes;
·  estealite = inflamação do tecido adiposo, esteatita;
·  estomatite = inflamação da membrana mucosa da boca;
·  exorcadite = inflamação da membrana exterior do coração;
·  exometrite = inflamação da superfície externa do útero;
·  facite = inflamação do cristalino;
·  falite = inflamação do pênis;
·  faringite = inflamação da faringe;
·  faringolaringite = inflamação da faringe e laringe, Faringite e laringite simultâneas;
·  fasciite = inflamação da fáscia;
·  flebite = inflamação de uma ou mais veias;
·  frenite = inflamação do diafragma;
·  galactoforite = inflamação de canal ou canais galactóforos, por onde passa o leite;
·  ganglionite = inflamação ganglionar;
·  gastrenterocolite – gastroenterocolite = inflamação simultânea do estômago, intestino delgado e intestino grosso;
·  gastrenterite – gastroenterite = inflamação simultânea do estômago e dos intestinos;
·  gastresofagite – gastroesofagite = inflamação simultânea do estômago e do esôfago;
·  gastrite = inflamação do estômago;
·  gastrocolite = inflamação simultânea do estômago e do colo;
·  gastroduodenite = inflamação do estômago e do duodeno;
·  gengivite = inflamação das gengivas;
·  glomerulite = inflamação do glomérulo renal;
·  glomerulonefrite = forma de nefrite em que os glomérulos de Malpighi são atingidos;
·  glossite = inflamação da língua;
·  glotite = inflamação da glote;
·  hepatite = inflamação do fígado, que pode ter causas várias (vírus, substâncias químicas, agentes anestésicos), figadeira;
·  hialite = inflamação de membrana hialóide, inflamação de humor vítreo;
·  hidradenite – hidroadenite – hidrosadenite = inflamação de glândula sudorípara;
·  idiometrite = inflamação do parênquima do útero;
·  ileíte = inflamação do íleo;
·  iridite – irite = inflamação irial;
·  ixomielite = inflamação do segmento lombar da medula espinhal,
·  jejunite = inflamação do jejuno;
·  labirintite = inflamação de labirinto;
·  laringite = inflamação laríngea;
·  leptomeningite = inflamação da aracnóide e da pia-máter;
·  lienite = inflamação do baço;
·  linfangite = inflamação de vasos linfáticos;
·  logatite = inflamação da conjuntiva;
·  mamite – mastite – mastadenite = inflamação de mama;
·  mascaladenite = inflamação de gânglios axilares;
·  mastoidite = inflamação em apófise mastóide;
·  maxilite = inflamação de maxila;
·  mediastinite = inflamação do mediastino;
·  medulite – mielite = inflamação da medula espinhal;
·  meduloartrite = inflamação de espaços medulares de extremidades articulares ósseas;
·  meningite – paquimeningite – leptomeningite = inflamação meníngea;
·  meningoencefalite = inflamação que inclui comprometimento meníngeo e encefálico;
·  mesarterite = inflamação de mesartéria;
·  mesencefalite = inflamação do mesencéfalo;
·  mesenterite = inflamação do mesentério;
·  miite – miosite = inflamação muscular;
·  miocardite = inflamação do miocárdio;
·  miringite = inflamação de membrana timpânica;
·  nasofaringite – rinofaringite = inflamação do nariz e da faringe simultaneamente;
·  nefrite = inflamação de rim, nefroflegmasia, perinefrite;
·  neurite – nevrite = inflamação de nervo;
·  odontite = inflamação de dentes;
·  onfalite = inflamação do umbigo;
·  oniquite = inflamação da matriz de unha;
·  ooforite = inflamação de ovário;
·  osqueíte = inflamação do escroto;
·  osteíte – osteícte = inflamação óssea;
·  osteocondrite = inflamação conjunta de osso e de cartilagem;
·  osteomielite = inflamação de medula óssea, inflamação óssea que pode permanecer localizada ou difundir-se, comprometendo medula, parte cortical, parte esponjosa e periósteo;
·  otite = inflamação de ouvidos;
·  otoantrite = inflamação simultânea de caixa do tímpano e de antro de mastóide;
·  palatite = inflamação do palato;
·  pamastite = mastite que abrange toda a mama;
·  pancreatite = inflamação do pâncreas;
·  paniculite = inflamação de panículo adiposo;
·  pan-oftalmite = inflamação generalizada de olhos;
·  pan-osteíte = inflamação de todas as partes de um osso;
·  papilorretinite = inflamação de papila de nervo óptico, e que se estende à retina;
·  paquimeningite =iInflamação de dura-máter;
·  parametrite = inflamação de paramétrio;
·  paradontite – periodontite = inflamação do periodonto;
·  parotidite = inflamação de parótida;
·  periarterite = inflamação das camadas externas de uma artéria e do tecido em sua volta;
·  pericardite = inflamação do pericárdio;
·  pericementite = inflamação de pericemento;
·  pericistite = inflamação dos tecidos que cercam a bexiga;
·  pericolecistite = inflamação dos tecidos em torno da vesícula biliar;
·  pericolpite = inflamação dos tecidos em torno da vagina;
·  pericondrite = inflamação de pericôndrio;
·  perididimite = inflamação de peridídimo;
·  periflebite = inflamação que compromete tecidos dispostos em torno de veia, ou a camada externa desta;
·  perimetrite = inflamação do perimétrio;
·  perinefrite = inflamação do conjunto de tecidos que envolve cada um dos rins;
·  periorquite = inflamação de túnica vaginal do testículo;
·  periosteíte – periostite = inflamação de periósteo;
·  periproctite = inflamação dos tecidos que envolvem o reto;
·  peritiflite = peritonite pericecal;
·  peritonite = inflamação do peritônio;
·  periviscerite = inflamação em torno de vísceras;
·  petrosite = inflamação da porção petrosa de osso temporal;
·  pielite = inflamação de pelve renal, em cujo quadro clínico figuram febre, dor e sensibilidade lombares, eliminação de sangue ou pus pela urina, alterações digestivas, dor causada pela flexão de coxa;
·  pielonefrite = pielite acompanhada de nefrite;
·  piodermite = qualquer dermopatia purulenta; piodermia;
·  pleurite = pleurisia, inflamação da pleura;
·  pneumonite = inflamação pulmonar;
·  poliarterite = inflamação concomitante de várias artérias;
·  poliartrite = inflamação concomitante de várias articulações;
·  polineurite – polinevrite = inflamação simultânea de vários nervos;
·  polioencefalite = inflamação da substância cinzenta encefálica;
·  poliomielite = inflamação da substância cinzenta da medula espinhal, pólio;
·  postite = inflamação do prepúcio;
·  proctite – retite = inflamação do reto;
·  prostatite = inflamação na próstata;
·  psoíte = inflamação de músculo psoas ou de sua bainha;
·  pulmonite = pneumonia;
·  pulpite = inflamação da polpa dentária;
·  queilite – quilite = inflamação de lábio bucal, que pode ter causas variadas, como por exemplo, infecciosas, alérgicas, ou provenientes de irradiações e apresentar-se sob aspectos diversos: como eritemas, vesículas, eczemas. Queilite, embora em uso, é condenada. Usa-se quilose;
·  quirartrite = artrite de mão;
·  radiculite = inflamação de raiz de nervo espinhal;
·  radiodermatite – actinodermatite - radiotermatite = inflamação cutânea resultante da ação de radiação ionizante;
·  raquimeningite = inflamação das meninges raquianas;
·  rinite = inflamação da membrana mucosa nasal;
·  rinossinusite = inflamação do nariz e que compromete também os seios paranasais;
·  salpingite = inflamação de salpinge;
·  serenterite – seroenterite = inflamação da camada serosa do intestino;
·  serocolite = inflamação da superfície serosa do intestino grosso ou cólon;
·  siagantrite = inflamação de mucosa de antro maxilar;
·  sialadenite = inflamação de glândula salivar;
·  sigmoidite = inflamação da alça sigmóide;
·  sindesmite = inflamação de um ligamento;
·  sinovite = inflamação de membrana sinovial;
·  sinusite = inflamação de seio, aguda ou crônica, purulenta ou não, e que pode ocorrer em diferentes locais do corpo;
·  telite = inflamação de mamilo;
·  tendinite = inflamação de tendão;
·  tenossinovite = inflamação de bainha de tendão;
·  tiflite = inflamação do ceco;
·  timpanite = inflamação do tímpano;
·  tireoidite = inflamação da tireóide;
·  tonsilite = inflamação da tonsila;
·  traqueíte = inflamação da traquéia;
·  traqueobronquite = inflamação da traquéia e dos brônquios;
·  ulite = inflamação da membrana mucosa das gengivas.


Questão   didática

O mundo foi novamente surpreendido com as notícias de tsunamis no Japão e que ameaçavam outros países asiáticos e também da América Central e da América do Sul. Já tínhamos vivido a trágica experiência no dia 26 de dezembro de 2004, no Oceano Índico.
Sabemos que a crosta terrestre – parte superior da litosfera, formada por rochas de diferentes formas e tipo – é composta de muitas placas tectônicas. As principais placas tectônicas são:
Placa do Pacífico com 70 milhões de quilômetros quadrados,
Placa das Filipinas com 7 milhões de quilômetros quadrados e muitos vulcões ativos,
Placa de Nazca com 10 milhões de quilômetros quadrados que fica 10 centímetros menor a cada ano, com muitos vulcões ativos e elevando a altura dos Andes,
Placa Euroasiática Oriental com 40 milhões de quilômetros quadrados em área de maior incidência de terremotos e vulcões,
Placa Sul-Americana com 32 quilômetros quadrados e pouco perigo de terremotos e maremotos e tsunamis,
Placa Euroasiática Ocidental com 60 milhões de quilômetros, que se chocando com outras placas, formou o complexo do Himalaia, com mais de 7.000 metros de altura,
Placa Norte-Americana com 70 milhões de quilômetros quadrados, colocando em perigo a Califórnia,
Placa Indo-Australiana com 45 milhões de quilômetros quadrados, fazendo aparecer muitas novas ilhas,
Placa Antártica com 200 milhões de quilômetros quadrados – a maior,
Placa da África com 65 milhões de quilômetros quadrados.
O efeito estufa, as chuvas intensas, o calor insuportável, os ciclones, as frentes quentes, as frentes frias, as correntezas marítimas, as massas de ar, neve e nevascas, nuvem carregadas de eletricidade, nuvem ácida, tornados, ventos fortes... apesar de naturais, devem ser analisados pelos cientistas e por todos, para nos preservar de alguns desses fenômenos.
Tudo isso são lições que devemos aprender. O homem insiste em dominar, destruir a natureza, para fins principalmente lucrativos e produz esses fenômenos cada vez mais devastadores. O pior de tudo é que culpamos Deus, ou São Pedro, como afirmam muitos prefeitos de muitas cidades brasileiras.
A verdade é que os continentes estão cravados em cima das placas tectônicas – o que nos leva a crer que os continentes estão à deriva. O movimento dessas placas é que configurou os continentes, há 250 milhões de anos.
Sempre a curiosidade dos cientistas sobre o universo nos trouxe algumas poucas conclusões – é bem verdade – de como devemos cuidar do nosso universo e, em especial, do nosso planeta Terra. O universo tem suas normas e teoremas e segredos e incógnitas, independentemente se as conheçamos ou não.
O interessante é que o que conhecemos também não levamos em conta, os governos não levam em conta, se não for de interesse econômico e/ou hegemônico. Então, para que conhecer, se o que é conhecido não é levado a sério, com programas e projetos de preservação?
O clima da Terra, segundo os menos instruídos, está doido. Alguns chegar a afirmar que o fim do mundo está próximo. Eu acredito que o que está doido são as formas como tratamos os homens, todos os seres vivos e não-vivos.
O que está doido são as nossas relações sociais, políticas, econômicas. O que está doido é esse jogo de interesses e intenções das nações, levando, por exemplo mais de um bilhão de pessoas à fome, à pobreza e à miséria. Insistimos em não aprender as lições da natureza.
O clima da Terra se modifica, sim. A título de exemplificação: em ciclos que variam de 100 mil a 413 mil anos, a orbita da Terra de elíptica passa para quase circular; em ciclos de 41 nil anos, a inclinação do eixo da Terra em relação ao Sol varia entre 22,1º a 25,5º; em ciclos de 23 mil anos, acontece a precessão – movimento para trás da Terra em relação ao Sol... Tudo isso provoca alterações significativas no clima da Terra, porque também modifica a incidência da radiação solar sobre a superfície da Terra.
Se voltarmos no tempo, a loucura humana – de todos os homens em todos os tempos e em todos os lugares – começa, quando o homem, há 400 mil anos, domina o fogo, aprende a fazer fogo.a partir daí, só dióxido de carbono que, quando retido e concentrado nos oceanos, as temperaturas da terra caem, mas, quando concentra na superfície da Terra, as temperaturas aumentam, liberando o dióxido de carbono dos oceanos, aumento esse gás na atmosfera – efeito estufa – fenômeno natural que mantém o aquecimento do planeta necessário à preservação da vida.
A estufa protege a Terra, segurando os gases atmosféricos importantes como nitrogênio, oxigênio, carbono, vapores de água... Só que segura também na atmosfera gases não desejáveis como dióxido de carbono, metano, óxido nitroso... produzidos pelas indústrias, queimadas, fumaça dos automóveis e máquinas e também, naturalmente, pelas erupções vulcânicas. Mas o homem insiste em não aprender as lições da natureza.
Os governos, por exemplo, insistem na isenção de impostos dos automóveis que tomaram o lugar dos homens nas cidades. Há cidades com um automóvel para dois habitantes. Um absurdo? Talvez. Ninguém sabe mais o que fazer com tanto lixo de todas as espécies: pilhas de aparelhos, restos de computadores, sem falar do lixo atômico, além do lixo doméstico. Por que consumimos tanto? Por que desperdiçamos tanto? Por que produzimos tanto lixo?
Além das tragédias ditas naturais, há outras tantas provocadas pelos homens, como uma guerra, sem motivo, mas motivadas pela ganância – um saco sem fundo. Guerra pelo petróleo para que se produza mais dióxido de carbono, mais poluição no planeta, mais lucros para os donos do mundo. O planeta não suporta tantos desaforos! Parece quase que uma vingança!
O mais impressionante disso tudo é que os homens não se sentem culpados. Sempre criam uma desculpa para seus atos. Os animais, coitados!, sempre serão os nossos vilões. Na metáfora da criação do mundo, o pecado de Adão e Eva é atribuído à cobra, à serpente, à víbora. A culpa foi da cobra! Atualmente, fala-se em gripe suína (a culpa é dos porcos!), febre aviária (a culpa é dos frangos!), a vaca louca (a culpa é das vacas!), a gonorréia (a culpa é das cadelas!), a AIDS (a culpa é dos macacos!), a leptospirose (a culpa dos ratos), a dengue (a culpa é dos mosquitos!) e tantos outros culpados.
Os gregos, depois os romanos, foram mais audazes e espertos. Criaram deuses para cada atividade humana: deus do amor, deus da sacana, deus do vinho, deus da guerra, deus do ódio, deus da vingança, deus da destruição... e tudo que os homens fizessem a culpa era dos deuses, ou inspirados por esses deuses.
Nós, ocidentais, frutos de uma cultura greco-romano-judaico-cristã, criamos os demônios, os capetas, os diabos, os espíritos de porco, os espíritos obsessores... Não raras vezes ouvimos bandidos, ladrões, estupradores, pedófilos afirmarem que não se lembram de nada, que estavam fora de si, que não sabem como tudo aconteceu, que foi o capeta!
Muitos consideram que a maior tragédia da humanidade foi o famoso 11 de setembro, quando foram destruídas as não menos famosas torres de Nova Iorque. Quantas pessoas morreram? O tsunami de dezembro de 2004 deixou 200.000 mortos; 80.000 casas, 156 escolas e 68 hospitais destruídos. Agora, neste tsunami do Japão, fala-se em 20.000 mortos. A tragédia de 2004 provocou uma solidariedade internacional nunca vista anteriormente. Soldados trocaram armas por remédios e água. Políticos tornaram-se bombeiros, pedreiros, tratoristas, enfermeiros. Uma lição nos resta: somos vulneráveis, somos pequenos demais e pensávamos saber tudo e dominar tudo.
Muitas tragédias podem ser previstas e outras, não. O Natal de 2004 foi surpreendente, ninguém previu ou anteviu os acontecimentos tão trágicos. As do Japão também: sabia-se que haveria a tragédia, mas não nessa dimensão. Mesmo no meio da tragédia, podemos tirar algumas conclusões. A mais importante foi o que aconteceu com os animais.
Os animais foram para os lugares mais altos, horas antes. Praticamente nenhum animal morreu, a não ser aqueles que estavam presos. Por que isso? O instinto de preservação e conservação dos animais é ainda muito aguçado, quando não domesticados.
Domesticar animais é fazê-los parecer com os humanos! A domesticação dos animais tira-lhes esses instintos, já que “se sentem” protegidos pelos homens. Quando esses instintos não dependem dos outros, tornam-se mais apurados, acurados, aguçados.
Há relatos impressionantes de elefantes que eram usados no transporte, inclusive das pessoas, naquele dia, não “obedeceram” às ordens de seus donos, arrastando e puxando muitos turistas para as montanhas. Isso assustou a muitos porque “acharam” que os elefantes estavam doidos! Os elefantes previram o tsunami. Os pássaros previram o tsunami e os homens, com a mais alta tecnologia, não o previram.
Os instintos são mais importantes do que a inteligência e todas as tecnologias juntas. Os sismos não nos pedem licença.
O 11 de setembro, o 26 de dezembro, o deste ano 11 de março, os muitos deslizamentos de terra aqui, no Brasil, ainda os muitos protestos nos países do norte da África são avisos de tantas outras tragédias, caso não nos cuidemos e não cuidemos do Planeta!
Num regime presidencialista, um impõe seus sentimentos e interesses, suas emoções e intenções, seus projetos a milhões que acreditam na participação das decisões. Não se trata somente de trocar de pessoas do poder, mas entender o poder como serviço. Quem tem poder, tem de servir mais e, portanto tem muito mais responsabilidade. Chega de políticagem e velhacaria e raposice!
Contra os pobres e miseráveis, tudo! Até as polícias! Observemos o que aconteceu no Rio de Janeiro. O usuário de drogas não alimenta o tráfico? E por que os usuários não são presos? O governo do estado de Minas Gerais se orgulha de não ter muitos seqüestros, porque todos os seqüestradores são tratados à bala. O fato é que os policiais deitam e rolam, rolam e deitam, fazem o que querem com os carentes – o que não significa que não sejam criminosos! Mas, por que só os carentes são perseguidos?
Um fato – motivo de vergonha nacional – o massacre de 111 prisioneiros do Carandiru, em São Paulo. Muitos desejavam, na época, que fossem mortos todos, todos os 8.000 presos do Carandiru. Muitos acreditam, hoje, que deve acontecer uma “operação limpeza!”
O sistema carcerário brasileiro é uma escola de crimes, porque transforma ladrões em animais vorazes e ferozes. Quem sai do inferno só tem um desejo: vingar-se! Nenhum preso poderá se reeducado e reintegrado à sociedade, em clima de ódio e desprezo e abandono!
O coronel Ubiratan que matou e mandou matar foi eleito deputado estadual, ganhou, portanto, imunidade parlamentar – sinônimo de impunidade! Agora, foi assassinado, por uma mulher frágil, fraca, debilitada, talvez por vingança.
Quem produziu atrocidades tem um fórum protegido, privilegiado! E tudo isso feito no nariz, à frente dos políticos e dos santos pastores e padres e bispos de todas as cores e matizes.
Pelo mistério da transmutação e ou consubstanciação do vinho em sangue de Jesus Cristo, para os católicos, os padres e bispos, pelo poder divino, deveriam transformar copos de água, via televisão e rádio, em sangue dos muitos excluídos, massacrados, empilhados, explorados, humilhados, exprimidos nos presídios, nas ruas, nas encostas, nas favelas, nos morros.
Jesus é o outro, segundo as próprias palavras. Jesus Cristo, é o faminto, o que passa sede, o que está preso, é o que está excluído, é o que está preso. Não acreditar nisso é não acreditar em Deus!
Há uma experiência fantástica nos laboratórios. Coloca-se uma célula cardíaca no microscópio e percebe-se um ritmo – sístole e diástole – na primeira célula. Colocam-se várias células cardíacas no microscópio e percebe-se uma mistura de ritmos, porque cada um tem o seu ritmo próprio. Em outras palavras, cada um “sabe” o que tem de fazer. Questão de segundos, de repente, todas se ajustam ao mesmo ritmo e todas se movimentam harmoniosamente. E se vários corações fossem colocados juntos, todos não teriam o mesmo ritmo? E se vários homens fossem colocados juntos, todos teriam o mesmo ritmo?


Questão   educacional

É dever de todos trabalhar. O trabalho assalariado é algo muito novo e já está prestes a morrer, a acabar. Afinal, já sobreviveu por, mais ou menos, duzentos anos, no mundo. No Brasil, sobreviveu, mais ou menos, uns cem anos, século XX.
Associado à ideia desse tipo de trabalho, houve a expansão desordenada de universidades, de faculdades, de cursos superiores no Brasil. Isso é coincidência? Claro que não! Não existe coincidência! Só isso prova que as universidades estão preparando e formando mão-de-obra barata ao mercado explorador, a serviço do capital humilhante e discriminatório.
A expansão de escolas superiores foi muito maior que a oferta de empregos. A indústria, o comércio, os postos de serviços... não conseguem absolver todos os estudantes diplomados. O diploma, hoje, não garante absolutamente nada, sem emprego.
A sociedade tem de entender que melhor do que um diploma, as pessoas têm de viver com dignidade e encanto. É triste observar a fila de desempregados com um diploma de curso superior na mão!
Se o trabalho é um dever de todos, não será a universidade que vai resolver a questão de desemprego.
O desemprego, talvez, hoje, seja o nosso maior problema social. O interessante é que todos sabemos que ainda no Brasil tudo está para ser feito, para ser construído.
Qualquer e todo país subdesenvolvido se oferece e oferece oportunidades maiores do que os desenvolvidos, porque quase tudo já está pronto, construído.
E por que isso não acontece, aqui? Somos e fomos aculturados para ser empregados e não para ser trabalhadores! Somos e fomos aculturados para ser submissos e não decidir! Somos e fomos aculturados para ser obedientes e não empreender!
Todo estudante de curso superior tem de sair da universidade depois de elaborar, construir um plano ou planejamento “dito” estratégico, um plano de e para a sua vida, de e para o seu trabalho...
Por que as universidades não propõem esta medida – condição sine qua non – para um estudante receber um diploma de curso superior: um plano de vida pessoal e profissional, com o compromisso de as universidades oferecerem-lhe supervisão, consultoria?
É um absurdo o que, em geral, as universidades fazem: dão o diploma e tchau! A universidade é uma mãe desalmada: pare o filho e joga-o à própria sorte, na cova dos leões, cobras, ratos e lagartos e escorpiões e baratas! E poucos sobrevivem! Isso é irresponsabilidade das universidades!
A escola prepara seus estudantes para uma vida alienada, sem nenhuma crítica e criatividade, sem nenhuma consciência e vontade de fazer, de conhecer, de ser. Pior ainda: nas universidades privadas muitos financiam a própria frustração.
Observe-se o jogo de marketing: as escolas são apresentadas à sociedade como algo capaz de tirar os homens da alienação e marginalidade. Quanta enganação! Quanta mentira! Com “essa” lavagem cerebral, foi fácil a expansão das universidades, principalmente as de iniciativa privada, abrindo cursos sem nenhum critério e qualidade. Quanta enganação! Quanta mentira!
Com “essa” lavagem cerebral, as pessoas abrem mão de seu direito de crescer, desenvolver-se autônoma e independentemente, fechando-se às surpresas e aos mistérios e aos encantamento da vida!
A escola é, sim, a grande responsável pela mediocrização e alienação, pela massificação e humilhação, pela imbecilização e exploração do homem pelo homem. Uma pessoa com vinte anos de escolas, de escolarização, passando por todos os níveis e graus, ainda se sentir um zero à esquerda, um nada, um bostinha!, é uma afronta a todos os deuses e deusas de qualquer fé.
A escola é, sim, responsável, por estudantes, por exemplo, que fazem o curso de Direito preferirem, pregarem, aceitarem a pena de morte como solução para a criminalidade e violência. E fazem curso de Direito! Se o advogado é a favor da pena de morte, quem poderá defender as pessoas, quem poderá exigir, principalmente das autoridades o cumprimento e o respeito dos direitos fundamentais e inalienáveis da pessoa humana? “Condena-se o pecado, absolve-se o pecador! Condena-se o crime, absolve-se o criminoso!” Isso é ética!
Tenho muitas críticas à escola, mas tenho a certeza de que é preferível as crianças passarem o dia inteiro na pior de todas as escolas a ficarem soltos nas ruas, nas avenidas, nas praças. Rua não é feita para criança!
No Rio de Janeiro, um estado que não produz nenhuma droga ilícita e/ou ilegal, que não tem nenhuma fábrica de armas, acontece o maior tráfico dessas drogas e lá se usam armas de todos os calibres, como uma verdadeira potência bélica.
No ano de 2003, só para a gente pensar um pouquinho, foram presos 1.467 traficantes, dos quais somente DOIS tinham curso superior completo. Bastam esses números para entendermos a importância das escolas, de todos os níveis e graus e degraus. Bastam esses números para entendermos o descaso com que é tratada a educação, não só no Rio como no país inteiro.
Fala-se do “gasto” de até R$ 1.300,00 (mil e trezentos reais) por mês para cada preso. Fala-se do “gasto” de apenas R$ 250,00 (duzentos e cinqüenta reais) por ano para cada criança na escola. Verdadeiramente gostamos de inaugurar cadeias e penitenciárias, mas não gostamos da educação e de escolas.
Uberaba é uma cidade privilegiada: desde o século XIX funciona o Colégio Nossa Senhora das Dores; no início do século XX, o Colégio Marista Diocesano; em 1938, Mário Palmério inicia o maior complexo educacional do Brasil Central que é a Universidade de Uberaba; em 1954, também com a ajuda de Mário Palmério, uma cadeia é transformada em UFTM – Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Uberaba não dá valor devido aos homens e mulheres da educação.
Uberaba já foi conhecida como “Capital Cultural do Triângulo Mineiro”. Uma escola faz a diferença. Uma universidade faz a diferença. Um povo escolarizado é um povo com muito mais chances e oportunidades na vida. Uma escola divide uma cidade em dois grandes momentos: o antes e o depois, sem dúvida nenhuma!       


Questão   memorialista

O professor Mário Palmério é uma das figuras mais importantes tanto no cenário político quanto no cenário educacional brasileiro. Um visionário! Um empreendedor! Irrequieto, irreverente, contraditório, amante, amoroso e odioso. É preferível ser seu amigo a ser seu inimigo. Perseguidor, malvado e muito amigo de seus amigos. Poeta, romancista, prosador e grande contador de casos. Acreditava fielmente nas suas mentiras. Convincente, um malabarista das palavras, firme, decidido e determinado. Mesmo que estivesse errado, não voltava atrás, não dava o braço a torcer. Fazia questão de controlar a tudo e a todos.
Quem lhe pedisse um lápis ou uma caneta para o setor onde trabalhava, a pessoa tinha de apresentar-lhe o “toquinho” de lápis usado, ou a caneta vazia! Rigor inflexível! Foi assim que construiu a sua vida e as suas coisas. Inteligente e espirituoso. Tinha sempre um caso ou uma mentira associada ao que pretendia.
Alguns o viam como capitalista, até um usurário, um pão-duro. Talvez não o seja, acredito que não o seja. Acumulou muito pouca coisa para si mesmo. Deixou uma Universidade, que, claro, não era dele. É do povo de Uberaba. A Universidade de Uberaba, queiram ou não queiram os uberabenses, é um divisor de águas. Há, sim, duas Uberabas: uma antes e outra depois de Mário Palmério.
Em 1938, quando Mário Palmério decidiu, optou por Uberaba para morar, decidiu e optou também pela educação. Já tinha havido algumas tentativas frustradas que se abrir em Uberaba escolas de ensino superior.
Começou como tudo começa: bem pequeno e aos poucos vai crescendo, vai engatinhando, cai, levanta, arrasta-se, firma-se e afirma-se. Talvez tenha feito a si mesmo um desafio: construir uma universidade tamanha foi a sua audácia e ousadia e trabalho.
Em Uberaba, havia e ainda há dois grandes colégios tradicionais: o Colégio Marista Diocesano e o Colégio Nossa Senhora das Dores. O primeiro, criado e gerido pelos Irmãos Maristas, vindos da França. Era um colégio interno somente para homens. O segundo, criado e gerido pelas Irmãs Dominicanas, vindas também coincidentemente da França. Era um colégio interno somente para mulheres. Tanto um quanto outro mantinham um externato para os filhos e as filhas dos uberabenses, dos que aqui moravam. Em ambos uma educação requintada, até meio elitizada, semelhante aos padrões europeus. Uberaba era conhecida regionalmente, já que em outras cidades do Triângulo Mineiro, sul de Goiás e Mato Grosso, e norte de São Paulo não havia colégios assim tão bons. Nesse clima, aparece Mário Palmério.
Acredito que o Liceu Triângulo Mineiro foi seu passo mais ousado: criou uma escola mista, isto é, homens e mulheres estudavam numa mesma escola e numa mesma sala de aula. Imagino a repercussão que esse fato tenha tido, porque Uberaba foi e será sempre uma cidade muito conservadora e preconceituosa. Imagino a reação da Igreja Católica que detinha a hegemonia da educação. Imagino as forças políticas reacionárias uberabenses pressionando, criticando a ousadia desse bem jovem professor.
Ainda mais: inventa uma escola noturna – outro absurdo para a época. Na verdade, Mário Palmério revolucionou a educação não só aqui, mas no Brasil inteiro: criou oportunidades para todos estudarem – isso é democracia. Democracia é oportunidades.
 Aos poucos, as escolas, inclusive a dos Maristas e a das Dominicanas que haviam criticado a audácia de Palmério, abriram as portas para rapazes e moças. E o mais importante: a escola do professor Mário tinha mensalidades bem mais baratas, bem mais baratas. Mais do que um capitalista, um sonhador, um utópico, um libertário, um idealista, um revolucionário.
Em relação a preço, é bom que se diga, avançando um pouco no tempo, que as mensalidades de muitos cursos superiores da Universidade de Uberaba, hoje, são bem menores do que o preço de muitas escolas de Educação Infantil, de Ensino Fundamental e de Ensino Médio. O inexplicável, o interessante é que a Universidade é que leva a fama de careira – também uma injustiça, ou uma falta até de agradecimento, de gratidão. A bênção, Professor Mário Pálmério!
Lembro-me com uma muita saudade do professor Mário Palmério. Em todas as reuniões tinha um caso para contar. Muitos duvidavam de suas histórias, acreditando ser uma ficção, uma mentira. Mesmo se mentiras fossem, eu sempre acreditei nelas, porque eram muito bem contadas, com detalhes impressionantes, quase que interpretando cada personagem. Eu achava o máximo! 
Um dia, numa das reuniões, contava de suas viagens pela América Latina. Falou que tinha jantado na casa de Augusto Pinochet, em Santiago do Chile. Um professor olhou para outro, como quem dissesse: “Mais uma mentira!” Ativo, perspicaz, maroto, ator, põe-se de pé e encena diante de nossos olhos esse encontro: o que ele disse, o que Pinochet disse. Descreve em detalhes a casa, a roupa com que Pinochet estava vestindo, sua gravata cheia de estrelas amarelas, seu terno escuro com pequenas e finas listras brancas, sua meia, seu sapato... Assentou-se e completou:
- Vocês não estavam acreditando na história, mas foi dessa maneira que tudo aconteceu!
A sua admirável capacidade e competência de contar histórias estão provadas nos seus dois grandes romances: Vila dos Confins e Chapadão do Bugre.
Havia um programa da Rede Globo, aos domingos, pela manhã, chamado “Som Brasil” apresentado por Rolando Boldrin – um programa maravilhoso, hoje transferido para a TV Cultura, com outro nome. Com a saída de Boldrin, a Globo contratou o ator Lima Duarte. O programa perdeu muito de qualidade. Na época, chegamos a escrever para a Rede Globo sugerindo o nome do Professor Mário Palmério, mas o programa já estava destinado ao fim e seria substituído pelo “Globo Esporte”.
Lembro-me de uma história, envolvendo uberabenses. Altamiro, o Gordo, barbeiro do Salão Dom Fernandes, ali na Rua Vigário Silva, sempre foi o barbeiro e cabeleireiro do professor Mário Palmério. Altamiro, sim, deveria escrever um livro sobre Mário Palmério. Ele sabe tudo sobre sua vida!
Logo depois que foram lançadas as novas cédulas de real, no governo FHC, o professor chama o Gordo para fazer-lhe a barba e cabelo. Altamiro largava tudo para atendê-lo. Entra na sala do professor, coloca-lhe uma espécie de “babador” como todo barbeiro faz e começa o seu serviço. Em cima da mesa, estava uma nota de cem reais.
Enquanto cortava os cabelos e ajeitava a barba, muitos casos e muitas mentiras eram relatados. Altamiro sempre concordava com tudo o que o professor dizia. Aliás, todo barbeiro é um profissional maravilhoso: concorda com tudo e com todos: com os de esquerda, de direita, de centro... Nunca discorda de ninguém, não tem nenhum preconceito, atende a ricos e pobres e remediados, brancos e negros e amarelos, homens e mulheres e bichos...
Voltando ao caso: pois é, Altamiro termina o “trabalho”, professor Mário paga e o Gordo volta ao salão para atender a outro, sempre sorridente e solícito.
Meia hora depois, o telefone toca:
- Alô! Salão Dom Fernandes!
- Aqui é o professor Palmério e quero falar com Altamiro.
Segundos depois:
- Oh! Professor Mário, o que houve?
- Você viu uma nota de cem reais em cima da mesa?
- Vi, professor!
- Você não a carregou por engano? Assim, no meio de suas coisas, você...
- Não, professor! Não levei tantas coisas assim. Não me enganei, não.
- Está bom! E desligou o telefone.
Altamiro passou um dia de cão. Não conseguia concentrar em seu trabalho. Deve ter feito um punhado de caminhos de ratos na cabeça de seus fregueses. A preocupação de Altamiro contaminou o Sebastião, o Peres – os outros barbeiros. Almoço? A comida não lhes descia pelo esôfago. Cafezinho? Amargo como nunca! Conversa com os clientes? Nem pensar!
No final da tarde, oito horas depois do acontecido, quando já estavam fechando o salão, o telefone toca:
- Alô! Salão Dom Fernandes, às suas ordens!
- Aqui é o professor Palmério e quero falar com Altamiro.
O que teria agora acontecido? O que será que o professor Mário deseja? Será que devo atendê-lo? Atendo ou não atendo ao telefone – eis a questão! E agora? – pensamentos angustiantes do Gordo, que decidi atender:
- Alô! Professor, o que deseja?
- Altamiro, você é um homem de sorte!
- Sorte, professor, por quê?
- Encontrei a nota de cem debaixo de um livro! Você é um homem de sorte! E desligou o telefone.
Estava resolvida a questão e a vida continuou normal. Altamiro foi o seu barbeiro até o fim de sua vida!


Questão   sexual

     Tudo virou mercadoria, no atual momento da humanidade. Os homens fizeram opção pelo liberalismo, ou pelo neoliberalismo, a que todos nós estamos submetidos. Qualquer exercício de resistência é uma utopia, um sonho, uma ilusão passageira.
     O amor, infelizmente, também tem um preço. A prostituição já está há muito no mercado. O que é novo nesse “mercado” é o tráfico de homens e de mulheres que vivem como escravos nos países da Europa, principalmente na Itália e na Espanha. O Brasil exporta sexo.
     Há um secreto e camuflado tráfico internacional de sexo, associado a todos os outros tráficos: drogas, armas, mídias... Aliás, a título de informação, muitos que são a favor da descriminalização das drogas, são contra, porque se descriminalizadas, estaríamos liberando automaticamente o tráfico de armas, medicamentos, homens, mulheres, crianças e de órgãos humanos. O crime organizado pratica todas as formas de crimes.
     A própria ONU – Organização das Nações Unidas – considera o tráfico de sexo a mais moderna forma de escravidão. Fala-se, por ano, em dois milhões de pessoas submetidas a esse tipo de crime. É muita gente! É gente toda vida! Desses dois milhões, um milhão está a serviço do sexo. O número de mulheres submetidas à escravidão sexual chega a 98%.
     Esse “turismo” sexual rende aos cofres de muitos “empresários” safados o montante de 32 milhões de dólares por ano. É muito dinheiro! É dinheiro toda vida! É uma mina de ouro com um “investimento” quase zero. É muito lucro! É lucro toda vida!
     Em seus países, esses empresários são pessoas respeitadas, influentes e até financiam campanhas eleitorais de presidente, deputados, prefeitos. Quem financia campanhas eleitoras, por princípio, está fazendo investimento, no mínimo, para depois, não serem presos, julgados e condenados pela Justiça de seus países. Na verdade, é um lucro sem controle nenhum.
     Esses empresários se apresentam, aqui, no Brasil, oferecendo emprego para jovens, preferencialmente de pouca escolaridade e sem saberem a língua para onde serão levados, mudarem de vida, para receberem altos salários, para terem uma ascensão social e econômica. A promessa de um futuro rico, maravilhoso e esplendoroso provoca comichões, arrepios em muitos jovens. Claro, aqui, não terão um emprego assim tão rendoso. Situação semelhante acontece com o futebol. Há meninos brasileiros jogando futebol na Europa.
     Claro, esses jovens brasileiros sabem que estarão a serviço da prostituição, mas as promessas são tentadoras. Muitos pais e mães chegam a incentivar a ida de seus filhos para o exterior, porque também acreditam que o dinheiro é e será sempre prioridade. Tudo é organizado pelos empresários: roupas, sapatos, passaportes, viagem (normalmente só de ida!), compondo, construindo, constituindo uma “dívida” que os jovens deverão pagar aos poucos, em suaves prestações. Taí, a escravidão!
     Para pagarem a dívida, terão, obviamente, de trabalhar mais, de se prostituírem mais. Há algumas estratégias para a entrada desses jovens no exterior. Se, por exemplo, forem morar na Espanha, descem do avião e se apresentam ao Serviço de Imigração de outro país, que, de uma certa maneira, facilita a entrada desses jovens. Se forme morar na Espanha, o Serviço de Imigração da Espanha é por demais rigoroso. No fundo, cria problemas pros outros. Os outros que se virem! Como muitos desses serviços de imigração são também corruptos, recebem propina, aumentando a dívida dos jovens recém-chegados.
     Começa, agora, o caminho para o verdadeiro inferno. É a hora de os jovens perceberem que foram enganados. Agora é tarde, porque têm uma dívida a ser paga. Muitos não sabem nem onde estão e são vigiados vinte e quatro horas por dia, porque também os empresários têm medo de os jovens fugirem, ou serem denunciados. Daí, terem o controle absoluto de seus empregados. Se resistentes, vêm as ameaças. Passam a viver praticamente num cárcere privado, sem direitos e sem identidade, sem liberdade e sem sossego.
     Os endereços de lá são mudados várias vezes para que se algum familiar daqui viajar a Europa não encontre esses jovens. As mulheres, normalmente, no período menstrual, mudam de cidade. A estratégia também é para as mulheres, principalmente, não criarem nenhum vínculo amoroso com algum cliente. É a ditadura do medo de represália, de retaliação sobre algum familiar!
     Além disso, as pessoas brasileiras ainda têm medo do que as outras pessoas falam delas – o que obriga os jovens a permanecerem calados e nada denunciarem. Sem denúncia, a polícia brasileira, o governo brasileiro ficam de mãos atadas. Os meios de comunicação, jornais, revistas e canais televisão fazem o que podem, mas quase tudo anonimamente, sem identificar pessoas e endereços.
     As mulheres brasileiras, na Europa, têm a fama de quentes, gostosas, atraentes, exóticas, bundudas, insaciáveis, e ainda gostam do que fazem. Inversamente, muitos magnatas europeus vêm ao Brasil para o turismo sexual em busca dessas mesmas mulheres. É a fome com a vontade de comer!
     Os homens brasileiros, na Europa, viram gogoboys – dançarinos de boates, mulas do tráfico de drogas, incluindo o Viagra e o Popper (medicamentos para vasodilatação!) – uma tarefa paralela à prostituição. Como tudo para eles também foi facilitado por empresas internacionais (crime organizado), os rapazes têm uma dívida a ser paga – o que caracteriza a escravidão, a dependência econômica. Não tem jeito de se livrar das quadrilhas.
     Em praticamente todos os países do mundo, a prostituição é tolerada, é aceita pelas autorizadas, mesmo sendo considerada ilegal. Poucos países legalizaram a prostituição como uma profissão. Em outros países, inclusive no Brasil, para se fraudar a lei, rapazes e moças são registrados por essas empresas como atores e atrizes, bailarinos e bailarinas. As polícias não têm muitas chances de investigação, já que muitos empresários têm documentos falsos e não têm residência fixa.
     Na mesma proporção em que a oferta de empregos diminui, aumentam as oportunidades para um serviço “escravo”: prostituição e tráfico. Em sã consciência, possivelmente, ninguém opta por um serviço escravo. Na realidade, muitos são empurrados para a servidão.
     O Ministério da Justiça, no Brasil, tenta aperfeiçoar a legislação para coibir o tráfico de pessoas – o que não é uma tarefa fácil, já que pouquíssimas pessoas registram denúncias de crime desse quilate. As estatísticas, os números de denúncias não são suficientes para uma ação mais positiva e rigorosa.
     É possível ainda o envolvimento de funcionários públicos de embaixadas nesse negócio altamente lucrativo. É possível ainda uma certa cumplicidade de alguns elementos da polícia com esses empresários. Enquanto isso, muitos “empresários” nadam de braçada, livres para lucrarem com a desgraça de muitos rapazes e moças.      
    
      
Questão   franciscana

     Não raro, as grandes coisas têm origem humilde. O Amazonas, o maior rio da Terra em volume de água, nasce de uma insignificante fonte entre duas montanhas de mais de cinco mil metros de altura ao sul de Cuzco, no Peru. O São Francisco, o rio da unidade nacional, se origina de uma pequeníssima fonte no alto da Serra da Canastra, em Minas Gerais. Lentamente as águas vão se somando a outras águas até formarem rios caudalosos que deságuam no vasto mar.
     Algo semelhante ocorreu com a Oração pela Paz. Nasceu anônima, na periferia, sem que ninguém lhe desse importância especial. Aos poucos, seu conteúdo belo e inspirador foi acalorando corações e acendendo mentes. Como um raio de luz que segue seu curso pelos espaços sem fim, a Oração pela Paz foi se difundindo até ganhar o mundo inteiro.
       A Oração pela Paz apareceu pela primeira vez em 1913 numa pequena revista local da Normandia, na França. Vinha sem referência de autor, transcrita de uma outra revista tão insignificante, que nem deixou sinal na história, pois não foi encontrada em nenhum arquivo da França.
Do livro: “A Oração de São Francisco – uma mensagem de paz para o mundo atual”,
de Leonardo Boff, publicado pela Editora Sextante, Rio de Janeiro, 1999.