quarta-feira, 20 de julho de 2011

PORTUGUÊS AO ALCANCE DE TODOS - 7

Vamos continuar criando situações-problema da Língua Portuguesa. Hoje teremos questão de 301 a 350. Caso queira saber todas as situações-problema, abra páginas anteriores. A sistemática é a mesma: começamos com frases bem comuns, dentro de um retângulo, consideradas "fora do padrão-linguístico"; em seguida damos uma pequena explicação e por fim as mesmas frases "dentro do padrão-libguístico". Vamos à obra:

301.   Precavenham-se contra os enganadores, criadores de ilusões e charlatães. Eu me precavejo contra as doenças contagiosas, tomando todas as vacinas existentes. Eu me precavejo contra os perigos da vida. Ele se precaviu contra as doenças.
PRECAVER = está aí um dos verbos mais difíceis, porque as pessoas, de modo geral, conjugam-no em todos os tempos e pessoas. No presente do indicativo, só poderá ser conjugado nas formas arrizotônicas – tonicidade fora da raiz – (nós e vós) e por isso não existe o presente do subjuntivo. A solução é substituí-lo por um sinônimo: prevenir – acautelar ou criar-se uma locução verbal. Assim: eu me precavejo = eu me previno, eu estou me precavendo, eu vou me precaver. Os outros tempos são conjugados normalmente, seguindo o paradigma do vender.
Portanto, Previnam-se (acautelem-se)(estejam precavidos) contra os enganadores, criadores de ilusões e charlatães. Eu me previno (acautelo)(estou me precavendo) contra as doenças contagiosas, tomando todas as vacinas existentes. Eu me acautelo (previno)(vou me precaver) contra os perigos da vida. Ele se precaveu contra as doenças.


302. Hoje fazem quinze dias que você me enviou a poesia. Ontem fizeram dez anos que nos víamos. Vão fazer anos que não nos vemos. Vai dez meses que eu te namoro. Vão por dois meses que te namoro. Ia sete dias de chuvas sem parar. Iam para sete dias que ele morreu. Vai trinta anos de repressão.
Você já sabe que o verbo FAZER com ideia de tempo passado é impessoal, sendo usado sempre no singular. Apresentamos a você as expressões IR POR – IR PARA – IR EM também com ideia de tempo são impessoais, sendo usadas no singular. Observe que se você não usar a preposição, o verbo torna-se pessoal.
Portanto, Hoje faz quinze dias que você me enviou a poesia. Ontem fez dez anos que nos víamos. Vai fazer anos que não nos vemos. Vão dez meses que eu te namoro. Vai por dois meses que te namoro. Iam sete dias de chuvas sem parar. Ia para sete dias que ele morreu. Vão trinta anos de repressão.


303. Os decoradores são muito detalhistas, porque se preocupam até com o alisar das portas. Deve-se alizar bem a madeira para evitar ferimentos nas quinas. É preciso alizar o chão antes de colocar os azulejos.
ALISAR = tornar liso, plano, macio, aplainar, igualar, desencrespar (o cabelo). ALIZAR = guarnição de madeira, que cobre a junta entre o umbral e a parede, entre o marco da esquadria e a parede.
Portanto, Os decoradores são muito detalhistas, porque se preocupam até com o alizar das portas. Deve-se alisar bem a madeira para evitar ferimentos nas quinas. É preciso alisar o chão antes de colocar os azulejos.


304. O Padre Anchieta é canariano. Dom Quixote, imortalizado na obra de Miguel de Cervantes, é manchense. Os uberabanos são sempre muito dóceis. Jesus Cristo é belenense.
Os adjetivos pátrios são sempre muito curiosos e, muitas vezes, a sua explicação provém da própria história do país, da região, da cidade, por força etimológica. Veja alguns adjetivos pátrios curiosos: Ilhas Canárias = canário; Cândia = candiota; Chipre = cipriota; Filipinas = tagalo; Gasgonha = gascão; Goa = camarim; Guiné = guinéu; Jerusalém = hierosolimita; Lisboa = ulissiponense; Madagáscar = malgaxe; Mancha = manchego; Nilo = nilótico; Pádua = patavino; Palermo = panormitano; Parma – parmesão; Patagônia = patagão; Peru = quíchua; Santarém = escalabitano; Sardenha = sardo; Suíça = helvécio; Terra do Fogo = fueguino; Salvador = soteropolitano; Três Corações = tricordiano...
Portanto, O Padre Anchieta é canarino. Dom Quixote, imortalizado na obra de Miguel de Cervantes, é manchego. Os uberabenses são sempre muito dóceis. Jesus Cristo é belenita.


305. Vem à cidade os ministros e secretários de Estado. Vêm o palhaço trazendo um bicho na mão. Eles tem um só carro: cada dia é de um. Meu pai me têm dito que a vida é um combate. As cidades que tem mais de quinhentos mil habitantes já são consideradas metrópoles. Vêm, ó menino vadio!
As palavras TEM e VEM sem acento são a terceira pessoas do singular dos verbos ter e vir. As palavras TÊM e VÊM com acento circunflexo são a terceira pessoa do plural dos verbos ter e vir.
Portanto, Vêm à cidade os ministros e secretários de Estado. Vem o palhaço trazendo um bicho na mão. Eles têm um só carro: cada dia é de um. Meu pai me tem dito que a vida é um combate. As cidades que têm mais de quinhentos mil habitantes já são consideradas metrópoles. Vem, ó menino vadio!


306. Acude a tudo que lhe perguntam. A triste melodia bule com ela, deixando-a aos prantos. Sempre que posso, acodo os amigos. Ele acodiu as crianças que brincavam no zoológico. Não bolirás com as pessoas tímidas. Nós bolíamos com nossos colegas gagos e obesos. Os meninos boliam com os colegas gagos e obesos.
Os verbos ACUDIR – BULIR têm uma conjugação própria. Há muitos problemas de ortografia com esses verbos. A dificuldade deles reside no presente do indicativo e nos tempos derivados do presente. Conjuguemos um deles no presente: aCUdo – aCOdes – aCOde – aCUdimos – aCUdis – aCOdem. Nos outros tempos, modos e pessos, conserva-se o U.
Portanto, Acode a tudo que lhe perguntam. A triste melodia bole com ela, deixando-a aos prantos. Sempre que posso, acudo os amigos. Ele acudiu as crianças que brincavam no zoológico. Não bulirás com as pessoas tímidas. Nós bulíamos com nossos colegas gagos e obesos. Os meninos buliam com os colegas gagos e obesos.


307. Procedia-se a leitura do documento oficial. Ele procedeu a chamada dos alunos. A chamada dos alunos foi procedida pelos professores. Para que fosse procedida a sessão, o presidente da Câmara providenciou uma maior segurança dos deputados.
O verbo PROCEDER é transitivo indireto, exigindo a preposição A (ao – à – aos – às). Verbos transitivos indiretos não podem ter voz passiva, com raríssimas exceções, com o verbo obedecer, desobedecer, pagar, perdoar, agradecer. É comum frase assim: o jogo foi assistido por fanáticos. Essa frase não pode ser usada na voz passiva, pois na ativa jogo é objeto indireto = fanáticos assistiram ao jogo.
Portanto, Procedia-se à leitura do documento oficial. Ele procedeu à chamada dos alunos. À chamada dos alunos procederam os professores. Para que fosse procedida à sessão, o presidente da Câmara providenciou uma maior segurança dos deputados.


308. Os dois ficaram conforme nas discussões. Vivíamos conformes com a sorte. Fazia discursos conforme aos desejos das pessoas. Foram declarações conforme à lei. Vivia conformes os ensinamentos do Evangelho.
A palavra CONFORME é adjetivo, quando se liga a um substantivo, concordando com ele. É advérbio quando não se liga a um substantivo e, portanto, invariável.
Portanto, Os dois ficaram conformes nas discussões. Vivíamos conforme com a sorte. Fazia discursos conformes aos desejos das pessoas. Foram declarações conformes à lei. Vivia conforme os ensinamentos do Evangelho.


309. O contrário de ascensão é dissenção. Houve uma descensão do cristianismo, pois são mais de mil e quinhentas igrejas cristãs, espalhadas pelo mundo. A discensão do sol é pouco observada pelas pessoas.
O melhor para se resolver problema de ortografia e/ou significados de palavras é consultar um bom dicionário. DESCENSÃO = ato de descer. DISSENSÃO = divergência de opiniões ou de interesses, desavença, desinteligência, dissidência.
Portanto, O contrário de ascensão é descensão. Houve uma dissensão do cristianismo, pois são mais de mil e quinhentas igrejas cristãs, espalhadas pelo mundo. A descensão do sol é pouco observada pelas pessoas.


310. Se Vossa Excelência fôsseis insultada não agiria da mesma forma? Convido Vossa Senhoria e vossa família para as festividades de Santos Reis. Vossa Excelência, o senhor prefeito, mandou avisar que não pode participar do evento, porque tinha um encontro com o presidente. Vossa Excelência dá muitos conselhos, mas não sabe cuidar de vossos filhos.
Os pronomes de tratamento são sempre terceira pessoa. Basta substituir qualquer tratamento por VOCÊ. Assim: Vossa Excelência sois bondoso com o povo = Você é bondoso com o povo = por isso, Vossa Excelência é bondoso com o povo. Outro detalhe: caso não esteja claro, na frase, que o tratamento se refere a uma mulher, a concordância deverá ser feita no masculino. A palavra VOSSA na frente do tratamento se refere a uma autoridade presente, quando se fala COM. A palavra SUA na frente do tratamento se refere a uma autoridade ausente, quando se fala DE.
Portanto, Se Vossa Excelência foi insultado não agiria da mesma forma? Convido Vossa Senhoria e sua família para as festividades de Santos Reis. Sua Excelência, o senhor prefeito, mandou avisar que não pode participar do evento, porque tinha um encontro com o presidente. Vossa Excelência dá muitos conselhos, mas não sabe cuidar de seus filhos.


311. Como tudo, hoje, é mercadoria, as palavras clientes e fregueses se confundem. Os fregueses das escolas, dos hospitais, de consultórios se encontram com os clientes que saíam das lojas. Os alunos, hoje, para muitos são considerados clientes, porque as escolas estão comercializadas.
CLIENTE = aquele que confia a defesa de seus direitos e interesses a alguém. FREGUÊS = aquele que compra ou vende.
Portanto, Como tudo, hoje, é mercadoria, as palavras clientes e fregueses se confundem. Os clientes das escolas, dos hospitais, de consultórios se encontram com os fregueses que saíam das lojas.  Os alunos, hoje, para muitos são considerados fregueses, porque as escolas estão comercializadas.


312. O delegado interrogava aos suspeitos. Maria e José encontraram ao Menino depois de três dias. Conhecemos aos segredos dos corações humanos. A estranha mulher atende aos vizinhos sem nunca abrir a porta. Os japoneses respeitam sempre aos mais idosos.
Os verbos interrogar – encontrar – conhecer – atender – respeitar são transitivos diretos, por isso não podem ser usados com preposição.
Portanto, O delegado interrogava os suspeitos. Maria e José encontraram o Menino depois de três dias. Conhecemos os segredos dos corações humanos. A estranha mulher atende os vizinhos sem nunca abrir a porta. Os japoneses respeitam sempre os mais idosos.


313. Os vermes consumem os cadáveres. Após a sua infâmia, cospiam-lhe por onde passasse. Ele consume tudo o que é posto em sua frente. Ele cospiu no prato que comeu – fala mal de seus familiares. Não deves cospir no chão. O povo consomirá produtos apresentados pela televisão.
Os verbos CONSUMIR – CUSPIR uma conjugação própria. Há muitos problemas de ortografia com esses verbos. A dificuldade deles reside no presente do indicativo e nos tempos derivados do presente. Conjuguemos um deles no presente: CUspo – COspes – COspe – CUspimos – CUspis – COspem. Nos outros tempos, modos e pessoas, conserva-se o U.
Portanto, Os vermes consomem os cadáveres. Após a sua infâmia, cuspiam-lhe por onde passasse. Ele consome tudo o que é posto em sua frente. Ele cuspiu no prato que comeu – fala mal de seus familiares. Não deves cuspir no chão. O povo consumirá produtos apresentados pela televisão.


314. Conheço todos eles. Eu amo ela. Admiro eles terem brigado por melhores salários. Mandei eles calarem a boca. Deixei eles expostos ao sol da manhã. Vi todos eles com cartazes nas mãos gritarem e fazerem protestos contra o governo.
Os pronomes ELE – ELES – ELA – ELAS quando exercem a função de objeto direto devem ser substituídos por O – A – OS – AS. Com os pronomes oblíquos o verbo deve ser usado no infinitivo impessoal, invariável.
Portanto, Conheço-os todos. Eu a amo. Admiro-os ter brigado por melhores salários. Mandei-os calar a boca. Deixei-os expostos ao sol da manhã. Vi-os com cartazes nas mãos gritar e fazer protestos contra o governo.


315. Isso não é para mim fazer. É bom para mim escrever um pouco todos os dias. Trouxe para eu uma linda lembrança de Paris. Viver para eu é lutar, sem parar, por aquilo que se sonha. Tudo fez para mim ser feliz. Para eu não é assim tão fácil viver e conviver com pessoas diferentes e até contrárias a nós. Na despedida, acenava para eu como se nunca mais fôssemos ver-nos.
A expressão PARA EU só poderá ser usada se o eu for sujeito. PARA MIM é usada quando o mim não for sujeito. Observe esta frase: Viver é lutar, para mim = Para mim, viver é lutar = Viver, para mim, é lutar. Em nenhuma dessas frases se quis dizer que sou EU que luto, ou vivo; portanto mim não é sujeito. Essa expressão “para mim” está significando: eu acho, eu penso... Para facilitar façamos o seguinte: todas as vezes que para mim significar “eu penso” – “eu acho” deve-se usar “para mim”.
Portanto, Isso não é para eu fazer. É bom para mim escrever um pouco todos os dias. Trouxe para mim uma linda lembrança de Paris. Viver para mim é lutar, sem parar, por aquilo que se sonha. Tudo fez para eu ser feliz.  Para mim não é assim tão fácil viver e conviver com pessoas diferentes e até contrárias a nós. Na despedida, acenava para mim como se nunca mais fôssemos ver-nos.


316. Podem mandarem as compras para a minha casa. Devem escreverem seus nomes nas provas. Hão de vencerem os mais espertos. Têm de falarem sempre a verdade. Vão começarem as provas às oito horas. Começam a estudarem pelas lições mais fáceis. Costumam falarem os alunos ao mesmo tempo. Devemos amarmo-nos uns aos outros. Vamos fazermos as pazes, porque não quero morrer com desgostos.
Nas locuções verbais – dois ou mais verbos, unidos ou não por preposição, referindo-se a um único sujeito – o primeiro verbo auxiliar será variável ou não, dependendo do que exige o verbo principal (verbo auxiliar obedece ao verbo principal); e os outros, inclusive o principal, ficam invariáveis. Assim: posso mandar, podes mandar, pode mandar, podemos mandar, podeis mandar, podem mandar. Nem sempre dois ou mais verbos formam uma locução. Observe as seguintes frases: mandei entrarem os convidados = mandei que entrassem os convidados; mandaste entrarem os convidados = mandaste que entrassem os convidados; mandou entrarem os convidados = mandou que entrassem os convidados; mandamos entrarem os convidados = mandamos que entrassem os convidados; mandastes entrarem os convidados = mandastes que entrassem os convidados; mandaram entrarem os convidados = mandaram que entrassem os convidados.
Portanto, Podem mandar as compras para a minha casa. Devem escrever seus nomes nas provas. Hão de vencer os mais espertos. Têm de falar sempre a verdade. Vão começar as provas às oito horas. Começam a estudar pelas lições mais fáceis. Costumam falar os alunos ao mesmo tempo. Devemos amar-nos uns aos outros. Vamos fazer as pazes, porque não quero morrer com desgosto.


317. Isso não implica numa suspensão das aulas. Os colegas de banca implicaram o senador ao caso do mensalão. Por que o professor implica muito a aluna mais estudiosa? A visita do Obama não implica na decretação de feriado pela presidenta Dilma.
O verbo IMPLICAR, no sentido de acarretar, produzir efeitos e/ou consequências é transitivo direto; no sentido de envolver, enredar é transitivo indireto com a preposição EM (no – na – nos – nas); no sentido de ser incompatível, ter implicância, é transitivo indireto com a preposição COM.
Portanto, Isso não implica suspensão das aulas. Os colegas de banca implicaram o senador no caso do mensalão. Por que o professor implica muito com a aluna mais estudiosa. A visita do Obama não implica a decretação de feriado pela presidenta Dilma.


318. Desentopo a pia da cozinha, quando é necessário. Os detritos entupem o cano. Gorduras no organismo entupem as veias. Para desentopir veias e artérias basta passar por elas um cateter. Desentopo a pia da cozinha com um jato de água quente. Os sacos plásticos, na enxurrada, entopiram os bueiros e daí a enchente.
Os verbos DESENTUPIR – ENTUPIR têm uma conjugação própria. Há muitos problemas de ortografia com esses verbos. A dificuldade deles reside no presente do indicativo e nos tempos derivados do presente. Conjuguemos um deles no presente: enTUpo – enTOpes – enTOpe – enTUpimos – enTUpis – enTOpem. Nos outros tempos, modos e pessoas, conserva-se o U.
Portanto, Desentupo a pia da cozinha, quando é necessário. Os detritos entopem o cano. Gorduras no organismo entopem as veias. Para desentupir veias e artérias basta passar por elas um cateter. Desentupo a pia da cozinha com um jato de água quente. Os sacos plásticos, na enxurrada, entupiram os bueiros e daí a enchente.


319. Se a polícia detesse todos os criminosos, não haveria lugar para tanta gente. Quando deterem, com paciência e humanidade, o avanço das cidades, existirão menos favelas. A custo deteu o riso. Os policiais deteram os traficantes. Se a polícia deter os assaltantes, a população viverá alguns dias em paz.   
O verbo DETER é conjugado igual ao verbo ter. Basta-lhe acrescentar o prefixo. Assim: tiver = detiver; tivesse = detivesse; tenho = detenho.
Portanto, Se a polícia detivesse todos os criminosos, não haveria lugar para tanta gente. Quando detiverem, com paciência e humanidade, o avanço das cidades, existirão menos favelas. A custo deteve o riso. Os policiais detiveram os traficantes. Se a polícia detiver os assaltantes, a população viverá alguns dias em paz.


320. O assaltante tinha morto um homem. Um homem tinha sido matado pelo assaltante. Teria morto o filho, se os populares não tivessem intervindo. A criança havia sido matado no conforto de bandidos com a polícia. Morrido o tempo, é impossível recuperá-lo.
MORRIDO é particípio regular do verbo morrer. MATADO é particípio regular do verbo matar. MORTO = é particípio irregular tanto de morrer quanto matar. O particípio regular é usado com os verbos auxiliares ter e haver, enquanto o particípio irregular é usado com os auxiliares ser, estar, ficar e como adjetivo. Popularmente, para caracterizar a morte de alguém, usamos MORTE MORRIDA (morte natural) e MORTE MATADA (morte por assassinato). O povo é mais sábio do que os gramáticos.
Portanto, O assaltante tinha matado um homem. Um homem tinha sido morto pelo assaltante. Teria matado o filho, se os populares não tivessem intervindo. A criança havia sido morta no conforto de bandidos com a polícia. Morto o tempo, é impossível recuperá-lo.


321. Dois caroços (^) de azeitona não pesa quase nada, mas um de abacate pesa mais. Pela manhã, tenho o costume de comer dois ovos (^) cozidos. Os povos (^) estiveram sempre em guerra, mas desejaram sempre a paz. Aqueles globos (^) do teto são muito frágeis. Os ossos (^) do pé humano não foram feitos para suportar o peso do corpo.
Em geral, as palavras não devem sofrer alteração na pronúncia da passagem do singular para o plural. Assim, gosto (^) não se discute = gostos (^) não se discutem. Algumas palavras fogem à regra: timbre fechado no singular e aberto no plural. Vejamos algumas delas (leia-as em voz alta para acostumar o ouvido): abrolhos – fogos – porcos – caroços – fornos – portos – chocos – foros – postos – choros – forros – povos – contornos – fossos – renovos – cornos – globos – rogos – coros – impostos – socorros – corpos – jogos – tijolos – corvos – miolos – tojos – despojos – olhos – tornos – destroços – ossos – tremoços – escolhos – ovos – trocos – esforços – poços – troços. Acredito ter listado a maioria das palavras.
Portanto, Dois caroços (´) de azeitona não pesa quase nada, mas um de abacate pesa mais. Pela manhã, tenho o costume de comer dois ovos (´) cozidos. Os povos (´) estiveram sempre em guerra, mas desejaram sempre a paz. Aqueles globos (´) do teto são muito frágeis. Os ossos (´) do pé humano não foram feitos para suportar o peso do corpo.    


322. Escapule sempre das mãos da polícia. Ninguém fogia ao destino. O animal escapoliu da jaula. Com o reforço das grades, os leões não mais escapolirão do zoológico. Que possamos fogir dos países governados por loucos. As crianças fugem tão logo os pais saem de casa.
Os verbos ESCAPULIR – FUGIR têm uma conjugação própria. Há muitos problemas de ortografia com esses verbos. A dificuldade deles reside no presente do indicativo e nos tempos derivados do presente. Conjuguemos um deles no presente: FUjo – FOges – FOge – FUgimos – FUgis – FOgem. Nos outros tempos, modos e pessoas, conserva-se o U.
Portanto, Escapole sempre das mãos da polícia. Ninguém fugia ao destino. O animal escapuliu da jaula. Com o reforço das grades, os leões não mais escapulirão do zoológico. Que possamos fugir dos países governados por loucos. As crianças fogem tão logo os pais saem de casa.


323. Por ser cocho, não foi ao coxo para verificar a forragem. Os alimentos de animais são colocados em coxos. Um professor cocho era chamado pelos alunos de “deixa que eu chuto”.
COCHO = tabuleiro, caixa, espécie de vasilha feita com um tronco de madeira escavada, para a água ou a comida do gado. COXO = que coxeia, caxingó, coxé, manco, manquitó, manquitola, pencó, pengó, rengo.
Portanto, Por ser coxo, não foi ao cocho para verificar a forragem. Os alimentos de animais são colocados em cochos. Um professor coxo era chamado pelos alunos de “deixa que eu chuto”.


324. Quer namorar comigo? Maria namora com todos os homens bonitos e ricos. O suicida, segundo especialistas, namora muito com a morte antes de praticar o ato, que é o casamento. Namoro com a lua, namorando com você.
O verbo NAMORAR é transitivo direto, por isso deve ser usado sem preposição. Os pronomes que podem substituir o objeto direto são os átonos: O – A – OS – AS – ME – TE – NOS – VOS.
Portanto, Quer me namorar? Maria namora todos os homens bonitos e ricos. O suicida, segundo especialistas, namora muito a morte antes de praticar o ato, que é o casamento. Namoro a lua, namorando você.  


325. Quando me acordei, o sol já estava alto. Nós nos acordamos debaixo de um temporal. Os operários se acordam todos os dias antes das três. Quem mora na roça, acorda-se com as galinhas.
O verbo ACORDAR, no sentido de despertar do sono, não é pronominal, nem reflexivo, como queira.
Portanto, Quando acordei, o sol já estava alto. Nós acordamos debaixo de um temporal. Os operários acordam todos os dias antes das três. Quem mora na roça, acorda com as galinhas.


326. Receiávamos a volta do patrão. Freiava sempre o carro no último momento. Ceiava com seus discípulos quando foi traído. Passeiavam pelos campos as crianças. Os meninos recreiavam tranquilamente nas salas de aula. Gea muito no Sul do Brasil.
Temos, aqui, os verbos terminados em EAR. O presente de indicativo, em suas formas rizotônicas, tem acrescentado um I. Conjuga-se o presente assim: passeio, passeias, passeia, passeamos, passeais, passeiam. Os tempos derivados do presente do indicativo – presente do subjuntivo, imperativo afirmativo e imperativo negativo – conservam o I nas formas rizotônicas. Em todos outros tempos não deve mais aparecer o I. Assim: ele freou, aqui geava, nós cearemos...
Portanto, Receávamos a volta do patrão. Freava sempre o carro no último momento. Ceava com seus discípulos quando foi traído. Passeavam pelos campos as crianças. Os meninos recreavam tranquilamente nas salas de aula. Geia muito no Sul do Brasil.


327. A briga sempre recomeça quando ele rebule no assunto familiar. Não bola nesse assunto. Aquele rapaz gostar de bolir com a moça. A brisa rebolia as folhas das palmeiras. A moça anda bolindo com os quadris.
Os verbos REBULIR – BULIR têm uma conjugação própria. Há muitos problemas de ortografia com esses verbos. A dificuldade deles reside no presente do indicativo e nos tempos derivados do presente. Conjuguemos um deles no presente: BUlo – BOles – BOle – BUlimos – BUlis – BOlem. Nos outros tempos, modos e pessoas, conserva-se o U.
Portanto, A briga sempre recomeça quando ele rebole no assunto familiar. Não bula nesse assunto. Aquele rapaz gostar de bulir com a moça. A brisa rebulia as folhas das palmeiras. A moça anda bulindo com os quadris.


328. O corpo, já em processo de decomposição, imergiu depois de dez horas. Os bombeiros emergiram nas águas poluídas do Tietê em busca dos corpos. Imergirão os mortos do Titanic? Dizem os entendidos que depois de dias os corpos de afogados imergem; será verdade?
EMERGIR = boiar, sair que onde estava mergulhado. IMERGIR = mergulhar, ir ao fundo de águas.
Portanto, O corpo, já em processo de decomposição, emergiu depois de dez horas. Os bombeiros imergiram nas águas poluídas do Tietê em busca dos corpos. Emergirão os mortos do Titanic? Dizem os entendidos que depois de dias os corpos de afogados emergem; será verdade?


329. Não veio e nem me avisou. Não se casou e nem comprou uma bicicleta. Não estudou e nem compareceu para fazer a prova. Não aceito suas condições e nem acredito em suas promessas. Robinho não joga mais no Santos e nem para time algum.
A palavra NEM significa E NÃO. Ou a gente usa a palavra nem, sem a conjunção E, ou usa a palavra não com ou sem a conjunção E.
Portanto, Não veio nem me avisou. Não se casou nem comprou uma bicicleta. Não estudou nem compareceu para fazer a prova. Não aceito suas condições nem acredito em suas promessas. Robinho não foi convocado para a seleção, nem joga mais no Santos, nem para time algum.


330. Fomos a Barretos durante a Festa do Pião. Os meninos de hoje não sabem soltar o peão – um brinquedo artesanal. Você não pode movimentar o pião, do jogo de xadrez, dessa maneira! A construtora está contratando muitos piões de obra.
Palavra PEÃO significa pedestre; soldado de infantaria; peça de movimento limitado no jogo de xadrez; amansador de cavalos; condutor de tropas; trabalhador rural; servente de obra na construção civil. A palavra PIÃO significa um brinquedo piriforme que gira impulsionado por um cordel, enrolado, nele.
Portanto, Fomos a Barretos durante a Festa do Peão. Os meninos de hoje não sabem soltar o pião – um brinquedo artesanal. Você não pode movimentar o peão, do jogo de xadrez, dessa maneira! A construtora está contratando muitos peões de obra.


331. Entraram mais emigrantes aqui do que na Argentina. Os emigrantes italianos, japoneses e alemães nos ajudaram a construir o Brasil. Alguns jogadores brasileiros imigram para a Europa na esperança de jogarem em uma seleção de lá.
 EMIGRAR = sair daqui para lá (EX – movimento para fora); IMIGRAR = entrar num país vindo de outro (IN = movimento para dentro). Todo emigrante é imigrante, dependendo do lugar em que se fala: para nós, brasileiros, o italiano é imigrante, mas é emigrante, em relação aos italianos.
Portanto, Entraram mais imigrantes aqui do que na Argentina. Os imigrantes italianos, japoneses e alemães nos ajudaram a construir o Brasil. Alguns jogadores brasileiros emigram para a Europa na esperança de jogarem em uma seleção de lá.


332. Perguntou os alunos sobre o acidente. Parava o discurso e perguntava os presentes se queriam falar alguma coisa. Os filhos sempre perguntam os pais de onde vêm, como nascem. O diretor perguntou  os alunos se queriam assistir à peça de Teatro.
O verbo PERGUNTAR exige objeto direto de coisa e objeto indireto de pessoa, com a preposição A (AO – À – AOS – ÀS).
Portanto, Perguntou aos alunos sobre o acidente. Parava o discurso e perguntava aos presentes se queriam falar alguma coisa. Os filhos sempre perguntam aos pais de onde vêm, como nascem. O diretor perguntou  aos alunos se queriam assistir à peça de Teatro.


333. Não saímos por que tínhamos muitas obrigações. Não sei porque ele não veio. Não sei o motivo porque ele não veio. Porque não vieste? Não vieste porque? Eu sei o porque de sua vinda a Uberaba.  
POR QUE = pronome interrogativo, sem ser a última palavra da frase; pronome relativo que poderá ser substituído por pelo qual – pela qual – pelos quais – pelas quais; conjunção integrante que introduz uma oração subordinada. POR QUÊ = pronome interrogativo no final da frase; interjeição. PORQUE = respostas; conjunção causal, explicativa, final. PORQUÊ = função de substantivo.
Portanto, Não saímos porque tínhamos muitas obrigações. Não sei por que ele não veio. Não sei o motivo por que ele não veio. Por que não vieste? Não vieste por quê? Eu sei o porquê de sua vinda a Uberaba.


334. As ondas crescem, aproximam-se da terra, e refugem. Os ladrões conseguiram refogir da cadeia de segurança máxima. Sacodo os galhos da laranjeira, porque as laranjas maduras estão altas. Sacodia as pernas como alguém que não conseguisse ficar parado.
Os verbos REFUGIR – SACUDIR têm uma conjugação própria. Há muitos problemas de ortografia com esses verbos. A dificuldade deles reside no presente do indicativo e nos tempos derivados do presente. Conjuguemos um deles no presente: saCUdo – saCOdes – saCOde – saCUdimos – saCUdis – saCOdem. Nos outros tempos, modos e pessoas, conserva-se o U.
Portanto, As ondas crescem, aproximam-se da terra, e refogem. Os ladrões conseguiram refugir da cadeia de segurança máxima. Sacudo os galhos da laranjeira, porque as laranjas maduras estão altas. Sacudia as pernas como alguém que não conseguisse ficar parado.


335. Não há mais servos no Pantanal. A Princesa Isabel, com a Lei Áurea, libertou todos os cervos. Muitos cervos escapavam-se das garras dos senhores de engenho. Muitos servos habitam o Cerrado brasileiro.
CERVO = mamífero artiodáctilo, suaçuetê, suaçupucu, veado. SERVO = aquele que não tem direitos, ou não dispõe de sua pessoa e bens, escravo, servidor, servente, serviçal, criado.
Portanto, Não há mais cervos no Pantanal. A Princesa Isabel, com a Lei Áurea, libertou todos os servos. Muitos servos escapavam-se das garras dos senhores de engenho. Muitos cervos habitam o Cerrado brasileiro.


336. Ele é natural e residente em Uberaba. João está carente e apto para o amor. Vi e gostei de você. Assisti e gostei do filme. Preciso e amo você. Queremos e precisamos de paz.
Dois verbos, ou qualquer outra palavra, não se harmonizam, quando têm termos regidos por preposições diferentes.
Portanto, Ele é natural de Uberaba e residente em Uberaba. João está carente de amor e apto para o amor. Vi você e gostei de você. Assisti ao filme e gostei do filme. Preciso de você e amo você. Queremos a paz e precisamos de paz.    


337. Nas águas verdes-azuis do Atlântico está a solução de alimentos para as gerações futuras. Nas águas verdes-claras do Ceará, os peixes se encantavam com a beleza de Iracema. Nas águas verdes-mares, o plâncton é a melhor opção de alimentos. Nem sempre as águas azuis-piscina são as mais puras.
Nos adjetivos compostos, referentes a cores, se cada elemento representa uma cor, só o último se flexiona. Nos nomes de cor compostos, se o último elemento for um adjetivo, flexiona-se só o último elemento. Nos nomes de cor compostos, se o último elemento for um substantivo, nenhum termo varia.
Portanto, Nas águas verde-azuis do Atlântico está a solução de alimentos para as gerações futuras. Nas águas verde-claras do Ceará, os peixes se encantavam com a beleza de Iracema. Nas águas verde-mar, o plâncton é a melhor opção de alimentos. Nem sempre nas águas azul-piscina são as mais puras.


338. Não são muitos os pobres que subem na vida. O tempo sume a memória de grandes homens. As imagens somiram na poeira da estrada. O índio sube em árvores como macacos. Eles sobirão na vida, se muito trabalhar. Ele, tenho certeza, somirá daqui antes de a polícia pegá-lo.
Os verbos SUBIR – SUMIR têm uma conjugação própria. A dificuldade deles reside no presente do indicativo e nos tempos derivados do presente. Conjuguemos um deles no presente: SUbo – SObes – SObe – SUbimos – SUbis – SObem. Nos outros tempos, modos e pessoas, conserva-se o U.
Portanto, Não são muitos os pobres que sobem na vida. O tempo some a memória de grandes homens. As imagens sumiram na poeira da estrada. O índio sobe em árvores como macacos. Eles subirão na vida, se muito trabalhar. Ele, tenho certeza, sumirá daqui antes de a polícia pegá-lo.


339. De formas que se eleito for, trarei para a cidade obras de saneamento. De formas que serão cassados os políticos que insistirem em sua revolta. De maneiras que possa receber algum dividendo, registra títulos de músicas. Voltou o rosto de modos que pudesse ver a namorada. Virou os ombros e saiu correndo de maneiras que não fosse percebido.
Conjunções e locuções conjuntivas são palavras invariáveis, portanto nunca poderão ser pluralizadas.
Portanto, De forma que se eleito for, trarei para a cidade obras de saneamento. De forma que serão cassados os políticos que insistirem em sua revolta. De maneira que possa receber algum dividendo, registra títulos de músicas. Voltou o rosto de modo que pudesse ver a namorada. Virou os ombros e saiu correndo de maneira que não fosse percebido.


340. O oficial, provada sua inocência, reassome o comando do exército. Eu assomo a responsabilidade dos meus atos. Ele assomiu o cargo sob protesto da população. Só reassomirá o cargo depois de julgado pelo STF. Assoma as suas responsabilidades, rapaz!
Os verbos REASSUMIR – ASSUMIR têm uma conjugação normal, seguindo o paradigma do partir. Há muitos problemas de ortografia com esses verbos, porque escreve U e, muitas vezes, falamos O. Conjuguemos um deles no presente: aSSUmo - aSSUmes – aSSUme – aSSUmimos – aSSUmis – aSSUmem, conservando sempre a letra U.
Portanto, O oficial, provada sua inocência, reassume o comando do exército. Eu assumo a responsabilidade dos meus atos. Ele assumiu o cargo sob protesto da população. Só reassumirá o cargo depois de julgado pelo STF. Assuma as suas responsabilidades, rapaz!


341. Ele advinha os pensamentos, os maus e os bons. De sua fé lhe adivinha a certeza da vitória, do sucesso. Ele advinha a sorte para os outros, mas nunca ganhou nada nem rifa. Informou da desgraça que lhe adivinha. Você não advinha quem vem aqui para a festa!
ADVIR = Suceder, ocorrer, acontecer, sobrevir; Vir em conseqüência; resultar, proceder, derivar, provir. É conjugado igual ao VIR. Assim: ele veio = ele adveio; ele vinha = ele advinha. ADIVINHAR = prever a sorte, antever o futuro.
Portanto, Ele adivinha os pensamentos, os maus e os bons. De sua fé lhe advinha a certeza da vitória, do sucesso. Ele adivinha a sorte para os outros, mas nunca ganhou nada, nem rifa. Informou da desgraça que lhe advinha. Você não adivinha quem vem aqui para a festa!


342. Eles entravam e saiam da sala como se estivessem em suas casas. Assistimos e aplaudimos a peça de Bibi Ferreira. Os adversários bombardearam e entraram na cidade. Estimamos e mantemos a maior confiança nos homens que exercem o Poder Legislativo.
Os verbos, em questão, numa mesma frase, têm regências diferentes e, por isso não podem ser usados com um mesmo objeto.
Portanto, Eles entravam na sala e saiam dela como se estivessem em suas casas. Assistimos à peça de Bibi Ferreira e a aplaudimos (ou, e aplaudimo-la). Os adversários bombardearam a cidade e entraram nela. Estimamos a maior confiança nos homens que exercem o Poder Legislativo e a mantemos (ou, e mantemo-la).


343. Este corpo moreno, cheiroso, gostoso, que você tem... Esse meu projeto de vida é radical, porque se assim não for, não será projeto. Este beijo molhado, escandalizado, que você tem...
Os pronomes ESTE (esta – estes – estas – isto) se referem sempre à primeira pessoa: EU. O corpo é meu, por isso ESTE CORPO. Os pronomes ESSE (essa – esses – essas – isso) se referem à pessoa que ouve: TU – VOCÊ. O corpo é seu, por isso ESSE CORPO.
Portanto, Esse corpo moreno, cheiroso, gostoso, que você tem... Este meu projeto de vida é radical, porque se assim não for, não será projeto. Esse beijo molhado, escandalizado, que você tem...


344. Hão de haver muitas festas em comemoração ao Dia da Água. Tinham de haver razões para punir os réus. Começam a haver as chuvas. Devem haver divergências entre os governadores. Há de existir muitas festas em comemoração ao Dia da Água. Tinha de existir razões para punir os réus. Começa a existir as chuvas. Deve existir divergências entre os governadores. Costuma existir muitas reprovações nas disciplinas práticas. Tem existido muitas oportunidades de emprego para os jovens.
O verbo HAVER no sentido de EXISTIR é impessoal, mas o verbo existir é pessoal. Caso haja uma locução verbal, os verbos principais (haver e existir) transitem a sua pessoalidade ou impessoalidade.
Portanto, Há de haver (hão de existir) muitas festas em comemoração ao Dia da Água. Tinha de haver (tinham de existir) razões para punir os réus. Começa a haver (começa a existir)  as chuvas. Deve haver (devem existir) divergências entre os governadores. Costuma haver (costumam existir) muitas reprovações nas disciplinas práticas. Têm existido (tem havido) muitas oportunidades de emprego para os jovens.


345. Esqueci-me os ensinamentos sagrados. Esqueci dos ensinamentos sagrados. Esqueceu-me os ensinamentos sagrados. Lembrei-me as promessas dos políticos, Lembrei das promessas dos políticos. Lembrou-me as promessas dos políticos. Esquecemos dos compromissos.
Os verbos ESQUECER e LEMBRAR podem ser construídos de três maneiras diferentes, conservando o mesmo sentido. 1- Esqueci a lição (a lição = objeto direto); 2- Esqueci-me da lição (da lição = objeto indireto e verbo pronominal); 3- Esqueceu-me a lição (a lição = sujeito).
Portanto, Esqueci-me dos ensinamentos sagrados. Esqueci os ensinamentos sagrados. Esqueceram-me os ensinamentos sagrados. Lembrei-me das promessas dos políticos, Lembrei as promessas dos políticos. Lembraram-me as promessas dos políticos. Esquecemo-nos dos compromissos.


346. Na democracia, devem-se eliminar os previlégios. As mulheres compram muitas bugingangas. Aos sábados, sempre vou ao cabeleleiro. A cidade estava cheia de camondongos e carangueijos. Para quem não está acostumado, frutos do mar podem provocar desinteria. Pela manhã, comi pães com mortandela. Suas atitudes estrambólicas lhe tiravam as qualidades. Cheguei atrazado, mas cheguei. Lugar para atualizar fofocas é no cabelereiro.
A melhor maneira para resolver questões ortográficas é ainda abrir os dicionários. Consulte sempre um bom dicionário.
Portanto, Na democracia, devem-se eliminar os privilégios. As mulheres compram muitas bugigangas. Aos sábados, sempre vou ao cabeleireiro. A cidade estava cheia de camundongos e caranguejos. Para quem não está acostumado, frutos do mar podem provocar disenteria. Pela manhã, comi pães com mortadela. Suas atitudes estrambóticas lhe tiravam as qualidades. Cheguei atrasado, mas cheguei. Lugar para atualizar fofocas é no cabeleireiro.


347. Não obedecemos a ale, de mais esta ordem é imoral. Os de mais sequestradores fugiram. Comprei camisas demais. Isso é de mais nocivo que possa acontecer ao país. Quem não obedece os pais, obrigatória e fatalmente não saberá mandar.  
DEMAIS = adjetivo: os outros, o restante; conjunção: além disso, ao demais, demais disso, pelo demais, por demais. DE MAIS = advérbio de quantidade, modo, em oposição a de menos.
Portanto, Não obedecemos a ale, demais esta ordem é imoral. Os demais sequestradores fugiram. Comprei camisas de mais. Isso é demais nocivo que possa acontecer ao país. Quem não obedece aos pais, obrigatória e fatalmente não saberá mandar.


348. Foste tu quem escreveste a carta anônima ao diretor? Fui eu que escreveu essa carta. Fomos nós quem prendemos os pivetes. Foram eles quem disseram ao diretor a existência dessa carta. Fostes vós que saiu em defesa dos colegas? Foram eles quem escreveram impropérios e picharam os muros da prefeitura. Fomos nós que votou neste vereador corrupto.
O pronome QUEM = aquele que leva o verbo para a terceira pessoa do singular. Assim: fui eu quem falou; foste tu quem falou; foi ele quem falou; fomos nós quem falou; fostes vós quem falou; foram eles quem falou. O pronome relativo QUE exige que seja feita a concordância com o pronome pessoal. Assim: fui eu que falei; foste tu que falaste; foi ele que falou; fomos nós que falamos; fostes vós que falastes; foram eles que falaram.
Portanto, Foste tu quem escreveu a carta anônima ao diretor? = Foste tu que escreveste a carta anônima ao diretor? Fui eu que escrevi essa carta. = Fui eu quem escreveu essa carta. Fomos nós quem prendeu os pivetes. = Fomos nós que prendemos os pivetes. Foram eles quem disse ao diretor a existência dessa carta. = Foram eles que disseram ao diretor a existência dessa carta. Fostes vós que saístes em defesa dos colegas. = Fostes vós quem saiu em defesa dos colegas.  Foram eles que escreveram impropérios e picharam os muros da prefeitura. = Foram eles que escreveu impropérios e pichou os muros da prefeitura. Fomos nós quem votou neste vereador corrupto = Fomos nós que votamos neste vereador corrupto.


349. A camisa suada adire ao corpo. Os primeiros cabelos brancos advirtiram a senhora da velhice que chegava. Que não adera a um partido das oligarquias. Ele adire ao Partido Verde. Não adverta seus filhos sem um motivo sério, que eles perdem a vergonha. Adverto os meus alunos contra os perigos das drogas, sempre que posso. Só não caiu na cilada porque o advirtiram.
Os verbos ADERIR – ADVERTIR, no presente do indicativo e, por extensão nos tempos derivados do presente, têm uma conjugação própria. Vejamos: aDIro – aDEres – aDEre - aDErimos – aDEris – aDErem. Nos outros tempos e pessoas, conserva-se o E.
Portanto, A camisa suada adere ao corpo. Os primeiros cabelos brancos advertiram a senhora da velhice que chegava. Que não adira a um partido das oligarquias. Ele adere ao Partido Verde. Não advirta seus filhos sem um motivo sério, que eles perdem a vergonha. Advirto os meus alunos contra os perigos das drogas, sempre que posso. Só não caiu na cilada porque o advertiram.


350. Não há divergências entre eu e tu. Eu dependo de tu. Nada houve entre eu e você. Conheci ela na casa de amigos. Eu vi eles passeando com os filhos no parque.
Os pronomes pessoais do caso reto: eu – tu – ele – nós – vós – eles sempre exercem a função de sujeito. Os pronomes pessoais oblíquos átonos: me – te – se – o – lhe – nos – vos – lhes – os) e os pronomes pessoais oblíquos tônicos, sempre com uma preposição: a mim, a ti, por si, de nós, para vós, com ele, entre mim) são objetos ou adjuntos dependendo, é claro, da frase.
Portanto, Não há divergências entre mim e ti. Eu dependo de ti. Nada houve entre mim e você. Conheci-a na casa de amigos. Eu os vi passeando com os filhos no parque.