quarta-feira, 11 de maio de 2011

QUESTÃO - 5

AFA
ACADEMIa FRANCISCO DE Assis
questão
MAIO  – 2011 – 5ª edição
Já avançamos bastante. A palavra intelectual, culto, erudito ou a expressão “fulano de tal é um intelectual, sicrano é culto, beltrano é erudito” não soam bem aos nossos ouvidos, acostumados a ouvir: “Compre isso! Compre aquilo! Consuma tudo!” O fato é que tudo virou mercadoria. Tudo tem um preço e tem um estímulo para o consumo. O amor e o namoro, a paixão e a amizade também têm preço. O cifrão está estampado na testa e nos corações de muitas pessoas. Vivemos a era do ter. Vale mais quem tem mais. Vivemos a era da indústria cultural. Roupas, alimentos, medicamentos, cremes de beleza, automóveis, refrigerantes e cervejas, perfumes, salvação eterna... nos bombardeiam diariamente, na televisão e na Internet. Luzes e cores e sons invadem, sem a nossa permissão, nossas telas e nossas mentes. A justificativa é sempre a mesma: se as pessoas não consomem, a indústria e o comércio param e a economia quebra! Uma pessoa boa de coração e de mente nem sempre terá chances, por exemplo, no amor, porque não tem um carrão, não tem cartão de crédito, não tem dinheiro para gastar à vontade. O ser humano não pode ser entendido pelos cifrões que tem. Estamos perdendo a chance de ser, de ser-mais e de ser-melhores.
Professor Décio Bragança Silva
    

Questão   política

     Infelizmente, os governos, tanto militares quanto civis, capitalistas e socialistas, foram e são incapazes de levar em frente um projeto social que fosse competente para colocar em marcha a democracia – direitos e deveres iguais para todos – chances e oportunidades iguais para todos. Democracia pressupõe mobilização, participação de todos nas decisões dos destinos do país e, por extensão da humanidade.
     Os partidos políticos não representam os anseios e os desejos, as necessidades e os problemas das pessoas. Representam os interesses e intenções de alguns poucos, principalmente dos “companheiros” de partido. Não se trata de “achismos”, ou ingenuidade, ou uma ilusão.
     Nenhum partido tem um projeto político sério. Mas o que é um projeto sério? Gosto muito do método científico, utilizado por alguns professores e pesquisadores: do VER – JULGAR – AGIR.
     Qualquer projeto político deve partir da realidade social, a realidade dos homens em determinado lugar, com todos os seus problemas e senões, com todos os seus sonhos e necessidades. Seria, mais ou menos, tentar responder estas questões: como as pessoas vivem? Onde moram e em que condições vivem? Qual o nível de participação dessas pessoas nos destinos de seu bairro? Que lugar todos e cada um ocupa dentro do contexto político e econômico?
     Vivemos num sistema capitalista, liberal, neoliberal – o que nos coloca e coloca a todos os povos num sistema de dependência, porque atrelado às mãos invisíveis do mercado. E quem comanda, manda, domina o mercado? Um capital anônimo, sem raízes, sem lastros, sem nação, sem compromissos, porque um capital especulativo. As ações das bolsas de valores – templo dos deuses do capitalismo – espalhadas estrategicamente pelo mundo – só se preocupam com os lucros. Não é por acaso que todos os dias ouvimos (televisão, rádio) e lemos (jornais, revistas) as cotações do dólar, do euro, do iene. Além disso, a relação do nosso real frente a essas moedas.
     Um capital especulativo privilegia o lucro, o capital, as ações das bolsas, em detrimento do trabalho, da produção. Em outras palavras, as pessoas vendem a sua força de trabalho, de criatividade e ideias a um preço de banana para o mundo todo, num jogo demoníaco de oferta e procura, de demanda e oferta – também regulado pelos detentores de capital. Isso é dependência.
     Costumo brincar que a capital do Brasil não é Brasília. As decisões da economia mundial são tomadas em Nova Iorque, Tóquio, Londres, Paris, Frankfurt, Hong Kong, porque lá estão as grandes bolsas. Brasília, então, é a capital dos que se permitem obedecer. E para obedecer não é preciso ser nacionalista, ser inteligente, ter visão aquilina e de futuro. Também não sou partidário do nacionalismo ferrenho, que só sabe criar guerras. Assim, Brasília passa a ser a capital dos atores, dos cantores, dos jogadores de futebol e jogadores das bolsas de valores. A política não é mais prioridade, é escrava da economia.
     Fala-se que 80% das nossas indústrias estão associados ao capital especulativo internacional – o que significa estar à deriva, como uma nau sem rumo, aquela de Cabral, que por causa de ventinho, descobriu o Brasil. Fala-se que, praticamente, 80% de toda a riqueza e bens do mundo pertencem a 1%, enquanto 1 bilhão de pessoas – um sexto da população mundial – vivem abaixo da linha da pobreza – menos de 1 dólar por dia.
     Esses dados não nos incomodam mais. “Sempre houve pobres e ricos” – “O mundo foi sempre assim!” – “Deixemos as coisas como estão para ver como é que ficam” – “Deus sabe o que fazer!” – frases muito comuns no nosso meio. Claro, os nossos sonhos, então, passam pela fama e pelo sucesso, pela riqueza e pelo dinheiro, pelo poder e pela posse de muitos bens, pelo “cada um por si e Deus para todos”. Quem se posicionar contra tudo isso, será tachado fatalmente de revolucionário, terrorista, subversivo, rebelde sem causa, louco desvairado e varrido, herói morto...
     Os políticos e nós também perdemos a dimensão do que seja política e por isso se submete aos interesses puramente econômicos. Os partidos não nos apresentam um programa, com objetivos e metas e ações práticas, que nos levariam a um engajamento social concreto, real, positivo. Sair de um partido e ir ou criar outro não faz muita diferença. Vejam o exemplo de Kassab e de tantos outros.
     A força do capital é tão grande que poucos estão comprando tudo: bancos, indústrias de alimentos, escolas e universidades, telefonia... Tenho um amigo que diz que antes fomos colonizados pelos portugueses e sabíamos quem era os nossos inimigos, a quem deveríamos libertar-nos. Hoje, estamos sendo colonizados pela Espanha, Itália, Suíça, Japão, Irã, Estados Unidos, Inglaterra, França... Qualquer movimento de libertação, como o da Inconfidência Mineira, é uma declaração de uma guerra mundial.
     Até as igrejas e as religiões que, historicamente, foram parceiros do povo, hoje, viram as costas, porque preocupadas com o dízimo, com a preservação de uma hierarquia interna, com o louvor desengajado e descompromissado, com a salvação individual. Hospitais, escolas, asilos, orfanatos, creches que eram de orientação religiosa, em sua maioria, hoje são e estão sendo privatizados. O capital não tem nome. Isso para dizer que não sabemos nas mãos de quem estamos sendo tratados nos hospitais e nossos filhos estão sendo educados e/ou cuidados. Entre parênteses: isso já está acontecendo em Uberaba. As igrejas estão perdendo sua missão profética.
     Diretórios acadêmicos, sindicatos de trabalhadores, comunidades eclesiais, associações de bairro... não têm voz, nem vez. O interessante é que. quando há uma crise econômica, como a passada, todos nós pagamos pela crise, através da ajuda dos governos. Em outras palavras, o prejuízo é socializado, de todos, mas o lucro será sempre privado, de alguns poucos.
     As pessoas em lugares diferentes têm diferentes desejos e anseios. O respeito às diferenças é o primeiro passo de um programa social e político. Esse respeito não significa não trabalhar pelo bem-comum, pelo bem de todos e de cada um.
     A politicagem é a deteriorização, a perversão da política. O mundo está cheio de politiqueiros. Uma partido é uma parte que trabalha para essa parte – o que é um absurdo.
     O pluralismo político é importante na construção de uma nação, assim como é fundamental a mistura de raças, culturas, desejos. Pluralismo não significa criação de inúmeros partidos sem cara, sem ideias, sem propostas. O interesse é a negociata futura, em nome de uma “governabilidade”.
   
Questão   utópica

O ideal ilumina os caminhos misteriosamente. Todo ideal é revolucionário, no sentido de provocar mudanças significativas nas estruturas de uma organização, de uma instituição. Sem revolução, não há ideais. Sem ideal, não há revolução. Chega a ser redundância as palavras ideal e revolução: um ideal revolucionário ou uma revolução idealista!
O sonho de um mundo melhor é fogo ardente e sagrado que tempera, condimenta, cimenta, alicerça as nossas ações. O sonho é o antídoto da apatia e do comodismo – atual proposta de vida em sociedade.
Mohandas Karamchand Gandhi, o Mahatma Gandhi, líder nacionalista indiano que levou seu país à conquista da independência mediante uma revolução pacífica. Foi assassinado por um membro de um grupo extremista hindu. A semente de que é possível um sonho de um mundo sem opressão foi lançada: o sonho de uma revolução da não-violência. Gandhi semeou, semeou, semeou...
A ignorância é agressiva. A mediocridade é violenta. A ingenuidade é um estupro. A bondade é colonialista. Não dá mais para acreditar em jornais, na economia, na política brasileiras.
Essa desesperança também não leva a nada. Na desesperança, o acaso, como um cavalo bravo solto, toma conta de todos e nos leva para caminhos tortuosos do bem-ser e do bem-estar. O acaso, o destino, o fatalismo se nutrem de mentiras irresponsáveis e irresponsabilidades mentirosas.
Outra vida social é possível! Só a existência do sonho nos empurra para a adaptação e adequação das relações dos homens entre si, com os outros seres da natureza e com Deus. O sonho como organiza, unifica, homogeneíza as diferenças entre todos os seres, para que cada um se sinta parte de um todo. “Sê todo em cada parte”- nos ensina o grande poeta português Fernando Pessoa.   
George Washington torna-se o primeiro presidente da República dos Estados Unidos depois de uma sangrenta guerra de independência. A independência nunca nos é dada, será sempre uma conquista.
Nós, brasileiros, tornamo-nos independentes de Portugal sem nenhuma luta e conquista. O proclamador da nossa independência era um português! Será mesmo que nos tornamos independentes? A semente de independência ainda há de brotar, nascer, crescer e dar bons frutos! George Washington semeou, semeou, semeou...
É uma pena o que os maiorais fazem com os menores, com os mais simples: sugam-lhes o sangue, o suor, as lágrimas, a energia, a força, a luta pela sobrevivência. Os maiorais e os que se sentem maiorais têm de ser banidos da sociedade humana, porque sanguessugas e parasitas.
Alguns chegam a saldar suas dívidas, ou acumular muitos bens e riquezas com o sacrifício, a dor, os braços e os baixos salários dos que lhes são trabalhadores e servidores. Daí, a dependência econômica de quase todos em relação a alguns poucos. Maior a absorção, maior a dependência e a impossibilidade de cada um caminhar com as próprias pernas, rumo ao que sonha. A dependência é escravidão e prisão! Escravidão não declarada é como um câncer em metástase social.
O sonho é uma educação que estabelece seus princípios: informação – formação – transformação. Quem sonha, ao contrário do que muitos pensam, busca mais e mais informações. A formação do caráter e da consciência é fruto de uma seleção das informações. Selecionadas as informações – formação – nasce o desejo de transformar a realidade dos homens.
Elio Gaspari publicou, pela Companhia de Letras, a história da ditadura, do golpe militar de 1964. Possivelmente sofre e sofrerá represálias como tantos pesquisadores da Verdade e da Justiça. A semente está lançada: entender o passado, viver o presente e projetar o futuro, através dos muitos sonhos dos muitos brasileiros. Ditadura nunca mais! Gaspari semeou, semeou, semeou...
O sonho, o ideal, a utopia e a revolução não projetam obras faraônicas. Sonhos resolvem problemas simples. Sonhos se prendem a soluções definitivas. A revolução é fé posta em prática. Ideais não deixam a chama da paixão apagar.
A CPT – Comissão Pastoral da Terra – tem inúmeros projetos viáveis economicamente que cuidam da natureza com respeito, que fixam os homens à terra, mas esses projetos não são levados a sério, porque não atendem aos interesses e às intenções do que se julgam donos da terra e das pessoas da terra.
É urgente a revolução! Faz-se revolução com inteligência e os nossos políticos são pouco inteligentes, porque cegados pela ganância, pela usura, pelo lucro fácil, pelas propinas, pelos mensalões – que sempre existiram. Não há mágica, há ideais revolucionários na conquista da cidadania, da libertação.
O futuro pertence aos sonhadores que têm personalidade forte e incomum e descomunal. Para os que não sonham, todas as coisas são e foram sempre assim, do jeito que estão. Nada muda. Nada evolui.
Não há possibilidade de desenvolvimento, de evolução e aperfeiçoamento humano e social. Tudo lhes é enferrujado pelos dogmas e verdades impostas pelas rotinas nauseantes e preconceitos repassados de geração para geração. Tudo lhes é estreito: os horizontes, a estrada, a visão, o caminho, a felicidade, a distância, as estrelas, a existência...
Salvador Allende, um líder socialista chileno, abraça os ideais de justiça social e liberdade. Fez o que pôde: enfrentou o imperialismo norte-americano, lutou para a criação a consciência latino-americana, nacionalizou alguns bancos e algumas empresas multinacionais que exploravam as pessoas de seu país... É levado, dizem, ao suicídio. Allende semeou, semeou, semeou...
Infelizmente, os adolescentes e os jovens sonham muito pouco além de si mesmos, de seus narizes. Nós, adultos, também lhes oferecemos muito poucos elementos para sonharem sonhos ainda não sonhados. Oferecemos-lhes uma escola e um diploma que não lhes garantem, no mínimo, um bom emprego. E o pior de tudo é que existe um Ministério da Educação e em todas as cidades deve existir um Departamento só para tratar da Educação.
Oferecemos-lhes as mesmas músicas, com os mesmos temas e o mesmo jeito de fazer arte. Nós últimos cinqüenta anos, poucas chances e oportunidades foram viabilizadas para os novos cantores, compositores, poetas, romancistas, cronistas, pintores, escultores, arquitetos, diretores de teatro e de cinema, coreógrafos...
A indústria dita cultural não arrisca, não ousa, não arreda os pés de seus lucros mirabolantes. E o pior de tudo é que existe um Ministério da Cultura e em todas as cidades deve existir um Departamento e/ou uma Fundação para tratar desse assunto.
Oferecemos-lhes um serviço de saúde que afronta e insulta a dignidade e respeito de todos os cidadãos de qualquer fé e de qualquer deus. E o pior de tudo existe um Ministério da Saúde e em todas as cidades deve existir um Departamento e/ou Secretaria só para tratar a Saúde e da Saúde.
Oferecemos-lhes uma nação apática e acéfala, um governo mais preocupado com o superávit primário, com as finanças e com a economia neoliberal globalizada, que não está nem aí para as pessoas, para gente.
Querem um governo sem povo, sem gente! Um governo, preocupado com os números da economia, com os números dos dólares, dos euros e dos ienes, não se preocupa com os números dos desvalidos e dos pobres, dos analfabetos e dos famintos, dos esfarrapados e miseráveis deixados no caminho, à margem da história, onde já estão os desempregados e doentes, retirantes e favelados, os abandonados e os que se sentem sempre um zero à esquerda.
E o pior de tudo é existem Ministérios do Trabalho, da Previdência Social, dos Direitos Humanos e deve existir em todas as cidades um Departamento e/ou Secretaria de cunho social para cuidar disso. Oferecemos-lhes uma liberdade ilusória: “ou aceita o que te ofereço, ou fica sem emprego!”
Oferecemos-lhes uma “escravidão” em nome da liberdade; uma religião com padres e pastores superstars nas suas igrejas-cassino em nome da fé e de deus; uma política que protege os políticos com a imunidade e impunidade... Estamos oferecendo-lhes podridão e carniça, entulhos e lixo, pouca vergonha e morte, e exigimos deles amor e solidariedade, harmonia e vida.
O sonho individualizado é uma chama de um palito de fósforo, ou o fogo de uma palha seca de milho. É fugaz, é quimera! Um sonho sonhado coletivamente é um fogo ardente que nunca se apaga, pelo contrário, expande-se aquecendo a todos progressiva e continuamente. É duradouro, é fé.
Os sonhos clareiam e esclarecem a existência humana. Infelizmente, muitos preferem as sombras às luzes. São os parasitas, os obedientes, os passivos, os sanguessugas, os temerosos, os muito prudentes, os afônicos, os contrabandistas, os piratas do valor da vida humana em sociedade.
João Goulart, na época em que foi presidente, foi considerado um frouxo, um moleirão! Desprezado na época, hoje é considerado por estudiosos e pesquisadores e historiadores um dos mais senão o mais importante e lúcido presidente dessa republiqueta, chamada Brasil.
Sempre assim: político com lucidez e propósitos para os mais simples e humildes, para os mais necessitados e pobres, é assassinato, ou é expulso. A midiocracia manda já faz muito tempo! Um golpe militar, armado aqui e fora do Brasil, patrocinado pela Igreja e pelos órgãos de comunicação, decretou o fim de João Goulart. Levou com ele muitos sonhos e ideais e utopias dos muitos brasileiros. João Goulart semeou, semeou, semeou...

Questão   educacional

     Professor é sempre, por excelência, um aprendiz – estado de quem está disposto a aprender. “Só sei que nada sei!” Quanto mais se aprende, mas se cria a sensação de que nada sabe, ou ainda quanto mais se sabe, mais o universo se abre a traz a sensação de ignorância, porque também as exigências, as perspectivas, as necessidades, as ansiedades, as angústias... serão muitas vezes maiores. Essa perspectiva de ser aprendiz, numa carreira docente, poderá valer-lhe graus na ascensão na docência.
     Professor é a fonte, é a vanguarda do desenvolvimento, é também o abre-alas da escola, é o porta-bandeira e o mestre-sala que defendem ardorosa e alegremente a sua escola. Isso é a sua contribuição significativa para a ciência, para a tecnologia, para a ética, com competência e criatividade.
     Professor é a fonte e sabe que sala de aula é um espaço de pessoas e não de máquinas, de robôs humanos. Lidar com pessoas nada tem a ver com máquinas e animais. Frases como: “Prefiro o cheiro de cavalos ao cheiro de gente” – “Quanto mais conheço os homens, mais amo meus cães”... mostram, provam, comprovam, demonstram, apresentam todas as angústias de uma sala de aula. A título de exemplificação: a música “Disparada” de Geraldo Vandré proclama: “... com gente é diferente!”
     Professor é fonte e, a partir daí, tem de provocar o uso de bibliotecas, laboratórios, videotecas, cedetecas, devedetecas, bancos de dados, Internet, jornais, revistas, periódicos... para que os estudantes estudem (Que pleonasmo maravilhoso!), pesquisem, discutam, criem, aprendam, defendam suas idéias e seus projetos.
     Professor é fonte, mas vai enfrentar problemas com os estudantes, porque foram acostumados, aculturados, treinados para copiar “receitas” dos professores, para ouvir aceitar passivamente as informações “ditas” pelo professor, para decorar fórmulas, repetir as idéias do professor, para responder nas provas o que o professor pensa, ou impõe... O estudante será sempre um aprendiz – estado de quem está disposto a aprender.
Professor é fonte, mas também o estudante tem de aprender a perguntar, a inquirir, a refletir, a pensar. Em outras palavras, aprender a aprender e, a partir daí, caminhar com as próprias pernas, fazer a própria história, construir seu conhecimento e saber.
Professor é fonte, mas os estudantes não podem acomodar-se diante da exposição de determinados conteúdos, mas desenvolverem maneiras de ver e viver no mundo. O mundo, a realidade... estão colocada aí para se aprendida e apreendida, estudada e pesquisada.
É possível um novo mundo! É importante que se VEJA o mundo e as pessoas, que se JULGUE o que se viu e AJA a partir do julgamento de valores e de princípios e de significância.  Fora disso, é inutilidade, futilidade, fugacidade, perda de tempo e de dinheiro, de muito dinheiro.
Professor é fonte, nem por isso pode negar a validade de outras ideias, de outras fontes e afluentes, de outros destinos que levam ao mesmo destino humano.
Por mais que se estude, pesquise, por exemplo, a tuberculose, o pneumologista não vai “experimentar”, “experenciar”, “viver” a tuberculose no corpo e na alma. Isso para dizer que o tuberculoso é parte fundamental de qualquer pesquisa sobre a tuberculose, sabe tudo sobre tuberculose, sofre com ela dia e noite... Muitas vezes, o professor é um “expert” em tuberculose, mas nunca conversou, tratou, cuidou de um tuberculoso!
Uma Universidade é um universo em miniatura, por isso tuberculoso – que é real, concreto – deve estar em algumas aulas, em sala de aula em que se estuda a tuberculose. Não há estudo, pesquisa, ciência, sem gente, sem as pessoas.
É urgente que seja recuperado o conceito, a imagem, a missão da universidade, quando foi idealizada e criada há quase mil anos.
A escola, na cabeça de todas as pessoas, é um lugar onde se promove a ascensão social, econômica, amorosa... Isso é um mito, até uma lenda, porque o sucesso, a fama, a fortuna não passam pelos corredores e salas da universidade. Se assim fosse, ela até já teria cumprido parte de suas intenções, finalidades, objetivos e metas.
A expansão e a multiplicação de escolas, em todos os níveis, não garantem, não garantiram, nem garantirão, por exemplo, um emprego, um bom tratamento médico, uma melhor assistência social, uma maior segurança e proteção policial, um maior respeito à dignidade humana, uma autonomia econômica, um melhor casamento, um pouco de respeito à pessoa humana, uma maior criatividade para resolver os próprios problemas...
Atualmente, escola é sinônimo de submissão, obediência, subserviência, humilhação, exploração, desrespeito, hierarquização, verticalização, servidão, escravidão, porque não elege a vida em sua plenitude, a liberdade como meta, a convivência como fim, o diálogo como cumplicidade, a construção do futuro como objetivos.
Atualmente, a escola está mais preocupada em “fazer” mão-de-obra qualificada para as grandes empresas, nacionais e internacionais e transnacionais, que também muito sabem explorar o ser humano. Quem “suportou” dez, quinze, vinte anos a escola, fatalmente, será um “bom” empregado,obediente, calado, surdo, mudo, cego, estúpido, medíocre, amorfo, acéfalo, cumpridor de horários, sem a capacidade de criticar, inquirir, questionar, reivindicar “virtudes” de um bom empregado.
Quem “suportou” um currículo, professores, disciplinas, matérias, conteúdos que não escolheu, mas engoliu goela abaixo, infalivelmente será um “bom” empregado, um consumidor voraz, um analfabeto político, sem iniciativas e sem sonhos. Não são poucos os exemplos de pessoas de sucesso que foram maus alunos. Confira-se livro de Rubem Alves e Gilberto Dimenstein “Fomos maus alunos”.
Escola nenhuma, universidade nenhuma está preocupada com as pessoas, com a sua realização e felicidade, com a sua interação pessoal e criatividade, com a sua vontade e autonomia, com os seus valores e possibilidades, mesmo que isso esteja escrito na missão de muitas delas.
Está preocupada com o controle acadêmico, com as faltas dos estudantes e dos professores, com as notas e planos de aula, com a assiduidade e inflexibilidade de hábitos, de comportamentos, de atitudes... Observem-se os investimentos para o controle de todos. São muitíssimos maiores do que na cultura e na arte e no prazer e na alegria de se estar na escola, ou universidade.
O estudante não é aprovado porque sabe ou aprendeu alguma coisa. É aprovado porque cumpriu todas as normas, inclusive as mais absurdas de ficar calado em sala de aula, não perguntar, não questionar, não “encher o saco” dos professores, do diretor, do reitor.
É possível aprender alguma coisa em todos os lugares. E nós, bestas, acreditamos que a sala de aula é a morada da ciência e da sabedoria. Sala de aula, do jeito que está, é um exercício de poder: um manda e todos os outros obedecem! “Eu quero que vocês leiam o livro “Capital” de Marx.” O professor não leu e exige que os estudantes leiam, mas quem manda é ele.
Aprende-se em todos os lugares! Um dos maiores e importantes professores e educadores brasileiros, que chegou ao Ministério da Educação, Anísio Teixeira, nos ensinou, na década de 1930, e nós ainda não aprendemos que a última coisa que se deve fazer na escola é ir para a sala de aula.
Quando não houvesse um congresso, uma palestra, um filme, uma peça de teatro, um festival, uma assembléia, um seminário, uma mostra de escultura, de pintura, de desenhos, uma teleconferência, um simpósio, uma semana cultural e científica de qualquer curso, uma visita de artistas, escritores, ou políticos, uma atividade lúdica, um curso de professores convidados, tudo proposto pelos diretores, professores, estudantes... aí, sim, deve-se ir para a sala de aula.
A escola, para ele, Anísio Teixeira, devia ser o mundo, ou tudo que tivesse no universo deveria estar dentro da universidade – um universo em miniatura.


Questão   filosófica

Nós precisamos é de arte e de cultura e de educação. Há muitos diplomados sem empregos e que nada fazem e que nada sabem fazer! Há muitos enfermeiros sem curso superior, há muitos pedreiros sem curso superior, há muitos estilistas sem curso superior – o que é muito bom!
Mas chegará um dia que todos os enfermeiros, pedreiros e estilistas serão obrigados a ter curso superior. Serão quatro anos nos bancos, nos laboratórios, nos corredores das universidades – o que é muito ruim!
O interessante, por exemplo, é que não será o curso superior que melhorará o tratamento, o cuidado, atenção aos doentes e aos pacientes, em hospitais. Hoje, já muitos enfermeiros e atendentes com curso superior e a atenção e o cuidado às pessoas não têm melhorado na mesma proporção.
Pelo contrário, o tratamento está cada vez mais mecanizado, mais impessoal, mais estúpido – porque é assim que é ensinado nas universidades. “A ciência tem de ser objetiva, neutra, impessoal!” Esse é o preço que todos pagamos numa sociedade alta e burramente escolarizada!
A revolução educacional que se propõe é abrir todas as portas e janelas das universidades a todas as pessoas, não para diplomá-las, mas para “melhorar” as pessoas, se essas pessoas quiserem ou sentirem necessidade. E só!
Não será preciso fechar as escolas, mas é preciso que as escolas cumpram seu dever: ensinar a fazer, ensinar a conviver, ensinar a conhecer e ensinar a ser!
O controle do exercício profissional tem de ser feito pelas categorias, classes, conselhos profissionais. Quem deve dizer “Você é médico” é o Conselho Regional de Medicina! E assim por diante. Há muitos médicos diplomados sem nenhuma qualificação, habilidade, competência, atitude, comportamento médico. Isso acontece com todas as profissões – a medicina foi só um exemplo.
E ainda mais: toda licença profissional tem de ser provisória. Um médico não poderá, por exemplo, exercer sua profissão por mais de cinco anos. Vencidos os cinco anos tem de renová-la e para renová-la haverá algumas exigências determinadas, sentidas, consentidas pela classe dos médicos.
É aí que novamente deve estar presente a universidade, fazendo convênios, acordos, parcerias de cooperação e colaboração com os conselhos profissionais.
Dirão alguns que isso é um absurdo. Não é. Observemos os motoristas de coletivos de muitas empresas sérias: a cada seis meses todos os seus motoristas passam por exames médicos, odontológicos, psicotécnicos, conhecimentos técnicos.. A carteira de motorista, além disso, tem tempo de validade.
Por que para ser médico, para ser professor, para ser juiz, para ser engenheiro... todos serem obrigados a renovar sua licença profissional? Médicos, professores, juízes, engenheiros... matam tanto quanto os motoristas de coletivos, ou pilotos de avião!
Não é responsabilidade das universidades habilitar profissionais para o mercado. Tanto não é que entrega o diploma ao formando e depois não estão nem aí. Voltam a interessar-se pelo estudante para oferecer-lhe cursos de qualificação, de especialização, de pós-graduação, de um tal de mestrado, de doutorado... Que jogo de interesses fantástico!
E muitos ainda são enganados... iludidos... Quem reconhece, credencia, valoriza os profissionais não são as universidades, são as associações de classes que também devem propor às universidades esses cursos de qualificação, etc!
Quando morreu Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir, sua companheira de muitos anos, afirmou para a imprensa, em entrevistas, que “seu” marido lia muito pouco, tinha pouquíssimos livros em casa, não gostava de estudar. Gostava muito de conversar, de falar, de discursar, de estar com muita gente, de escrever. Nem por isso deixa de ser o gênio que é.
Ao contrário de Sartre, pelo que se sabe de Simone de Beauvoir, ela gostava de estudar, de estudar, de “ser e estar” professora, de ser e estar intelectual. Nem por isso deixa de ser o gênio que é.
A genialidade necessariamente não passa pelos bancos de escolas. Leiam o livro de Gilberto Dimenstein e Rubem Alves, já citado anteriormente, “Fomos maus alunos”, lançado pela Editora Papirus!
Atualmente, professor e instrutor se confundem, não por acaso, mas fato planejado, idealizado, formalizado e formatado por alguns. Inicialmente, o professor foi pichado, esculhambado, mal falado pela mídia impressa e eletrônica.
Pintaram o professor como discurseiro, verbalista, dono da palavra e da verdade, verborragista, memoralista, anacrônico, acrítico, amorfo, acéfalo, culpado pela perpetuação da mediocridade e leviandade, da incompetência e da incapacidade.
Construíram uma imagem de um professor autoritário e sem criatividade, responsável único pelo fracasso e pela desgraça de crianças e de adolescentes e de jovens, o bandido num filme de mocinho, o vilão num filme de amor, o mordomo num filme policial, a pedra do caminho...
Nesse ambiente, com tanta desqualificação do professor, idealizou-se, então, a figura do instrutor – uma máquina de ensinar, sem nenhuma elaboração crítica do saber, sem nenhum sabor e sem nenhum prazer. O instrutor não tem consciência, como a do professor, de que é capaz de informar, formar, reformar, transformar a realidade em que vive, convive e sobrevive.
Nesse clima de vulgarização da imagem do professor, criou-se até o disk-professsor, o disk-educação, o acesse-professor, o acesse-educação, o chat-professor. Todos sabemos de que não há e não pode haver educação por telefone, nem por via eletrônica, nem por via satélite, nem por via telepática, nem por via espiritual.
O que, mal e mal, pode existir é uma instrução a distância, colocando separados professor e aluno, ou estudante. Educação é olho no olho, coração no coração, mente na mente, gente com gente.
Quanto mais longe o professor estiver, melhor para os homens do poder e para os que desejam que a crítica, a desobediência, a subversão, a libertação, as idéias, as dúvidas, as possibilidades, as negativas... também estejam o mais longe possível
No fundo, o que desejam é a subserviência, a obediência, a submissão, a escravidão. Desejam que o professor seja um simples e mero executor de tarefas e de técnicas. A presença do professor em sala de aula incomoda muito mais os homens do poder do que possa imaginar a nossa vã filosofia.
O professor é um ser pensante, um intelectual e não um programador de técnicas e executor de tarefas. O espaço de sala de aula é espaço de libertação e subversão, de reflexão e de análise.
O mercado – ah! desgraça do mercado – exige pessoa tecnicamente bem instruídas e robotizadas para manter e aumentar seus lucros imorais e sem ética.
Professor não é sacerdote, nem um membro da família, nem tio, nem policial. Educação é construção para a alegria, para a felicidade, para o prazer e encantamento.
O professor, diferentemente do instrutor, do monitor, do tutor, é semeador, por isso revolucionário. Não existe educação, sem revolução e vice-versa.
Um professor não é necessariamente alguém que acumula títulos, mas alguém disposto a construir um novo mundo com novos homens e novas mulheres; alguém disposto a deixar o outro construir-se a si mesmo e ser o sujeito do conhecimento; alguém disposto a aceitar toda e qualquer forma de desafio e contestação.
A revolução proposta pelo professor passa pela crítica e reflexão, pelo engajamento e capacidade de construção da cidadania.
Quem instrui não é professor! Quem vai à frente, abrindo caminhos e trilhas, vislumbrando horizontes e o infinito, rasgando mares e montanhas, permitindo a autonomia e independência, propondo harmonia e ternura, esse, sim, é professor!

Questão   vernácula

A formação de palavras é um estudo verdadeiramente fascinante. Na realidade, não há nenhum idioma puro. As pessoas vão criando palavras dependendo de sua necessidade, sem muita explicação. “A necessidade faz o sapo pular” – diziam os antigos. Conhecendo radicais gregos, latinos, celtas, ingleses, japoneses ou de qualquer língua, misturamos radicais e formamos novas palavras.
Com o avanço das ciências, novas palavras têm de ser criadas. Uma ferramenta nova, um produto novo, como as pessoas quando nascem são registradas e/ou batizadas, novos nomes vão sendo registrados e dicionarizados, sem nenhum critério, praticamente.
Hoje, vamos “brincar” com o radical: LOGIA – com o auxílio do Dicionário Aurélio. Vamos citar as palavras referentes, vocábulos ligados à ciência.
Sabendo o sentido de LOGIA, você poderá criar outras palavras, Vamos, então, dar o sentido de LOGIA = discurso, expressão, linguagem; estudo, ciência; coleção.
Como são muitas, mas muitas palavras com o radical LOGIA, vamos, hoje, até a letra F (Não sobraria espaço para outras questões. Agora, algumas palavras:
·  abiofisiologia = estudo dos fenômenos inorgânicos que ocorrem em organismos vivos;
·  acalefologia = parte da zoologia que trata dos acalefos;
·  acologia = acognosia; conhecimento e estudo dos medicamentos;
·  acropatologia = estudo das doenças que comprometem as extremidades;
·  actinologia = ciência que estuda as radiações actínicas;
·  aerologia = parte da meteorologia que estuda a atmosfera livre;
·  africanologia = estudos relativos à África ou aos africanos;
·  agatologia = doutrina do bem e da perfeição;
·  agnosiologia = discurso sobre o que necessariamente ignoramos;
·  agoniologia = estudo da esterilidade humana e dos meios de a corrigir ou a evitar;
·  agroecologia = estudo que visa à integração equilibrada da atividade agrícola com a proteção do meio ambiente;
·  agrogeologia = ciência que trata da constituição física e química do solo em relação com a agricultura;
·  agrologia = ramo da agronomia que trata do estudo dos solos nas suas relações com a agricultura;
·  agrometeorologia = meteorologia aplicada à agricultura.;
·  agrostologia = parte da botânica que estuda as gramas e pastos; agrostografia;
·  alergologia = ramo da medicina que estuda os fenômenos da alergia;
·  aletologia = tratado ou discurso acerca da verdade;
·  alfabetologia = parte da história da escrita que se ocupa das origens do alfabeto;
·  algologia = estudo ou tratado das algas; ficologia;
·  alogia = absurdo, disparate, contra-senso; Incapacidade de falar devido a lesão do sistema nervoso central;
·  amazonologia = estudo da Amazônia e sua problemática;
·  ampelologia = conjunto de teorias ou estudos respeitantes à cultura e ao tratamento da vinha;
·  anatofisiologia = a anatomia aplicada à fisiologia;
·  anatomopatologia = ciência que estuda as partes do organismo alteradas por processos patológicos;
·  andrologia = ciência do homem e, em especial, das suas doenças; estudo das doenças dos órgãos sexuais masculinos;
·  anemologia = tratado sobre os ventos;
·  anestesiologia = ramo da medicina que estuda os fenômenos da anestesia artificialmente provocada;
·  anfibiologia = parte da zoologia que trata dos anfíbios;
·  angelologia = tratado acerca de anjos; crença na intervenção dos anjos;
·  angiologia = estudo dos vasos que integram o aparelho circulatório;
·  antilogia = contradição aparente de palavras ou idéias; contradição de um autor consigo mesmo; no cepticismo, oposição entre argumentos, resumida na fórmula geral: a todo argumento se opõe outro de igual força; disputa, ou arte de disputa, arte de opor um assunto a outro; antilogismo; associação de sintomas contraditórios que impossibilita a formação de diagnóstico;
·  antologia = tratado acerca das flores; coleção de trechos em prosa e/ou em verso; analecto, crestomatia, florilégio, espicilégio, seleta, parnaso; coleção de trechos selecionados de filmes, ou de obras musicais, etc;
·  antracologia = método de estudo dos carvões vegetais descobertos em sítios arqueológicos, e pelo qual se consegue identificar espécies vegetais;
·  antropobiologia = antropologia física;
·  antropologia = estudo ou reflexão acerca do ser humano, do que lhe é específico; designação comum a diferentes ciências ou disciplinas cujas finalidades são descrever o ser humano e analisá-lo com base nas características biológicas (antropologia biológica) e socioculturais (antropologia cultural) dos diversos grupos em que se distribui, dando ênfase às diferenças e variações entre esses grupos;
·  antropossociologia = parte da antropologia que estuda o homem no seu meio social; estudo dos fenômenos sociológicos com base exclusivamente antropológica;
·  antropossomatologia = estudo da estrutura do corpo humano;
·  apologia = discurso para justificar, defender ou louvar; encômio, louvor, elogio; apologismo;
·  aponeurologia = parte da anatomia que trata das aponeuroses; aponevrologia;
·  aponevrologia = estudo da membrana fibrosa que reveste ou envolve os músculos esqueléticos e, em certos casos, os termina à guisa de tendão;
·  aracnologia = ramo da zoologia que estuda as aranhas e demais aracnídeos; araneologia;
·  araneologia = ramo da zoologia que estuda as aranhas e demais aracnídeos; aracnologia;
·  aretologia = estudo da virtude;
·  aritmologia = ciência que trata dos números e da medição das grandezas em geral;
·  arqueologia = o estudo científico do passado da humanidade, mediante os testemunhos materiais que dele subsistem; o conjunto das técnicas de pesquisa e da interpretação do que resulta da arqueologia;
·  arquivologia = estudo ou conhecimento dos arquivos; arquivística;
·  arteriologia = parte da anatomia que estuda as artérias.
·  artrologia = estudo das articulações;
·  asianologia = conjunto de conhecimentos ou estudos acerca dos povos asiáticos;
·  assiriologia = o estudo da civilização assíria;
·  astroarqueologia = arqueoastronomia; ciência que tem por objetivo estudar os conhecimentos astronômicos dos povos antigos, em especial os do período pré-histórico; astronomia arqueológica, arqueologia astronômica;
·  astrobiologia = exobiologia; ciência que estuda a possibilidade de vida extraterrestre. Tal estudo é realizado, por exemplo, em amostras provenientes de outros planetas e em meteoritos;
·  astrocinologia = tratado dos dias caniculares;
·  astroetnologia = etnoastronomia; o conjunto dos conhecimentos astronômicos de um povo; o estudo dos conhecimentos astronômicos segundo a formulação que recebem nas culturas dos diversos povos e grupos sociais;
·  astrogeologia = ciência de aplicação da geologia ao estudo do solo dos astros, e particularmente da Lua;
·  astrologia = estudo e/ou conhecimento da influência dos astros, especialmente de signos, no destino e no comportamento dos homens; uranoscopia;
·  astroteologia = teologia natural fundada na observação dos corpos celestes;
·  astrozoologia = ramo da astrobiologia que estuda a probabilidade de vida animal própria e a possibilidade de vida dos animais terrestres nos outros astros;
·  atmosferologia = ramo da ciência que se dedica ao estudo da atmosfera;
·  audiologia = ramo da medicina que se ocupa da audição em todos os seus aspectos, inclusive o terapêutico;
·  autarcesiologia = ramo da imunologia que trata da autarcese; capacidade de combater infecção pela ação de células do próprio organismo, sem que haja intervenção de anticorpos;
·  autocorologia = fitogeografia de uma espécie vegetal;
·  autoecologia = ecologia do indivíduo (animal ou vegetal);
·  auxanologia = estudo do crescimento dos seres vivos; auxologia;
·  auxologia = estudo do crescimento dos seres vivos; auxanologia;
·  aviceptologia = arte de apanhar aves vivas com laços e armadilhas;
·  axiologia = estudo ou teoria de alguma espécie de valor, particularmente dos valores morais; teoria crítica dos conceitos de valor;
·  bacteriologia = ciência que trata das bactérias; microbiologia;
·  balneologia = estudo dos banhos e de suas aplicações terapêuticas;
·  bandeirologia = tratado, estudo ou conjunto de conhecimentos acerca das bandeiras;
·  barologia = parte da física que estuda o peso;
·  baropatologia = estudo das condições mórbidas que têm fenômenos atmosféricos como causas, ou concausas; meteoropatologia;
·  batologia = repetição inútil de uma palavra, frase ou pensamento;
·  bestialogia = faculdade de proferir bestialógicos;
·  bibliologia = conjunto de conhecimentos e técnicas que abrangem a história do livro, a bibliotecnia, a bibliografia, a bibliotecologia e a bibliofilia, e se relacionam com a origem, evolução, produção, publicação, descrição, enumeração, conservação e restauração dos livros, e a organização deles em coleções gerais ou especiais para uso público ou privado; a história do livro; documentação e bibliografia;
·  bibliotecologia = estudo ou conhecimento das bibliotecas;
·  bioclimatologia = estudo das relações dos seres vivos com o clima;
·  biocromatologia = estudo das cores dos seres vivos;
·  biologia = estudo dos seres vivos e das leis da vida;
·  biossociologia = estudo das comunidades vivas como sistemas integrados;
·  biotecnologia = aplicação de processos biológicos à produção de materiais e substâncias para uso industrial, medicinal, farmacêutico, etc;
·  biotipologia = estudo das constituições, temperamentos e caracteres; biologia diferencial; tipologia;
·  bradilogia = lentidão na pronúncia de palavras, decorrente de lentidão de pensamento devida a psicopatia;
·  braquilogia = redução de uma palavra, expressão ou giro fraseológico, sem prejuízo do sentido da forma plena;
·  brasilologia = brasilografia; estudo sobre o Brasil e os brasileiros;
·  briologia = parte da botânica que estuda as briófitas;
·  bromatologia = ciência que estuda os alimentos; química bromatológica;
·  cacologia = erro de sintaxe ou de construção gramatical; solecismo;
·  cancerologia = estudo dos tumores malignos em todos os seus aspectos (causas, estrutura, tratamento, etc.); oncologia;
·  caracterologia – caraterologia = ramo da psicologia que estuda os diferentes tipos dos caracteres humanos e sua formação;  
·  carcinologia = ramo da zoologia que estuda os crustáceos; cancerologia;
·  cardiologia = estudo do coração e das funções por ele desempenhadas; parte da medicina que se ocupa das afecções do coração e dos grandes vasos;
·  carfologia = movimento involuntário em que um doente grave faz gesto como que procurasse apanhar as roupas do leito; crocidismo;
·  carpologia = parte da organografia que trata dos frutos;
·  cartalogia – cartologia = coleção de cartas geográficas;
·  cecidiologia = parte da fitopatologia que se ocupa dos cecídios;
·  cenologia = conferência entre médicos; cinologia; sinologia; parte da física que trata do vácuo;
·  ciesiologia = obstetrícia; ramo da medicina que se ocupa da gravidez, do parto e do puerpério; maiêutica, tocologia;
·  cinologia = estudo dos cães;
·  ciriologia = emprego exclusivo de expressões próprias;
·  citologia = estudo da estrutura e função das células;
·  climatologia = ramo da geografia física que trata dos climas da Terra, analisando-os quer do ponto de vista estático, quer através de suas principais manifestações;
·  codicologia = disciplina auxiliar da crítica textual que tem por objeto o estudo dos materiais empregados na confecção e elaboração do livro manuscrito ou códice, sua produção nos scriptoria medievais e o modo pelo qual era comercializado;
·  colpocitologia = exame de células do epitélio vaginal, extraídas por atrito;
·  cometologia = tratado acerca dos cometas;
·  coniologia = ramo da biologia que estuda a poeira e os efeitos que ela possa ter sobre os seres vivos;
·  conquiliologia = estudo das conchas; tratado sobre as valvas dos moluscos; malacologia;
·  coprologia = emprego de expressões obscenas, imundas, em literatura; o versar temas imundos em obras literárias; estudo dos adubos orgânicos; estudo das fezes;
·  corologia = estudo da distribuição geográfica dos organismos;
·  cosmetologia = estudo dos cosméticos (composição, fabricação e modo de usar);
·  cosmologia = qualquer doutrina ou narrativa a respeito da origem, da natureza e dos princípios que ordenam o mundo ou o Universo, em todos os seus aspectos; o conjunto de representações que, operando explícita ou implicitamente nos mais diversos aspectos da vida coletiva, forma a concepção que os membros de um grupo sociocultural têm a respeito do mundo; concepção de mundo; cosmovisão; ciência afim da astronomia, e que trata da estrutura do Universo;
·  craniologia = estudo dos crânios; ramo da antropologia dedicado ao estudo comparativo das diferentes formas de crânios humanos, atuais e fósseis; arte de conhecer as aptidões e instintos das pessoas pelo estudo de seus crânios;
·  criminologia = ciência que se ocupa das teorias do direito criminal; filosofia do direito penal;
·  criptologia = ciência oculta; ocultismo;
·  cristalologia = tratado acerca dos cristais;
·  cristologia = tratado acerca da pessoa de Jesus Cristo e sua doutrina;
·  criteriologia = parte da lógica que estuda os critérios da verdade;
·  cronobiologia = estudo da variação dos fenômenos biológicos com o tempo, especialmente daqueles que são recorrentes, como os ciclos circadianos;
·  cronologia = tratado das datas históricas; ciência da utilização de regras baseadas na astronomia e em convenções próprias para estabelecer as divisões do tempo e a fixação das datas; cronografia;
·  ctetologia = ramo da biologia que estuda caracteres adquiridos;
·  dactilologia – datilologia = quirologia; arte de conversar por meio de sinais feitos com os dedos; 
·  demologia – demopsicologia = estudo da psicologia de um povo; folclore;
·  demonologia = teoria ou ciência dos demônios; tratado da natureza e influência dos demônios; demonografia; forma de conhecimento primitiva, segundo a qual um doente mental estaria possuído de espíritos malignos, constituindo, pois, uma tentativa inicial de interpretar psicopatias;
·  dendrocronologia = datação que se baseia nos círculos dos troncos das árvores, e que tem por objetivo o estudo das variações climáticas do passado, em especial as dos períodos de seca ou de chuva;
·  dendrologia = estudo científico das árvores;
·  deontologia = o estudo dos princípios, fundamentos e sistemas de moral; tratado dos deveres;
·  dermatologia = ramo da medicina que trata do diagnóstico e tratamento das doenças da pele;
·  deuterologia = discurso que, nos tribunais de Atenas, o defensor oficioso fazia após o discurso do acusado, que invariavelmente falava primeiro;
·  diabetologia = ramo da medicina que estuda o diabetes;
·  dialetologia = estudo da variação dialetal cuja meta é o estabelecimento das fronteiras geográficas para os usos lingüísticos, e que tem como fonte de dados as zonas rurais, vistas como áreas não contaminadas pelo contato com outras variedades; dialectologia; sociolinguística; geografia linguística;
·  dialogia – dilogia = diáfora; repetição duma palavra na frase, com sentidos diferentes;
·  dianeologia – dianoiologia = doutrina das leis do pensamento;
·  didactologia – didatologia = doutrina do ensino; pedagogia; o gênero didático em composições literárias;
·  dinamiologia = tratado das forças;
·  dislogia = perturbação do poder de raciocínio; perturbação da fala, devida a alterações mentais;
·  disteleologia = estudo de órgão, ou parte de órgão, aparentemente inúteis; falta de propósito, ou de contribuição útil, para um resultado final;
·  ditologia = tratado das palavras de forma dupla duma língua;
·  documentologia = documentação;
·  doxologia = fórmula litúrgica de louvor a Deus, geralmente ritmada;
·  dramatologia = dramaturgia;
·  ecologia = parte da biologia que estuda as relações entre os seres vivos e o meio ou ambiente em que vivem, bem como as suas recíprocas influências; mesologia; ramo das ciências humanas que estuda a estrutura e o desenvolvimento das comunidades humanas em suas relações com o meio ambiente e sua conseqüente adaptação a ele, assim como novos aspectos que os processos tecnológicos ou os sistemas de organização social possam acarretar para as condições de vida do homem;
·  ecotoxicologia = disciplina que estuda a ação dos agentes químicos tóxicos no meio ambiente;
·  ecrinologia = ramo da biologia que estuda secreções e excreções;
·  edafologia = ciência que estuda os solos; pedologia;
·  edeologia – ideologia = estudo dos órgãos genitais;  
·  egiptologia = ciência que trata de tudo quanto se relaciona com o antigo Egito;
·  electrofisiologia – eletrofisiologia = parte da fisiologia que estuda as correntes elétricas originadas e emitidas por ser vivo; dela derivam importantes aplicações práticas, como a eletrocardiografia, a eletrencefalografia, etc;
·  electrologia – eletrologia = estudo dos fenômenos elétricos e magnéticos; eletrologia médica = parte da eletricidade relativa às suas aplicações médicas;
·  embriologia = ramo da biologia que trata da formação e do desenvolvimento do embrião; ramo da ciência que se ocupa do estudo do organismo desde a etapa de formação do ovo à do feto;
·  emetologia = estudo das substâncias eméticas e do vômito;
·  encefalologia = o conjunto dos conhecimentos relativos ao encéfalo;
·  endocrinologia = parte da medicina que trata das glândulas de secreção interna;
·  enologia = estudo do que toca aos vinhos;
·  enterologia = tratado do intestino e das suas funções;
·  entomologia = parte da zoologia que trata dos insetos; insetologia;
·  epidemiologia = estudo das interrelações dos vários determinantes da frequência e distribuição de doenças num conjunto populacional;
·  epistemologia = conjunto de conhecimentos que têm por objeto o conhecimento científico, visando a explicar os seus condicionamentos, (sejam eles técnicos, históricos, ou sociais, sejam lógicos, matemáticos, ou lingüísticos), sistematizar as suas relações, esclarecer os seus vínculos, e avaliar os seus resultados e aplicações; teoria do conhecimento; metodologia;
·  ergasiotiquerologia = infortunística; ramo da medicina e do direito em que se estudam os acidentes de trabalho e suas consequências, as doenças ditas profissionais; ergasiotiquerologia;
·  ergologia = parte da etnologia que trata da cultura material;
·  escatologia = tratado acerca dos excrementos; doutrina sobre a consumação do tempo e da história; tratado sobre os fins últimos do homem;
·  escriptologia = estudo do material grafemático dos textos medievais, com o intuito de depreender informações linguísticas;
·  espectrologia – espetrologia = tratado dos fenômenos espectrais;
·  espeleologia = estudo e exploração das cavidades naturais do solo: grutas, cavernas, fontes, etc;
·  espermatologia = tratado acerca do esperma;
·  esplancnologia = parte da anatomia que trata das vísceras;
·  esplenologia = estudo acerca do baço;
·  esterelogia = estudo das partes sólidas dos seres vivos;
·  estesiologia = ramo da neurologia que se ocupa das sensações e dos sentidos;
·  estigmologia = tratado ou complexo dos vários sinais, como o til, a cedilha, a vírgula, etc., que, com as letras, se usam na escrita;
·  estomatologia = ramo da medicina que estuda a boca, suas funções e estrutura, as doenças que nela ocorrem e seu tratamento;
·  etimologia = o estudo das palavras, de sua história, e das possíveis mudanças de seu significado; origem e evolução histórica de um vocábulo;
·  etiologia = estudo sobre a origem das coisas; a parte da medicina que trata da causa de cada doença;
·  etnobiologia = o estudo da relação que os povos ou grupos sociais mantêm com os animais e plantas de seu meio ambiente;
·  etnogenealogia = genealogia dos povos; o conjunto de representações que um grupo ou cultura particular formula a respeito das relações de parentesco, consideradas como conexões interindividuais derivadas da procriação;
·  etnologia = o estudo histórico dos povos e suas culturas; conjunto dos estudos antropológicos que procuram generalizar e sistematizar, por meio de comparação, análise e interpretação, os conhecimentos a respeito dos diferentes povos e suas culturas, obtidos através da etnografia; antropologia social; o estudo antropológico das sociedades indígenas;
·  etnometodologia = estudo ou análise, de base sociológica ou psicossociológica, pelo qual se inferem modelos racionais, relativos aos métodos e categorias de conhecimento de que os indivíduos se utilizam para tornar inteligíveis as atividades práticas corriqueiras que realizam, guiados pelo senso comum;
·  etnomusicologia = estudo dos sistemas musicais dos diversos povos, em seus aspectos formais (os sons e as maneiras de combiná-los) ou socioculturais (usos e comportamentos relativos à música, o papel desta, etc.);
·  etnozoologia = o conjunto de conhecimentos de determinado povo ou grupo acerca dos animais; estudo dos conhecimentos zoológicos dos diversos povos e culturas;
·  etologia = estudo dos hábitos dos animais e da sua acomodação às condições do ambiente;
·  etruscologia = estudo da língua e da arqueologia dos etruscos;
·  exobiologia = ciência que estuda a possibilidade de vida extraterrestre; astrobiologia. Tal estudo é realizado, por exemplo, em amostras provenientes de outros planetas e em meteoritos;
·  exopaleontologia = pesquisa de fósseis em outros planetas;
·  faringologia = o conjunto de conhecimentos sobre a faringe;
·  farmacologia – iamologia = parte da medicina que estuda os medicamentos em todos os aspectos;
·  febriologia = tratado acerca das febres; parte da medicina que trata especialmente das febres;
·  fenologia = parte da botânica que estuda vários fenômenos periódicos das plantas, como a brotação, a floração e a frutificação, marcando-lhes as épocas e os caracteres; estudo das relações dos processos biológicos periódicos com o clima;
·  fenomenologia = estudo descritivo de um fenômeno ou de um conjunto de fenômenos em que estes se definem quer por oposição às leis abstratas e fixas que os ordenam, quer por oposição às realidades de que seriam a manifestação; sistema de Edmund Husserl e de seus seguidores, caracterizado principalmente pela abordagem dos problemas filosóficos segundo um método que busca a volta “às coisas mesmas”, numa tentativa de reencontrar a verdade nos dados originários da experiência, entendida esta como a intuição das essências;
·  fetologia = ramo da biologia e da obstetrícia que se ocupa do feto;
·  ficologia = algologia; estudo ou tratado das algas;
·  filmologia = estudo da influência do cinema na sociedade, no pensamento, na moral, etc;
·  filologia = estudo da língua em toda a sua amplitude, e dos documentos escritos que servem para documentá-la; crítica textual;
·  fisiologia = parte da biologia que investiga as funções orgânicas, processos ou atividades vitais, como o crescimento, a nutrição, a respiração, etc; tratado ou compêndio de fisiologia; exemplar de um desses tratados ou compêndios;
·  fitocenlogia = fitossociologia; arte da botânica que trata das comunidades vegetais no concernente à origem, estrutura, classificação e relações com o meio;
·  fitofisiologia = fisiologia vegetal;
·  fitologia = botânica;
·  fitopaleontologia = estudo dos vegetais fósseis;
·  fitopatologia = patologia vegetal;
·  fitossociologia = parte da botânica que trata das comunidades vegetais no concernente à origem, estrutura, classificação e relações com o meio; fitocenologia;
·  fonoaudiologia = estudo da fonação e da audição, das suas perturbações e tratamento delas;
·  fonologia = estudo dos sistemas sonoros das línguas; fonemática; fonêmica; fonética; fontática;
·  fotobiologia = estudo dos efeitos da luz visível e da luz ultravioleta sobre os organismos e sistemas biológicos;
·  fotologia = tratado acerca da luz;
·  fraseologia = parte da gramática em que se estuda a construção da frase; construção de frase peculiar a uma língua, ou a um escritor; conjunto ou compilação de frases ou locuções de uma língua ou de um escritor;
·  frenologia = teoria que estuda o caráter e as funções intelectuais humanas, baseando-se na conformação do crânio; frenologismo;
·  fusologia = estudo dos foguetes;
·  futurologia = ramo de conhecimento que especula acerca do futuro, com o fim de antecipar os futuríveis, ocupando-se da explosão demográfica, de possíveis mutações genéticas da humanidade, de processos revolucionários da biologia e da higiene, da segunda revolução tecnológica, do futuro da sociedade e suas instituições políticas e econômicas.
Nas edições futuras, continuaremos com mais algumas palavras, a partir da letra F, usando o radical LOGIA.


Questão   franciscana

“Senhor, fazei-me um instrumento de vossa paz!”
Os primeiros cristãos reservavam o titulo Senhor apenas para Jesus e para Deus. Negavam-no aos imperadores romanos e por isso eram perseguidos, levados aos tribunais, às arenas e ao martírio.
     Hoje, há poderosos da política e das finanças que se apresentam como grandes senhores. Reúnem-se entre eles para decidir sobre o destino de milhões e milhões de pessoas. Exigem total submissão às suas estratégias políticas, econômicas e militares. Os opositores são marginalizados, excluídos e, se preciso, atacados militarmente.
     Há uma luta entre os vários senhores quem é mais senhor. Entretanto, as pessoas religiosas de todos os credos negam o título de “senhor” a esses pretensiosos títeres dos povos. Em nome do verdadeiro Senhor do Céu e da Terra, desmascaram-nos como falsos senhores, porque seu poder se constrói à custa do empobrecimento das grandes maiorias e da pilhagem sistemática dos recursos da Terra. Numa perspectiva global, são mais produtores da morte que da vida.
     Ao pronunciarmos “Senhor” queremos reconhecer Deus como o verdadeiro e único senhor da história e do destino humano. pedimos que Ele se mostre como aquela Energia criadora que vivifica todas as nossas energias de resistência e de libertação. E que faça justiça aos pobres e restabeleça seu senhorio sobre a criação, entregue como herança comum a todos os homens. 
     Hoje, por causa das ameaças que pesam sobre Terra e sobre a humanidade e devido à falta de paz e amor em todos os recantos, não apenas pedimos, mas também suplicamos, gritando: Senhor, Senhor atendei-nos!
Do livro “A Oração de São Francisco – Uma mensagem de paz para o mundo atual”, de Leonardo Boff, publicado pela Ediroa Sextante, Rio de Janeiro, 1999.