terça-feira, 2 de agosto de 2011

QUESTÃO - 9

AFA
ACADEMIA FRANCISCO DE ASSIS
Questão
2011 – 9ª edição

No mundo, vira e mexe, aparece um maluco no sentido mais absurdo possível, que escapole e extrapole de qualquer razão, ou explicação, ou justificativa. O cenário do Realengo ficará marcado para sempre na memória dos brasileiros, principalmente dos cariocas. Todos arriscam uma explicação e nenhuma delas é baseada na racionalidade. Tudo é palpite, mesmo que seja feita por psiquiatras, altamente especializados. Isso para dizer que fatos assim tão extraordinários e absurdos só nos colocam cada vez mais diante de um mistério humano. Quem sou eu? O que significa ser humano? O mal, a maldade, a crueldade, a agressividade... fazem parte da natureza humana? Todo mundo nasce mau? Por que essa natureza se manifesta em alguns e não se manifesta em outros? Qual é o papel, a função do ambiente, da família, da escola, da religião na formação do caráter, ou na personalidade das pessoas? Um motivo que para mim pode parecer pequeno para o outro poderá ser grande demais. “O calo dói dentro do meu sapato, no meu pé; e você não sente a dor” – nos ensinavam nossos pais e avós. A dor do outro, como a minha dor, é intransferível. A experiência da dor, de uma doença, de uma paixão, de uma desilusão não pode ser ensinada e aprendida, porque intransferível. O que nos resta é a perplexidade e até a possibilidade de agradecer ao universo de a gente ser o que é.
Professor Décio Bragança Silva
decio.braganca@uniube.br
QUESTÃO    DIDÁTICA

A educação é um processo de construção, em clima de diálogo entre educador e educando. O educador não pode ter a idéia pronta do que é educar. Deve aceitar o desafio de estar, de estar-com.
Ninguém educa ninguém e ninguém se educa sozinho. A educação é um ato coletivo e solidário, portanto ato de amor. A educação é troca entre pessoas. Ninguém sabe tudo que nada possa aprender. Ninguém é tão ignorante que nada possa ensinar.
Educação não é combate entre o bem e o mal. Combate é destruição e, em educação, não há nada que se possa destruir ou matar. Educação também não é embate. Embate é persuasão e, em educação, não há nada que se possa convencer ou condicionar, porque todos se ensinam e todos se aprendem. Em educação, quem ensina, aprende; quem aprende, ensina. Para Guimarães Rosa, “professor é aquele que de repente aprende!”
Alfabetização é, simplesmente, uma fala que vira escrita que vira leitura. Assim, nenhum método de alfabetização poderá ser uma camisa de força, através de cartilhas, de livros, de ideias pré-concebidas e prontas, de imposição e opressão.
Todo método de alfabetização nasce da necessidade de se construir um caminho, um meio, um roteiro, um mapa da mina. E o caminho não está pronto. “Abre-se o caminho, enquanto se caminha.!”
Nos primeiros encontros entre educadores e educandos é importante fazer um levantamento do universo vocabular do grupo, sem perguntas feitas, sem roteiros impressos, porque não se quer, nem vai testar nenhuma hipótese, ou tese. É a fase do VER, do OBSERVAR, do COLHER.
Nessa fase, cada educando, espontânea e naturalmente, estimulado pelo educador, deverá contar um pouco sobre a sua vida: suas dificuldades e suas alegrias, seus medos e suas expectativas. Se houver recursos, é importante gravar algumas falas, fotografar e até filmar. Caso não seja possível, é bom que sejam anotados alguns itens de cada educando.
VER
O universo das pessoas vai ampliando-se na medida em que conhecem e sabem o nome de seres e de coisas do mundo. No final de cada encontro, é importante e levar alguma coisa ligada à mídia, à comunicação.
Por exemplo, uma música que todos conhecem. A música deve ser MOTIVO para discussão, para conversa. Não basta OUVIR. É preciso ouvir com compreensão! Assim como não basta LER, não basta FALAR, não basta ESCREVER. Tudo tem de ter um sentido. O educador NUNCA deverá interpretar NADA. Ele é só o facilitador. É preferível dizer que não sabe a dar sua interpretação!
Tudo ligado à educação e cultura, principalmente num ambiente de jovens e adultos, tem de significar. É inconcebível repetir sem refletir. Alfabetizar não é só um processo mecânico de repetição.
A alfabetização é promoção de uma educação libertadora. Libertação, aqui, tem a dimensão de processo – algo que tem um início e nunca terá um fim.
Haverá sempre em nós, em cada um de nós, algo de que temos de libertar-nos: libertação do analfabetismo até a libertação de todos os medos. Libertação, também, poderá estar associada à liberdade. Liberdade, aqui, tem a dimensão do melhor, do fazer-se melhor, do fazer o bem, do fazer bem feito, e não algo caótico, permitindo a cada um fazer o que bem entende. “Sou livre para o bem, porque o bem se legitima por si só.” Ninguém é livre para fazer o mal.
Assim, a alfabetização é a possibilidade de se evitar o mal, porque afirma o ser humano como ser racional, como ser social, como ser espiritual que preserva os valores humanamente verdadeiros e verdadeiramente humanos.
A alfabetização traz em seu bojo a ideia de que, como ela, aprende-se a escolher, porque se escancara o leque de opções e possibilidades. Daí, poderem fazer-se as melhores opções! O valor maior é a plenitude da vida.
Plenitude da vida tem, aqui, a dimensão de fugir, por vontade e por opção, dos elementos da morte: desnutrição, falta de recursos, falta de habitação, violência, desemprego, sub-emprego...
Plenitude da vida tem, aqui, a dimensão de transformar o educando em sujeito de seu desenvolvimento, senhor de sua história e geografia. Como sujeito não é depósito de informações, de definições.
Assim, a alfabetização é o processo de inserção na vida social, cultural da comunidade. Como processo, quem propõe alfabetizar – educador e educando – deve estar inserido nessa comunidade.
O alfabetizador não um pára-quedas, ou um salvador, ou uma promessa. No mínimo, o alfabetizador tem de trazer esperanças, abrir horizontes, sangrar mares, apontar o infinito, possível e ilimitado. Caso contrário, o próprio distanciamento entre educador e educando produz o distanciamento econômico, político, cultural dos elementos de uma mesma comunidade.
Em outras palavras, o educando existe para o seu ambiente. Caso contrário, o educando se transformará em mais um dos que oprimem, exploram, dominam... Não se trata de tirar o educando de seu espaço, mas nele produzir a revolução, a transformação, a cidadania, a democracia, a participação efetiva...
Alfabetizar é um ato político no sentido de que contribui para o bem comum. Idéias de cooperativismo, de empreendedorismo, de iniciativas coletivas, de associações comunitárias, de sindicatos, de comunidades de base... devem estar presentes em todas as aulas de alfabetização de jovens e de adultos.
Ideias de denúncias de irregularidades praticadas na administração pública, de garantias individuais, de reivindicação de direitos...
·  devem permear as ações educativas. Idéias de criação de hortas, particulares ou coletivas, do valor nutritivo dos alimentos, do amor à terra, ao solo, à natureza...
·  devem transpassar as discussões em sala de aula. Ideias de artesanato, pequenas oficinas, pequenos trabalhos manuais, de empreender pequenas firmas prestadoras de serviços de todas as espécies...
·  devem ser socializadas permanentemente entre educadores e educandos, promovendo o sentido do trabalho destinado também ao bem comum.
Alfabetizar é ainda tentar criar uma sociedade sem discriminações, sem preconceitos.
Alfabetizar é mais do que ensinar a ler e escrever – que é um ato mecânico.
É a consciência crítica, a capacidade de julgar a realidade social, formando comunidades conscientes, comprometidas com a solidariedade humana.
É a fase de julgar: escolha de valores.
VER – JULGAR
Assim, alfabetizar é um processo de profunda transformação, de reorientação de pressupostos culturais.
Em outras palavras, isso significa que organização e métodos, técnicas e práticas educativas não garantem a formação da cidadania.
É fundamental e imprescindível que se questionem os sentidos e as significações das palavras e das coisas e dos seres do mundo.
É importante e necessário que se analisem os valores e critérios, as intenções e os interesses de emissores e receptores.
Quem diz alguma coisa, diz a favor de quem ou contra quem? Quem diz alguma coisa, diz a favor de quê ou contra quê? É preciso e bom que se aprofunde a visão do mundo subjacente às palavras e às expressões.
A educação é um direito e um dever de todos. A universalização do Ensino Fundamental é garantida pela Constituição.
É preciso somar forças para realizar esse direito. A alfabetização de jovens e adultos – diferentemente de crianças – ultrapassa o sentido enciclopédico, acadêmico, memorialista, mimético, passivo, eclético, essencialista. Busca uma educação ativa, existencialista, criativa, crítica, personalizada, holística, integrada, sem improvisações, porque livre; sem desqualificações, porque voluntária, sem depreciações, porque sem exames e provas e punições, sem descasos, porque original, sem prejuízos, porque voluntária.
Alfabetizar jovens e adultos é educá-los para o pleno exercício da sua cidadania, da sua ética, individual e coletiva, de sua consciência de co-responsabilidade.
Nesse sentido, alfabetizar é integrar o educando não só na esfera cultural, mas também nas esferas da vida social, econômica, política, geográfica, histórica.
Mundo da cultura, aqui, é entendido como tudo aquilo que foi e é criado pelo homem, tudo aquilo como o homem age e pensa. Assim, numa nação há um entrecruzamento de muitas culturas. Nesse sentido, alfabetizar assegura a pluralidade e diversidade cultural.
Toda proposta de educação tem de ter em vista a autonomia, a independência dos educandos, dos grupos, dos movimentos, das organizações.
Toda proposta de educação tem de ter em vista as relações do homem com a natureza e as relações entre os homens em função dos riscos da industrialização, da massificação, da reificação, do consumismo, do capitalismo.
Toda proposta de educação tem de ter em vista o processo libertador e conscientizador, sempre aberto ao outro, aos problemas do outro, em clima de solidariedade e fraternidade, de humanização e personalização.
Daí, a educação e, em especial, a alfabetização de jovens e adultos, interfere na maneira de ser, de pensar e de agir das pessoas. Nesse sentido, alfabetizar é interessar-se pela vida e a vida em plenitude. Nada disso acontece naturalmente.
Uma chamada educação natural reproduz as injustiças e estruturas sociais, as discriminações, as segregações, as exclusões. Porque informal, não significa natural. A educação é construção planejada, intencional, crítica, criativa, ética, política. Os conteúdos, os currículos acontecem na ação.
VER – JULGAR – AGIR
Não existe alfabetização desencarnada da práxis social, isto é, fora da história e da geografia, fora do tempo e do espaço.
O educador ao exercitar mãos e idéias deve sempre escolher palavras do universo das pessoas. O critério de escolha das palavras passa por todas as possibilidades e dificuldades fonéticas e ortográficas, pela praticidade, pela polissemia, isto é, deve-se escolher uma palavra que tenha maior amplidão significativa.
Por semana, podem ser apresentadas até VINTE palavras, no máximo. Com cada palavra-chave, inicia-se o processo de assimilação dos sons e das grafias – necessidades do domínio da “Ciência da Leitura e da Escrita”.

QUESTÃO    UTÓPICA

No dia em que mataram a utopia, Jardim da Infância virou Pré-escola, Educação Infantil. A criança, toda criança precisa é de um jardim. Do jardim nascem crianças, desabrocham homens prontos para dar frutos e sementes de um mundo novo.
O jardim é sinônimo de liberdade. Uma escola é sinônimo de burocracia, de normas, de leis. A educação é uma responsabilidade de todos. Restringir o acesso a todos os níveis escolares é, no mínimo, enterrar a utopia. A Venezuela, a Argentina, a Nicarágua, Cuba... países muito criticados pelos brasileiros têm praticamente o analfabetismo zero.
As oportunidades e chances iguais para todos devem ser contínuas, processuais e até ilimitadas. Garantidos todos os direitos constitucionais (artigo 5º da Constituição Brasileira), caminharemos, na esperança e na fé, com trabalho e esforço, na solidariedade e entusiasmo ao PINDORAMA – o Paraíso Terrestre Tropical – primeiro nome indígena do Brasil.
Pindorama é a utopia brasileira, de todos os brasileiros. É urgente que nos organizemos em associações, sindicatos, assembléias... livremente.
Numa sociedade utópica, dos sonhos, é preciso que cada um cumpra seu papel e seu dever, suas tarefas e funções, com amor e determinação.
A utopia nos leva para o longe, para a expansão e melhoria de todas as nossas potencialidades, na medida certa. Em outras palavras, é tão perverso frear a inteligência quanto acelerar a mediocridade. Há poucas soluções inteligentes e muitos problemas produzidos e gerados por tantos medíocres! Vivemos a era da mediocrização social!
Com a utopia, todos os métodos escolares e educacionais desenvolvem todas as aptidões do indivíduo para a formação do caráter e de uma personalidade harmônica e tranqüilidade.
Os utópicos acreditam que as relações sociais são construídas na justiça e no amor e não há espaço melhor para esse exercício que não seja a escola, a universidade.
A utopia nos faz acreditar que o sentido da vida é ser-para-si e ser-para-os-outros. Daí, o sentido da cooperação e colaboração – operar com e laborar com, respectivamente. Assim, homem educado é um ser útil e necessário à sociedade.
Há sempre a possibilidade de sermos-mais e sermos-melhores. Nunca chegaremos à utopia – o que não significa que ela não deva existir. É ela que nos indica caminhos, que nos faz experimentar novas formas de se viver em sociedade.
“Outro mundo é possível!” - “Se nada é, tudo será” – fórmula de Heráclito, criador do tudo se transforma e depois reforçada por Lavoisier.
Um ensinamento de antes de Cristo (Heráclito) e que depois de 2000 anos ainda não aprendemos: o vir-a-ser é sempre melhor! É possível, sim, trabalharmos todos juntos para o porvir: a utopia.
Quando se fala em justiça, pensa-se normalmente em juízes, promotores, fórum, cadeia, pena, impunidade, discriminação econômica... Não quero falar dessa justiça! Quero falar da justiça como fato coletivo, que marginaliza grande parte dos brasileiros.
Muitas famílias não encontram ainda possibilidades concretas de educação para seus filhos. Possibilidade, aqui, significa a capacidade de existir, de acontecer, de ocorrer, para ser, para ser-mais, para ser-melhor. Significa a capacidade de cada um viver, conhecer, por conta e por experiência próprias.
Muitas jovens ainda reclamam seu direito de entrar nas universidades ou em centros superiores de aperfeiçoamento intelectual ou técnico-profissional. Qual é a importância das escolas, das universidades?
No mínimo, é ter acesso àquilo que pertence a todas as pessoas; é ter acesso a tudo o que é construído pela mente a partir da experiência própria e que é partilhado e compartilhado por todos e entre todos, sem excluir absolutamente ninguém; é ter acesso ao que é considerado bom, belo e verdadeiro para todos e para cada um na mesma situação, ou nas mesmas circunstâncias.
Muitas mulheres reivindicam sua igualdade, de direito e de fato, com os homens. Os salários das mulheres, em muitos casos, são menores do que os dos homens, contrariando a máxima da isonomia, isto é, mesma função tem o mesmo salário. Igualdade, aqui, significa direito à mesma liberdade, à aceitação, às mesmas oportunidades... Igualdade também implica a igualdade econômica.
Muitos camponeses pedem melhores condições de vida. O Brasil é um continente. Todos que queiram terra para produzir deveriam ter o seu pedaço. Para produzir ou fazer a terra produzir não basta só jogar a semente. É preciso, principalmente, conhecimento – caminho de melhores condições de vida.
A partir do conhecimento, planejam-se os insumos, as máquinas, as sementes, os adubos, a época do plantio, o armazenamento, a comercialização, ou a industrialização... Criam-se cooperativas. Quero, aqui, ressaltar as idéias do uberabense José Humberto Guimarães. Suas idéias não são para uberabenses, nem mineiros, nem brasileiros. São para o mundo!
Muitos produtores pedem melhores preços e segurança na comercialização. Num mundo globalizado economicamente, num mercado dito liberal, não é fácil colocar matérias-primas e produtos no comércio.
É necessário arregimentarem-se todas as forças políticas para segurança de comercialização.
É necessário, politicamente, estar presente nas discussões internacionais da OMC, nas propostas de quebra de patentes, nas discussões de protecionismo que é uma forma de sujeitar, ou, no mínimo, um obstáculo ao desenvolvimento e crescimento de algum país.
É inconcebível, por exemplo, algum país patentear o DNA de uma jabuticaba, de uma soja, de um milho...
Muitos pequenos produtores e industriais e comerciantes, desanimados e desiludidos, abandonam suas atividades, porque não suportam a concorrência desonesta e desleal, sem ética e desumana dos grandes.
Isso acontece com o futebol, com o comércio, com a indústria, com a educação, com a produção, na zona urbana e na rural.
A desgraça maior é a dependência progressiva dos pequenos, gerando frustração de legítimas aspirações, gerando um clima até de angústia coletiva.
Essas injustiças desafiam a fé de qualquer religião e de qualquer deus, mesmo que esse deus seja capitalista, consumista, plutocrata!
Só a utopia nos salvará a todos!

QUESTÃO    SOCIAL

É muita pretensão minha discutir as raízes da violência ou percepções da violência. Faço isso, porque quero sim ultrapassar os muros da sala de aula, porque acredito que todas as idéias devam ser discutidas por todas as pessoas.
Venho propondo para discussões o problema da violência. Acredito que se hoje vivemos numa sociedade violenta é porque a violência sempre nasce de cima para baixo. Nós, daqui, os de baixo, muitas vezes não chegamos a perceber que há uma violência dos de cima.
Trocando em miúdos: quando houve a morte de Liana e seu namorado por um menor de 16 anos, o Brasil inteiro, os meios de comunicação, a Hebe Camargo, a Igreja Católica, o rabino Sobel, o ministro da Justiça e tantos outros de Uberaba pediram pena de morte e a redução da idade penal.
Tenho certeza de que tudo isso aconteceu porque quem matou foi um pobre e quem morreu foi um membro de família rica.
Por que tenho tanta certeza assim? Porque quando Suzane Richthofen, também de 16 anos, planejou e matou os pais, não houve essa mesma reação. Ninguém pediu pena de morte para ela. Ninguém pediu a redução da idade penal. Todos tentavam uma explicação sob a luz da psicanálise, da psicologia e de tantas logias, ciências a serviço dos ricos, das classes dominantes.
Há, sim, uma violência, dos de cima, camuflada, sutil, legalizada e legalista, institucionalizada que faz tanto mal ou maior do que a dos de baixo.
A estrutura econômica dominante, as leis de mercado, o endividamento cada vez maior, o baixo poder de compra domesticam a nossa ousadia e possibilidades, porque nos impõem a supremacia do individualismo, do sucesso, da fama, da riqueza, destruindo qualquer possibilidade de coesão social, de harmonia, de solidariedade, de justiça social.
A partir daí, a resistência, a desobediência, a insubordinação, a rebeldia de alguns pouco, é bem verdade, respondem à violência e à dominação dos poderes políticos, econômicos, policiais. Quando a resistência é maior, maior será o controle desses poderes. Maior poder de destruição dos explosivos, maior a resistência da pedra.
O poder de destruição da estrutura dominante usa os meios de comunicação e as instituições, como família, escola, religiões, judiciário, empresas, polícias...
Nunca os jovens e adolescentes foram tão dóceis, acomodados, amorfos, acéfalos, individualistas, apolíticos. Nunca o consumo foi tão desenfreado, o mercado tão dominador, o capitalismo tão selvagem. O poder tem necessidade de se impor.
Sem poder resistir ideologicamente contra os de cima, muitos transformam seu vizinho, seu bairro, sua cidade e seu país num campo de guerra, tendo como alvo o outro inocente, o outro mais próximo e menos prevenido.
Muros, grades, cercas elétricas, alarmes, cães e animais ferozes, vigias e guardas particulares.... nada detém essa violência. Discriminações, exclusões sociais, contrastes econômicos aviltantes, luxo e lixo, desperdício e necessidades básicas, desemprego e desespero, falta de arte, educação, cultura e autonomia... explodem nos becos e nas ruas, nas avenidas e nas cidades.
Diminuir a idade dos jovens criminosos, aumentar as penas, endurecer as regras de comportamentos nos presídios, construir penitenciárias de segurança máxima, instituir a pena de morte... não controlam, nem fazem diminuir a violência. Há estados dos Estado Unidos com pena de morte e, também lá, não resolveu o problema.
Os caminhos da harmonia são conhecidos de todos: educação, arte, cultura. Nossos políticos preferem construir cadeias. É dito que são gastos 700 reais/mês por preso, enquanto são gastos 250 reais/ano por criança na escola de ensino fundamental.
Só se constrói uma identidade grupal, social ou nacional pela cultura, arte e educação. A escola, se houvesse vontade política, poderia ser um centro de cultura, educação e arte.
A escola, se houvesse vontade política, poderia ser a solução, inclusive, do desemprego, já que poderia e deveria estar aberta os 365 dias do ano, com atividades esportivas, sociais, culturais.
A escola, se houvesse vontade política, poderia ser o centro do bairro, com bibliotecas públicas, atendimento médico e odontológico, espaço de reuniões de associações, sindicatos, de cooperativas.
A escola tem de se aproximar da comunidade em que está inserida. A comunidade, em geral, não tem espaços para festas, estudos, encontros.
As experiências têm mostrado que a comunidade cuida de sua escola e da estrutura física da escola.. quão bom seria se a escola pudesse encontrar e definir sua função: centro de cultura, educação e arte.
Em outras palavras, a escola tem de ser espaço de espetáculos, de filmes, de teatros, espaço de um jornal e rádios comunitárias, espaço de exposição de arte, oficina de criação, feiras de ciências, espaço de jardins e horta comunitária, espaço para ser verdadeiramente escola.
O diretor de uma escola, verdadeiramente prática e útil, humana e revolucionária é a razão, a causa, o motivo do processo educacional.
O professor é o operacionalizador, porque dentro da sala de aula – espaço das efetividades e atividades educacionais. O magister é o líder da produção do processo revolucionário. Revolucionário tem, aqui, o sentido de democrático, onde as chances e oportunidades são absolutamente iguais.
O diretor, além de suas funções, deve organizar a sua equipe administrativa, definir preços do uso dos espaços: salas, laboratórios, quadras, anfiteatros; definir preços do uso dos equipamentos: giz, pincéis, computadores, retroprojetores, datashow; definir valor dos salários do mais alto ao mais baixo servidor; definir um percentual de investimentos, definir os custos fixos de luz, telefone, água, café, impostos; definir divisão de lucros e prejuízos, se houver; definir o preço a ser cobrado pelos cursos ministrados. Feito esse levantamento não é difícil socializar os valores, manter os números atualizados diariamente... Existe software que faz esse trabalho.
Toda escola é pública, mesmo que seja administrada, gerida, com investimentos de uma iniciativa privada. Nenhuma escola visa a lucros, mas tem de objetivar a construção de uma rede de lucratividade – identificação das necessidades dos estudantes e a satisfação de suas necessidades, num ambiente de um ganho mútuo de quem presta serviços e de quem recebe os serviços.
A dificuldade, talvez, seja porque não estamos acostumados a isso, seja a transparência dos valores. Estamos acostumados a fazer tudo debaixo dos panos.
Todas as vezes em que se fala em administração, em dinheiro, não se exclui nunca o dever, a função, a missão social das escolas e das universidades, não se exclui o gerenciamento do trabalho humano – compromisso de todos através de políticas e procedimentos, atitudes e habilidades.
Assim, uma escola revolucionária se percebe como organização inteira, total, integral e nunca fragmentada. Em educação, meios e fins são a mesma coisa. Administração, gestão, educação, rede de atividades... tudo isso é uma coisa só.
Por isso, é possível se atingir à qualidade satisfatória, um preço atrativo e a oferta de um curso/produto no momento certo, nos espaços certos para as pessoas certas. Isso vale também para as escolas e universidades públicas: nada é de graça! Tudo tem um preço! Alguém estará pagando a conta. No caso, o nosso dinheiro de impostos.
Falar em qualidade é falar em respeito à dignidade humana, respeito à vontade humana que quer aperfeiçoar-se e desenvolver-se. Daí, a idéia de se criar um Parlamento Escolar! Em vez de colocar uma caixa de sugestões – que, depois ninguém lê e não se tem uma resposta – o Parlamento Escolar é o espaço para a discussão e aprovação de projetos e das ideias, dos ideais e da prestação de contas.
Se há um incentivo à participação de todos, não se podem fechar as portas às sugestões de quem quer que seja, para análise, avaliação, viabilidade, análise de custos, benefícios e tudo tem de ser consentido e com sentido.
Muitas vezes, perde-se a oportunidade de melhoria do ambiente organizacional. O direito à expressão é uma das chaves do sucesso da cultura organizacional. “Não concordo com nada que você diz e fala, mas lutarei até a morte para que você se expresse, não fique calado “ – mais ou menos o lema dos jornalistas franceses, durante as greves, as crises, a “revolução” de 68, na França.
Uma escola revolucionária é uma escola que ouve, que aprende! Uma ação coletiva – Parlamento Escolar – é a oportunidade de realizar relações consigo mesmo, com os outros, com as “coisas”, porque é, de alguma forma, um momento de desarmamento do espírito, de ruptura dos estereótipos e dos modelos e dos paradigmas e dos conceitos e dos preconceitos.
Isso é equipe, é energização e dinamismo das capacidades de todos envolvidos no processo educacional. Os professores e os estudantes têm de deixar de obedecer para que sejamos responsáveis na construção de uma sociedade mais justa e humana. A omissão é um crime social, da pior espécie!
A universidade tem de recuperar o sentido de academia, recuperando, revalorizando a missão do professor, meio que coisificado.
Hoje, em dia, em alguns lugares e setores da sociedade, as pessoas consideram-se ofendidas se são chamadas de acadêmicos, como se isso fosse motivo de vergonha. Essa vergonha se deu, porque, com o fechamento das universidades, depois do golpe de 64, lá dentro, os professores restringiram suas atividades à sala de aula.
Assim, acadêmico passa a significar alguém da elite intelectual, sem contato nenhum com a realidade, com as pessoas e com as necessidades das pessoas. As universidades brasileiras, em conseqüência, foram confundidas com algo muito burocrático, ou algo muito autoritário.
O MEC já teve muito mais controle, porque centralizador. Depois da nova LDB, as universidades ainda não têm a coragem de avançar, valorizando a criatividade e a prestação de serviços, além de pesquisar “produtos” significativos.
É preciso recuperar o sentido de academia, ao contrário de que muitos pensam. Para muitos, academia é um lugar de privilegiados – o que de uma certa maneira têm razão.
Para muitos, a universidade traz ainda o sentido formalista, cartorial, burocrático, autoritário, centralizador, ensimesmado, voltado para si mesma. Daí, a arrogância, o pedantismo! Daí, muitos pensarem ser um lugar onde as pessoas dedicam-se às atividades exóticas e pouco relevantes, pouco úteis à sociedade.
Muitas grandes universidades, infelizmente, também, introjetam essa imagem, aceitam essa passividade, têm uma identidade pouca clara, sem objetivos claros, com finalidades ambíguas e obscuras.
A imprensa, às vezes, com razão, mas também com um certo sensacionalismo, vem desqualificando as pesquisas das universidades brasileiras, acusando-as de imobilismo, de parasitismo, de pouca produção prática,  deslegitimando os seus trabalhos e atividades, classificando-as como até alienadas.
O que não admite, hoje, é que, alegando autonomia, as universidades passem a ser escravas do mercado – novo deus do capitalismo e do liberalismo, da globalização e de interesses exclusivamente individualistas.
O mercado quer resultados imediatistas e utilitários. Quer mão-de-obra qualificada e, se possível, barata. A universidade existe para a comunidade e não para o mercado da mão invisível, amorfo e acéfalo.
A universidade é abre-alas, é porta-voz, é porta-bandeira das necessidades das pessoas. Reduzir a universidade a uma ala da sociedade é não querer perceber a sua importância para a projeção de um futuro mais humano, mais pacífico e menos violento.
Isso não significa que a universidade tenha que ser onisciente, onipresente, mas também não significa não fazer parte do enredo. O abre-alas – associado à idéia de escola de samba – apresenta a escola, sintetizando o que vem depois.
A academia, no sentido grego, é um espaço aberto para múltiplas vivências e experiências, estilos e propostas, participações e idéias. Será sempre um espaço plural. Ciência e universidade caminham de mãos dadas – disso ninguém duvida, mas isolar-se é um crime que ofendem a todos os deuses de qualquer fé.
A ciência não é um fim em si mesmo. É hora de discutir os problemas humanos. Isso não significa negar a liberdade de pesquisa aos cientistas.
Não é exclusividade das universidades a pesquisa. A lei afirma ser a pesquisa, ensino e extensão indissolúveis. Todas as universidades reproduzem essa indissolubilidade em seus estatutos e regimentos, mas palavras sem ações são como um sino que badala e só faz barulho, como palavras jogadas ao vento, como um poema escrito nas areias das praias.
O destino do ensino, da pesquisa e extensão é um só: a comunidade de pessoas. Não se admite, no seio das universidades, alguém que possa ser contratado somente para pesquisar, ou somente para ensinar, ou somente para a extensão.
É uma trindade unitária ou uma unidade trina. Não há uma pesquisa voltada para fora e outra para dentro das universidades, como defendem, principalmente, os professores e cientistas e pesquisadores das universidades públicas. O que não significa também que as universidades privadas devam preocupar-se apenas com o ensino.
Sem responsabilidade e solidariedade não se constrói uma sociedade justa – sonho de homens de boa vontade. O mundo precisa de homens que tenham fome e sede de justiça, que tenham criatividade e sensibilidade.
Há abusos e sempre haverá, porque sempre existirão os oportunistas, os que conseguem levar vantagens da desgraça alheia.
Se observarmos os noticiários da televisão, percebemos que há crimes camuflados pela linguagem dos jornalistas. Todos os dias, fala-se o valor do dia do dólar: do dólar comercial, turismo e paralelo.
O que é o dólar paralelo? Não é mercado negro? Não é contravenção? Não é contrabando? Não é um valor não declarado? Não é anônimo e/ou ao portador? Contrabandear dólar é permitido? Por que os sacoleiros são penalizados e os doleiros não? Não são crimes semelhantes? Não são crimes iguais?
Parece-me que a diferença é que os sacoleiros lutam pela sobrevivência e são pobres, enquanto os doleiros são especuladores e são muito ricos.
Se voltarmos alguns anos, lembraremos que os jornalistas eram mais explícitos: “o dólar no mercado negro, hoje, vale...” Por que trocaram as palavras mercado negro por mercado paralelo?
Observamos ainda dois preços, principalmente, para os imóveis: o valor real e o valor venal. A palavra venal nos dicionários traz uma conotação de corrupção, propina, estelionato; portanto crime.
O proprietário declara para efeito de impostos o valor venal que é sempre muito menor do que o real? Na venda ou desapropriação para abrir ruas e avenidas, para fazer rodovias e represas, para fazer a reforma urbana e agrária, o proprietário exige o pagamento do valor real, segundo ele, o valor de mercado.
Por que na hora dos impostos paga o valor declarado do imóvel e não o valor real, de mercado? Por que, praticamente, toda desapropriação tem de bater às portas do judiciário? Não seria justo pagar o preço do valor declarado pelo proprietário, que também pagou seus impostos pelo valor declarado?
A construção de uma nova sociedade, constituída de homens e mulheres novos e ou renovados, necessariamente passa pela eleição de prioridades e necessidades sociais.
O direito à vida equivale ao direito de continuidade e dinâmica da vida: alimentação, nutrição, habitação, educação, cultura, saneamento...
Qualquer processo de construção é lento. Inicia-se no alicerce, na base, na escolha de materiais. Em outras palavras, inicia-se na escala e juízo de valores, de princípios, de fundamentos.
Não se constrói nada sobre a areia movediça, sobre a mediocridade e futilidade, sobre a ganância e avareza. Por exemplo, a baixa qualidade de vida na zona rural obriga os lavradores, os agricultores, os trabalhadores da terra a buscarem a cidade grande – ilusão de luzes e cores!
A maior cidade do Nordeste brasileiro é São Paulo. Por que essa fuga maciça do nordestino? Será que não é possível urbanizar o sertão? Será que não é possível, com sensibilidade política e ousadia, criar ambientes dignos para as pessoas que lidam com a terra?
Com a fuga para as cidades, aumentam-se os problemas graves das cidades. Soma-se a isso a falta de oportunidades, porque há, sim, uma crise econômica em curso.
Sem emprego, é impossível esperar grandes coisas das pessoas, a não ser mais violências, mais sequestros, mais estupros, mais ilusões de riquezas, preconizadas pela propaganda de uma civilização que optou pelo lucro acima de tudo, pelo consumo de desnecessidades e inutilidades e supérfluos e descartáveis.
Sem solidariedade não pode haver uma sociedade justa. De um lado, o desperdício, a luxúria, o erotismo, a ganância, a usura, a vaidade; de outro, a miséria, a fome, a desgraça, o tráfico, a desilusão, o sem-sentido algum.
A construção de uma sociedade justa, talvez, deva ser iniciada pela educação integral e pessoal, libertadora e social de todas as crianças, adolescentes e jovens.
Nada é fácil! Nada também pode ser proposto sem planejamento e ousadia, sem discussão participativa de todos de boa vontade, com inteligência e consciência, com braços e corações abertos.
Dizem os especialistas e estudiosos que só com solidariedade e responsabilidade é possível salvar a sociedade. Como em uma ferida, o corpo inteiro “trabalha” em favor da cura da ferida. Isso não significa que o corpo seja bonzinho, que todas as outras células sejam boazinhas. O corpo “sabe” que se não curar aquela ferida, o corpo inteiro sofrerá conseqüências dramáticas que podem levá-lo à morte.
Assim também deve ser a nossa sociedade. Uns “trabalham” em favor de outros, não porque sejam bonzinhos, mas para a própria sobrevivência.

QUESTÃO    EDUCACIONAL

Desde 1954, a cidade de Uberaba acalenta um sonho: uma universidade federal. Muitos uberabenses, inclusive o professor Mário Palmério, que já tinha as suas escolas superiores, quiseram uma universidade federal, porque sabiam que uma federal é um divisor de águas.
Uma cidade com uma universidade atrai investimentos de todas as áreas da indústria e comércio e de serviços. Em Uberaba, cabem muitas universidades a exemplo de tantas outras cidades, como Ribeirão Preto, Uberlândia... Uberaba no século passado era conhecida como a Cidade Cultural do Triângulo, a Cidade Universitária de Minas... No mínimo, a cidade fica conhecida, como Viçosa, Coimbra...
Lula, depois de já ter passado tantos presidentes, inclusive os oito anos de Fernando Henrique, cria a Uberaba Federal do Triângulo Mineiro, para alegria de todos, provocando “inveja” em tantas outras cidades. Quantas universidades foram criadas por FHC?
O neoliberalismo não privilegia escolas, projetos sociais. Privilegia o capital especulativo, adora o deus: o Mercado!
Pior dos defeitos é a ingratidão. Chego a pensar que é sempre assim: sofremos ingratidão dos que mais ajudamos. Os que não ajudamos têm a esperança ainda que possamos ajudá-los. Na penúltima eleição, Lula ganhou estourado em Uberaba, na esperança de que pudesse fazer alguma coisa por Uberaba.  
Fez uma grande “coisa” para Uberaba e na sua reeleição perdeu feio. Sua candidata também perdeu feio, aqui, onde foi criada uma universidade pública.
Além disso, o Hospital-Escola, referência regional, existe com recursos federais, bem ou mal. Atendimento vinte e quatro horas, cirurgias complicadíssimas, transplantes... são realizados no hospital, agora, da Universidade Federal, com maior autonomia administrativa, com possibilidade maior de alocar recursos... Um sonho realizado!
O projeto neoliberal propõe aumento de penas, redução da idade para as pessoas, construção de penitenciárias e cadeias para preservar a propriedade, garantias do capital estrangeiro, rezando e pregando no templo: Bolsa de Valores! Um bezerro de ouro!
Não se trata de ser a favor ou contra deste ou daquele governante, mas reconhecer que foi quem criou a nossa universidade. Uberaba lhe foi ingrata!
Uberaba foi ingrata com muitas pessoas, inclusive com Mário Palmério, criador da primeira universidade de Uberaba e uma das primeiras do Brasil, fora das capitais. Uberaba é ingrata com seus criadores de escolas. E o pior de tudo: muitos reivindicam a sua “paternidade”.
O sonho é fruto da harmonia. A harmonia é uma solidariedade organizada de pessoas diferentes, até bem heterogêneas.
A harmonia não elimina as diferenças, utiliza-as para o bem de todos. Assim, pelo sonho de uma humanidade mais livre, a harmonia equilibra as partes.
Perder a harmonia é deixar de sonhar. Sem sonhos, todos perdemos. Se fosse possível prever o futuro, diríamos todos que a solidariedade é a sua chave.
Não há futuro que não seja desejado coletivamente. Sozinho, não há futuro!
Cada invenção e cada descoberta científica, cada obra de arte e cultura, os conhecimentos são partilhados e compartilhados universalmente.
Uma vacina contra a poliomielite, contra o tétano e contra tantas outras desgraças são partilhadas universalmente, sem que as pessoas saibam até quem as inventou, ou criou, ou descobriu. Isso é amor à humanidade!
O automóvel, o avião, a lâmpada, tudo nos é dado gratuitamente pelos inventores, mas comercializados e produzidos pelas indústrias que muito faturam.
Isso é doar-se aos homens, deixar-se viver nos outros, com os outros, pelos outros.

.   QUESTÃO    VERNÁCULA

      Vamos continuar brincando com as palavras de origem tupi que enriqueceu sobremaneira a Língua Portuguesa. É pena que tenhamos destruído a cultura dos indígenas brasileiros. Se foi desejo e loucura de muitos, como Policarpo Quaresma, oficializar uma língua brasileira é porque a contribuição dos termos indígenas é bem significativa. Quantos topônimos – nomes de cidades e regiões – têm origem indígena. Não conseguiremos, claro, relacionar todos, porque segundo alguns pesquisadores chegam a mais de 400 localidades.
      Hoje, vamos criar, formar palavras com o radical tupi  ITA que significa pedra, rocha, montanha, metal. A partir daí, você vai criando outras. Sempre vamos apelar para o Pai dos Burros, Dicionário do Aurélio.
      Eis algumas palavras:
·  Itá – itaense = nome de pequena cidade de Santa Catarina;
·  Itá = concha de molusco; concha marinha polida; nácar; madrepérola; broche; bivalve;
·  Itabaiana – itabaianense = cidade de Sergipe e Paraíba;
·  Itabaianinha - itabaianinhense = cidade de Sergipe;
·  Itabapuana – itabapuanense = cidade do Rio de Janeiro;
·  Itabela – itabelenense = cidade da Bahia;
·  Itaberá – itaberense = pedra que brilha, cristal; cidade de São Paulo;
·  Itaberaba – itaberabense = pedra que brilha, cristal; palavra com que, no tempo das bandeiras, os sertanistas designavam as minas fabulosas que lhes acendiam a cobiça; cidade da Bahia;
·  Itaberababaeté = cristal verdadeiro, diamante;
·  Itaberaboçu – taberaboçu – sabaraboçu - sabarabuçu – Sabará – sabaraense = pedra grande brilhante; cidade de Minas Gerais;
·  Itaberaí – itaberino = rio de cristal; cidade de Goiás, antiga Curralinho;
·  Itabi – itabiense = cidade de Sergipe, antiga Panela;
·  Itabira – itabirano = pedra levantada, empinada; pedra aguda; cidade de Minas Gerais;
·  Itabirinha – itabirense = cidade de Minas ferais, Itabirinha de Mantena;
·  Itabirito – itabiritense = rocha metamórfica, xistosa, composta essencialmente de grãos de quartzo e de lamelas de hematita micácea, minério de ferro; cidade de Minas Gerais;
·  Itaboca – itaboquense = pedra fendida, furada, antiga Boqueirão do Município de Santa Rita de Jacutinga;
·  Itaboraí – itaboraiense = rio de pedra bonita; cidade do Rio de Janeiro;
·  Itabubuí = pedra que flutua, pedra pomes;
·  Itabuna – itabunense = cidade da Bahia;
·  Itacaiunas = afluente do Rio Tocantins, no Pará;
·  Itacajá – itacajaense = cidade de Goiás;
·  Itaçama = âncora;
·  Itacambira – itacambirense = forquilha de pedra, serra bifurcada; força, pinça; rio de Minas Gerais;
·  Itacambiruçu = forquilha grande de pedra; rio afluente de Jequitinhonha, Minas Gerais;
·  Itacaraí = pedra de metal bento; pedra de ara ou sino;
·  Itacarambi – itacarambiense = pedra redonda e miúda; cidade de Minas Gerais;
·  Itacaré – itacareense = pedra torta; cidade da Bahia, antiga Barra do Rio de Contas;
·  Itacaruba – itacarubense – tucuru – itacurua = pedaço de três pedras soltas sobre a qual se assenta panela, pedregulho, pedra de fogão; trempe de pedras; cidade de Pernambuco;
·  Itacatu – itacatuense = pedra bonita, pedra boa; vila do município de Garanhuns, em Pernambuco;
·  Itacê – itaceense = saída de pedra; vila do município de Itapaci, em Goiás;
·  Itaci – itaciense = mãe da pedra, pedreira; vila do município de Carmo do Rio Claro, em Minas Gerais;
·  Itacibá = fronte de pedra; bairro de Vitória, no Espírito Santo;
·  Itacima – itacimense = pedra lisa; vila do município de Pacatuba, no Ceará; cidade da Paraíba;
·  Itacimirim = enxadinha, sacho;
·  Itacira – itacirense – itacirano = lombada, tacis, recifes; enxada de ferro; enxadão de ferro; vila do município de Lençóis, antigo nome da cidade de Wagner, na Bahia;
·  Itacoatiara – itacoatiarense = pedra pintada, escrita, inscrição rupestre; cidade do Amazonas, antiga Serpa; 
·  Itacobé = metal vivo, mercúrio;
·  Itacolomi – itacolomiense = pedra com o formato de mãe com o filho no colo; cidade Novo Itacolomi, no Paraná; famoso pico em Minas Gerais;
·  Itacolomito = rocha metamórfica, variedade flexível de quartzito;
·  Itacorá – itacorano = curral de pedras; vila do município de São Miguel do Iguaçu, no Paraná;
·  Itaçu – itaçuense = pedra grande; vila do município de Itaguaçu, no Espírito Santo;
·  Itacuã = pedra amarelada com que se alisa a louça de barro feita à mão;
·  Itacuara = buraco da pedra;
·  Itacuaruçu = furna em rocha;
·  Itacuatiara – itaquatiara – itacutiá = pedra pintada, escrita, inscrição rupestre;
·  Itacuí = pó de pedra, pedra de cal;
·  Itaçupiá = pedra ovo, em forma de ovo; alguns seixos redondos dos rios e das grupiaras tomam a forma de ovo;
·  Itacura = pedras cheia de manchas ou grãos escuros; minério de ferro;
·  Itacuru – itapecuim – tacuri – tacuru – tapecuim – itacurubá – itacurumbi = o ninho do cupim; cupineiro, cupinzeiro, termiteiro, baga-baga, salalé; pedaços de pedra; lugar cheio de pedregulhos e seixos miúdos;   
·  Itacurubi – itacurubiense = pedregulho, migalha de pedra, cascalho; vila do município de Santiago, no Rio Grande do Sul;
·  Itacuruçá – itacuruçaense = cidade do Rio de Janeiro;
·  Itacurumi = pedra menino; cunumi;
·  Itacuruvi = pedregulho, cascalho;  
·  Itaeçacanga = pedra transparente, cristal;
·  Itaendaba = assento de pedra;
·  Itaenga – itaenguense = cidade Lagoa de Itaenga, no Pernambuco;
·  Itaeté – itaeteense = pedra de verdade, aço; cidade da Bahia;
·  Itaguaba – itaguabano = comida de pedra, barreiro salobro que os animais lambem ou comem; hoje a cidade de São Sebastião do paraíso, em Minas Gerais;
·  Itaguaçu – itaguaçuense = pedra grande, penedo, rochedo; grande molusco de água doce; cidade do Espírito Santo; porto do rio Paraíba do Sul onde foi encontrada a imagem de Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo;
·  Itaguaí – itaguaiense = cascavel, chocalho de latão; cidade do Rio de Janeiro;
·  Itaguajé – itaguajeense = barulho das águas sobre pedras meio submersas; cidade do Paraná;
·  Itaguara – itaguarense = pedra cava; distrito de Itaúna, de Minas Gerais;
·  Itaguará – itaguarense = pedra lobo; cidade de Minas Gerais;
·  Itaguaré – itaguarense = pedra cava diferente; pico no município de Cruzeiro, em São Paulo;
·  Itaguari = rio de pedra cava; rio na Bahia;
·  Itaguatins – itaguatinense = município de Goiás;
·  Itaí – itaiense = rio das pedras; água tirada da pedra; conchinha; cidade de São Paulo;
·  Itaíba – itaúba = árvore da família das lauráceas;
·  Itaiçá = esteio de pedra, pilar, coluna de pedra, marco;
·  Itaíca = pedra maleável, metal maleável, estanho;
·  Itaiçaba = itaiçabense = travessia, passagem do rio de pedras; cidade do Ceará;
·  Itaici – itaiciense = pedra pequena, pedrinha; cidade de São Paulo e Mato Grosso;
·  Itaicica = resina dura como a pedra; enxofre;a arvora chama-se icicariba;
·  Itaim – itaimense = pequena pedra, pedrinha; vila do município de Cachoeira de Minas;
·  Itaimbé – itaimbense = pedra íngreme, rocha íngreme; vila do município de Itaguaçu, no Espírito Santo;
·  Itaimbezinho – itaimbezinhense = pedra íngreme pequena; vila do município de Bom Jesus, no Rio Grande do Sul;
·  Itainópolis – itainopolense = cidade do Piauí;
·  Itaiópolis – itaiopolense = cidade de Santa Catarina;
·  Itaipá = leito de pedra; recife;
·  Itaipaba – Itaipava – itaipabense – itaipavense = banco de seixos; lkugar em que o rio começa a cair em quedas; vila do município de Pacajus, no Ceará; nome primitivo de Limeira, de São Paulo; vila do município de Petrópolis, no Rio de Janeiro;
·  Itaipe – Itaipé – taipé – itaipeense = do rio de pedras; cidade de Minas Gerais;
·  Itaipu = fonte de pedra; estrondo de água nas pedras; nome da represa e usina hidrelétrica no Rio Paraná;
·  Itaiquara = esconderijo do rio da pedra, sumidouro;
·  Itairiri = grande ostra de rio, a concha;
·  Itaitaba – itaitabano = cidade do pedregulkho; cidade do Ceará;
·  Itaitinga – itaitinguense = cidade do Ceará; jaspe ou variedade de quartzo; mármore;
·  Itaitu – itaituense = cachoeira de pedras; vila do município de Jacobina, na Bahia;
·  Itaituba – itaitubense = abundância de pedrinhas; extração de cal de pedra e pepitas de ouro; cidade do Pará;
·  Itajá – itajaense = cidade de Goiás e Rondônia;
·  Itajaí – itajaiense = cidade de Santa Catarina;
·  Itajara – itajarense = senhor da pedra; vila do município de Itaperuna, no Rio de Janeiro;
·  Itaji – itajiense – itagiense = cidade da Bahia;
·  Itajiba – Itajibá – itagibaense – itajibaense = braço de ferro; cidade da Bahia;
·  Itajica – itamembeca = metal maleável, estanho; chumbo;
·  Itajimirim – Itagimiriense – itajimiriense = cidade da Bahia;
·  Itajirau = jirau de pedras; grelha;
·  Itajobi – itajobiense = cidade de São Paulo;  
·  Itaju – itajuense = cidade de São Paulo; e cidade Itaju do Colônia, na Bahia;
·  Itajubá – itajubense – Itajuba = metal amarelo, moeda, dinheiro; tirar ouro; mina de ouro; cidade de Minas Gerais; 
·  Itajuba = certa árvore do Paraná;
·  Itajubaíba = ouro ruim; latão;
·  Itajubaquara – itajubaquarense = mina de ouro; vila do município Gentio de Ouro, na Bahia;
·  Itajubarana = ouro falso; cobre;
·  Itajubatiba – itajubatibense = região de muito ouro, as minas de ouro; antiga cidade de Novo Horizonte, em Minas Gerais; vila do município de Catingueira, na Paraíba;
·  Itajucamocim = vaso de ouro, cálice;
·  Itajuí = rio de ouro;
·  Itajuípe – itajuipense = feito no rio de ouro; cidade da Bahia;
·  Itajunema – itanema = ouro fedorento. Cobre;
·  Itajuquara = vaso de ouro ou de prata;
·  Itajuru – itajuruense = boca de pedra; vila do município de Jequié, na Bahia;
·  Itajutiba = pedra amarela;
·  Itajutinga = metal amarelo branco, dinheiro branco; prata;
·  Itamaca = rede usada por indígenas do alto Amazonas;
·  Itamaracá – itamaracaense – etamaracá – tamaracá = chocalho de pedra, sino; instrumento musical de pedra ou de metal; ilha e cidade do Pernambuco;
·  Itamaracamirim = campainha;
·  Itamaraju – itamarajuense = cidade da Bahia;
·  Itamarandiba – itamarandibano = pequenas pedras mexidas; cidade de Minas Gerais, antiga São João Batista;
·  Itamarati – itamaratiense – itamoratinga – itamorati – itamotinga = pedra branca, pedra muito alva, geralmente encontrada às margens de rios; cidade do Amazonas; cidade de Minas Gerais;
·  Itamari – itamariense = cidade da Bahia;
·  Itamarupá = navalha de aço;
·  Itambá – tambá – sambá = concha bivalve; ostra; mexilhão; variações: tambada (detrito de ostra); tambaí (rio de conchas); tambaí-açu (rio de conchas grandes) tambaí-mirim (rio de conchas pequenas); tambaru – tamaru – tambarutaca (nome de crustáceo); Tambaú - tambauense (rio das conchas; cidade de São Paulo); tambaó – sambaó (espécie de concha grande); tambaquara (buraco das ostras); tambaqui (jazida de ostras; ostreira; peixe da família dos Caracídeos); sambaqui (ostreiras; molusco);
·  Itambacuri – itambacuriense = rio de ostras, rio de conchas; cidade de Minas Gerais;
·  Itambaracá – itambaracaense = o sino; pedra do amor; cidade do Paraná;
·  Itambé – itambeano – itambeense – itambenense – taimbé = pedra a prumo, talhada em beiço; morro à pique; beiço de pedra; nome de pico da Serra do Espinhaço, em Minas Gerais; nome de serra em São Paulo; cidade da Bahia, cidade do Paraná; cidade em Minas Gerais;
·  Itamembeca – itaiíca = metal mole; chumbo; estanho; esponja;
·  Itamembi = flauta de metal; buzina;
·  Itametara – tembetá – embé = ornato de pedra; botoque;
·  Itamira – itamirense = gente de pedra; vila do município de Aporá, na Bahia;
·  Itamirim – itamirinense = pedrinha, conchinha, colherinha; vila do município de Espinosa, em Minas Gerais; pequeno molusco de água doce;
·  Itamirindiba = muitas pedrinhas; pedregulho, seixal;
·  Itamiringuaçu = pedras pequenas e grandes;
·  Itamoji – itamojiano = rio da cobra da pedra; rio de pedra; cidade de Minas Gerais;
·  Itamombuca = pedra arrebentada;
·  Itamonte – itamontense = pedra monte, monte de pedras, pedra saliente; cidade de Minas Gerais;
·  Itamotinga – itamotinguense = distrito de Juazeiro, na Bahia;
·  Itamunnheenga = pedra que assobia;
·  Itanagra – itanagrense = cidade da Bahia;
·  Itanajé – itanajeense = pedra gavião, da cidade de Livramento do Bernardo, na Bahia;
·  Itanema = itajunema;
·  Itanga = concha de moluscos; pedra que envolve;
·  Itangapema – quicé-pucu = espada;
·  Itanguá – induá-mirim = pilão de pedra; almofariz;
·  Itanhaém – itanhaense = prato feito de pedra; cidade de São Paulo;
·  Itanhandu – itanhanduense = pedra ema; cidade de Minas Gerais;
·  Itanhanga – itanhangá – itanhaguense = pedra diabo; bairro do Rio de Janeiro;
·  Itanheenga = pedra que fala; fonólito, bauxita; cachoeira do Rio Tietê;
·  Itanhém – itanhense = cidade da Bahia;
·  Itanhomi – itanhomiense = cidade de Minas Gerais;
·  Itanimbó = fio de ferro, arame;
·  Itaoba = vestimenta de metal ou ferro, couraça;
·  Itaobi – itaobim – itaobiense – itaobinhense = pedra esverdeada, esmeralda, verdete, azulejo; cidade do Tocantins; cidade de Minas Gerais;
·  Itaoca – itaoquense = casa de pedra, caverna, furna, lapa; peixe sapo; vilas dos municípios de Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo, e de Apaí, em São Paulo
·  Itaocara – itaocarense = cercado de pedras, praça de pedras, calçadão; cidade do Rio de Janeiro;
·  Itapaci – itapacino = pedra bonita; cidade de Goiás;
·  Itapai = pai de pedra; padre de pedra;
·  Itapajé – itapagé – itapajeense = pedra que é frade, frade de pedra; frade ajoelhado; cidade do Ceará;
·  Itapajipe – Tapajipe – Itapejipe – Itapagibe – itajipense = no rio das lajes; cidade de Minas Gerais;
·  Itapanhoacanga = canga 3 XXXXXXXX
·  Itapará – itaparaense = pedra multicor; vila do município de Arati, no Paraná;
·  Itapari – Tapari = cercado de pedra; nome de baía no Pará;
·  Itaparica – itaparicano = cercado de pedra, cidade da Bahia; da ilha de Ipacarica;
·  Itapé – itapeense = caminho de pedras; cidade da Bahia;
·  Itapeba – Itapeva – Itabeba – itapebano – itapevano = pedra chata, laje; pedra paralela à margem de um rio; cidade de Minas Gerais, de São Paulo; recife de pedra que corre paralelamente à margem de rio;
·  Itapebatinga – Itapetinga – itapetinguense = laje branca; cidade da Bahia;
·  Itapebi – Itapevi – Itapeí – itapebiense = rio da laje; cidade da Bahia; bairro de São Paulo;
·  Itapebuçu – Itapeba-uçu – itapebuçuense = laje grande; vilado município de Marainguape, no Ceará;
·  Itapecerica – itapecericano = água que corre por lajes, cobrindo a superfície; monte granítico, de encostas lisas e escorregadias; cidade de Minas Gerais; cidade de São Paulo;
·  Itapecu = língua de pedra; barra de ferro;
·  Itapecuburá = pedra furada; serra furada;
·  Itapecuim = cupim; o ninho do cupim. cupinzeiro; cupineiro, cupinzeiro, itacuru, itacurubá, itapecuim, tacuri, tacuru, tapecuim, termiteiro, tucuri; baga-baga; salalé;
·  Itapecuru – Itapicuru = laje, travessão de cascalho; pedra britada; sorvedouro; serra e rio do Maranhão; cidade da Bahia;
·  Itapecurumirim – itapecurumiriense = cidade do Maranhão;
·  Itapeim – itapeinense = lajinha, lajota; vila do município de Beberibe, no Ceará;
·  Itapejara – itapejarense = cidade do Paraná;  
·  Itapemba – Itapema – itapembense – itapembano = pedra esquinada; nome de cachoeira di rio Gurupi, no Maranhão; cidade de Santa Catarina;
·  Itapemirim – Tapemirim – itapemirinense = pequena laje, lajota; cidade do Espírito Santo;
·  Itapepucu = laje comprida, ilha do rio Tocantins, no Pará;
·  Itaperi – Itapeti  = rio das lajes;
·  Itaperuna – Itapeúna – itaperunaense = pedra escura, pedra preta; cidade do Rio de Janeiro; vila do município de Eldorado, em São Paulo;
·  Itapetinga – Itapetim – itapetinguense = laje branca; cidade da Bahia; cidade do Pernambuco;
·  Itapetininga – itapetininguense = laje seca; cidade de São Paulo;
·  Itapetocaí = rio da casca; curral de lajes;
·  Itapevi – itapeviense = cidade de São Paulo;
·  Itapi = rede;
·  Itapiçuma – itapiçumense = cidade de Pernambuco;
·  Itapicuru – itapicuruense = grande árvore da família das leguminosas (Goniohachis marginata), que habita as florestas da Bahia e Espírito Santo, de folhas com dois pares de folíolos coriáceos, cinco pétalas, com 1cm de comprimento, e cujo fruto é um legume largo e coriáceo, sendo a madeira, roxa, excelente, usada para tacos e móveis; cidade da Bahia;
·  Itapicurumirim – itapicurumirinense = pedra brita pequena; cidade do Maranhão;
·  Itapina – itapinense = pedra pelada; vila do município de Colatina, no Espírito Santo;
·  Itapinhuã = pega de ferro; braçadeira de ferro com que se prendiam os pés dos escravos fugitivos; artelhos; árvore da família das Lauráceas;
·  Itapinima – itapinimense = pedra salpicada de pintas; cachoeira do Rio Mundaú, no Amazonas;
·  Itapipoca – itapipoquense = cidade do Ceará;
·  Itapira – itapirense = pedra elevada; ponta de pedra; cidade de São Paulo; cidade de Minas Gerais;
·  Itapiranga – itapiranguense = designação comum às conchas róseas; pedra vermelha; cidade de Santa Catarina; cidade do Amazonas;
·  Itapirapuã – itapirapuaense – itapirapuano  – itapirapuano = ponta de pedra elevada; cidade de Goiás, afluente do rio Ribeira e vila do município de Ribeira, no Paraná; cidade de Goiás; cidade de São Paulo;
·  Itapiri = tapiri;
·  Itapiru – itapiruense = pedra delgada; vila do município de Rubim, em Minas Gerais;
·  Itapiruçu – itapiruçuense = pedra elevada grande; vila do município de Palma, em Minas Gerais;
·  Itapiruna – itapirunense – itapissuna – itapixuna = pedra preta; basalto; cidade do Rio de Janeiro; vila do município de Augusto Correa, no Pará;
·  Itapitanga – itapitanguense = cidade da Bahia;
·  Itapitinga – itapitinguense – itapiranga = espécie de alga; colônia de pólipos; cidade da Bahia; uma enseada no Rio Grande do Norte;
·  itapitocaí = cidade do Rio Grande do Sul;
·  Itapiúna – itapuinense = cidade do Ceará; casca preta; árvore da família das voquisiáceas (Callisthene major), comum nos cerrados e matas secas do Brasil, de boa madeira, folhas pequenas e aproximadas, pequenas flores com uma única pétala, e fruto capsular;
·  Itapoã – itaçama = ponta de pedra, âncora; famosa praia de Salvador, na Bahia;
·  Itapoá – itapoaense = cidade de Santa Catarina;
·  Itapocuraí = pedra comprida fria; baía de Santa Catarina;
·  Itápolis – itapolino – itapolitano = cidade das pedras; cidade de São Paulo;
·  Itaporã – itaporanense – itaporano – itaporense = cidade do Mato Grosso; cidade do Goiás; vila do município de Muritiba, na Bahia; cidade do Tocantins;
·  Itaporanga – itaporanguense – Taporanga = pedra bonita; cidade da Paraíba; cidade de São Paulo; cidade do Sergipe;
·  Itapororoca – itapororoquense = arrebentar com estrondo; pedreira dinamitada; cidade da Paraíba;
·  Itapu – Itaipu – Taipu = tocar o sino; búzio; pedra que imita o som do sino; pedra soriante;    
·  Itapuã – itapuano = pedra redonda, boia de pedra; vila do município de Viamão, no Rio Grande do Sul;
·  Itapuá – itapuano = ponta; prego, arpão para a pesca de tartaruga; vila do Rio de Janeiro;
·  Itapuca = pedra partida, pedra furada, rio do Rio de Janeiro;
·  Itapucu – itapocu = pedra comprida; búzio que servia de buzina; barra de ferro; cachoeira do rio Uatamã, no Amazonas; rio de Santa Catarina; vila de Santa Catarina; pedra no município de Serra, no espírito Santo;
·  Itapuí – itapuiense = rio do sino; água que ferve; rebenta da pedra; bica de pedra; cidade de São Paulo;
·  Itapura – itapurense = pedra que emerge; cidade de São Paulo; vila do município de Miguel Calmon, na Bahia;
·  Itapurá = nome de pajé amazônico; destemido feiticeiro;
·  Itapuranga – itapuranguense = cidade do Gaoiás;
·  Itaquaquecetuba – itaquaquecetubano = cidade de São Paulo;
·  Itaquara – itaquarense = buraco de pedra; cidade da Bahia;
·  Itaquaraí – itaquaraiense = rio de pedra furada; vila do município de Brumado, na Bahia;
·  Itaquari – itaquarense = rio de pedra furada; vila do município de Cariacica, no Espírito Santo;
·  Itaquatiara – itaquatiarense = inscrição de rochedos e paredes de caverna; inscrição rupestre; cidade do Amazonas;
·  Itaquera = as pedras; jazida de pedras, pedreira, bairro de São Paulo;
·  Itaqueraí – itaqueraiense – itaqueri = rio da pedreira; vila do município de Iguatemi, no Mato Grosso; vila do município de Itirapina, em São Paulo;
·  Itaqui – itaquiense = pedra de altar; cidade do Rio Grande do Sul; distrito industrial de São Luís do Maranhão;
·  Itaquicé = faca de pedra; faca de quartzo; faca de ferro;
·  Itaquiraí – itaquiraiense = cidade do mato Grosso do Sul;
·  Itaquirera = limalha de ferro;
·  Itaquitã = nó de pedra; ágata; quita talhado em pedra;
·  Itaquitinga – itaquitingense = pedra de altar branca; cidade do Pernambuco;
·  Itarana – itaranense = pedra falsa, semelhante à pedra; cidade do espírito Santo;
·  Itarantã = pedra dura;
·  Itarantim – itarantinense = ponta de pedra dura; ponta de flecha; cidade da Bahia;
·  Itararé – itararaense = pedra escavada; curso subterrâneo das águas dum rio através de rochas calcárias; sumidouro; grunado; cidade de São Paulo;
·  Itareia(´) = ajuntamento de pedras; pedreira;
·  Itarema – itaremense = pedra ou metal fedorento; cobre; cidade do Ceará;
·  Itareré = água que nasce da pedra;
·  Itaretama – itaretamense = região de pedras; cidade do Rio Grande do Norte;
·  Itaretê = pedra ou metal legítimo; aço;
·  Itariri – itaririense = tremor de terra, terremoto; cidade de São Paulo;
·  Itarumã – itarumãense = cidade de Goiás;
·  Itatacape = espada;
·  Itatatá = fogo de pedra;
·  Itati – itatí – itatiense – itatim = ponta de pedra; vila do município de Osório, no Rio Grande do Sul;
·  Itatiaia – itatibaiano – itatibaiense = pedra de pontas aguçadas; agulhas negras; cidade do Rio de Janeiro;
·  Itatiaiuçu – itatiauçuense = grande pedra eriçada em pontas; cidade de Minas Gerais;
·  Itatiba – itatibense – itatibense = sítio das pedras; pedreira; cidade de São Paulo; cidade no Rio Grande do Sul;
·  Itaticuí = pedra de cal; cal;
·  Itatim – itatinense = cidade da Bahia;
·  Itatinga – itaitinga – taitinga – itatinguense = pedra branca; pedra de cal; prata; cidade de São Paulo;
·  Itatingui – itatinguiense = rio de pedra branca; vila do município de Uma, na Bahia;
·  Itatins = serra dos picos, serra de São Paulo;
·  Itatira – itatirano – itatirense = montão de pedras; cidade do Ceará;
·  Itatuba – itatubense = cidade da Paraíbe;
·  Itatupã – itatupãense = aerólito; vila do município de Gurupá, no Pará;
·  Itatupaoca = igreja de pedra;
·  Itaú – itauense = forma apocopada de itaúna; cidade do Rio Grande do Norte; cidade de Minas Gerais;
·  Itauá = Planta gimnosperma da família das gnetáceas (Gnetum nodiflorum); ituá;
·  Itauaçu = uacu; árvore da família das leguminosas (Monopteryx uacu), da floresta pluvial. É de grande porte, e produz uma semente discóide de cerca de 3,5cm de diâmetro, a qual cede um óleo comestível na proporção de 28%, e pode ser ingerida, assada ou cozida; uauaçu;
·  Itaúba – iaubense – itaubano = pedra árvore; árvore de pedra; pai pedra; pedra de pau; pau-ferro; boa madeira; ataúba abacate; itaúba preta; itaubarana; itaúba verdadeira; itaúba vermelha; vila do município de Arroi do Tigre, no Rio Grande do Sul; cidade do Mato Grosso;  árvore da família das lauráceas (Mezilaurus itauba), de folhas espessas e obovado-oblongas, flores insignificantes, e cujos frutos são bagas negras, sendo a madeira, amarela, das mais resistentes, usada sobretudo em construção naval; 
·  Itaubarana = arvoreta da família das leguminosas (Sweetia nitens), de flores pequenas e racemosas, madeira dura, mas escassa, e cujas folhas têm sete a nove folíolos, oblongos e coriáceos, sendo o fruto um legume grosso;
·  Itauçu – itauçuense – tauçu = pedra grande; pedra grande das jangadas; cidade de Goiás;
·  Itaueira – itaueirense = cidade do Piauí;
·  Itaúna – itaunense = pedra preta; minério de ferro; ferro; designação comum a várias rochas negras, como o basalto, o diabásio, o diorito; cidade de Minas Gerais; cidade do Paraná;
·  Itaúnas – itaunasense = pedras pretas; nome de rio e vila do município de Conceição da Barra, no Espírito Santo;
·  Itauninha – itauninhense = pedra preta pequena; vila do município de Santa Maria de Itabira, em Minas Gerais;
·  Itauninhas – itauninhense = pedra pequena preta; vila do município de São Mateus, no Espírito Santo;
·  Itaupaba – Itaupava = leito de pedra; nome de rio em Santa Catarina;
·  Itaverá – itaverense = pedra que brilha, cristal; cidade do Rio de Janeiro, hoje com o nome de Rio Claro;
·  Itaverava – itaveravense = pedra que brilha, cristal; cidade de Minas Gerais;  
·  Itê – abaitê = disforme; gente medonha;
·  Itiapira = monturo;
·  itica – titica – itica = jogar fora;
·  Ity = cisco,

QUESTÃO    ARTÍSTICA

O Barroco talvez seja a maior manifestação artística da humanidade no mundo ocidental, porque é entendida também como uma tendência do espírito do homem, da cultura humana: um apelo ao emocional. Um grito da alma. Por isso, para alguns independe de época. No fundo, a inquietação da alma se manifesta na ruptura de formas e normas.
Enquanto estilo de época, nasce justamente no período da Contra-Reforma, trazendo consequentemente forte sentimento religioso adaptado ao sentimento, à visão de mundo das pessoas, combinando o divino e o humano, o misticismo e a sensualidade, o estático e o dinâmico, o eterno e o perecível. A palavra Barroco, inclusive, no início tinha um sentido pejorativo, meio demoníaco.
Claro, imaginemos uma manifestação artística sem regras, sem lógica, sem a racionalidade dos clássicos e dos neoclássicos, numa época de grande repressão e opressão, como o foi na Idade Média. Alguns opositores da época chegaram a escrever sobre patologias e loucuras dos artistas barroco. Uma paranóia! Na pintura, figuras monstruosas e defeituosas, sem simetria e com distorções, mas belas e expressivas.
Visitar Ouro Preto e todas as cidades históricas de Minas Gerais é uma experiência única e indescritível. Claro, a gente fala em Minas Gerais, mas existem obras barrocas espalhadas praticamente pelo Brasil todo. Se o Brasil é conhecido no mundo é, principalmente por causa das igrejas, arquitetura e escultura barrocas. Ouro preto não se parece com nada existente no mundo! E viva Minas Gerais!

QUESTÃO    FRANCISCANA

      Nós, seres humanos, nos sentimos arena onde as contradições afloram de forma consciente e, muitas vezes, dramática. Quando o drama se torna quase insuportável, gritamos ao Pai do céu e rezamos à Mãe divina.
Do livro: “A oração de São Francisco – uma mensagem para o mundo atual” – de Leonardo Boff.