quarta-feira, 1 de junho de 2011

PORTUGUÊS AO ALCANCE DE TODOS - 6

Vamos continuar a publicar as situações-problemas da Língua Portuguesa. Hoje, você terá os casos de 251 a 300. Estude sempre! Vale a pena! Lembre-se de que dentro do quadrinho estão frases consideradas incorretas, ou impróprias, ou fora da língua-padrão. Abaixo damos-lhe uma explicação breve e concluímos (portanto) com as frases no padrão-linguístico.

251. Era muito afável aos amigos. Tinha afabilidade aos mais próximos. Sua afabilidade a todos era impressionante. Se não puder ser afável a você, a quem serei?
As palavras AFÁVEL e AFABILIDADE exigem a preposição COM ou PARA COM.
Portanto, Era muito afável com (para com) os amigos. Tinha afabilidade com (para com) os mais próximos. Sua afabilidade com (para com) todos era impressionante. Se não puder ser afável com (para com) você, com (para com) quem serei?


252. Esse meu coração não tem razões para amar. Este teu coração um dia já me pertenceu. O que você quer dizer com isto? Nesse nosso país, ninguém é punido.
Os pronomes ESTE (esta – estes – estas – isto) referem-se à primeira pessoa (eu ou nós), ao que está AQUI. Os pronomes ESSE (essa – esses - essas – isso) se referem a tu (você) e vós (vocês), ao que está AÍ.
Portanto, Este meu coração não tem razões para amar. Esse teu coração um dia já me pertenceu. O que você quer dizer com isso? Neste nosso país, ninguém é punido. 


253. Alimentos fora da geladeira deterioram. As relações entre os dois países deterioram. José não é mais o mesmo: deteriorou. O relacionamento entre o técnico e os jogadores deteriorou.
O verbo DETERIORAR, no sentido de perder-se, apodrecer, estragar-se, corromper-se, é pronominal.
Portanto, Alimentos fora da geladeira deterioram-se. As relações entre os dois países deterioram-se. José não é mais o mesmo: deteriorou-se. O relacionamento entre o técnico e os jogadores deteriorou-se.


254. Todo prédio será pintado. Todo o homem deveria ser racional. Toda a mulher é companheira, por natureza, de todo o homem. Toda a mulher nasceu para ser mãe.
TODO O = inteiro, completo, total. Todo o carro foi destruído = o carro inteiro foi destruído. TODO sem o artigo significa cada um, ou qualquer. Todo homem busca a felicidade = cada homem busca a felicidade.
Portanto, Todo o prédio (o prédio inteiro) será pintado. Todo homem deveria ser racional. Toda mulher é companheira, por natureza, de todo homem. Toda mulher nasceu para ser mãe.


255. Tinha antipatia de todos os vizinhos. Era antipático com todos os colegas. Somos antipatizados por todos os pacificadores. Com essa antipatia de todos, não conseguirá arranjar um namorado.
A palavra ANTIPATIA exige a preposição A (ao – à – aos – às), POR (pelo – pela – pelos – pelas), COM. A palavra ANTIPÁTICO exige a preposição A (ao – à – aos – às). A palavra ANTIPATIZADO exige a preposição COM. Regência não se discute, cumpre-se.
Portanto, Tinha antipatia a todos os vizinhos = Tinha antipatia por todos os vizinhos = Tinha antipatia com todos os vizinhos. Era antipático a todos os colegas. Somos antipatizados com todos os pacificadores. Com essa antipatia a todos, não conseguirá arranjar um namorado. Com essa antipatia com todos, não conseguirá arranjar um namorado. Com essa antipatia por todos, não conseguirá arranjar um namorado.


256. O jantar para que fui convidado não foi servido na hora certa e muitos convidados já tinham ido embora. A ponte sobre que passam milhares de automóveis está passando por reparos. A imagem diante de que me ajoelho é do século XVIII.
O pronome relativo QUE pode ser substituído por o qual – a qual – ao – quais – as quais. Assim: o homem que conheci morreu = o homem o qual conheci morreu; o filme a que assisti foi bom = o filme ao qual assisti foi bom. Quando o relativo vier precedido de um preposição com mais de uma sílaba, obrigatoriamente usamos o qual – a qual – os quais – as quais.
Portanto, O jantar para o qual fui convidado não foi servido na hora certa e muitos convidados já tinham ido embora. A ponte sobre a qual passam milhares de automóveis está passando por reparos. A imagem diante da qual me ajoelho é do século XVIII.


257. Temos ódio da felicidade. Eu sinto ódio de todos os meus. Não guarde ódio de ninguém. Aqui, nesta cidade todos têm ódio de todos. Tenho muito ódio dessa moça.
A palavra ÓDIO exige a preposição A (ao – à – aos – às).
Portanto, Temos ódio à felicidade. Eu sinto ódio a todos os meus. Não guarde ódio a ninguém. Aqui, nesta cidade todos têm ódio a todos. Tenho muito ódio a essa moça.


258. O livro cujas as folhas estão amareladas é uma obra rara. As árvores de cujas as folhas fazem-se remédios são destruídas pelo fogo. José por cujas as atitudes respondo é órfão de pais.
O pronome CUJO (a – os – as) com o valor de pronome possessivo, poderá apresentar-se com uma preposição exigida por um verbo ou substantivo, mas NUNCA poderá ser acrescido de um artigo.
Portanto, O livro cujas folhas estão amareladas é uma obra rara. As árvores de cujas folhas fazem-se remédios são destruídas pelo fogo. José por cujas atitudes respondo é órfão de pais.


259. Com a bola no cal, Pelé correu para fazer o seu milésimo gol. Não há tantos bacanais como antigamente. O advogado alegou o usucapião. Ronaldinho sofreu um entorse no pé. O ladrão ficou preso no chaminé.
Temos aqui palavras FEMININAS muitas vezes usadas como masculinas.
Portanto, Com a bola na cal, Pelé correu para fazer o seu milésimo gol. Não há tantas bacanais como antigamente. O advogado alegou a usucapião. Ronaldinho sofreu uma entorse no pé. O ladrão ficou preso na chaminé.


260. Não denegra a sua imagem nem a da empresa em que trabalha. Não cerza as meias com linhas de outra cor. Não agreda o meio ambiente.
Os verbos AGREDIR – PROGREDIR – REGREDIR – TRANSGREDIR – DENEGRIR – PREVENIR – CERZIR são irregulares nas formas rizotônicas do presente do indicativo e dos tempos derivados dele. Assim: eu GRIdo – aGRIdes – aGRIde – aGREdimos – aGREdis – aGRIdem; que eu aGRIda – aGRIdas – aGRIda – aGRIdamos – agriDAIS – aGRIdam. Nos outros tempos será sempre com a letra E. Assim ficam os outros tempos: agrediu – progredirá – regredia – transgrediríamos – denegriremos - preveníamos – cerzíssemos.
Portanto, Não denigra a sua imagem nem a da empresa em que trabalha. Não cirza as meias com linhas de outra cor. Não agrida o meio ambiente.


261. Os filhos ajudavam aos pais na capina. O professor ajudava aos alunos com maiores dificuldades. Nem todos ajudam aos pobres. Os pais devem ajudar aos filhos até terem condição de se manterem.
O verbo AJUDAR é construído com objeto direto (sem nenhuma preposição) de pessoas.
Portanto, Os filhos ajudavam os pais na capina. O professor ajudava os alunos com maiores dificuldades. Nem todos ajudam os pobres. Os pais devem ajudar os filhos até terem condição de se manterem.


262. Competo uma partida de damas com você. Eu me despo de toda vaidade. Expelo cálculos renais todos os dias. Repelo todas as formas de censura. Eu adverto todos os alunos para que fiquem atentos às datas das provas.
Os verbos aderir – advertir – aferir - aspergir – assentir – auferir – compelir – COMPETIR – concernir – conferir – conseguir – consentir – convergir – deferir – desferir – desmentir – DESPIR – diferir – digerir – discernir – dissentir – divergir – divertir – divergir – divertir – EXPELIR – ferir – gerir – impelir – inerir – inferir - ingerir – inserir – interferir – investir – mentir – perseguir – preferir – pressentir – preterir – proferir – propelir - prosseguir – referir – refletir – REPELIR – repetir – ressentir – revestir – seguir – sentir - servir – sugerir – transferir – transvestir - trasvestir – vestir têm trocados a letra E pela letra I na primeira pessoa do singular do presente do indicativo e em todo o presente do subjuntivo. Assim: eu dispo – despes – despe – despimos – despis – despem.
Portanto, Compito uma partida de damas com você. Eu me dispo de toda vaidade. Expilo cálculos renais todos os dias. Repilo todas as formas de censura. Eu advirto todos os alunos para que fiquem atentos às datas das provas.    


263. Quer namorar comigo? Com quem você namora? Depois que namorei com você, não tive olhos para mais ninguém. Os pobres namoram com uma vida melhor.
O verbo NAMORAR é transitivo direto, isto é, não poderá ser usado com nenhuma preposição.
Portanto, Quer me namorar? (Quer namorar-me?) Quem você namora? Depois que namorei você, não tive olhos para mais ninguém. Os pobres namoram uma vida melhor.


264. Eu me despido de você, desejando-lhe felicidades. Pode vir, porque desimpido o caminho. Expido pelos correios os seus documentos.
Os pedir - DESIMPEDIR – DESPEDIR – EXPEDIR – impedir – medir são verbos irregulares no presente do indicativo e subjuntivo. Assim: eu peço – pedes – pede – pedimos – pedis – pedem; que eu peça – peças – peça - peçamos – peçais – peçam.
Portanto, Eu me despeço de você, desejando-lhe felicidades. Pode vir, porque desimpeço o caminho. Expeço pelos correios os seus documentos. 


265. Ansiamos a uma vida saudável e prazerosa. Todos os povos anseiam a paz – o amor compartilhado. Ansiou ir ao encontro da bela adormecida. O excesso de trabalho anseia a qualquer trabalhador.
O significado mais usado do verbo ANSIAR é querer, desejar ardentemente, visar, aspirar. Com esse significado exige objeto indireto com a preposição POR (pelo – pela – pelos – pelas). No sentido de angustiar, enfastiar-se é transitivo direto, sem preposição.
Portanto, Ansiamos por uma vida saudável e prazerosa. Todos os povos anseiam pela paz – o amor compartilhado. Ansiou por ir ao encontro da bela adormecida. O excesso de trabalho anseia qualquer trabalhador.


266. Pole meu carro com uma cera melhor, combinado? Aqui só pulimos carros com uma boa cera. Não pulas a cerca, sua namorada não merece isso. Não poles corda sem que estejas ao ar livre. Não pulas os móveis com óleo de cozinha.
Temos, aqui, o verbo POLIR e PULAR que no presente do indicativo e subjuntivo se confundem. Vejamos o verbo polir no indicativo e subjuntivo:  eu pulo – piles – pule – polimos – polis – pulem; que eu pula – pulas – pula – pulamos – pulais – pulam. Vejamos o verbo pular: eu pulo – pulas – pula - pulamos – pulais – pulam; que eu pule – pules – pule – pulemos – puleis – pulem.
Portanto, Pule meu carro com uma cera melhor, combinado? Aqui só polimos carros com uma boa cera. Não pule a cerca, sua namorada não merece isso. Não pules corda sem que estejas ao ar livre. Não pulas os móveis com óleo de cozinha.


267. Meu pai tinha predileção a meu irmão caçula. O diretor tinha predileção àqueles que lhe diziam sim. Era pedófilo: tinha predileção a meninos bem jovens. Tinha predileção com louras, mas sempre namorou as morenas.
A palavra PREDILEÇÃO – preferência por alguma coisa ou pó alguém, uma afeição íntima e profunda – exige a preposição POR (pelo – pela – pelos – pelas) ou PARA COM.
Portanto, Meu pai tinha predileção por (para com) meu irmão caçula. O diretor tinha predileção por (para com) aqueles que lhe diziam sim. Era pedófilo: tinha predileção por (para com) meninos bem jovens. Tinha predileção por louras (pelas louras – para com as louras), mas sempre namorou as morenas.


268. Eu me adequo às novas regras. Que nós nos adequemos às normas da firma. Ele não se adequa aos novos tempos. A escola adequa o currículo ao novo modelo de educação. Se você se adequou ao novo sistema, eu também me adequo.
O verbo ADEQUAR – no presente do indicativo – só tem as formas arrizotônicas (nós e vós). Não presente do subjuntivo. Para as outras pessoas, devemos usar um sinônimo. Deverá ser assim conjugado: eu me adapto, adaptas, adapta, ADEQUAMOS – ADEQUAIS – adaptam.
Portanto, Eu me adapto às novas regras. Que nós nos adaptemos às normas da firma. Ele não se adapta aos novos tempos. A escola adapta o currículo ao novo modelo de educação. Se você se adequou ao novo sistema, eu também me adapto.


269. Custei a aprender Português. Custamos a crer em suas palavras. Custaremos a chegar ao estádio. Custavam fazer um requerimento. Não custava nada eles falarem a verdade. José custou fazer o percurso da Maratona.
O verbo CUSTAR no sentido de ser custoso, ser difícil é considerado unipessoal, já que não são as pessoas (pronomes pessoais) que custam. São as coisas que são custosas, são difíceis. Assim, o verbo se conjuga nas terceiras pessoas do singular e do plural.
Portanto, Custou-me aprender Português. Custou-nos crer em suas palavras. Custar-nos-á chegar ao estádio. Custava- lhes fazer um requerimento. Não lhes custava nada falar a verdade. Custou a José fazer o percurso da Maratona.


270. Eu me precavenho contra as doenças. Eu me precavejo contra as doenças. Eu me precavo contra os males do mundo. Que todos nós precavejamos contra a AIDS.
O verbo PRECAVER-SE – no presente do indicativo – só é conjugado nas formas arrizotônicas (nós e vós). Não existe presente do subjuntivo. Assim deverá ser conjugado: eu me previno – tu te prevines – ele se previne – NÓS NOS PRECAVEMOS – VÓS VOS PRECAVEIS – eles se previnem.
Portanto, Eu me previno contra as doenças. Eu me previno contra as doenças. Eu me previno contra os males do mundo. Que todos nós previnamos contra a AIDS.


271. Ele preteriu o filho à filha. O presidente preteriu Dilma a Ciro Gomes. Preterimos trabalhar a estudar. Preterimos a alimentos transgênicos. Você não deve preterir a um fato dessa importância. O presidente pretere aos médicos mais qualificados.
O verbo PRETERIR, no sentido de rejeitar, não escolher, diferentemente do verbo preferir, exige a preposição POR (pelo – pela – pelos – pelas). Poderá ser usado somente como transitivo direto, sem preposição.
Portanto, Ele preteriu o filho pela filha. O presidente preteriu Dilma por Ciro Gomes. Preterimos trabalhar por estudar. Preterimos alimentos transgênicos. Você não deve preterir um fato dessa importância. O presidente pretere os médicos mais qualificados.


272. Computo todos os dados pesquisados pelos alunos. Computas os dados do IBGE. Computa, computador, computa! (Millôr Fernandes). Computemos nossas despesas em relação às nossas receitas.
O verbo COMPUTAR não possui as três pessoas do singular do presente do indicativo e, por isso não tem o presente do subjuntivo. As formas inexistentes devem ser substituídas por sinônimos.
Portanto, Formato no computador todos os dados pesquisados pelos alunos. Levantes no computador os dados do IBGE. Insira, computador, no computador! (Millôr Fernandes). Analisemos em planilhas do computador nossas despesas em relação às nossas receitas.


273. Esqueci do nome dele. Esqueci-me o nome dele. Esqueceu-me os nomes dos alunos. Esqueci de meus deveres como pai. Esquecemos de marcar a hora da chegada dos primeiros atletas.
O verbo ESQUECER, como o verbo LEMBRAR, são construídos de três maneiras. 1- Lembro o bilhete = o bilhete é objeto direto (sem preposição); 2- Lembro-me do bilhete = bilhete é objeto indireto com a preposição de e o verbo é pronominal; 3- Lembra-me o bilhete = o bilhete é sujeito.
Portanto, Esqueci-me do nome dele. Esqueci o nome dele. Esqueceram-me os nomes dos alunos. Esqueci meus deveres como pai = esqueci-me de meus deveres como pai. Esquecemo-nos de marcar a hora da chegada dos primeiros atletas. 


274. Você já reaveu o dinheiro perdido? Não, ainda não o reavi. Se reavesse meu dinheiro, daria aos pobres. Se reavermos a quantia roubada, já ficaremos felizes. Eu reavi o dinheiro que havia perdido no baile de Carnaval.
O verbo REAVER  é conjugado igual ao verbo haver, quando houver a letra V. assim: se houver = se reouver; houve = reouve; havemos = reavemos; haja = não existe a letra V, portanto não existe a forma do verbo reaver.
Portanto, Você já reouve o dinheiro perdido? Não, ainda não o reouve. Se reouvesse meu dinheiro, daria aos pobres. Se reouvermos a quantia roubada, já ficaremos felizes. Eu reouve o dinheiro que havia perdido no baile de Carnaval.


275. O rapaz disfarçou e saiu de fininho da festa. Eu disfarço de ignorante para poder viver. Depois de muita dor, o sacerdote disfarçava e sorria. Tentou disfarçar com um ar de falso interesse. Disfarçou de pirata no baile de carnaval.
O verbo DISFARÇAR, no sentido de fingir, dissimular, surpreender, é pronominal.
Portanto, O rapaz disfarçou-se e saiu de fininho da festa. Eu me disfarço de ignorante para poder viver. Depois de muita dor, o sacerdote disfarçava-se e sorria. Tentou disfarçar-se com um ar de falso interesse. Disfarçou-se de pirata no baile de carnaval.


276. Não faça isso, se não você fale. As rosas florem no inverno. Jesus reme todos os dias a humanidade. Ele ressarce a todos os seus funcionários. Muitas vezes, a dor emperderne o coração aflito. Os cientistas adem novas pesquisas ao programa do governo. Muitos falem por incompetência administrativa.
Os verbos adir, aguerrir, combalir, embair, emolir, empedernir, esbaforir, FALIR, FLORIR, foragir, garrir, reflorir, REMIR, renhir, RESSARCIR, ressequir, transir são defectivos (faltam-lhes algumas formas) não têm as formas rizotônicas no presente do indicativo e, por isso, também não têm o presente do subjuntivo.
Portanto, Não faça isso, se não você vai à falência. As rosas florescem no inverno. Jesus redime todos os dias a humanidade. Ele reembolsa (paga a rescisão, o prejuízo, as despesas, os custos) a todos os seus funcionários. Muitas vezes, a dor faz endurecer o coração aflito. Os cientistas soam novas pesquisas ao programa do governo. Muitos vão à falência por incompetência administrativa.


277. Não obedece as leis de trânsito, mas não desobedece os pais. Obedecemos o regulamento e a tabela dos jogos. Os filhos devem obedecer os pais. A adaptação e tradução da obra de Shakespeare obedeceu critérios linguísticos.
O verbo OBEDECER, bem como o DESOBEDECER, exigem um objeto indireto com a preposição A (ao – à – aos – às). ATENÇÃO: mesmo sendo transitivo indireto esses verbos admitem voz passiva. Assim: as leis são obedecidas por todos; obedece-se (índice de indeterminação do sujeito) às leis; obedecem-se (pronome apassivador) as leis.
Portanto, Não obedece às leis de trânsito, mas não desobedece aos pais. Obedecemos ao regulamento e à tabela dos jogos. Os filhos devem obedecer aos pais. A adaptação e tradução da obra de Shakespeare obedeceu a (aos) critérios linguísticos.


278.A polícia havia disperso os grevistas. Foi emergido o corpo do nadador. Havia entregue os documentos pessoalmente. Havia impresso o texto tirado da Internet. Os índios foram expulsados de sua própria terra.
Muitos verbos têm particípio duplo: um regular terminado em DO e um irregular sem o do. O particípio regular é usado na conjugação da voz ativa, auxiliando os verbos ter e haver. O irregular é empregado na voz passiva auxiliando os verbos ser, estar, ficar. Isso não serve para todos os verbos de particípio duplo, mas, neste caso, sim.
Portanto, A polícia havia dispersado os grevistas. Foi emerso o corpo do nadador. Havia entregado os documentos pessoalmente. Havia imprimido o texto tirado da Internet. Os índios foram expulsos de sua própria terra.


279. Tenha mais descrição. Tenha mais discreção. Os alunos iniciam os exercícios de produção de texto com a discrição. Poucos homens são descretos. A arte da discreção é pouco incentivada.
Aqui temos até palavras que não existem. DISCRIÇÃO = é a arte de guardar segredos; DESCRIÇÃO = é a arte de escrever detalhes de um objeto ou pessoa; DISCRETO = aquele que tem discrição; DESCRITO = o que passou por uma descrição. Assim não existe discreção, discrito, descreto.
Portanto, Tenha mais discrição. Tenha mais discrição. Os alunos iniciam os exercícios de produção de texto com a descrição. Poucos homens são discretos. A arte da descrição é pouco incentivada. 


280. Foi extinguida a taxa de incêndio. Tinham imerso nas águas geladas da Islândia. Haviam isento o IPI - imposto de produtos industrializados. Foi matado o bandido da luz vermelha. O canário foi prendido numa gaiola.
Muitos verbos têm particípio duplo: um regular terminado em DO e um irregular sem o do. O particípio regular é usado na conjugação da voz ativa, auxiliando os verbos ter e haver. O irregular é empregado na voz passiva auxiliando os verbos ser, estar, ficar. Isso não serve para todos os verbos de particípio duplo, mas, neste caso, sim.
Portanto, Foi extinta a taxa de incêndio. Tinham imergido nas águas geladas da Islândia. Haviam isentado o IPI - imposto de produtos industrializados. Foi morto o bandido da luz vermelha. O canário foi preso numa gaiola.


281. A República sucedeu a Monarquia. A noite sucede o dia. A bonança sucede a tempestade. Lula sucedeu Fernando Henrique e depois Dilma sucedeu Lula, na presidência da República. Um filho nem sempre sucede o pai.
O verbo SUCEDER – vir depois, substituir, ser sucessor – exige um objeto indireto com a preposição A (ao – à – aos – às).
Portanto, A República sucedeu à Monarquia. A noite sucede ao dia. A bonança sucede à tempestade. Lula sucedeu a Fernando Henrique e depois Dilma sucedeu a Lula, na presidência da República. Um filho nem sempre sucede ao pai. 


282. Os favelados provém das fazendas. Os frutos provêem da terra. A maior população de São Paulo proveu do Nordeste. Eles proviram de famílias muito pobres. Ele proviu de uma família nobre, mas se entregou às drogas.
O verbo PROVIR – chegar de – é conjugado igual ao verbo vir. Eu venho = eu provenho; ele veio = ele proveio. A forma PROVÉM é a terceira pessoa do singular do presente do indicativo; e PROVÊM, terceira do plural.
Portanto, Os favelados provêm das fazendas. Os frutos provêm da terra. A maior população de São Paulo proveio do Nordeste. Eles provieram de famílias muito pobres. Ele proveio de uma família nobre, mas se entregou às drogas.


283. Inicialmente, o professor em sala procede a chamada. Procede o inventário dos objetos. O secretário da mesa procedeu a leitura da ata da reunião anterior.
O verbo PROCEDER – dar início a algo, realizar – é um verbo transitivo indireto com a preposição A (ao – à – aos – às).
Portanto, Inicialmente, o professor em sala procede à chamada. Procede ao inventário dos objetos. O secretário da mesa procedeu à leitura da ata da reunião anterior.


284. As estrelas parecem caminharem nos céus. As crianças parecem serem felizes quando se entretêm com brinquedos. Parece procurar sempre os homens a felicidade.
O verbo PARECER poderá ser entendido como verbo auxiliar, deixando o verbo principal invariável, ou ainda como unipessoal intransitivo. No primeiro caso, o período é simples e a oração é absoluta; no segundo caso, o período composto com oração subordinada substantiva subjetiva, reduzida do infinitivo.
Portanto, As estrelas parece caminharem nos céus. (Parece as estrelas caminharem nos céus, As estrelas parecem caminhar nos céus). As crianças parecem ser felizes quando se entretêm com brinquedos. (Parece as crianças serem felizes...). Parece procurarem sempre os homens a felicidade. (Os homens parecem sempre procurar a felicidade).


285. Defronte à Universidades existem vários bares. Defronte os problemas, muitos se afastam deles. Estava defronte a estação do metrô, esperando a noiva.
Há na Língua Portuguesa muitas locuções. Existem várias locuções prepositivas e entre elas DEFRONTE A. Se houver um substantivo com artigo, ocorrerá uma combinação – ao, à, aos, às.
Portanto, Defronte às (a) Universidades existem vários bares. Defronte aos (a) problemas, muitos se afastam deles. Estava defronte à estação do metrô, esperando a noiva.


286. Eu arrependi do que fiz. Nós arrependemos de ter ido lá. Todos arrependerão, um dia, do que fizeram. Ele arrependeu, mas já era tarde demais, porque seu filho havia morrido.
O verbo ARREPENDER-SE será sempre pronominal e o pronome átono não terá uma função específica. Alguns gramáticos chamam-no de pronome fossilizado, isto é, é parte integrante do próprio verbo. Outros gramáticos chamam a esse verbo de essencialmente pronominal.
Portanto, Eu me arrependi do que fiz. Nós nos arrependemos de ter ido lá. Todos se arrependerão, um dia, do que fizeram. Ele se arrependeu, mas já era tarde demais, porque seu filho havia morrido.


287. Analisar significa levantar os pró e os contra de uma questão. Na vida ouvimos muitos não e poucos sim. Isso são os a e os b da questão. O noivo disse: um não, vá lá; mas dois não eu pulo fora.   
Toda palavra com um artigo ou um adjetivo é necessariamente um substantivo e o substantivo é uma palavra variável.
Portanto, Analisar significa levantar os prós e os contras de uma questão. Na vida ouvimos muitos nãos e poucos sins. Isso são os as e os bês da questão. O noivo disse: um não, vá lá; mas dois nãos eu pulo fora.


288. Ele não veio e tão pouco telefonou para se justificar. Não gosto do que o diretor fez e tão pouco do que falou. Ganhava tampouco que não podia trocar de carro. O conferencista falou tampouco que a plateia exigiu o dinheiro de volta.
TÃO POUCO = muito pouco = advérbio + pronome. TAMPOUCO = também não = advérbio.
Portanto, Ele não veio e tampouco telefonou para se justificar. Não gosto do que o diretor fez e tampouco do que falou. Ganhava tão pouco que não podia trocar de carro. O conferencista falou tão pouco que a plateia exigiu o dinheiro de volta.


289. Como é bom distrair um pouco! Quando distraí, o trombadinha veio e me roubou. Distraíram e perderam o trem das dez. As crianças distraem no Parque Ibirapuera.
O verbo DISTRAIR – divertir-se, descuidar-se, ficar desatento – é pronominal.
Portanto, Como é bom distrair-se um pouco! Quando me distraí, o trombadinha veio e me roubou. Distraíram-se e perderam o trem das dez. As crianças distraem-se no Parque Ibirapuera.


290. Estou trabalhando de mais. Minha namorada é compreensiva de mais. Não houve nada demais entre nós. Não é bom para a saúde comer de mais. Era dinheiro de mais. Eu gostava dela de mais.
DEMAIS = muito, bastante = advérbio que modifica um verbo ou adjetivo. DE MAIS = a mais, exagerado, fora de série, fora do normal = locução adjetiva que se refere a um substantivo.
Portanto, Estou trabalhando demais. Minha namorada é compreensiva demais. Não houve nada de mais entre nós. Não é bom para a saúde comer demais. Era dinheiro demais. Eu gostava dela demais.


291. Faça sua inscrição para os vestibulares diretamente no banco. Faça sua inscrição nos vestibulares diretamente no banco.  Foi inscrito ao vestibular. Encerram-se hoje as inscrições para o concurso público. Inscreveu-se para a vaga de professor universitário.
A palavra INSCRIÇÃO exige somente a preposição A (ao – à – aos – às); nunca poderá ser usada com a preposição para ou em. com a palavra INSCRITO pode-se usar a preposição EM (no – na – nos – nas) ou PARA. O verbo INSCREVER exige a preposição EM (no – na – nos – nas).
Portanto, Faça sua inscrição aos vestibulares diretamente no banco. Faça sua inscrição aos vestibulares diretamente no banco.  Foi inscrito no (para o) vestibular. Encerram-se hoje as inscrições ao concurso público. Inscreveu-se na a vaga de professor universitário.


292. Fazemos entregas a domicílio. Iremos em domicílio fazer as injeções e colher material para exames. Fazemos demonstrações do produto a domicílio. Leva-se gelo em domicílio. Dá-se aula a domicílio.
A DOMICÍLIO é usado em situações estáticas, sem movimento – quando o verbo pede a preposição A; EM DOMICÍLIO, em situações dinâmicas, com movimento – quando o verbo pede a preposição EM.
Portanto, Fazemos entregas em domicílio. Iremos a domicílio fazer as injeções e colher material para exames. Fazemos demonstrações do produto em domicílio. Leva-se gelo a domicílio. Dá-se aula em domicílio.


293. Um doce em cauda faz menos mal do que um cristalizado. A calda do cachorro foi queimada quando era ainda muito pequeno. O cometa Halley exibia sua calda maravilhosa.
Existe a palavra CALDA – dissolução de açúcar em ponto de xarope; sumo fervido de alguns frutos; incandescência do ferro; e CAUDA - apêndice posterior do corpo de alguns animais; rabo; parte oposta à cabeça dos peixes; parte traseira do manto ou vestido que roja pelo chão; retaguarda, coice, últimas fileiras; rasto; linha vertical das figuras musicais; longo traço luminoso que sai dos cometas.
Portanto, Um doce em calda faz menos mal do que um cristalizado. A cauda do cachorro foi queimada quando era ainda muito pequeno. O cometa Halley exibia sua cauda maravilhosa.


294. Espero que vocês divirtam muito nas férias. Que bom que tenha divertido muito. Abusou da moça, divertiu e fugiu. As crianças divertem jogando videogames.
O verbo DIVERTIR – alegrar-se, recrear-se, regozijar-se – é pronominal.
Portanto, Espero que vocês se divirtam muito nas férias. Que bom que tenha se divertido muito. Abusou da moça, divertiu-se e fugiu. As crianças se divertem jogando videogames.


295. Inclinou-se para aspirar profundamente ao perfume das rosas. Todos aspirávamos ao pó do assoalho. Receber um diploma é muito pouco, aspiramos os altos cargos. Jaime aspirava ser médico desde muito pequeno.
Há dois sentidos muito usados com o verbo ASPIRAR. Se trouxer o sentido  de sorver, tragar, respirar é construído com objeto direto (sem nenhuma preposição) e poderá ser usado na voz passiva; mas se trouxer o sentido de querer, desejar ardentemente, pretender é construído com um objeto indireto com a preposição A (ao – à – aos – às) e não poderá ser usado na voz passiva, nem substituído por lhe – lhes.
Portanto, Inclinou-se para aspirar profundamente o perfume das rosas. Todos aspirávamos o pó do assoalho. Receber um diploma é muito pouco, aspiramos aos (a) altos cargos. Jaime aspirava a ser médico desde muito pequeno.  


296. Ele foi eleito senador de Minas Gerais. Como não tinha residência fixa, não pôde candidatar-se a deputado do Rio de Janeiro. Os deputados de Minas Gerais são contrários à política dos cafeicultores.
Quem é SENADOR ou DEPUTADO é senador ou deputado POR (pelo – pela – pelos – pelas) algum estado.
Portanto, Ele foi eleito senador por Minas Gerais. Como não tinha residência fixa, não pôde candidatar-se a deputado pelo Rio de Janeiro. Os deputados por Minas Gerais são contrários à política dos cafeicultores. 


297. Somos assíduos às aulas. O estuprador era assíduo à casa da menina. Político é assíduo até a enterros. Aluno que não é assíduo das aulas práticas não poderá ser um bom profissional.
A palavra ASSÍDUO – frequente, frequentador – exige a preposição EM (no – na – nos – nas).
Portanto, Somos assíduos nas aulas. O estuprador era assíduo em (na) casa da menina. Político é assíduo até nos (em) enterros. Aluno que não é assíduo nas aulas práticas não poderá ser um bom profissional.


298. Somos curiosos em saber o resultado de um jogo. Quando pequenos, eram curiosos nas artes marciais. Uma notícia de sangue é sempre curiosa para os telespectadores.
A palavra CURIOSO, no sentido de estar interessado, exige a preposição DE (do – da – dos – das); mas com o significado de interessante a preposição é A (ao – às – aos – às).
Portanto, Somos curiosos de saber o resultado de um jogo. Quando pequenos, eram curiosos das artes marciais. Uma notícia de sangue é sempre curiosa aos telespectadores.


299. Quando eu caí, fiquei de si, mas quando eu voltei a si, não reconhecia mais ninguém. Eu se machuquei no jogo entre casados e solteiros. Vamos se ver de vez em quando.
Em frases reflexivas, quando o sujeito for EU, podemos usar ME (sem a presença da preposição) e MIM (com a presença da preposição. E assim com TU (te – ti), ELE (se – si – consigo), NÓS (nos – nós), VÓS (vos – vós), ELES (se – si – consigo).
Portanto, Quando eu caí, fiquei de mim, mas quando eu voltei a mim, não reconhecia mais ninguém. Eu me machuquei no jogo entre casados e solteiros. Vamos nos ver de vez em quando.


300. Considere-se feliz se reaver seu dinheiro perdido. Se reavesse o dinheiro eu o daria aos pobres. Eu ainda não reavi o meu dinheiro e você já reaveu o seu?
O verbo REAVER é conjugado como o verbo HAVER, quando neste houver a letra V. assim: eu hei = não existe a forma do reaver; eu houve = eu reouve; se houvesse = se reouvesse; quando houver = quando reouver e assim por diante.
Portanto, Considere-se feliz se reouver seu dinheiro perdido. Se reouvesse o dinheiro eu o daria aos pobres. Eu ainda não reouve o meu dinheiro e você já reouve o seu?