sexta-feira, 1 de abril de 2011

QUESTÃO - 2

AFA
ACADEMIa FRANCISCO DE Assis
questão
22/março  – 2011 – 2ª edição

Segunda edição! Há muitas questões importantes que muitos professores levantam, estudam, pesquisam incessantemente sem, contudo, obter uma resposta definitiva. Aliás, nada é definitivo. Como dizem as pessoas: tudo é passageiro, menos o motorista e cobrador! “Outro mundo é possível” – lema oficial de todos os debates em universidades, praças e ruas. Bem ou mal, temos um mundo que foi escolhido pelos homens e pelas mulheres, em todos os tempos e lugares. Assim, poderemos, sim, viver num outro mundo, se o escolher. Sob o ponto de vista de alguns, o mais importante e o que nos diferencia de outros seres, é a nossa capacidade de escolher, de optar, de optar. A nossa escolha será sempre baseada em valores e princípios, juízos e análises de alternativas. Alguns, cartesianamente – ânsia de que todas as coisas sejam objetivas, palpáveis, mensuráveis – entendem o ser humano um conjunto único, inédito, intransferível, irrepetível, todo, inteiro, completo, fruto de três partes indissociáveis: herança biológica (passado) – ambiente histórico-geográfico (presente) e a vontade, os sonhos (futuro). Isoladamente, cada uma dessas partes não poderá levar a culpa de o homem ser assim ou assado. Não há esse determinismo, não! Por isso, até juridicamente, por exemplo, uma pena é pessoal, não poderá ser transferida aos herdeiros, ou justificado o crime usando os seus ancestrais. Isso não significa negar o ambiente, o meio em que se vive e a herança genética.
Professor Décio Bragança Silva
Questão   didática

Já é senso comum de que não é bom, ou ótimo, ou excelente professor que transmite conhecimentos, mas é o que proporciona, causa, propicia aos estudantes a busca, a conquista do conhecimento.
Em outras palavras, o professor tem de se provocador! O desequilibrador! O estimulador. Assim, professor é quem coloca o processo de aprendizagem em ação. É quem corre primeiro numa corrida de revezamento! Quem cruza a linha de chegada não é o professor! Nessa corrida, todas as condições emocionais, cognitivas, corporais têm de ser ou estar favoráveis, num esforço individual e coletivo, contínuo e dinâmico, constante e motivado. A sala de aula é o ponto de partida! A realidade é o ponto de chegada!
O conhecimento sem sabedoria é inútil. É um simples acúmulo, agrupamento e conjunto de dados. A sabedoria organiza os dados e lhes dá significados, sentidos, valores. Essa é a razão por que muitos estudantes falam assim: “Aquele professor sabe muito, sabe tudo, mas não consegue comunicar-nos o que sabe!” Falta-lhe sabedoria! Mais ou menos a mesma coisa acontece com a memória dos computadores, na Internet... Tem todas as informações e dados, mas computador continua “burro”. Cheio de informações vazias!
É função/missão do professor ser o trampolim para os estudantes darem salto da informação para o conhecimento, do conhecimento para a sabedoria, da sabedoria para o futuro! Isso é o que se chama “salto de qualidade.”
A máxima cartesiana “Penso, logo existo” na perspectiva de uma educação libertadora, revolucionária inverte a máxima: “Existo, logo penso!” No fundo, a existência determina o pensamento, a consciência. A escola é a única instituição capaz de inverter essa máxima cartesiana, porque é a única instituição capaz de informar e desinformar, formar e reformar, conformar e transformar.
Uma escola racionalista e, por extensão, uma sociedade racionalista – privilégio da razão – só agravam o individualismo, destroem a natureza subjetiva do homem, talvez a usa maior riqueza. Para Habermas, “o intersubjetivismo compartilhado é que cria a base da ação comunicativa.” E a comunicação é ato da vontade e não consequência de conhecimentos. E como ato da vontade passa, perpassa, transpassa, repassa pelo jogo de interesses e intenções, desejos e necessidades, valores e ética.
O fato é que o racionalismo tem meios de unificar comportamentos e atitudes – o que é um grande mal! Os contrários, os adversários, os contrários, as discordâncias... é que alimentam as idéias e os ideais.
Sem a discordância, não há crescimento, porque coloca fim na reflexão. Nesse sentido, uma escola tem de ser a harmonização dos contrários, dos opositores, como pensava Carl Marx em relação à política: “A política é uma atividade provocada pelo conflito.”
Uma revolução nas escolas, todos sabemos, não é fácil, porque as escolas e as universidades são resultados das relações sociais de produção, portanto dependentes da economia e da política. Cortar o cordão umbilical da economia e da política é doloroso, dolorosíssimo, mas sem esse corte, essa ruptura não haverá também novos caminhos na busca do equidade social.
Muitos desafios estão sendo postos diante dos olhos das universidades, libertas da economia e da política, para 
·  produzir saberes por excelência;
·  aplicar os conhecimentos para o bem comum, para o bem social;
·  manter vínculos com a cultura universal;
·  ajudar a construir o cidadão regional, nacional e planetário;
·  formar homens e mulheres eticamente preparados para aplicarem tecnologias sem causar danos às pessoas, a todos os seres da natureza;
·  estimular a participação de todos na sociedade de informação, nas redes de intercâmbio e interação;
·  propor ações que promovam as pessoas, diminuindo as distâncias entre elas...

Questão   jornalística

Ninguém duvida de que há um clima de vingança no ar. A sociedade, em geral, nunca quis justiça. Sempre quis vingança e sangue. Existem no Brasil pessoas que querem que tudo piore. “Quanto pior, melhor!” É absolutamente natural, humano e democrático que as pessoas sejam e estejam a favor ou contra alguma coisa, algum fato, ou alguma idéia. Alguns órgãos de imprensa são declaradamente “direitistas”, outros “esquerdistas” e outros ainda sem posição definida.- os piores!
Usar os órgãos de imprensa para um vingar do outro é por demais perigoso e preocupante. Lembram-se do caso “Escola de Base”? Dinheiro de indenização para reparar danos morais não resolve o problema. Lembram-se do caso da Daslu? Declarada e explicitamente, alguns jornais se posicionaram não a favor da Daslu, mas contra o governo. “Enquanto não derrubar o governo, não descansarei!” “Se o caso Daslu foi uma vingança do governo, agora vou vingar do governo!” Que os órgãos de imprensa possam até defender a Daslu, ou qualquer outra empresa, ou empreendimento, é compreensível, mas também não se justifica, porque imprensa não existe para defender ou acusar ninguém. Para isso existe Juiz, Ministério Público, Polícia! “A melhor defesa é o ataque” – essa máxima, talvez, funcione para o futebol, mas fazer isso com as pessoas e/ou com as instituições é, no mínimo, golpe baixo, desonesto, impróprio, ilegal, de traidores, ou de quem só quer vingar.
Precisamos de justiça. Não queremos e não precisamos de vingança! A vingança é muito perigosa, porque incontrolável! Os sonhos de muitos estudantes de jornalismo – ser o porta-voz de quem não tem voz – tiram o mofo, o bolor dos cérebros – o que é uma purificação, ou até uma purgação. Os sonhos desses “meninos” jornalistas, nesse sentido, preparam-nos para um desafio não muito fácil. 
Quando fui ombudsman da Uniube, estive dom o ombudsman da “Folha de São Paulo” e ele me disse que sua função muito mais do que punir “seus” colegas, era estragar menos. O que significa estragar menos, perguntei. Os empresários dos meios de comunicação são piores do que os jornalistas, porque têm interesses e intenções inconfessáveis. Os jornalistas só erram, por exemplo, quando dão uma informação – o que significa pouco diante de tanta propina e falcatrua.
 Uma denúncia do leitor e a busca de um equilíbrio necessário aos jornalistas produzem muitas vezes a desordem – condição fundamental para o nascimento de uma nova ordem. Essa, talvez, seja a razão por que poucos jornalistas sejam sonhadores, já que ninguém quer se mostrar desordeiro, desequilibrado, doido. Quem não duvida, não pensa. Quem não discorda, não pensa.
Vivemos momentos de absoluta insensatez e mediocridade: disso ninguém duvida, ninguém discorda. Nem os jornalistas – porta-voz do povo – discordam ou duvidam. Simplesmente reproduzem o lhes informa a fonte, via propina, ou caixa-dois, ou release.
Vivemos a ditadura da Fonte! É igual àquela história de Mister X que em tudo manda, mas ninguém o vê, mas ninguém arrisca a não fazer o que ele manda. O Mister X é, hoje, sem dúvida, a mão invisível. A mão de Adam Smith? Talvez, não! Talvez, seja a do demônio do mercado – a mercadocracia – desgraça de nossos dias!
Os meios de comunicação de massa optaram pela desgraça sensacionalista, pelos sequestros – muitos deles mal explicados - pelos assaltos espetaculares, pelos massacres fantásticos, pelos desastres ambientais, como esse lá do Japão, nesses últimos dias....
Não se trata de esconder o sol com a peneira, mas na medida em que só mostram essas terríveis desgraças – para eles, um mote de audiência – desgastam os governos, as instituições que procuram o bem-estar e o bem-ser das pessoas.
Em outras palavras, os meios de comunicação  plantam o pessimismo, o medo, o desespero, Todas as vezes que um juiz, ou prefeito, ou governador, ou qualquer pessoa começa a se destacar positivamente, aparecem os dossiês.
A mesma situação acontece na política: é só algum deputado, ou senador, ou vereador se destacar positivamente, os outros lhes montam armadilhas, fazem-lhes denúncias vazias, criam provas inconsistentes, documentam escândalos, vasculham-lhes a vida privada, fazem-lhes intrigas nos bastidores e nos corredores.
Ninguém é santo – o que não significa que os pecados, os erros, os crimes não devam ser denunciados, mas não podem ser prioridade ideológica.
Ninguém é demônio – o que não significa que o bem, a verdade, a justiça, a beleza devam ser escondidas propositalmente.
Há muita maldade ideológica rondando os corredores dos meios de comunicação. Nunca se viu tanto televisão, nunca se leu tanto jornais, revistas, depois de Roberto Jefferson, só a título de exemplificação, jogar merda no ventilador. As empresas jornalísticas nunca lucraram tanto com a desgraça dos outros.
Nada acontece por acaso. Tudo é intencional – o que não significa que não haja propinas, corrupções, evasão de divisas e de dinheiro, depósitos em paraísos fiscais, mensalões, mensalinhos e messalinas, sanguessugas, desvios de verbas de ambulâncias, de merendas escolares, de remédios,,,.Há ainda muita sujeira debaixo dos panos, mas isso é papel da justiça.
O pessimismo é uma semente de frutos danosos. A utopia é a capacidade de amar. O amor constrói, edifica, purifica, solidifica, fica. O ódio, o desrespeito ao ser humano se espalham, criam raízes, expandem-se, alastram-se como uma erva daninha nas ruas e nas praças, nas famílias e nas escolas, nas prisões-cadeias-presídios-delegacias e nas universidades, no Senado e nas Câmaras Legislativas, no Executivo e no Judiciário... Só a utopia nos salvará a todos!
Na democracia, ninguém pode escrever o que lhe vem à telha, ninguém pode fazer o que quiser, o que bem entender – isso é caos total e absoluto! Primeiro princípio democrático é que todos, por força da própria lei, sejam igualmente tratados, dando chances e oportunidades a todos, visando ao bem-estar e ao bem-ser de todos e de cada um.
Todos têm direito à vida, à educação, à saúde, à habitação, ao emprego, ao salário, à liberdade de credos e de expressão...
Sabemos, na prática, que uns têm mais direitos do que outros – o que é absurdo, porque é desumano, não é democrático!
A utopia nos marca ontologicamente. A utopia é o antídoto da covardia, da vaidade, da usura, da avareza, do narcisismo. “Narciso acha feio o que não é espelho!” – nos ensina Caetano Veloso.
O homem precisa muito mais do que pão, leis, casa, emprego, casamento. Precisa de amor, de justiça, de sabedoria e de fé – bases dignas onde se constrói a sociedade, a humanidade. E isso só é conseguido na medida em que se luta, com unhas e dentes, para tal. A utopia, assim, fortalece a alma e o corpo, a mente e o espírito.

Questão   de   propósitos

CREIO no surgimento de governantes coerentes, transparentes, inteligentes e sinceros nos seus propósitos, a ponto de coincidirem o dizer com o fazer.E quando houver razão superior para modificar os rumos da coerência, venham explicar tudo aos povos de todos os lugares. Não se trata de opção política, mas de obrigação de consciência.
CREIO que a evolução da humanidade dará lugar a líderes honestos, sensatos, justos, ponderados e cristalinos.
CREIO no fim do abismo entre cidadão e governante. O desejo de um deve ser o desejo do outro.
CREIO no desaparecimento do sistema político e econômico injusto e discriminatório do “dois pesos e duas medidas”. O que vale para um cidadão deve valer para todos. O que vale para um cidadão deve valer exemplarmente para o governo.
CREIO que na alma humana vigorará a lei ensinada pelos grandes mestres: “ Não façais aos outros o que não quereis que os outros vos façam”.
CREIO que um dia o sim, será sim e o não, será não em toda a comunicação humana, em todas as circunstâncias. Que não haja acordos debaixo dos panos.
CREIO que a compreensão das Leis Universais levará a criatura humana a ser correta por si mesma, em todas as transações comerciais e no relacionamento de qualquer natureza.
CREIO na boa vontade e nos bons sentimentos de todas as pessoas e de cada pessoa.
CREIO que cada ser humano tem o poder e a capacidade de fazer, de construir a sua própria vida sem apelar para o engano, para a ilusão, para a violência.
CREIO que está nascendo uma nova Era de amor, de harmonia e de paz, de bem-estar e de bom senso, de justiça e solidariedade.
CREIO que o próprio indivíduo tem em si mesmo a solução dos seus problemas. Que cada um traz em si mesmo as respostas que procura, inclusive a felicidade.
CREIO que a luz existente em cada um de nós, no nosso coração, iluminará os caminhos da humanidade, abrirá atalhos para todos e cada um rumo à felicidade e à liberdade.
CREIO que cada pessoa tem seus ideais e seus projetos de vida. Por isso também, creio na iniciativa para realizá-los. O poder de criar equivale ao poder de realizar.
CREIO que o mundo e as coisas do mundo, a humanidade e cada ser humano são naturalmente bons e justos. O erro e o pecado são apenas pequenos desvios de comportamento.
CREIO que a fonte da riqueza está na mente e que o dinheiro não é feito para ser guardado, para ser objeto e especulação e exploração, mas para a compra de bens necessários, importantes e desejados na vida.
CREIO que todas as pessoas estão acima das crises, dos negativismos e dos fracassos, das derrotas e das situações cinzentas, podendo sempre seguir o caminho das grandiosas realizações e disputas. O negativismo constrói montanhas. A determinação e fé removem montanhas.
CREIO que a ignorância mais do que a pobreza é a mãe de todos os males.
CREIO que a instrução e a educação de um povo são a sua salvação e redenção.
CREIO que é possível a paz entre os irmãos, que é possível a paz entre os desiguais, que é possível a paz com a natureza e com a mãe-Terra.
CREIO que mais vale começar o mundo novamente, mais vale mudar alguns comportamentos e atitudes do que chorar as desgraças do passado.
CREIO em todas as coisas boas que todos aqui também crêem. Por isso, já estamos dando a nossa contribuição para o começo de um novo ano, para o começo de uma nova era.
O mundo moderno é extraordinário – disso ninguém duvida. O homem cria, produz cada vez mais para consumir cada vez mais. Mas ainda nem todos os homens têm acesso a todos os bens e direitos. Estamos sempre renovando as nossas esperanças e a nossa fé!
Que estejamos sempre de pé para empreender nova caminhada a nosso favor e em favor de todos os homens e de cada homem. Estar na estrada é não acomodar-se a situações desumanas a que muitos estão submetidos. Estar na estrada é buscar um destino promissor para a humanidade, resistindo a desaforos e humilhações, buscando uma vida com menos contrastes, contradições, disparates, divisões, discriminações, separações.
Que estejamos dispostos a nos salvar, salvar toda a humanidade, salvar a todos os seres do mundo, salvar o mundo e o universo. Não há maior amor que não vise à salvação e libertação. Em nome da salvação do capitalismo não se deve destruir a natureza e dentro dela os seres humanos. Não há salvação destruindo. Salvação é construção coletiva. Cada um se salva, salvando a muitos, da mesma maneira que cada um se desgraça, desgraçando a muitos.
Que estejamos abertos aos apelos, aos gritos dos muitos excluídos, dos pobres, dos miseráveis, dos famintos, dos que têm sede de amor e de justiça. Não há amor e fé sem obras, sem ações positivas, sem respeito à dignidade humana, sem a possibilidade de construção de um reino de paz e harmonia. Os direitos fundamentais e essenciais dos humanos (vida, educação, saúde, habitação, saneamento, higiene, trabalho, alimentação...) são direitos de todos e de cada um. A grandeza o homem é medida pela capacidade de comunhão, de partilha, de cumplicidade, de solidariedade efetiva.
Que possamos todos viver com mais dignidade e amor. Quanto mais se ama em extensão e profundidade, maiores as possibilidades de libertação da mediocridade e infâmia e futilidades. A harmonia, como num corpo saudável, depende fundamentalmente de que cada um faça o que tem de ser feito. Numa possível doença do corpo, cada célula abre mão do que está fazendo para ajudar na cura do corpo. Ah! quão bom seria se numa doença social (agressividade, violência, desmandos, permissividade excessiva, uso de drogas...) todos pudéssemos abrir mão do que estávamos fazendo para a cura desse corpo social!
Que tenhamos mais paciência e tolerância com os diferentes da gente. Mesmo que o outro nos seja insuportável, seja o limite e desafio, ele mora no mesmo mundo, bebe a mesma bebida, come a mesma comida. A intolerância nos afasta cada vez mais uns dos outros e depois nos queixamos de solidão, isolamento. O outro, nesse sentido, é também a possibilidade de amor, de encontro, de realização de um projeto existencial. As raças, os credos, as idéias, as opções do outro não são entraves ao convívio.
Que creiamos que uma nova humanidade com novos homens e novas mulheres é possível! A vida existe para a partilha e não para o acúmulo de bens, de riquezas, de poder. O amor é uma estrada de mão dupla: o que faz bem ao outro faz bem a quem ama. É bom ser bom! O bem nos protege até contra doenças! O bem faz mais bem a quem o pratica o que a quem o recebe. “É dando que se recebe!” – nos ensina o grande Francisco de Assis. Há mais alegria em se dar do que receber.
Rebelar contra a ordem estabelecida que privilegia os bens acima do Bem, questionar os princípios organizacionais que privilegiam os valores monetários acima dos Valores Humanos, desobedecer as leis que privilegiam os brancos, os ricos, os burgueses acima do que se entende por justiça... é necessário para que se instaure um reino de paz e harmonia.
“Sejamos realistas, exijamos o impossível” – um slogan dos progressistas dos anos 60 e 70 – resume bem a utopia de seres humanos saudáveis que desejam a paz, a harmonia, a autonomia para si mesmos e para todos. “Ninguém se salva sozinho, ninguém é feliz sozinho.”
A felicidade é uma empreitada coletiva. Felicidade individual é desgraça! Um projeto e processo revolucionário e libertário se realiza no coletivo e só encontra sentido nas relações entre todos os homens.
A autonomia, aqui, significa a capacidade de o homem governar-se a si mesmo. Acredito que a autonomia será a marca registrada do século XXI – um mundo sem patrões arrogantes, sem governos prepotentes constituídos, mas uma organização somente mínima e necessária.
Cada um será autônomo, responsável por aquilo que a si mesmo propuser. Acredito que será comum encontrarmos uma escola autônoma, com professores autônomos; um hospital autônomo, com médicos autônomos... Para mim, porque sou professor há muitos anos, interessa a escola autônoma. Como poderá ser? É possível?
Autonomia em educação tem uma base sólida, construída na rocha: o diálogo. Diálogo, aqui, significa troca de lugares, de pontos de vista, troca de comunicantes, em que o professor torna-se aluno e o aluno torna-se professor – ato que ensinar/aprender e aprender/ensinar são um ato único, fazem parte de um mesmo projeto e processo.
Os nossos ancestrais gregos chamavam esse método autônomo de maiêutica. O professor, já naquela época, era o questionador, o inquiridor, o “corruptor”, porque tinha a certeza e convicção de que o aluno seria capaz de buscar respostas feitas pelo professor e, muitas vezes, feitas por ele mesmo.
Paulo Freire, Moacir Gadotti, Anísio Teixeira, Libânio, Ferrero... na realidade são os maiores proponentes da escola autônoma. Escola, aqui, significa professores e alunos. Alguns deles chamam a escola-autônoma de autogoverno, autodeterminação, autoformação, autoeducação, autodidatismo, auto gestão escolar... Importa a maiêutica – o parto do conhecimento e do saber.
O diálogo – única e verdadeira base sólida da autonomia – na prática se concretiza na livre expressão dos alunos – centro do projeto/processo de ensino e da escola. Livre expressão, aqui, pressupõe e reconhece cada um como ser original em sua individualidade, com suas próprias necessidades e interesses. Isso obriga e exige novas formas de organizações da vida escolar, inclusive uma nova forma de gestão que vise a uma pedagogia libertária.
Muitos filósofos da pedagogia defendiam o conceito de aprender escolhendo, aprender fazendo, aprender para a vida e para a democracia. Nossas escolas e universidades insistem no modelo de ensino para a morte e para a dependência. As palavras opção, escolha, decisão, liberdade... estão cada vez mais distantes das escolas e principalmente das universidades. Nas universidades, estudantes não têm voz nem vez.
Hoje, o que interessa são os intermediários, os que estão entre a administração geral e a sala de aula – professores e alunos, inclusive o MEC – Ministério da Educação. Existem mais pessoas entre a direção geral e a sala de aula: coordenadores, supervisores, diretores, chefes, assistentes pedagógicas, secretárias, bedéis que formam e se agrupam em institutos, departamentos, centro, divisão, seção, câmara, comissões, comitês....
O que é pior de tudo, entre eles o pau quebra, a luta demoníaca de poder: um puxa sempre o tapete do outro... e os professores e estudantes jogados, empilhados, amordaçados, empoeirados, humilhados, pisados, espremidos entre paredes frias e mortas.

Questão   gramatical

“Houveram muitos acidentes neste fim de semana.” – “Existe muito mais coisas entre o céu e a terra, do que possa imaginar a nossa vã filosofia.” – “Hão de haver muitas vozes discordantes.” – “Há de existir outras vidas em outros planetas.” – Desejamos que hajam mais aulas de Língua Portuguesa.” – “Queríamos que existisse políticos mais sérios e sábios.” – “Almeja haverem caminhos mais objetivos rumo à felicidade.” – “Quer existir estrelas coloridas na noite da lua de mel.” – “Importa que hajam investimentos maciços em educação e saúde.” – “Interessa-me se existe livros em português sobre os tsunâmis.” – “Preocupa-nos haverem traficantes espalhados nas escolas.” – Importa-lhe existir flores nas praças.” – todas essas frases, de acordo com a norma culta, ou língua-padrão, estão usadas incorretamente.
Temos, aqui, situações em que foram usadas os verbos haver com o sentido de existir. Ambos têm o mesmo sentido, mas são usados diferentemente. O verbo haver é impessoal, portanto sem sujeito, obrigando o verbo a ficar no singular. O verbo existir será sempre pessoal, exigindo a presença de um sujeito, obrigando o verbo a concordar com o sujeito que estará posposto. Assim: há vagas (não é sujeito) para pedreiros = existem vagas (é sujeito) para pedreiros. Um verbo substitui o outro, mas as frases são construídas diferentemente.
Numa locução verbal, normalmente o primeiro verbo auxiliar será variável e os outros verbos, invariáveis, ficando no infinitivo impessoal, ou particípio, ou gerúndio. Os principais verbos auxiliares são: ter, haver, estar, ser, ficar, ir, vir, dever, poder, acostumar, costumar, precisar... Assim: tem havido dias quentes, estão acontecendo muitos acidentes, vêm chegando as férias, podem estar falando a verdade nos tribunais... são frases com um ou mais verbos auxiliares.
Nem sempre quando temos dois verbos numa mesma frase há uma locução verbal. Será locução se aparecer verbos auxiliares. Observe estas frases: quero gritar, desejas ser feliz, almeja fazer um curso superior, ansiamos construir nossa independência, aspirais pacificar os ânimos, gostam de vestir seus filhos com tecidos leves. Nessas frases, não há locução verbal, portanto temos um período composto com mais de uma oração. Nessas frases, poderíamos aparecer sujeitos diferentes nas orações.
Caso os sujeitos sejam diferentes, cada oração é construída, obedecendo às exigências de cada verbo. Assim: quero sair = quero (sujeito: eu) sair (sujeito:eu); quero gritares = quero (sujeito: eu) gritares (sujeito: tu); quero você estudar mais = quero (sujeito: eu) você estudar mais (sujeito: você); quero falarmos sempre a verdade = quero (sujeito: eu) falarmos sempre a verdade (sujeito: nós); quero escreverdes um poema de amor = quero (sujeito: eu) escreverdes um poema de amor (sujeito: vós); quero saírem logo da sala = quero (sujeito: eu) saírem logo da sala (sujeito: eles). Temos um período composto, com duas orações: a primeira, principal; a segunda, subordinada, com a função de objeto direto, com o verbo no infinitivo pessoal. Essas orações poderão ser desenvolvidas. Assim: quero gritares = quero que grites; quero falarmos sempre a verdade = quero que falemos sempre a verdade; quero saírem logo da sala = quero que saiam logo da sala.
Há ainda uma situação nova com os verbos ditos unipessoais: parecer, urgir, constar, convir, importar, preocupar, interessar, custar... Observe estas frases: importa um jardim (sujeito: um jardim); importam as flores (sujeito: as flores). Da mesma maneira, poderemos usar esses verbos com uma oração reduzida. Assim: urge estudarmos  mais = urge que estudemos mais; urge (oração principal) estudarmos mais (oração subordinada com a função de sujeito); urge (oração principal) que estudemos mais (oração subordinada, com a função de sujeito). Nessa situação, o verbo da oração principal estará sempre no singular, porque uma oração é entendida como noção, ideia, e uma noção/ideia será sempre singular.
Com todas as explicações, voltemos aos verbos haver e existir, corrigindo as frases citadas: “Houve (existem) muitos acidentes neste fim de semana.” – “Existem (há)  muito mais coisas entre o céu e a terra, do que possa imaginar a nossa vã filosofia.” – “Há de haver (hão de existir) muitas vozes discordantes.” – “Hão de existir (há de haver) outras vidas em outros planetas.” – Desejamos que haja (existam)  mais aulas de Língua Portuguesa.” – “Queríamos que existissem (houvesse) políticos mais sérios e sábios.” – “Almeja haver (existirem) caminhos mais objetivos rumo à felicidade.” – “Quer existirem (haver)  estrelas coloridas na noite da lua de mel.” – “Importa que haja (existam) investimentos maciços em educação e saúde.” – “Interessa-me se existem (há) livros em português sobre os tsunâmis.” – “Preocupa-nos haver (existirem) traficantes espalhados nas escolas.” – Importa-lhe existirem (haver) flores nas praças.” 
  
Questão   brasileira        

Muitos pensadores, filósofos e professores defendem a tese de que não nada mais democrático do que o sorteio em praça pública, às vistas de quem possa interessar. Todos sabemos que o Brasil é um cassino a céu aberto. Caso você tenha dinheiro, em todos os dias do ano é possível se jogar. Existem jogos legalizados e outros não legalizados, mas muitas autoridades fecham os olhos aos não-legalizados, porque, acredito eu, que elas pensam que todos devam ser legais, ou todos ilegais.
Essa idéia de sorteio, hoje, está pegando em todos os setores. Está tomando corpo e forma. Muitos jogam muito em muitos jogos e loterias e ações entre amigos e bingos e rifas... Quem não ganha não reclama e continua jogando, tentando a sorte nos dias seguintes, na esperança de um só dia tirar a sorte grande. Que a sorte grande lhe possa sorrir!
O grande pensador e professor da UNICAMP, Rubem Alves, talvez, hoje, um dos mais importantes professores e pensadores do Brasil, defende também essa tese em relação à entrada nas universidades, que não têm número suficiente de vagas para todos, que não conseguem abraçar, abarcar todos os jovens que terminam o Ensino Médio. Para ele, os jovens concluintes desse período inscrevem-se nas universidades que desejam. Num dia pré-estabelecido, sorteiam-se as vagas, em público, às vistas de todos. Com isso acabaria de vez com a discussões de cotas para negros, para pobres, para deficientes, para as minorias... Todos estariam colocados em pé de igualdade: oportunidades e chances absolutamente iguais – isso é democracia.
Assim, os cursinhos – mercantilização do ensino e indústrias de loucos – morreriam e seriam enterrados no dia seguinte. Estaria eliminada a maior praga da educação do Brasil. Hoje, as crianças que devem brincar, brincar, brincar e brincar já estão fazendo até o simuladinho – uma prévia das provas de vestibular que acontecerá dez anos depois, antecipando a angústia.
Assim, como num sorteio não se identificam antecipadamente os sorteados, podendo ser sorteado, por exemplo, um semi-analfabeto, as universidades exigiriam uma maior qualificação dos alunos do Ensino Médio. Estaria formando uma cadeia de excelência. Bastariam poucos anos para mudar o ensino no Brasil, sem muitas discussões e sem grandes investimentos.
E os “ricos” que não fossem sorteados? Para eles, poderiam criar cooperativas de ensino e educação, poderiam até estudar fora do país, ou ainda, porque têm maior força de pressão, exigirem o aumento de número de vagas. É assim que a sociedade se organiza democraticamente!
O grande pensador e professor da USP, Renato Janine, talvez, hoje, um dos mais importantes pensadores e professores do Brasil, defende a tese de sorteio de vereadores, prefeitos, deputados, governadores, senadores e presidente da República em praça pública (daí o nome república: a coisa pública) às vistas de quem possa interessar, com transmissão por rádio e televisão, ao vivo e em cores.
Os candidatos a qualquer cargo se inscrevem no cartório eleitoral, abrem suas contas bancárias e telefônicas dos últimos dez anos, provando e comprovando seus bens e renda e riqueza, registram resumidamente suas propostas e ou ações políticas, escrevem sobre suas atividades trabalhistas, empresariais, financeiras, familiares dos últimos dez anos, tudo com firma reconhecida e vão todos para o sorteio.
Quem não quiser sua vida privada tornada pública, não se inscreve. Homem público tem vida pública. Não se deve fazer em público o que se faz na privada. Por sorteio, eleito um inscrito, tudo o que escreveu, registrou é tornado público. Noventa dias depois, a posse. Imaginemos a economia incalculável para o país! Todos são candidatos em igualdade de oportunidades e chances. Isso é democracia!
Acabariam os horários políticos, as propagandas enganosas, os marqueteiros de plantão, a sujeira na cidade, a baixaria das discussões, os “investimentos” de campanha, a compra de votos, as propinas e os lobbys nas câmaras e no senado, as obras eleitoreiras para reeleição, os acordos absurdos entre partidos sabidamente opostos na forma e nas idéias e nos ideais, as falcatruas debaixo dos panos, na calada da noite...
Muitos, quando se fala em sorte, arrepiam-se, porque acreditam que isso é dar mole para o azar, que Deus é quem dá a sorte, que sorte é trem do capeta, que sorte é colocar tudo nas mãos do destino, que a vida não é um jogo...
Muitos, quando se fala em sorte, quase vão ao êxtase, porque acreditam que em sorteio todos são iguais, têm a mesma chance e oportunidades, porque acreditam na própria força do destino como algo positivo, bom, belo, verdadeiro, já que uma folha não cai da árvore sem que seja vontade de Deus...
Imaginar o ingresso nas universidades, a “escolha” do prefeito, dos vereadores, do governador, dos deputados, do presidente, dos senadores... é uma idéia que já está sendo discutida nas academias e nas esquinas, nas praças e nos becos.
Eu até acredito que não é uma idéia assim tão absurda. Merece um aprofundamento, uma discussão, uma reflexão! No caso dos “sorteados” universitários, independentemente de quem seja sorteado, as universidades têm de ser capazes de fazer deles profissionais competentes, cidadãos conscientes, homens livres e comprometidos consigo mesmos e com os outros.
No caso dos executivos “sorteados”, as câmaras têm de ser capazes de vigiá-los, premiá-los, puni-los, se preciso for. As cidades-estado, na Grécia antiga, já experimentaram o sorteio. Se deu certo ou não, pouco importa. Importa a igualdade na disputa. Importa que até hoje consideramos a Grécia Antiga o único lugar, em todos os tempos, que houve democracia de fato!

Questão   vernácula

A formação de palavras é um estudo verdadeiramente fascinante. Na realidade, não há nenhum idioma puro. As pessoas vão criando palavras dependendo de sua necessidade, sem muita explicação. “A necessidade faz o sapo pular” – diziam os antigos. Conhecendo radicais gregos, latinos, celtas, ingleses, japoneses ou de qualquer língua, misturamos radicais e formamos novas palavras.
Com o avanço das ciências, novas palavras têm de ser criadas. Uma ferramenta nova, um produto novo, como as pessoas quando nascem são registradas e/ou batizadas, novos nomes vão sendo registrados e dicionarizados, sem nenhum critério, praticamente.
Hoje, vamos “brincar” com dois radicais: TERAPIA e MANIA – com o auxílio do Dicionário Aurélio. Vamos citar as palavras referentes somente ao ser humano, especialmente vocábulos ligados à medicina e, em especial, à psiquiatria.
Sabendo o sentido de mania, você poderá criar outras palavras, Vamos, então,  dar o sentido de MANIA = síndrome mental caracterizada por exaltação eufórica do humor, excitação psíquica, hiperatividade, insônia  e, em certos casos, agitação motora em grau variável; uma das duas fases alternativas da psicose maníaco-depressiva; em sentido figurado, excentricidade, extravagância, esquisitice; gosto exagerado ou imoderado por alguma coisa; obcecação resultante de desejo imoderado; loucura, tendência ou inclinação para; tendência mórbida ou patológica.
Agora, algumas palavras:
·  ablutomania = impulso mórbido para lavar-se e banhar-se;
·  abulomania = abulia, falta de desejo ou de vontade; incapacidade de tomar decisão; disbulia;
·  acribomania = mania de exatidão;
·  acromania = mania caracterizada por grande atividade motora;
·  agromania = tendência mórbida à solidão, ou a vagar pelos campos;
·  alcoolomania – alcoolmania = mania por intoxicação por bebida alcoólica;
·  algomania = perversão sexual caracterizada por desejo de sentir dor;
·  anemomania – habromania = distúrbio mental caracterizado por grande alegria e jovialidade;
·  andromania – ninfomania - histeromania – metromania – uteromania = tendência, nas mulheres, para o abuso do coito, a qual às vezes assume caráter patológico, furor uterino;
·  anticomania = mania das coisas antigas; gosto excessivo de antiguidades;
·  antomania – floromania = paixão pelas flores;
·   aritmomania = impulso patológico de contar números, demonstrando ansiedade em relação a eles;
·  autografomania = mania de colecionar autógrafos;
·  bailomania = paixão por bailes, por danças;
·  bibliocleptomania = inclinação mórbida para roubar livros;
·  bibliomania = mania de acumular livros;
·  bruxomania = sintoma de neurose que se caracteriza pelo excessivo ranger de dentes;
·  cacodemomania – cacodemonomania = distúrbio mental caracterizado pela ilusão de estar possuído por maus espíritos;
·  cacofatomania = mania de identificar cacófatos inexistentes;
·  calomania = condição caracterizada por ilusão quanto à beleza pessoal, narcisismo;
·  campanomania = mania de tocar sinos ou campanas;
·  clastomania = tendência patológica para destruir todos os objetos;
·  claustromania = tendência patológica a fechar-se em espaço confinado;
·  cleptomania - clopemania = impulso mórbido para o furto;
·  clinomania = desejo mórbido de permanecer no leito;
·  cocainomania = o vício de tomar ou aspirar cocaína;
·  coreomania – coromania = mania de dançar; desejo patológico de dançar;
·  criptomania = tendência mórbida a ocultar-se;
·  dacnomania = impulso mórbido que leva o indivíduo a morder-se e/ou a morder os circunstantes;
·  demonomania = mania dos loucos que se julgam possessos do Demônio; demonopatia;
·  dipsomania – metomania = impulso mórbido periódico e irresistível que leva a ingerir grande porção de bebidas alcoólicas, alcoolismo;
·  doromania = tendência patológica a dar presentes;
·  doxomania = paixão de adquirir glória;
·  drapetomania – dromomania = mania de andar sem destino, a esmo;
·  economania = atitude mental em que um indivíduo se julga dominador em relação à família, mas humilde perante autoridade;
·  edeomania = desejo sexual patológico;
·  egomania = auto-estima patológica;
·  eleuteromania = entusiasmo patológico por liberdade;
·  eluromania = afeição patológica por gatos;
·  empregomania = mania de recorrer a empregos públicos de preferência a outro qualquer meio de vida;
·  enomania = paixão pelo vinho;
·  enosimania = perturbação mental caracterizada por grande terror;
·  enteomania = mania em que o paciente se crê inspirado por Deus;
·  epitetomania = abuso ou mania dos epítetos;
·  ergasiomania – ergomania = desejo patológico de trabalhar permanentemente, impaciência indevida de sofrer intervenção cirúrgica;
·  eritromania = enrubescimento intenso e incontrolável;
·  erotografomania = desejo patológico de escrever cartas de amor;
·  erotomania = mania amorosa, delírio produzido pelo amor sensual;
·  estesiomania = perturbação mental em que ocorre perversão dos sentidos;
·  eteromania = O uso do éter como estimulante; eterismo;
·  fagomania = vontade insaciável de ingerir alimento; obsessão por comida;
·  farmacomania = nania de tomar medicamentos, ou de indicá-los a outrem;
·  filantropomania = mania de ser filantropo; filantropia pouco sincera;
·  filopatridomania = desejo incontrolável de regressar à terra natal;
·  fraseomania = mania das frases pomposas e vazias;
·  gamomania = loucura que se caracteriza pela monomania do casamento;
·  ginecomania = satiríase, excitação sexual masculina mórbida;
·  grafomania = desejo obsessivo de escrever;
·  hidromania = delírio em que o doente revela tendência para se afogar, polidipsia;
·  hieromania = mania religiosa, mania de cultuar santos;
·  hipomania = paixão pelos cavalos, distúrbio de humor que se assemelha a mania, mas que se manifesta de forma menos intensa;
·  iconomania = paixão por imagens ou quadros;
·  lalomania = loquacidade mórbida; mania oratória;
·  leteomania = uso, ou ingestão excessiva de tranqüilizantes;
·  letomania = monomania de suicídio;
·  licomania = licantropia, doença mental em que o enfermo se julga transformado em lobo, suposta metamorfose do homem em lobo; 
·  lipemania = perturbação mental caracterizada por tristeza profunda;
·  literomania = mania de escrever, de querer ser homem de letras;
·  logomania = loquacidade exagerada, que se observa em certos doentes neuróticos e psicóticos;
·  macromania – megalomania = mania de grandeza; superestima patológica de si mesmo, das próprias qualidades;
·  maieusomania = loucura que por vezes sobrevém ao parto;
·  melomania = paixão pela música; melofilia;
·  menomania = menofilia, atração sexual por mulheres menstruadas;
·  mesmeromania = devoção insana ao mesmerismo, teoria de Franz Anton Mesmer (1733-1815), médico austríaco, segundo a qual todo ser vivo seria dotado de um fluido magnético capaz de se transmitir a outros indivíduos, estabelecendo-se, assim, influências psicossomáticas recíprocas, inclusive com fins terapêuticos;
·  metiomania - metomania   = desejo irresistível de tomar bebidas alcoólicas; metilepsia; 
·  metromania = mania de fazer versos;
·  mimetomania = mania de imitação;
·  mitomania = tendência mórbida para a mentira;
·   monomania = forma de insanidade mental em que o indivíduo dirige a atenção para um só assunto ou tipo de assunto;
·  morfinomania = dependência de morfina; morfinismo, psicose devida a mau uso, ou a abuso de morfina;
·  musicomania = paixão pela música;
·  narcomania = tendência patológica a abusar de narcótico;
·  nosomania = hipocondria, mania de tomar remédio;
·  nostomania = impulso irresistível de retornar a casa;
·  nudomania = desejo mórbido de ficar nu;
·  onomania – oneomania - oniomania = desejo mórbido, impulsivo, de fazer compras; 
·  onomatomania = distúrbio mental que se caracteriza por preocupação obsessiva e doentia com a escolha de palavras, ou dificuldade ou impotência para encontrar um vocábulo ou expressão que se procura;
·  opiomania = dependência de ópio;
·  opsonomania = apetite insaciável em relação a certas iguarias;
·  oreximania = mania de alimentar-se exageradamente;
·  ornitomania = afeição exagerada às aves;
·  ovniomania – ufomania = gosto ou interesse exagerado pelos óvnis;
·  patomania = preocupação obsessiva com doença;
·  peniomania = psicose em que um indivíduo imagina que está reduzido à pobreza;
·  piromania = mania de fogo; tendência para incendiário;
·  planomania = impulso de vagar livremente;
·  plutomania = ilusão, de um indivíduo, de que é rico, preocupação patológica com riqueza;
·  politicomania = paixão ou mania de política;
·  poriomania = impulso a perambular, afastando-se de casa; automatismo ambulatório;
·  pornografomania = tendência patológica a escrever obscenidades;
·  potomania = vontade anormal de beber, embora, na realidade, não exista sede;
·  queromania = euforia exagerada e exaltação;
·  querulomania = manifestação patológica em que o indivíduo se queixa de supostas injustiças;
·  quiromania = onanismo, desejo mórbido de masturbar-se;
·  sialomania = hábito patológico de cuspir freqüentemente, na ausência de sialorréia;
·  sifilomania = mania em que o sifilítico prestes a estar curado sente, diante de qualquer distúrbio, a presença da doença;
·  siglomania = exageração e deformação no emprego de formas siglares;
·  sofomania = mania de passar por sábio;
·  suicidomania = obsessão do suicídio;
·  tanatomania = obsessão pela morte;
·  tangomania = gosto excessivo, doentio, de dançar o tango;
·  teomania = tendência maníaca a religiosidade, psicopatia em que o paciente se acredita inspirado, ou possuído, por divindade;
·  tomomania = mania de realizar, ou de sofrer intervenção cirúrgica;
·  toxicomania = mania de usar tóxico;
·  tricotilomania = hábito mórbido de arrancar continuamente os cabelos;
·  tristimania = monomania acompanhada de tristeza, tristeza habitual sem razão aparente;
·  verbomania = loquacidade patológica;
·  xenomania = mania por tudo quanto é estrangeiro;
·  zoomania = amor exagerado aos animais.
Sabendo o sentido de terapia, você poderá criar outras palavras, Vamos, então, dar o sentido de TERAPIA = tratamento de, tipo de tratamento que tem certo princípio, meio ou fundamento, cura.
Agora, algumas palavras:
·  actinoterapia = forma de terapia em que se emprega irradiação ultravioleta ou irradiação actínica;
·  aeroterapia = o uso terapêutico do ar;
·  alcaliterapia = tratamento mediante o uso de substâncias alcalinizantes;
·  anemoterapia = modalidade terapêutica que se realiza mediante inalações;
·  antibioterapia = uso terapêutico de substâncias antibióticas;
·  aromoterapia = o uso de extratos de plantas aromáticas, e de óleos essenciais, em massagens e outros tipos de tratamento;
·  asueroterapia = toque de Asuero;
·  atmoterapia = forma de tratamento com vapores que têm propriedades medicinais;
·  auto-hemoterapia = método terapêutico que consiste na injeção de sangue do próprio paciente;
·  autopsicoterapia = psicoterapia realizada em si mesmo, mediante procedimentos tais como desenvolvimento de autocontrole e de domínio da vontade;
·  autoterapia = tratamento de si mesmo, cura espontânea duma doença;
·  bacterioterapia = emprego de culturas de bactérias, vivas ou mortas, no tratamento de infecções;
·  balneoterapia = uso terapêutico de banhos;
·  biblioterapia = biblioterapêutica, tratamento dos livros danificados por insetos ou por outros agentes;
·  braquiterapia = forma de radioterapia com radiação ionizante, cuja fonte é aplicada à superfície corporal a ser tratada, ou a pequena distância dela;
·  calcioterapia = tratamento de doenças por meio de administração de cálcio, por vias diversas;
·  cinesioterapia = modalidade de tratamento de doenças, ou de suas conseqüências, mediante a promoção, por parte do doente, de movimentos ativos ou passivos, usando recursos diversos, como massagem, ginástica, reeducação funcional; cinesiatria;
·  climatoterapia = tratamento por meio de exposição a condições climáticas adequadas;
·  clinoterapia = tratamento de certas doenças por meio do repouso no leito;
·  cobaltoterapia = tratamento pelo cobalto;
·  coletrapia = administração terapêutica de sais biliares;
·   convulsoterapia = terapia em que, mediante o uso de agentes diversos (insulina, choque elétrico...), se provocam convulsões, com o objetivo de tratar algumas psicopatias;
·  crenoterapia = tratamento pelas águas minerais;
·  crioterapia = no tratamento de doenças, ou para fins anestésicos, uso de temperatura baixa obtida por meios diversos, tais como ducha, envoltório, banho, bolsa de gelo, cloreto de metila;
·  cromoterapia = terapêutica que utiliza luzes de várias cores, emprego terapêutico de áreas limitadas do espectro;
·  curieterapia = terapêutica pelo rádio;
·  dasiterapia = tratamento de moléstias pela residência em florestas de pinheiros ou doutras árvores resinosas;
·   dromoterapia = emprego terapêutico da marcha;
·  electroterapia – eletroterapia = tratamento de doenças pela eletricidade;
·  enantioterapia = tratamento enantiopático das doenças,  enantiose - contrário à própria doença;
·  equoterapia = modalidade de fisioterapia em que se utiliza a equitação, com o intuito de melhorar a coordenação motora de certos deficientes físicos;
·  ergoterapia = tratamento realizado mediante trabalho físico;
·  escleroterapia = tratamento em que se injeta substância esclerosante no interior de veia, com o objetivo de ocluí-la;
·  fagoterapia = tratamento de doenças pela alimentação ou pela superalimentação;
·  ficoterapia = tratamento mediante o emprego de algas;
·   fisioterapia = tratamento de doença por meio de exercícios e de agentes físicos;
·  fitoterapia = tratamento de doença mediante o uso de plantas;
·  fototerapia = tratamento médico por exposição à luz;
·   galactoterapia = administração de medicamento à lactante para que ele se transmita ao lactente;
·  galvanoterapia = terapêutica pela corrente contínua;
·  hagioterapia = suposta cura de doentes por intervenção de santos, ou pela ocorrência de milagres;
·  helioterapia = tratamento de doenças pela luz solar;
·  hemoterapia = tratamento mediante o uso de sangue ou de integrantes dele (plasma, hemácia, ...);
·  hidroterapia = tratamento de doenças por meio da água, mediante aplicações externas (banhos, duchas, aspersões ...), hidroterapêutica, hidriatria;
·  hieroterapia = tratamento de doenças por meio de exercícios religiosos;
·  hipnoterapia = tratamento de uma doença por meio do hipnotismo, psicoterapia que facilita a sugestão, a reeducação ou a análise por meio da hipnose;
·  hormonoterapia = tratamento com hormônios;
·  imunoterapia = tipo de imunização de um indivíduo (homem ou outro animal) mediante a administração de anticorpos pré-formados produzidos ativamente em outro indivíduo;
·  insulinoterapia = tratamento pela insulina;
·  laborterapia = terapia ocupacional, nas penitenciárias, atividade semelhante à terapia ocupacional e que objetiva a reintegração social do condenado;
·  ludoterapia = tratamento de doentes mentais por meio de brinquedos, divertimentos, jogos (inclusive esportivos);
·  malarioterapia = forma de tratamento usado na paralisia geral, e que consiste em infectar o paciente com uma das espécies que causam malária no homem;
·  massoterapia = tratamento por meio de massagens;
·  mecanoterapia = emprego de aparelho mecânico no tratamento de doenças, ou como auxiliar de exercícios terapêuticos;
·  meduloterapia = medida preventiva contra a raiva, preconizada pelo químico francês Louis Pasteur (1822-1895), que consiste na ministração de emulsões de vírus fixos em medula espinhal de coelho;
·  meloterapia – musicoterapia = tratamento de certas doenças mentais pela música;
·  metaloterapia = sistema de tratamento que consiste em aplicar sobre a pele certas placas metálicas;
·  narcoterapia = sonoterapia = método de tratamento empregado em certas doenças mentais, que consiste em produzir e manter sono artificial em um paciente, mediante o uso de drogas e sob rígido controle, por período que se pode estender de poucos dias a três semanas;
·  oftalmoterapia = terapêutica das doenças dos olhos;
·  opoterapia – organoterapia = tratamento de doença mediante o uso de extratos de órgãos animais como, por exemplo, os de glândulas endócrinas;
·  orroterapia – soroterapia – seroterapia  = tratamento mediante administração de soro obtido de organismo imunizado, principalmente de animais;
·  oxigenoterapia = tratamento que tem como agente o oxigênio; terapêutica pelo oxigênio;
·  peloterapia = terapia pelo uso de terra ou de lama;
·  piretoterapia = tratamento de uma doença pela elevação da temperatura do doente;
·  praxiterapia = técnica de tratamento usada, em geral, com doentes crônicos internados, e que consiste na utilização terapêutica do trabalho, distribuindo-se aos pacientes tarefas de complexidade crescente, terapia ocupacional;
·  proteinoterapia = método de tratamento de doenças por meio de injeção de proteína estranha;
·  psicoterapia = forma de tratamento em que se empregam meios mentais (sugestão, persuasão...), visando restabelecer o equilíbrio emocional perturbado de um indivíduo;
·  psicroterapia = terapia que se vale do frio, empregando-o de modos diversos (aplicação de compressa gelada, banho frio...);
·  quimioterapia = tratamento por meio de agentes químicos que, além de poder interferir de modo favorável, embora variável, sobre uma doença, são passíveis de causar efeitos tóxicos, de maior ou menor intensidade, no organismo do paciente;
·  radioterapia = forma de tratamento empregada em doenças várias, a qual faz uso dos raios X ou de outra forma de energia radiante; radioterapêutica;
·  reflexoterapia = tratamento por irritação de uma área do corpo distante da lesão;
·  roentgenterapia = tratamento por irritação de uma área do corpo distante da lesão;
·  talassoterapia = tratamento de doenças no qual se prescrevem banhos de mar, viagens marítimas, climas marítimos;
·  teleterapia = modalidade de radioterapia em que a fonte de que emana a radiação está distanciada do corpo;
·  ultrassonoterapia = tratamento pelo ultra-som, eficaz em várias moléstias, particularmente nas articulares;
·  vacinoterapia = emprego de vacina com fim terapêutico;
·  xiloterapia = sistema de tratamento mediante o emprego de madeiras;
·  zomoterapia = uso terapêutico de alimentação cárnea (carne integral, suco de carne...);
·  zooterapia = terapia dos animais.


Questão   FRANCISCANA

São Francisco (1181 – 1236) inundou a esfera humana de espírito de benquerença, fraternura e paz, que continuou a ressoar com o passar dos tempos até nossos dias. Em sua homenagem igrejas, cidades, escolas, rios, instituições e pessoas carregam o nome de São Francisco ou simplesmente Francisco.
Mais ainda: há comportamentos, símbolos, ideias e sonhos que reportam naturalmente a São Francisco como se ele próprio fosse o autor. E isso não sem razão, porque ele continua a viver como arquétipo nas mentes e nos corações das pessoas e de muitos movimentos culturais, na não-violência, na fraternidade universal, na jovialidade, no amor aos animais e na ecologia, expressões importantes da busca espiritual da cultura de nossa época.
Existe uma espiritualidade franciscana difusa no espírito de nosso tempo, nascida na experiência de Francisco, de Clara e de seus primeiros companheiros. Trata-se do caminho da simplicidade, da descoberta de Deus na natureza, do amor singelo a todas as criaturas, da confiança quase infantil na bondade das pessoas e na imperturbável alegria, mesmo em face dos dramas mais pungentes da vida humana.
A Oração pela Paz também conhecida de Oração de São Francisco constitui uma das cristalizações dessa espiritualidade difusa. Ela não provém diretamente da pena do Francisco histórico, mas da espiritualidade do São Francisco da fé. Ele é seu pai espiritual e por isso seu autor no sentido mais profundo e abrangente desta palavra. Sem ele, com certeza, essa Oração pela Paz jamais teria sido formulada nem divulgada e muito menos teria se imposto como uma das orações mais ecumênicas hoje existentes. Ela é rezada por fiéis de todos os credos e por professantes de todos os caminhos espirituais.
Ela tem o condão de unir a todos num mesmo espírito de paz e de amor. Por um momento faz sentir que todos somos de fato irmãos e irmãs na grande família humana e cósmica e também filhos e filhas da família divina.
Do livro:
Oração de São Francisco – uma mensagem de paz para o mundo atual – de Leonardo Boff,
publicado pela Editora Sextante,
Rio de Janeiro, 1999.