quinta-feira, 30 de junho de 2011

QUESTÃO - 8

AFA
ACADEMIa FRANCISCO DE Assis
questão
2011 – 8ª edição
Melhor do que a experiência individual é a troca de informações e de vivências entre todas as pessoas. Plagiando Pedro Nava: “A experiência não serve para nada. É como um carro em alta velocidade, numa autoestrada, à noite, com os faróis virados para trás. Só ilumina o que já passou. O importante é que seja iluminada a frente, o que vem pela frente.” Só a comunicação entre os homens – diálogo – é capaz de ampliar o repertório humano de cada um. O cruzamento de idéias, de desejos e anseios das pessoas nos enriquece e nos fortalece e fortalece nossos novos caminhos. Um novo Sete de Setembro não se fará num só dia, porque precisamos construir a nossa história por nós e para nós mesmos. Há uma ilusão de globalização. Que globalização? Que globalização queremos e é necessária a todos e a cada um? O fato é que a globalização tal qual está em andamento banaliza os indivíduos, em nome de um mercado livre, sem a interferência do Estado nas decisões do povo, deixando tudo nas mãos desse mesmo mercado. O fato é que viramos mercadoria. Temos um preço, dependendo da demanda, da oferta e da procura. As relações humanas tornaram-se exclusivamente econômicas. A linguagem, principalmente a científica, não nos aproxima. Pelo contrário, porque se propõe impessoal, objetiva, denotativa, nos afasta uns dos outros. Difícil romper o círculo de dependência, de controle quase absoluto. O outro, os muitos outros, deixaram-nos de ser uma possibilidade, mas um limite, um opositor, um inimigo. Estamos fechando portas, janelas e corações ao outro, lembrando-nos de Jean Paul Sartre: “O inferno são os outros!”
Professor Décio Bragança Silva
asfapaz.blogspot.com
Questão   ética

É um desafio para qualquer pensador, ou filósofo escrever, dissertar sobre Ética. Maior desafio tentar ensinar Ética. Será que é possível ensinar Ética? Será que é possível aprender Ética? O ser humano, mais do que racional, é um ser de relações. Estabelece relações consigo mesmo, com os outros humanos, com todos os outros seres da natureza e com Deus. Nessas relações é que se produz a ÉTICA.
Nesse sentido, podemos até definir Ética como a CIÊNCIA DAS RELAÇÕES. As relações estão encarnadas num tempo e no espaço – o que significa que são passíveis de transformações e mudanças – o desejo do homem de LIBERTAÇÃO. Estar-no-mundo é estar com o outro. E quem é o outro? Para responder a essa pergunta, vou apelar para o Evangelho de Mateus, capítulo 25, do versículo 31 ao 40:
“Quando o Filho do homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso. Todas as nações se reunirão diante dele, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. Colocará as ovelhas à sua direita, e os cabritos à sua esquerda. Então, o Rei dirá aos que estão à direita: “Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do reino que vos está preparado desde a criação do mundo, porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim.” Perguntar-lhe-ão os justos: “Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos peregrino, e te acolhemos; nu, e te vestimos? Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão, e te fomos visitar?” Responderá o Rei: “Em verdade vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes.” 
Pronto, está aí apresentado o OUTRO. Um dos grandes problemas é a ALTERIDADE – a presença do outro em mim e eu presente no outro. A alteridade vai passando e repassando pelo curso inteiro, porque é o outro que nos permite a salvação, ou a perdição. “O outro é o meu limite.” Para mim, os grandes pensadores da alteridade e que me servirão de base para as lições são: Sartre, Lèvinas, Buber, Heidegger.
As pessoas, para Jean Paul Sartre (21/6/1905 – 15/4/1980), são fontes permanentes de contingências. O EU só tem uma coisa para fazer: ESCOLHER E ELABORAR UM PROJETO DE VIDA e apresentá-lo ao outro. O TU só tem uma coisa para fazer: ACEITAR OU REJEITAR O PROJETO DO EU. No fundo, o tu é o limite do eu. Um projeto só se realiza com a permissão do tu. Todas as escolhas de uma pessoa levam à transformação do mundo.
Cada pessoa tem um projeto diferente, e isso faz com que as pessoas entrem em conflito sempre que os projetos se sobrepõem - isso porque Sartre sempre defendeu a ideia de que TU - o outro - está e estará sempre disposto a dizer NÃO ao projeto do EU. Daí, a cumplicidade!
O homem, em síntese, por si só não pode se conhecer em sua totalidade e inteireza. Só através dos olhos de outras pessoas - TU - é que EU consigo me ver como parte do mundo. “O olhar do outro me esvazia.” Sem a convivência, mesmo que conflituosa e trágica, uma pessoa não pode se perceber por inteiro sozinha. "O ser Para-si só é Para-si através do outro" - idéia que Sartre herdou de Hegel (27/9/1770 – 14/11/1831).
O TU, mesmo não tendo acesso à consciência do EU, pode reconhecer no EU o que tem de igual. EU precisa desse reconhecimento. TU precisa desse reconhecimento. “Por mim mesmo não tenho acesso à minha essência, sou um eterno "tornar-me", um "vir-a-ser" que nunca se completa. Só através dos olhos dos outros posso ter acesso à minha própria essência, ainda que temporária. Só a convivência é capaz de me dar a certeza de que estou fazendo as escolhas que desejo”.
Nesse sentido, Sartre considera o TU um inferno: "o inferno são os outros", porque o TU - os outros - meu limite - me impede de EU realizar os meus projetos. Mesmo assim, somos cúmplices no BEM e no MAL do mundo. Por isso, Sartre não é recomendado pela Igreja Católica.
Para Martin Buber (1878 – 1965), o homem possui a capacidade de inter-relacionamento com seu semelhante, ou seja, a intersubjetividade. Intersubjetividade é a relação entre um sujeito e outro sujeito. O relacionamento acontece entre o Eu e o Tu que, para ele podem ser uma UNIDADE, uma TOTALIDADE, que envolve o diálogo, o encontro, o amor, a cumplicidade e a responsabilidade.
O sentido da filosofia de Martin Heidegger (26/9/1889 – 26/5/1976) é o problema do sentido do ser, que se interroga o tempo todo a respeito de si mesmo e dos outros. Diferentemente de Sartre entende o outro como a possibilidade de viver no céu - o que passou a ser recomendado pela Igreja Católica. “O homem, aqui e agora, é um ser que caminha para a morte" e sua relação com o mundo concretiza-se a partir dos conceitos de preocupação, angústia, conhecimento e complexo de culpa.
Por isso, tenta dar um salto sobre as coisas, fugindo de sua condição cotidiana para atingir seu verdadeiro "eu". Sua filosofia, principalmente no “ser-aí”, ou o “ser-no-mundo”, que se junta aos conceitos de “ser-a-cada-momento” ou “ser-de-cada-vez” - daí, entender o ser humano como o único que escolhe, o único ser que opta, que pode dizer SIM, ou NÃO - o que lhe traz angústia, solidão, decisão, morte.
No fundo, o tempo todo, Heidegger investiga o sentido de Ser, os modos e as maneiras de enunciação e de expressão. Daí, criar também o conceito de que o ser humano é um ser comunicativo, um ser de palavra e da palavra; o único ser que indaga, questiona e interroga; que é o único ser capaz de expressar-se.
Emmanuel Lèvinas (1905 – 1995), renovador do pensamento judaico contemporâneo, trabalhou ideias como: o discurso da dominação; o confronto e a valorização da diversidade; a abertura para o Outro; a descoberta da idéia do infinito, tomada como orientação metafísica para a sua ética.
A ética é a área que estuda os valores morais, refletindo sobre o bem e o mal, o que é certo ou errado e procurando respostas para as angústias e inquietações humanas, por exemplo, se os fins justificam os meios ou os meios justificam os fins.
Desde Sócrates (470 -399 a.C.), o estudo da filosofia se ocupa de problemas relativos ao valor e ao sentido da vida.
Aristóteles (384 – 322 a.C.) tenta organizar as questões da ética, mostrando-nos que há a ética individual/pessoal – sabedoria, prudência – e a coletiva/social – justiça, amizade, ordem.
Na Idade Média, a ética passa a ser entendida como valores cristãos, com base nas virtudes teologais: FÉ – ESPERANÇA – AMOR, considerando Deus como princípio da felicidade e da virtude.
Nicollò Maquiavel (3/5/1469 – 22/6/1527) – em Lições do Príncipe – rompe com essa influência cristã e acredita ser a política superior aos valores espirituais. Propõe que os fins justificam os meios, já que o que importa são os resultados sociais e políticos, defendendo até a violência contra os que se opõem aos interesses do Estado.
Maquiavel exerce forte influência sobre Thomas Hobbes (5/4/1588 – 4/12/1679) e Benedito Spinoza (24/11/1632 – 21/2/1677).
Já na Era Moderna encontramos Jean-Jacques Rousseau (26/6/1712 – 2/7/1778) – filósofo da Teoria do Bom Selvagem: “Todo homem nasce bom, mas a sociedade o estraga”,
Immanuel Kant (22/4/1724 – 12/2/1804) entende a ética como obrigação de agir conforme as regras derivadas da razão e comuns a todos os seres humanos, e Friedrich Hegel (27/9/1770 – 14/11/1831) entende que há uma ética subjetiva/pessoal – consciência do dever – e outra objetiva/social – costumes, normas, tradições, leis.  O Estado reúne essas duas éticas.
Nietzsche (15/10/1844 – 25/8/1900) começa criticando a religião judaico-cristã, que subjuga os instintos e as paixões à razão, a que chama de "moral dos escravos", porque nega os valores vitais e promove a passividade e o conformismo, resultando no ressentimento.
Aí, cria a "moral dos senhores", capaz de criar, de inventar, transpondo os limites do humano – o super-homem. Contemporaneamente, com o individualismo exacerbado, houve uma confusão e anarquia dos valores pessoais e sociais, porque se busca a autonomia e independência do homem como sujeito de sua própria história.
A análise e reflexão de casos e situações particulares (dos jovens, de grupos religiosos, de negros, de movimentos ecológicos, de homossexuais, de deficientes, de pobres e famintos, de feministas... criam corpo e, em todas as discussões de políticas sociais, esses assuntos são obrigatórios.
Nessa maior complexidade social, aparece o filósofo Bertrand Russell (18/5/1872 – 2/2/1970) defendendo que a ética é sempre subjetiva e que nada ou tudo são verdadeiros ou falsos, dependendo exclusivamente de cada indivíduo. Aconselha que cada um, por si só, reprima alguns desejos e reforce outros para se alcançar a felicidade e o equilíbrio.
Na atualidade, o filósofo mais estudado na área da ética de Habermas que desenvolve a Teoria da Ação Comunicativa, da Ética discursiva, com base no diálogo de sujeitos – pessoas com capacidade crítica. Somente no diálogo, nas discussões e nos debates podemos chegar a um consenso, à solidariedade e à cooperação.
Quando ainda vivíamos no século XX, as pessoas diziam que no próximo século, o XXI, tudo seria diferente, haveria uma nova ordem política, econômica, social, viveríamos a ERA DE AQUARIUS – era de paz e harmonia, de amor e tranquilidade.
Já estamos no fim da primeira década do XXI e nada parece ter mudado. Houve, sim, a acentuação da globalização econômica – divisão do mundo por igualdades, porque de um lado a plutocracia e a adoração da riqueza; de outro, a frustração causada pela injustiça econômica. 
Essa insanidade e iniquidade, talvez sejam a causa de tantos terrorismos – violência internacionalizada imitando a economia internacionalizada. O combate, a supressão, ou a diminuição do terrorismo piora ainda mais a situação, porque, praticamente, aplica-se a força armada unilateralmente.
Observem-se os últimos ataques na Faixa de Gaza, Iraque, Afeganistão, Egito, Líbia... Não se trata de ser a favor ou contra uns ou outros, mas de uma grande covardia. Que caos!
O gênio Einstein (14/3/1879 – 18/4/1955) nos ensinou que “princípios são feitos por homens e não homens por princípios”. Claro, podemos plagiá-lo em outras situações: leis são feitas por e para homens e não homens por e para leis; escolas são feitas por, para, com homens e não homens por, para, com escolas. É preciso resgatar o valor maior: O SER HUMANO – protagonista da história.
Um dia, o pensador e filósofo André Gide (1869 – 1951) ao ser homenageado, ensinou-nos que não se homenageia a um homem, porque há coisas mais importantes: ou homenageia-se a todos ou a ninguém. Isso para dizer que ninguém se constrói sozinho – isso é respeito à dignidade de todos e de cada um, respeito às diferenças e à diversidade, em clima de liberdade e de tolerância.
O grande problema nosso é que sempre esperamos do outro um comportamento, uma atitude que nos agrade, que nos faça bem, mas não tomamos a iniciativa de ser, de ser-mais e de ser-melhor – como se o outro tivesse obrigação de nos agradar. Temos poucos compromissos com o coletivo, com o outro. Não se trata de desenvolver um em detrimento de outro: os valores se desenvolvem simultaneamente. Aqui, a formatação acima só tem valor didático. Um pedaço de pão para quem está faminto deve ter um VALOR muito maior do que, por exemplo, um FILME de Antonioni. Não acha? O mesmo pão pode ser até desprezado, jogado fora, banalizado na casa de um abastado. Para um, o pão é divino, é milagre, é sagrado; para outro, um simples alimento a mais.
A cultura de valores, então, depende mais de circunstâncias de espaço e tempo. Um emprego para um pai desempregado tem muito mais VALOR do que, por exemplo, uma reunião de sindicato. Não acha?
A ciência ÉTICA está preocupada com a “distribuição” e a construção desses valores para todos e para cada um.
Vou contar-lhe uma historinha muito conhecida, mas muito apropriada neste momento: “Era uma vez, num certo lugar no Oriente, um Rei resolveu criar um lago diferente para as pessoas. Ele quis criar um lago de leite. Então, pediu para cada pessoa despejar no local combinado apenas um copo de leite, naquela noite de Lua Nova. Com a cooperação e compromisso de todos, o lago logo logo estaria cheio. O Rei muito entusiasmado esperou ansioso te a chegada do dia seguinte para ver o seu lago de leite. Qual foi a sua surpresa quando viu o lago chio de água, de somente água e não de leite. Meio indignado, consultou seus assessores e conselheiros que o informaram que as pessoas do reino, naquela noite, tiveram o mesmo pensamento: No meio de tantos copos de leite, se o meu for de água, ninguém vai notar.”

Questão   utópica

Mudar, transformar, reformar, construir, reconstruir, aperfeiçoar, realizar – são desejos humanos, que, muitas vezes, não se realizam, porque nada isoladamente, sozinho, pode ser alterado. Muitos querem, por exemplo, um modelo diferente de organização política, social, econômica, mas, como não se encontram, ou como não há lugares e espaços para encontros de pessoas, onde para pensar é só pensar, onde amar é só amar, onde ser é só ser. Há ainda muita repressão contra, por exemplo, as minorias, as propostas inovadoras, contra as ideias criativas e ideais revolucionários, porque querem que vivamos de acordo com um programa, ou projeto em que todos têm os mesmos desejos, as mesmas necessidades e as mesmas satisfações das necessidades – é o que se chama de ideologia única. Hoje, praticamente, tudo é proibido. Até errar – o que é característica humana ou que nos faz seres humanos. São câmaras espalhadas por todos os lugares que nos vigiam, como se todos nós fôssemos bandidos, ladrões, estupradores, assassinos, sequestradores... Estão colocando câmaras até em sanitários de empresas, de shoppings, de escolas.
E quem nos vigia? Quem nos impõe tanta repressão? E quais motivos nos levam a ser tão vigiados? O que aconteceu com o ser humano?
A produção e reprodução de uma sociedade fechada só é possível vigiando aqueles que não estão de acordo com os conformes dos reguladores. A comunicação e crítica entre os humanos não existe mais. Aceita-se tudo passivamente, como cordeiros levados aos matadouro. Se pensarmos, por exemplo, numa Internet, todos vão dizer que é a concretização do livre-pensar. Será? Não podemos nos esquecer que há um provedor oculto, invisível, em todas as redes de comunicação e de informação. E quem são esses provedores? Onde eles estão? O que querem?
Uma das primeiras providências da Polícia para a certificação, ou comprovação de um crime é ter acesso às linhas telefônicas, às contas bancárias, às redes de comunicação, às imagens de câmaras escondidas, via Internet. Claro, tem de ser assim mesmo, mas que sejam punidos também os de colarinho branco, porque só se vêem pobres sendo presos.
Propositalmente, muitos analistas, sociólogos, antropólogos, cientistas políticos afirmam que esta coisa de direita e esquerda, de opressores e oprimidos, de dominadores e dominados é coisa do passado, que isto não existe mais. Por que, então, existem tantos excluídos que não participam da vida política, social, cultural do Brasil?
Os salários continuam baixos para algumas classes. Há ainda a expropriação da força de trabalho, criando o que Marx chamou de mais-valia. (Falar de Marx, hoje, é assunto proibido!) Por que, então, está havendo cada vez mais o acúmulo e concentração de bens, de riquezas, de poder nas mãos de cada vez menos pessoas? Por que, então, os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres?
Vivemos, sim, numa sociedade que tem nas suas veias uma violência “simbólica” sugerida pelo próprio capitalismo moderno que impõe modelos, por exemplo, de cultura – daí a criação da indústria cultural e da cultura de massas. Esse modelo “acalma” os ânimos, produzindo nas pessoas uma imagem alienada de si mesmas e dos outros.
E que faz sucesso hoje? Por que “botamos” nas cabeças das crianças, dos jovens, dos adolescentes que vivemos para a fama, para o sucesso, para o dinheiro, para o poder? Fromm, um marxista que é norte-americano e viveu nos Estados Unidos, nos ensinou que é possível viver numa sociedade do ser, que valoriza a vida e o trabalho, a harmonia e a solidariedade.
Há, sim, um controle perverso desse sistema social de dominação. O pior de tudo, segundo Weber, é que puritanismo e capitalismo caminham de mãos dadas. Em outras palavras, o puritanismo controla o que cada um deseja fazer com o próprio corpo, dando a sensação de que o meu corpo não meu, de que eu não eu, de eu pertenço a um senhor.
Assim até um possível prazer, nascido da experiência e da percepção dos desejos, tanto físicos quanto psicológicos, é controlado por uma mão invisível, criada e proclamada por Adams Smith. A mão invisível nos domina e nos orienta por caminhos e atitudes que não desejávamos. Não escolhemos nem o destino de nosso corpo, de nossa sexualidade, porque vigiada externamente. Daí, a exclusão de muitos que escolheram caminhos não ditados pelo sistema perverso.
Esse mesmo sistema, para não parecer muito rígido, inflexível, rigoroso, suspende uma possível punição, fechando os olhos para alguns senões. Foi assim quando deixou de considerar o adultério um crime, mas continua excluindo homossexuais, gays, lésbicas, mesmo que essa exclusão não seja explícita, porque tudo é invisível. Temos a sensação de estar sendo vigiados vinte e quatro horas por dia.
Lembram-se do complexo de guarita, criado e proclamado por Sigmund Freud? Quem está de fora, não vê quem está dentro e quem está dentro, vê tudo o que acontece fora, mesmo tendo a certeza de que não há ninguém dentro da guarita. Observemos os relógios de ponto. Digitais, íris, cartões... passam, eletronicamente ou não, por uma central, que ouso chamar de Departamento de Pessoas.
Toda espécie de controle é bem vinda para o invisível, abstrato e anônimo sistema. Às vezes, reclamamos de nosso patrão, mas o patrão, aqui e agora, também é controlado, por exemplo, por um Ministério, que também é controlado pelo governo, que é controlado por um sistema neoliberal, capitalista que “ninguém” o conhece nem sabe onde está.
Sutilmente, os jornais e todos os meios de comunicação de massa nos dão “dicas” de quem nos controla e onde estão. Por que todos os dias é anunciada a cotação do dólar, do euro, do iene? A quem interessa essa cotação? É anunciado também o movimento das principais bolsas de valores. A quem interessa essa movimentação?
As ações das bolsas – novo controlador e demônio – “trabalham” com um capital especulativo e não-produtivo, sem pátria e sem lastro. O que pensava ser nosso não é nosso, não. O petróleo, a produção de alimentos, as fábricas de automóveis, de cervejas, refrigerantes... tudo pertence a multinacionais, transnacionais, internacionais. E a Vale? Não é nossa mais! E a Petrobras? Não é nossa mais! E os bancos? Não são nossos! E as muitas universidades, principalmente as de São Paulo? Não são nossas mais! E a indústria farmacêutica? Nunca foram nossas! O guaraná é nosso! Não, o guaraná não é nosso, não.
Vestimos, alimentamo-nos, moramos, andamos de automóveis e ônibus e metrô que não são nossos. Não acho que o nacionalismo radical também seja a solução, mas até quando seremos fornecedores de matéria-prima? O problema é que, aqui, não há pesquisas, nem tecnologias para enfrentarmos esse mercado invisível.
Vivemos num ambiente de esquizofrenia coletiva. O que é esquizofrenia? É a falta ou a diminuição cada vez maior da capacidade de comunicação, de produzir, de causar, de fazer, de conviver, de transformar, de ser, conforme Michel Foucault. Foucault vai mais longe ainda: “o capitalismo avança e a esquizofrenia aumenta”.    
Perdemos a capacidade de indignação e nos está nos parecendo absolutamente normal – a síndrome da normalização! Sem indignação, dificilmente construiremos algo positivo, legal, realmente humano. “Espontaneamente” vamos nos entregando! E então, consumimos, consumimos, consumimos, consumimos, até nos consumirmos a nós mesmos! O consumo nunca nos satisfaz! Perdemos a capacidade de resistir às luzes e as cores e aos sons de um mundo ilusório do mercado!
É proibido questionar! É proibido rebelar-se! Não acho que greve seja solução, mas até as greves desapareceram! Futebol e carnaval e músicas (axé-bunda!!! e caipiragem!!!) invadem nos lares e nossa consciência. Estamos perdidos de corpo e de alma. Até as igrejas pregam “salve-se quem puder!” Inventaram até uma tal “Teologia da Prosperidade!” – “Teologia da Riqueza!” É o fim do mundo!
   Não participamos da política, nem do processo político. Não é por acaso que elegemos muitos Tiriricas, muitos Romários, muitos Agnaldos Timóteos. Não é por acaso que há uma dispersão das preocupações políticas. Esquecemo-nos da condição política do ser humano. “Meu candidato não tem nada a ver com a história, com a economia, com a política, com a justiça, mesmo porque nada podem fazer.”
Vivemos momentos de aflição na medida em que somos considerados uma energia, uma força, uma potencialidade desnece3ssária ao processo de desenvolvimento e progresso pessoal e coletivo. Desnecessários, aceitamos a imposição de um sistema excludente e opressor, alegando que sempre foi e será sempre assim. “Pobres, miseráveis, ignorantes, desempregados, ladrões, estupradores sempre houve, sempre haverá!”
A individualização, o conservadorismo, o machismo, a despolitização, o autoritarismo, a resignação, o caráter sagrado da propriedade privada e do poder, o assistencialismo são sustentáculo importantes do sistema econômico globalizado e globalizante.
 
Questão   metafórica
    
      Uma das histórias que mais nos fascinam é a possibilidade de existir um gênio da garrafa – realizador de todos os nossos desejos e sonhos. Como a gente gostaria de, um dia, estar com um gênio por perto!
      Era uma vez um homem muito triste, sem amigos, solitário, desprezado por todos, odiado por muitos, humilhado pelos pares. Tinha nascido num ambiente onde só recebeu desamor, desfeitas, desaforos. Trabalhava muito, talvez para esquecer um pouco a sua vida amarga vida. Levantava-se antes de o sol nascer e só voltava à sua casa com o sol já posto.
      Não gostava da vida social, quase nunca ia a um casamento, a uma festa, a um barzinho curtir a vida com, pelo menos, colegas do emprego. Sabia que não seria bem aceito pelo grupo.
      Um dia, cansado, aparece-lhe um gênio que lhe diz:
      - Hoje, vim para te atender. Peça o que quiser, sou todo ouvidos. Vamos combinar o seguinte: você só tem direito a um pedido. Apenas um.
      - Mas, por que escolheu a mim?
      -Todos querem um dia a realização de seus desejos e por que não você?
      - Sou desvalido e pobre. Ninguém gosta de mim!
      - Exatamente por isso!
      Depois de um tempo, o gênio tentando convencê-lo, deu o ultimato:
      - Agora, ou nunca! Ah! Estava me esquecendo: amanhã às seis horas, da manhã, reaparecerei e vou realizar o seu pedido. Terá a noite inteira para pensar o que quer.    
      Começou a voltar para dentro da garrafa, quando o gênio arrematou:
      - Ah! O que me pedir, todas as pessoas do mundo receberão em dobro. Em dobro, viu?
      E desapareceu, garrafa adentro!
      Aí começou o drama desse infeliz. Não conseguia conciliar o sono. Virava para cá e para lá na cama. Pensava:
      - Se peço um milhão de dólares, todos receberão dois e tudo vai continuar na mesma, porque continuarei a ser o único pobre. Se peço uma mulher a quem possa amar e me dedicar a ela, todos terão duas e tudo vai continuar na mesma: as mulheres, fatalmente, terão dois homens e com certeza não sobrará nenhuma para mim. Se peço a felicidade, todos terão a felicidade em dobro e tudo vai continuar na mesma, porque serei menos feliz.
      Com tudo isso rodando e rondando a sua cabeça, ainda conseguiu dormir um pouco, pois estava cansado.
      No dia seguinte, o sol nascia – era verão – um pouco antes das seis horas, quando o gênio saiu da garrafa:
      - E aí, amigo, o que quer? Qual o seu grande desejo?
      Serenamente, sentou-se à beira da cama e disse:
      - Fure um dos meus olhos!
      Essa historinha me foi contado, há muito, por meu avô. Hoje, vez e outra, fico pensando se escolheria outra coisa, diferentemente daquela pedida por esse homem. Será mesmo que a gente se alegra com a infelicidade, com a desgraça dos outros? Será mesmo que se o outro, os outros forem mais ricos, mais felizes do que eu, eu fico puto da vida? O que pediria? O que desejo? Será que o que quero para mim, desejaria também para os outros, em dobro?
      Um dia, numa aula, no curso de Administração da Uniube, contei essa historieta e pedi para os alunos escreverem seus desejos, o seu pedido. As respostas não foram muito diferentes.
      - Eu também desejo que um dos meus olhos seja furado!

.   Questão   vernácula

Vamos continuar com a nossa brincadeira de formar palavras, de fazer nascer novas palavras, batizar inventos e criações. O processo de criação, normalmente, acontece a partir de uma radical já conhecido. As línguas do mundo inteiro vão pedindo emprestado radicais de todas as línguas e incorporando-os às suas línguas. É a globalização linguística.
Hoje vamos brincar com um radical de uma língua indígena brasileira, o tupi: AÇU – ACU – GUAÇU. Sabendo do significado de AÇU – ACU – GUAÇU: grande, vasto; considerável, você vai criando outras. Agora vamos a algumas palavras já incorporadas ao vernáculo português, principalmente usado no Brasil:
·  abaré-guaçu = na quimbanda, grande feiticeiro;
·  açacu = grande árvore da família das euforbiáceas (Hura crepitans), de látex venenosíssimo, empregado para envenenar as águas dos rios, na captura de peixes, e de madeira leve, resistente à umidade, de cerne esbranquiçado e superfície opaca, usada em obras internas e caixotaria; açacuzeiro;
·  acará-açu – acaraçu – acará-guaçu – acará-uaçu = apaiari; árvore da família das poligonáceas (Symmeria paniculata), que mede até 10m de altura, de fruto suberoso e carnudo, flores sésseis e brancas, madeira escura, utilizada sobretudo em obras internas, e casca medicinal;
·  acariaçu – acariguaçu – guacariaçu – guacariguaçu – uacariaçu – uacariguaçu = peixe actinopterígio, teleósteo, siluriforme, loricariídeo (Pseudacanthicus histrix), da Amazônia, de coloração escura, corpo revestido de placas ósseas com acículas, com o primeiro acúleo da nadadeira peitoral muito desenvolvido e revestido de numerosas acículas, formando uma escova; comprimento: até 80cm;
·  acutipuruaçu – quatipuruaçu = Mmamífero roedor, ciurídeo (Sciurus.igniventris), com cerca de 50cm. De dorso preto, com pelos amarelo-avermelhados, ventre vermelho-ferrugíneo, tornando-se vermelho-cereja na porção externa dos membros, e cauda tufosa, vermelho-ferrugínea com manchas pretas na parte basal. Não são raras as formas melânicas;
·  aguaraçu = ave ciconiiforme, tresquiornitídea (Guara rubra), dos mangues e estuários da América do Sul setentrional e oriental, de coloração vermelho-viva e pontas das rêmiges exteriores da mão pretas. Os jovens são mais ou menos brancos, pintados de pardo;
·  aguaraibá-guaçu = árvore ornamental, da família das anacardiáceas (Schinus molle), de madeira útil, cuja casca possui propriedades medicinais e cujos frutos, drupáceos, contêm matéria tintorial rosa; abaraíba, aguaraibá-guaçu, aroeira-do-amazonas, aroeira-folha-de-salso, corneíba, pimenteira-do-peru, urundeúva aroeira;
·  aguaraquiá-açu = planta da família das solanáceas (Solanum pterocaulon);
·  aiaraçu = peixe teleósteo, perciforme, ciclídeo, Astronotus ocellatus, da Amazônia e Paraguai. Coloração pardo-escura, com faixas transversais escuras e um ocelo característico na base da nadadeira caudal; comprimento: até 30cm, sendo o maior dos acarás brasileiros; peso: até 1,5kg. Utiliza-se com bons resultados em piscicultura; acará-grande, acará-açu, acaraçu, acará-guaçu, acará-uaçu, acará-uçu, apiari, cará-uaçu;
·  ajuruaçu = ave psitaciforme, psitacídea (Amazona farinosa), do Leste e Norte do Brasil e Guianas, de coloração verde, mancha amarela no vértice, ponta da cauda verde-amarelada e espelho da asa encarnado; juruaçu, juru, jeru;
·  amoré-guaçu = peixe teleósteo, perciforme, gobiídeo (Bathygobius soporator), do Atlântico. Nadadeira ventral numa só peça, dotada de uma espécie de ventosa central, com que se prende às pedras. Pequeno tem sobre o corpo uma mucilagem, o que lhe valeu, em certas regiões, o nome popular de babosa. Vive entre pedras, alimentando-se de crustáceos e invertebrados marinhos, e tem ampla distribuição geográfica; aimoré, amoré, amoré-guaçu, amoréia, aramaré, babosa, candunga, cundunda, florete, maiuíra, maria-da-toca, moréia, muçurungo, peixe-flor, tajacica, ximboré, amboré;
·  anambé-açu = ave passeriforme, cotingídea (Gymnoderus foetidus), da Amazônia, de coloração preta, asas de tonalidade clara de xisto, e azul a pele nua da cabeça;  pombo-anambé, anambé-pombo, anambé-grande, anambé-pitiú;
·  andá-açu = árvore frondosa, da família das euforbiáceas (Joannesia princeps), de flores brancacentas ou roxas, cuja madeira tem várias utilidades, entre as quais a fabricação de palitos de fósforo e de papel, e cuja casca e semente são tidas por medicinais; andá, coco-de-purga, cutieira, cutieiro, fruta-de-arara, fruta-de-cutia, fruteira-de-arara, indaguaçu, indaiaçu, purga-de-gentio, purga-dos-paulistas;
·  andirá-açu – andirá-guaçu – guandiraçu = grande morcego filostomatídeo (Vampyrus spectrum), cujo corpo mede 15cm;
·  anilaçu = arbusto da família das compostas (Eupatorium laeve);  
·  aningaçu = aningaúba; planta da família das aráceas (Montrichardia arborescens), de fibras aproveitáveis para cordoalha e no fabrico de papel, e cuja raiz é drástica e anti-hidrópica; aningaíba, aninga-de-espinho, aninga-de-macaco, aninga-do-pará, aningaperê, banana-de-macaco, guimberana, imbé-da-praia, imberana, sini;
·  anuguaçu – anunguaçu = anum-coroca; ave cuculiforme cuculídea (Crotophaga major), distribuída do Panamá até a Argentina, de coloração preta, dorso com brilho azulado; vive na beira de rios e lagos, e se alimenta de artrópodes, não desdenhando peixes pequenos; anu-coroca, anu-coróia, anu-da-serra, anu-de-enchente, anu-do-brejo, anu-dourado, anu-galego, anu-grande, anuguaçu, anum-coróia, anum-da-serra, anum-de-enchente, anum-do-brejo, anum-galego, anum-grande, anum-peixe, anum-dourado, anu-peixe, anuu, coroca, coróia, groló;
·  aracu = piaba; designação a espécies de peixes fluviais, actinopterígios, caraciformes, caracídeos, especialmente dos gêneros Leporinus e Schizodon, de boca pequena, dentição forte, e que se alimentam de matéria vegetal e de animais em decomposição; piava, piau;
·  aranhaçu = caranguejeira; aranha de grande porte, migalomorfa, que não tece teia, se alimenta de pequenos vertebrados de sangue frio, e cujas picadas, embora dolorosas, não produzem chagas ulcerosas;
·  arapaçu – uirapaçu = designação a aves passeriformes, dendrocolaptídeas, com muitas espécies no Brasil; são trepadoras, de hábitos semelhantes aos dos pica-paus. As retrizes, duras e muito pontudas, permitem que se mantenham, nos troncos, em posição vertical; pica-pau-vermelho;
·  araracangaçu = reptil quelônio (Podocnemis dumeriliana), pleomedusídeo, de coloração parda no dorso, amarelada inferiormente; tem apenas uma bárbula, carapaça oval e quilha dorsal presente pelo menos na parte posterior; cabeçuda;
·  arataiaçu = arapapá; ave ciconiiforme, cocleariídea (Cochlearius cochlearia), da América meridional, de coloração cinza-clara no dorso, com mancha parda tirante a vermelho na nuca, cabeça preta, flancos pretos, meio do peito e da barriga vermelhos. Os indivíduos jovens têm dorso cor de cinamomo claro; arapopó, ararapá, arataia, sabacu, socó-de-bico-largo, tamatiá;
·  atingaçu – atinguaçu – atiuaçu = chincoã; designação a ave cuculiforme, cuculídea (Piaya cayana), e a suas subespécies amazônicas, de coloração vermelho-castanha, retrizes vermelhas brilhantes, pontas brancas, garganta cor-de-rosa, peito e abdome cinzentos; atinga, atingaú, atiuaçu, tincoã, maria-caraíba;
·  auaçu – babaçu – bauaçu – baguaçu – aguaçu – guaguaçu – oauaçu – uauaçu = Planta da família das palmáceas (Orbignya martiana), dotada de frutos drupáceos com sementes oleaginosas e comestíveis, das quais se extrai um óleo, empregado sobretudo na alimentação. Das folhas e espatas se fabricam esteiras, cestos, chapéus; coco-de-macaco, coco-de-palmeira, coco-naiá, coco-pindoba, palha-branca;
·  auaí-guaçu = chapéu-de-napoleão; árvore pequena, ornamental, da família das apocináceas (Thevetia peruviana), de grandes flores amarelas e aromáticas, e folhas e frutos carnosos, sendo tidos por venenosos os frutos; jorro-jorro;
·  babaçu = veja auaçu;
·  babacu = anambé-roxo; ave passeriforme, cotingídea (Xipholena punicea), da Amazônia, cujo macho apresenta coloração purpúrea brilhante, asas brancas, pontas das retrizes da mão pretas, sendo a fêmea cinzenta, mais clara na parte inferior;
·  bacabaçu = palmeira (Oenocarpus bacaba), de flores branco-amareladas, cujo fruto é drupa subglobosa roxo-escura, fibrosa, de polpa alimentícia, da qual se faz o vinho de bacaba, ou iuquicé, e de cuja semente se extrai óleo semelhante ao da oliveira, o óleo de bacaba, e cujo espique é usado para esteios, lanças, ripas; bacabão;
·  bacu = peixe teleósteo, siluriforme, de corpo revestido de fortes placas ósseas, em forma de armadura, especialmente o Lithodoras dorsalis e outros do gênero Acanthodoras. São peixes de fundo, perigosos de manipular em virtude das placas e raios cortantes esparsos pelo corpo vacu; indivíduo barrigudo;
·  bacupariçu = árvore da família das rubiáceas (Gardenia suaveolens), de flores brancas aromáticas e bagas amarelas, tendo a casca da raiz propriedades tônicas; bacupari-grande, jasmim-do-mato, limão-do-mato;
·  baguaçu = veja auaçu;
·  baiacu = designação de espécies de peixes teleósteos, plectógnatos, que têm corpo revestido de escamas, espinhos ósseos ou placas ósseas, e vivem no mar ou em água doce. Podem inflar a barriga quando fora da água, ou para boiar e fugir à perseguição dos inimigos: alimentam-se de moluscos, crustáceos e algas, e sua carne é considerada venenosa; sapo-do-mar;
·  bauaçu = veja babaçu;
·  beijuaçu – beijuguaçu = beiju; bolo de massa de tapioca ou de mandioca, do qual há numerosas espécies; beijucica, beijuxica, beijucuruba, beiju-membeca, beiju-moqueca ou beiju-poqueca, beijuteica, biroró, malcasado, sarapó, sola e tapioca; biju;
·  bicuibaçu = bicuíba-branca; árvore da família das miristicáceas (Myristica gardneri), cuja madeira é usada em obras internas e construção civil; bicuibaçu; bicuíba-redonda;
·  bocuuvaçu = bicuíba-de-folha-miúda; árvore da família das miristicáceas (Myristica bicuhyba), de flores apétalas e bagas verde-alaranjadas, cuja madeira se usa para vigas, marcenaria e ripas, sendo a seiva do caule e a casca empregadas na medicina popular; bicuíba, bicuíba-vermelha, bocuba, bocuiabá, bucuuva;
·  boiaçu = mãe-d’água; ente fantástico, espécie de sereia de rios e lagos; iara, uiara, aiuara-aiuara; na botânica: buiuçu; na zoologia: sucuri;
·  boiguaçu = sucuri; reptil boídeo (Eunectes murinos), das regiões de grandes rios e pântanos do Brasil, de coloração cinzento-esverdeada, com manchas arredondadas escuras dispostas aos pares, ventre amarelado, cabeça com escamas, e desprovido de peçonha. Chega a 10m de comprimento. Vive na água, em rios e lagoas, alimentando-se de peixes, aves e mamíferos, que engole após triturar-lhes os ossos por compressão muscular; sucuriú, sucuriju, sucuruju, sucurijuba, sucurujuba, boiaçu, boioçubóia, boiuçu, boioçu, boiçu, boiúna, boitiapóia, arigbóia, anaconda, viborão;
·  boipevaçu = reptil ofídio colubrídeo (Cyclagras gigas), do Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e Amazonas, de dorso amarelado ou castanho, com faixas transversais escuras, um traço negro de cada lado da cabeça, e a porção ventral anterior com manchas longitudinais pardo-escuras. Tem o comprimento de até 2m, hábitos aquáticos, e se alimenta de anuros; surucucu-do-pantanal;
·  brasilaçu = planta da família das leguminosas, subfamília cesalpiniácea (Caesalpinia brasiliensis); brasilete ou brasileto; brasil-rosado;
·  butiá-açu = palmeira (Cocos pulposa) dotada de flores em espádice e frutos drupáceos alaranjados, comestíveis;
·  caá-açu – caaguaçu = planta ornamental, cultivada, da família das eriocauláceas (Eriocaulon sellowianum), com folhas lanceoladas e flores brancacentas em capítulos globosos;   
·  caapiá-açu = erva da família das moráceas (Dorstenia multiformis), encontrada no interior da floresta atlântica, de tamanho avantajado, e cujas folhas, grandes, sagitadas e membranáceas, têm pecíolo muito longo; caapiá-do-grande, caapiá-preto;  
·  cabaçu – cabuçu = tatu-de-rabo-mole; designação às espécies de tatus dasipodídeos, gênero Cabassous, caracterizados pela cauda com placas pequenas, não cobrindo inteiramente a pele, unhas grandes, e corpo com até 45cm de comprimento. Ao todo, quatro espécies são conhecidas do Brasil; tatuaíva, tatuxima;  
·  cajá-açu – taperebá-açu = árvore da família das anacardiáceas (Spondias macrocarpa), própria da floresta atlântica, de folhas penadas, com 18 a 22 folíolos subsésseis, oblongo-lanceolados, crenados e pilosos, flores pequeninas, esbranquiçadas e dispostas em panículas densas, e cujos frutos, drupas ovóides, não são comestíveis; o fruto dessa árvore;  
·  cajuaçu = árvore da família das anacardiáceas (Anacardium giganteum), de folhas amplas e obovadas, e flores muito pequenas e inaparentes. Os frutos, de tamanho menor que o usual dos cajus, são vermelho-escuros, suavemente perfumados, de sabor ácido, servem para preparar um refresco vermelho e agradável, e sua casca encerra tanino. Ocorre na floresta pluvial em toda a Amazônia; o fruto dessa árvore; caju-do-mato;
·  cambará-guaçu = arbusto da família das compostas (Vernonia polyanthes), de folhas oblongas, amplas e membranáceas, e pequeninas flores violáceo-pálidas, reunidas em densos capítulos muito numerosos; assa-peixe;
·  camurim-açu = robalo; peixe actinopterígio, perciforme, centropomídeo (Centropomus undecimalis), distribuído do Sul dos Estados Unidos ao Sul do Brasil. Tem coloração plúmbea, com a garganta, os flancos e o abdome brancos. Alimenta-se de peixes e crustáceos, e sua carne é de primeira qualidade. Comprimento: até 1,20m; peso: até 15kg. Vive também na água doce e na salobra, nada aos cardumes, preferindo fundos pedregosos. Sobe os rios à procura de remansos ou lagoas para desovar, no inverno; robalão, robalo-bicudo, robalo-flecha, camuri, camurim;
·  canapuguaçu = mero; peixe teleósteo, perciforme, serranídeo (Promicropus itaiara), do Atlântico tropical. O adulto é oliváceo-escuro, com pontos e faixas negros sobre o corpo e cabeça mais clara; comprimento: até 3m; peso: até 450kg. Vive em lugares rochosos, sendo pescado com linha de fundo, e alimenta-se de outros peixes. A carne é de primeira qualidade; mero-preto, canapu, canapuguaçu; senhor-de-engenho;
·  canela-jacu = canela-preta-verdadeira; árvore da família das lauráceas (Nectandra reticulata), de até 40m de altura, flores alvas e bagas elipsóideas; canela-massapê, canela-prego, canela-de-veado, canela-gosma, canela-jacu, louro-de-casca-preta;
·  capim-açu = erva da família das gramíneas, de porte maior que o ordinário dos capins forrageiros (Andropogon minarum);
·  capoeiraçu – capoeiruçu = capoeirão; capoeira muito densa e alta; quando parece mata virgem, dá-se-lhe, no Norte e Nordeste, o nome de capoeirão-de-machado;
·  capororocaçu = azeitona-do-mato; árvore da família das mirsináceas (Rapanea ferruginea), de até 7m de altura, flores alvas, e drupas carnosas, oleaginosas, comestíveis em conserva; capororoca-vermelha, pororoca, camará;
·  caracu = diz-se de raça bovina de pêlo curto e de colorido uniforme e arruivado;
·  caraguatá-açu = caraguatá-piteira; planta herbácea, da família das bromeliáceas (Bromelia karatas), de cujas folhas, ensiformes, coriáceas, se extrai fibra sedosa, própria para cordoaria, tapetes, capachos e mantas para sela; caruatá-açu, curuatá-açu, gravatá-açu;
·  carandá-guaçu – carandaí-guaçu = buriti; palmeira (Mauritia vinifera) dotada de fruto amarelo do qual se extrai óleo, e broto terminal comestível, e com o espique e espádices se fabrica o vinho de buriti; coqueiro-buriti, buritizeiro, muriti, muritim, muruti, palmeira-dos-brejos, carandá-guaçu, carandaí-guaçu;
·  carapicuaçu = Peixe actinopterígio, teleósteo, perciforme, gerrídeo (Eucinostomus californienses), do Atlântico, desde a Flórida até o Rio de Janeiro. É espécie comum e apreciada;
·  cará-uaçu = apaiari; peixe teleósteo, perciforme, ciclídeo, Astronotus ocellatus, da Amazônia e Paraguai. Coloração geral pardo-escura, com faixas transversais escuras e um ocelo característico na base da nadadeira caudal; comprimento: até 30cm, sendo o maior dos acarás brasileiros; peso: até 1,5kg. Utiliza-se com bons resultados em piscicultura; acará-grande, acará-açu, acaraçu, acará-guaçu, acará-uaçu, acará-uçu, aiaraçu;
·  cariacu = Mamífero da ordem dos artiodáctilos, da família dos cervídeos (Odocoileus virginianus cariacus), distribuído da margem esquerda do rio Amazonas para o Norte. Coloração baio-avermelhada, ventre, parte interna dos membros, contorno dos olhos e lábios brancos. A galhada mede cerca de 0,50m, com as pontas, em número de duas ou três em cada chifre, viradas para a frente, sendo a primeira a maior delas. Vive em regiões descampadas; suaçuaparara, veado-galheiro, veado-de-virgínia, veado-galheiro-do-norte, veado-do-mangue;
·  caroboguaçu = palissandra; árvore da família das bignoniáceas (Acaranda mimosaefolia), nativa e cultivada como ornamento de ruas e praças, de folhas muito subdivididas e com folíolos pequenos, de flores azuis, vistosas e numerosas, e frutos que são síliquas com sementes aladas;
·  caruatá-açu = caraguatá-piteira; planta herbácea, da família das bromeliáceas (Bromelia karatas), de cujas folhas, ensiformes, coriáceas, se extrai fibra sedosa, própria para cordoaria, tapetes, capachos e mantas para sela; caraguatá-açu, caruatá-açu, gravatá-açu;
·  cauaçu = planta arbustiva, da família das marantáceas (Calathea lutea), de caule herbáceo, grandes flores amarelo-enxofre, e fruto capsular, com uma semente; ariá; planta arbustiva, da família das poligonáceas (Coccoloba latifolia), de flores amarelas e fruto ovóide; cajueiro-bravo, quina-de-santa-catarina, quina-do-paraná;
·  orruiraçu = corruiruçu
·  crauaçu = caraguatá; designação a gêneros da família das bromeliáceas, dos quais há espécies ornamentais, que são epífitas e terrestres; caruatá, caruatá-de-pau, coroá, coroá-verdadeiro, craguatá, crauatá, curuatá, curuatá-de-pau, gravatá;
·  cuité-açu = cardamomo-da-terra; designação a espécies da família das zingiberáceas, de ervas perenes e robustas, com flores variegadas e sementes aromáticas e medicinais; cana-brava, cana-do-mato, capitiú, paco-seroca, pacova;
·  cumã-uaçu = árvore da família das apocináceas (Couma macrocarpa);
·  cupuaçu = árvore (Theobroma grandiflorum), grande ou pequena, da família das esterculiáceas, cujo fruto, cápsula oblonga, tem polpa aromática, doce, comestível, usada em compotas e refrescos, e cujas sementes lembram, no sabor, o cacau-verdadeiro, sendo as flores vermelho-purpúreas com as margens alvas, e dispostas em panículas; o fruto dessa árvore; cacau-do-peru; cupu;
·  curuatá-açu = veja caruatá-açu;
·  euauaçu = planta gramínea de cujos caules se fazem coberturas de casas;
·  fandangaçu = baile popular, carnavalesco, animado e ruidoso;
·  fruta-de-jacu – fruteira-de-jacu = árvore pequena, ornamental, da família das verbenáceas (Duranta repens), flores lilases aromáticas, dispostas em racemos axilares, terminais e multifloros, e cujo fruto é drupa globosa amarelo-alaranjada, com quatro divisões, cada uma com duas sementes sem endosperma; fruteira-de-jacu, violeteira;
·  gato-açu = jaguatirica; mamífero carnívoro, fissípede, felídeo (Pantera [Jaguarius] pardalis), que atinge 85cm de comprimento e 40cm de altura. Cor ruivo-amarelada, com manchas redondas orladas de preto; na nuca apresenta cinco ou seis estrias pretas. Ocorre em todo o Brasil e América meridional; vive em matas e banhados, e alimenta-se de aves e pequenos mamíferos; jacatirica; bracaiá, maracajá, gato-do-mato-grande;
·  gravatá-açu = caraguatá-piteira;
·  guacariaçu – guacariguaçu = acariaçu;
·  guaguaçu = babaçu;
·  guandiraçu = andirá-açu;
·  guanumbiguaçu = cuitelão; ave piciforme, galbulídea (Jamaralcyon tridactyla), do Sudeste do Brasil, de colorido verde-metálico, cabeça com estrias longitudinais ferruginosas, peito e abdome esbranquiçados, e pé com três dedos apenas. Alimenta-se de insetos; violeiro;
·  guaracu = Xarelete, quando velho; peixe actinopterígio, perciforme, carangídeo (Caranx crysos), do Atlântico, desde a América do Norte até a costa sul-americana. Tem dorso cinza-azulado, abdome branco, com desenhos pretos e amarelos na cauda e mancha no opérculo. Sua pesca é feita com redes; xererete;  xaréu-pequeno, xaréu-dourado, solteira, taquara, cavaca, cavaco;
·  guaruaçu = Espécie de peixe pecilídeo (Phalloptychus jamarius);
·  guriaçu = guarijuba; peixe teleósteo, siluriforme, taquissurídeo (Tachysurus luniscutis), muito frequente nas costas do Pará, de coloração amarelada, comprimento de  1,20m, e cuja vesícula natatória é de grande utilidade para estudos ictiológicos; garajuba, gurujuba; gurujuva, griujuba, gruijuba, guribu, guriaçu, bagre-guri, bagre-caiacoco, bagre-amarelo, bagre-cangatá, bagre-de-areia, cangatá, iriceca, jurupiranga/
·  guriguaçu = bagre grande;
·  ibijaú-guaçu = urutau; designação a aves caprimulgiformes, nictibídeas, gênero Nyctibius, com cinco espécies no Brasil, sendo a mais difundida a Nyctibius griséus; urutago, jurutau; preguiça, chora-lua, manda-lua;
·  igarapé-açu = igarapé; rio pequeno que tem as mesmas características dos grandes e que é geralmente navegável; os maiores denominam-se igarapés-açus e os menores, igarapés-mirins;
·  inambuaçu – inhambuaçu – inhambuguaçu – inamuaçu – inamuguaçu  =  designação a aves passeriformes tinamídeas, que abrange várias espécies, entre as quais o Tinamus tao, de dorso preto-azulado, o Tinamus major, pardo-oliváceo com o alto da cabeça pardo-avermelhado, e o Tinamus serratus, de coloração geral pardo-olivácea; nambuaçu, nhambuaçu, namuaçu; inhambuu; inhambu-grande; ave tinamiforme, tinamídea (Crypturellus obsoletus), distribuída da Amazônia ao Sul, de coloração bruno-avermelhada no dorso, cabeça e pescoço escuros, garganta cinzenta, peito castanho-escuro, abdome amarelado com largas faixas pretas na parte posterior. Vive nas matas virgens, alimentando-se de frutos, bagas, sementes e artrópodes; inambuguaçu, nambuguaçu, nhambuguaçu, inamuguaçu;
·  indaguaçu = andá-açu – indaiaçu;
·  ingá-açu = árvore da família das leguminosas (Inga cinnamomea), nativa da Amazônia., e cujo fruto, o ingá, é muito apreciado;
·  ipuaçu = ipu de grande extensão; terreno úmido, adjacente a pequenos montes, e que forma várzeas ou vales por onde correm as águas que dos montes derivam; arame com que se envolve o anzol junto à linha, a fim de que esta não seja facilmente cortada; espécie de abelha meliponídea que nidifica no chão;
·  itauaçu = uacu; árvore da família das leguminosas (Monopteryx uacu), da floresta pluvial. É de grande porte, e produz uma semente discóide de cerca de 3,5cm de diâmetro, a qual cede um óleo comestível na proporção de 28%, e pode ser ingerida, assada ou cozida; uauçu;
·  ituá-açu = planta da família das gnetáceas (Gnetum urens), de caule trepador, amplas folhas coriáceas, flores de sexos separados, dispostas em espigas, e fruto capsular, cuja amêndoa é comestível depois de assada. Ocorre na floresta amazônica;
·  iuraracangaçu = cabeçuda; designação a espécies de quelônios, pleomedusídeos, gênero Podocnemis;
·  jacaçu = pomba-trocaz; designação a aves columbiformes, columbídeas, de vôo possante, bico coberto de cera na base, e granívoras. Constroem ninhos muito toscos, de gravetos na maioria. A espécie doméstica é a Columba civia domestica, criada para servir de alimento e como pombo-correio;
·  jacaré-açu = reptil crocodiliano, aligatorídeo (Melanosuchus niger), restrito à Amazônia, corpo preto com faixas amarelas transversais estreitas e espaçadas, e manchas pretas nas mandíbulas. É a maior espécie brasileira, podendo atingir até 5m de comprimento;
·  jacu = designação a aves galiformes, cracídeas, gênero Penelope, freqüentes nas matas primitivas do Brasil. Alimenta-se, sobretudo, de frutas e folhas.   
·  jacuaçu = ave galiforme, da família cracídea (Penelope jacquacu), da bacia amazônica, de coloração parda com as coberteiras da asa e do peito marginadas de branco, e sobrancelha preta seguida de uma estria branca;
·  jacuguaçu = ave galiforme, da família dos cracídeos (Penelope obscura bronzina), do Sudeste do Brasil, de coloração escura com tons avermelhados no dorso e abdome, e penas do peito, do dorso e das coberteiras das asas orladas de branco, e pescoço de cor uniforme. Comprimento: até 74cm;  
·  jacundá-açu =  jacundá-branco; designação a espécies de peixes teleósteos, perciformes, ciclídeos, gênero Crenicichla, de aspecto semelhante ao da traíra, e cuja nadadeira dorsal é dividida em uma parte espinhosa e outra ramosa, unidas, que ocupam quase todo o dorso, tendo muitas espécies um ocelo típico na cauda; nhacundá, guenza; em Zoologia, mariquita; na Botânica, erva da família das marantáceas (Calathea ornata), oriunda das matas úmidas, de alto valor ornamental pelas grandes folhas verdes com riscas brancas, róseas ou purpúreas na face inferior, e largamente cultivada; na etnografia, dança de roda, indígena, propiciatória da pesca do jacundá e que deu origem a outras variações coreográficas mestiças sem caráter religioso;
·  japuaçu – japuguaçu = ave passeriforme, icterídea (Gymnostinops bifasciatus), da Amazônia, de cor vermelho-escura, alto da cabeça, nuca, garganta e peito pretos, retrizes médias pardo-oliváceas escuras, retrizes laterais amarelas, e parte do bico encarnada; japuguaçu, japu-grande, japu-gamela e rei-congo; joão-congo;  
·  jequitiguaçu – juruaçu = saboeiro; árvore da família das sapindáceas (Sapindus saponaria), de ampla distribuição, com folhas penadas, flores alvas, pequenas, frutos e casca ricos em saponinas e que espumam intensamente em água, e sementes que contêm 20 a 30% de óleo; sabão-de-macaco, sabão-de-soldado, saboneteiro, sabãozinho, salta-martim;
·  jiboiaçu = grande serpente de rio;
·  juquiriaçu = árvore da família das leguminosas (Machaerium), semelhante ao juquiri;
·  lambariguaçu = peixe teleósteo, caraciforme, caracídeo (Astyanax fasciatus), da região cisandina, de dorso cinza-escuro, passando a prateado no abdome, nadadeira caudal e círculo em torno dos olhos vermelhos, e comprimento de até 18cm; lambari-do-rabo-vermelho;
·  macacu = designação a espécies do gênero Aldina, da família das leguminosas cesalpinoídeas, como, por exemplo, Aldina heterophyla e a Aldina occidentalis, das quais se extrai substância tintória;
·  macu = Indivíduo dos macus; povo indígena formado pelos subgrupos *Cacua, *Dow, *Hupdá, *Kamã, *Nadeb, *Nucak e *Yuhupde, e que habita o Nordeste da Amazônia, região do alto rio Solimões;
·  mamaiacu = peixe teleósteo, plectógnato, tetrodontídeo (Colomesus psittacus), da Amazônia, de coloração parda com seis faixas escuras transversais no dorso, as duas faixas entre as nadadeiras dorsal e peitorais às vezes fundidas em uma só, e o corpo revestido de espinhos. Comprimento: até 18cm. Sua carne é tida por venenosa; baiacu-de-água-doce;
·  manacá-açu = arbusto da família das solanáceas (Brunfelsia grandiflora), semelhante ao manacá, mas que tem flores maiores; mancenilheira;
·  mandiaçu – mandiguaçu = peixe teleósteo, siluriforme, pimelodídeo (Duopalatinus emarginatus), do rio São Francisco. Mandi-urutu;
·  mandiocaçu = mairá; arbusto escandente, da família das icacináceas (Humirianthera duckei), dotado de grande tubérculo subterrâneo rico em amido, que é aproveitado na fabricação de uma espécie de maisena, usada na alimentação;
·  mandubiguaçu = arbusto da família das euforbiáceas (Jatropha curcas), que se encontra cultivado em jardins em virtude das inflorescências rubras e folhagem ornamental, e cujas sementes dão 40 a 60% dum óleo que contém uma proteína tóxica, responsável por violento efeito purgativo; pinhão-de-purga;
·  maracanã-açu – maracanã-guaçu = ave psitaciforme, psitacídea (Ara severa), da Amazônia, Mato Grosso e Bahia, de coloração verde, cabeça verde-azulada, rêmiges e ponta da cauda azuis, e encontro vermelho;
·  maracujá-açu = trepadeira da família das passifloráceas (Passiflora quadrangularis), cujos enormes frutos chegam a pesar 5kg;
·  minhocaçu – minhocuçu = minhocão; animal fantástico que, segundo a crendice popular, tem a forma de verme gigantesco, vive nos açudes ou banhados e é capaz de todos os milagres;
·  niringuaçu = espécie de abelha cujo mel é medicinal;
·  motacu = palmeira (Attalea princeps) que alcança 20m e vive nas matas, podendo formar palmais extensos, cujas folhas medem até 5m, cujas drupas são ovóides, cor de ferrugem, e têm 3 x 7cm, e cujas sementes são ricas em óleo;
·  mutum-açu = ave galiforme, cracídea (Crax globulosa), do Noroeste. O macho é preto, com barriga e coberteiras inferiores da cauda brancas, base da maxila amarela ou encarnado-clara; a fêmea tem as penas da crista listradas de branco, barriga e coberteiras inferiores da cauda amarelada;.mutum-fava; mutum-de-assovio; mutumboicinim;  
·  nambuaçu = inhambuaçu;
·  nambuguaçu = inhambuguaçu;
·  nhambuaçu = inhambuaçu;
·  nhambuguaçu = inhambuguaçu;
·  oanaçu = palmeira acaule, ou quase (Attalea spectabilis), vulgar na floresta amazônica, de folhas numerosas, de até 7m, frutos que são drupas obovóides, rostradas, avermelhadas, com 3 x 5cm, e que dá poucas sementes, pequenas;
·  oauaçu = babaçu;
·  obaranaçu = obarana. peixe elopiforme, elopídeo, de corpo esguio, escamas finas, cabeça pequena e pontiaguda, cor olivácea e guelras prateadas, cauda fortemente bifurcada. Atinge 1m de comprimento; robalo de areia;
·  pacu = peixe teleósteo, caraciforme, caracídeo, dos gêneros Metynnis, com 21 espécies no Brasil, e Mylossoma, com cinco espécies. Corpo comprimido, em geral arredondado ou ovalado; nadadeiras dorsal e anal situadas muito atrás. Alimenta-se de frutas e outras substâncias, sendo praticamente onívoro. Em Botânica, certa planta medicinal do alto Amazonas;
·  pacuguaçu = peixe teleósteo, caraciforme, caracídeo (Myletes edulis), dos rios Amazonas e Paraguai, de coloração azulada, escamas douradas na altura da linha lateral e prateadas abaixo desta. É o maior dos pacus, podendo atingir até 60cm de comprimento; muito apreciado para a pesca esportiva de linha, com isca de pequenos frutos;
·  paiacu = Indivíduo dos paiacus, povo indígena que habita o Ceará;
·  pancu = panacum; canastra;
·  papeá-guaçu = açoita-cavalo; designação às árvores do gênero Luehea, da família das tiliáceas, cuja madeira, um tanto dura, facilmente putrescível, se usa em construções internas, móveis; ivantiji, ivitinga, caaueti, mutamba-preta, papeá-guaçu, ubatinga, vatinga; tapeacuaçu;
·  paraguaçu – parauaçu = designação aos primatas cebídeos, gênero Pithecia, da Amazônia.e Guianas, sendo as espécies mais comuns o monacha, do Nordeste e do Amazonas; pithecia, da região ao Norte do rio Amazonas. Têm cauda longa, não preensora, totalmente coberta de pêlos, polegar bem desenvolvido, face parcialmente coberta de pelos, e pelos na cabeça, formando capuz. Vivem em pequenos bandos; cuxiú, macaco-cabeludo, piroculu;
·  periperiaçu = papiro; grande erva da família das ciperáceas (Cyperus papyrus), própria das margens alagadiças do rio Nilo, na África, cujas compridas folhas forneciam hastes das quais se obtinha o papiro, material sobre o qual se escrevia;
·  picaçu = pomba-legítima; ave columbiforme, columbídea (Columba rufina sylvestris), do Paraguai, da Argentina e do Brasil. A plumagem é multicolor, com penas marginadas de escuro, exceto no pescoço e vértice, que são esverdeados com brilho metálico; caçaroba, caçarova, galega, picaçu, picaúro, picuçaroba, pomba-do-ar, pomba-galega, pomba-gemedeira, pomba-pucaçu, pucaçu, saroba, sarova;
·  picão-açu = picão; designação a ervas da família das compostas, como a Cosmos sulphurens, de folhas opostas, caule piloso, flores amarelas dispostas em capítulos e frutos aquênicos, vulgarmente conhecida como, picão-uçu, picão-de-flor-grande e picão-do-grande, e a Bidens graveolens, de caule lenhoso e glabro, folhas sésseis, oblongas, flores amarelas dispostas em capítulos paniculados, e que tem o nome vulgar amor-de-negro;
·  pinoguaçu = mamoeiro; planta da família das caricáceas (Carica papaya), originária da América Central, cuja baga, o mamão, é muito estimada. O caule, mole e leitoso, mede alguns metros de altura e não se ramifica; as flores são sexualmente variadas, havendo as masculinas, as femininas e as hermafroditas; o látex é importante por encerrar a papaína, um fermento; papaieira, papaia;
·  pintagaçu = bem-te-vi-do-bico-chato; ave passeriforme, tiranídea (Megarynchus pitangua), comum em todo o Brasil. Coloração pardo-esverdeada, asas e cauda marginadas de vermelho-claro, uma mancha amarela no vértice, sobrancelhas, garganta e coberteiras inferiores da cauda brancas, peito e abdome amarelos; bem-te-vi-do-bico-largo, bem-te-vi-do-mato-virgem, neinei, pitanguá;
·  pintaguá-açu = bem-te-vi-de-coroa; ave passeriforme, tiranídea (Pitangus sulphuratus maximiliani), que ocorre do Maranhão para o Sul. Coloração parda na parte superior, amarela na inferior, vértice amarelo orlado de preto, garganta, cílios e nuca brancos. Seu nome provém da coloração da cabeça; pitanguá, bem-te-vi, pitauá;
·  poaçu = espécie de tecido de algodão, nalgumas tribos amazônicas;
·  pomba-pucaçu – pucaçu = pomba-legítima;
·  puaçu = tecido de algodão usado por certos indígenas;
·  quatipuruaçu = mamífero roedor, ciurídeo (Sciurus igniventris), com cerca de 50cm da ponta da cabeça à ponta da cauda. De dorso preto, agrisalhado pelos pêlos amarelo-avermelhados, ventre vermelho-ferrugíneo, tornando-se vermelho-cereja na porção externa dos membros, e cauda tufosa, vermelho-ferrugínea com manchas pretas na parte basal. Não são raras as formas melânicas; acutipuruaçu; serelepe;
·  raiz-de-jacaré-açu = arbusto da família das gencianáceas (Tachia guianensis), de flores amarelas, que tem os galhos ocos habitados por formigas, e cujo caule e raiz são amargos e um extrato venenoso; jacarearu, caferana;
·  sabacu = taquiri; Ave ciconiiforme, ardeídea (Nycticorax nycticorax hoactli), comum desde o Sul dos Estados Unidos até o Norte da Argentina, de dorso superior preto-esverdeado, dorso inferior, cauda e asas pardo-claros, e alto da cabeça preto, com algumas penas mais compridas no occipício. Os jovens são pretos pintados de amarelado; dorminhoco, garça-cinzenta, arapapá-de-bico-comprido, guacuru, sabacu, savacu, taiaçu, tajacu;
·  sabiá-guaçu = japacanim;
·  saguiguaçu = pequeno macaco (Callicebus personatus), semelhante ao sagui;
·  saí-açu – saí-guaçu – sairaçu – saíra-guaçu  = sanhaço; ave passeriforme, traupídea (Tangara peruviana), do Sergipe do Brasil. O macho tem dorso castanho com uma mancha negra sobre a espádua, e parte abdominal verde-azulada; a fêmea é verde-azulada, com a coroa da cabeça castanha; saí-sapucaia; saí-açu-azul;  
·  samambaiaçu – sambambaiaçu = Xaxim;
·  sanhaçu = sai-açu;
·  saracuraçu – saracuruçu = ave gruiforme, ralídea (Aramides ypecaha), comum no Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, de ventre vermelho-ferrugíneo, garganta branca, pescoço e base do peito cinza, bico verde, tarsos e pés avermelhados. É a maior das saracuras brasileiras. Frequenta os brejos, nutrindo-se de toda espécie de detritos, animais, e também de vegetais;
·  savacu = sabacu;
·  siriaçu = espécie de crustáceo decápode, braquiúro, portunídeo (Callinectes exasperatus), com hábitos semelhantes aos dos caranguejos. É o maior representante da família. Siri-do-mangue; siri-chita;
·  suaçu = veado;  
·  suiriguaçu = siriri; ave passeriforme, tiranídea, gênero Tyrannus, particularmente as espécies albogularis e melancholicus, largamente distribuídas no Brasil, de coloração geral cinzento-esverdeada, cabeça cinzenta, meio do vértice escarlate. A primeira tem a garganta branca e o peito amarelo-esverdeado; tiriri;
·  tabaiacu = designação comum a diversos recifes submersos, alongados e pouco sinuosos; taci;
·  taiaçu – tajaçu = queixada; mamífero artiodáctilo, taiaçuídeo (Tayassu pecari), distribuído da Venezuela ao Norte do Rio Grande do Sul. Coloração negro-pardacenta, pelagem das costas muito longa; difere do caititu por ter os lábios brancos. Quando acuado, bate forte os queixos, e é valentíssimo; canela-ruiva, queixada-ruiva, queixo-ruivo, sabacu, tacuité, taguicati, taiaçu, tajaçu, tanhaçu, tanhocati e porco-do-mato;
·  tamanduá-açu = tamanduá-bandeira;
·  tangará-açu = arbusto da família das poligonáceas (Coccoloba crescentiaefolia);
·  tanhaçu = taiaçu;
·  tapeacuaçu – tapeá-guaçu = árvore da família das tiliáceas (Luehea speciosa), de ampla dispersão desde as Antilhas à Amazônia, e que ocorre na mata e no cerrado. Folhas grandes, finas, serreadas e com três nervuras longitudinais; flores alvas e racemosas; os frutos são cápsulas lenhosas com sementes aladas. Da madeira branca, não muito pesada, nem dura, se fazem peças encurvadas, como hélices de avião e coronhas; açoita-cavalo, ivitinga;  
·  taperebá-açu – cajá-açu = árvore da família das anacardiáceas (Poupartia amazonica), peculiar às florestas pluviais de solo argiloso, cujo tronco é parecido com o do cedro, embora a madeira não tenha valor, e cujo fruto é pentagonal, achatado, de sabor ácido, e se usa para fazer refrescos; taberebá-cedro;
·  tapiaçu = tapiçuá; abelha da família dos meliponídeos (Trigona); tubi;
·  tapiá-guaçu = acalifa; gênero de árvores e arbustos da família das euforbiáceas, que habitam regiões quentes, têm folhas alternas e flores monécicas, apétalas que, nas espécies cultivadas, são exuberantes; qualquer espécie desse gênero, como a Acalypha wilkesiana, comuníssima em jardins, de folhagem multicor, folhas grandes e delicadas, e flores avermelhadas, e que é conhecida como cauda-de-raposa, crista-de-peru, rabo-de-macaco, rabo-de-raposa, tapiá-guaçu, veludo-de-penca;
·  tatuaçu = tatu-canastra;
·  tauaçu = pedra que serve de âncora às jangadas;
·  teiuaçu – teju – tejuguaçu = teiú; designação indígena do lagarto; reptil lacertílio, teiídeo (Tupinambis teguixim), amplamente distribuído no Brasil. É o maior dos lagartos brasileiros, medindo até quase 2m de comprimento. Coloração geral preto-azulada, com fitas transversais malhadas de amarelo-escuro, pernas com manchas e salpicos. Vive em buracos no solo, alimenta-se de toda sorte de pequenos animais e de frutas. Sua carne é comestível, e a pele, muito cotada no mercado; tiú; tejo;
·  timbó-açu = grande cipó da família das leguminosas (Derris guianensis), da floresta inundável, venenoso para os peixes, de folhas com cinco folíolos, flores branco-esverdeadas dispostas em espigas terminais e axilares, e cujo fruto é um legume globoso, ferrugíneo e unilocular;
·  tinguaçu = alma-de-gato; ave cuculiforme, insetívora, cuculídea (Piaya cayana macroura), de coloração vermelho-castanha, retrizes vermelhas com brilho purpúreo e pontas brancas, e parte inferior cinzenta. Frequenta matas e capoeiras, e ocorre no Norte da Argentina, no Paraguai, e ao Sul do Brasil; alma-de-caboclo, alma-perdida, crocoió, maria-caraíba, meia-pataca, oraca, pataca, pato-pataca, piá, rabilonga, rabo-de-escrivão, tinguaçu, urraca; rabo-de-palha; capitão-de-saíra;
·  tucanaçu – tucanuçu = tucano grande;
·  tuiuguaçu = tuiuiú; ave ciconiiforme, ciconiídea (Jabiru mycteria), que ocorre do México ao Norte da Argentina. Coloração branca, com parte da pele nua da garganta avermelhada, e a da cabeça acinzentada; tuiupara, tuiú-quarteleiro, jabiru, jaburu, rei-dos-tuiuiús;
·  uiçacu = palmeira do gênero ataléia;
·  uacariaçu – uacariguaçu = acariaçu;
·  uacu = árvore da família das leguminosas (Monopteryx uacu), da floresta pluvial. É de grande porte, e produz uma semente discóide de cerca de 3,5cm de diâmetro, a qual cede um óleo comestível na proporção de 28%, e pode ser ingerida, assada ou cozida;
·  uauaçu = babaçu
·  ubaranaçu = obaranaçu;
·  uiraçu – uraçu = gavião-de-penacho; gênero monoespecífico de aves falconiformes, acipitrídeas, do México, América Central e região cisandina até o Norte da Argentina. Têm a parte superior do corpo cinza-claro, crista e fita peitoral cinza, parte inferior branca, rêmiges enegrecidas e cauda parda listrada de preto; a espécie desse gênero (Harpia harpyja), dotada de dupla crista, e de bico e garras muitíssimo fortes; ocorre na América do Sul e na América Central; harpia;
·  uirapaçu = arapaçu;
·  uracaçu = ave passeriforme, corvídea (Cyanocorax cyanopogon), do Brasil este-setentrional e centro-oriental, de coloração azul-escura. Distingue-se das outras gralhas pela mancha azul-marinho acima e abaixo dos olhos, e pelas penas azuis na raiz da mandíbula. É a espécie mais comum nas caatingas do Nordeste; cancão, gralhão, piom-piom, quenquém; gralha; ave falconiforme, falconídea (Daptrius americanus), distribuída por quase todo o País, de coloração preta, abdome, coxas e coberteiras inferiores da cauda brancos, pele nua da cabeça avermelhada; caracará-preto, gralhão; ave falconiforme, falconídea (Hypomorphus urubutinga), comum em todo o País, de coloração preta e coberteiras superiores, base e ponta da cauda brancas. Quando jovem, é preta pintada de amarelo; caureí, gavião-caipira, gavião-preto, japucanimpium;
·  vacu = bacu;
·  vapuaçu = búzio; designação comum às conchas de moluscos gastrópodes, como, por exemplo, a da espécie Cassis tuberos, distribuída desde a América do Norte até São Paulo, e que é usada pelos pescadores e jangadeiros para o sopro com que anunciam sua chegada ao porto, ou transmitem notícias no mar. É uma concha piramidal, com linhas longitudinais e transversais, e três fiadas de nódulos na parte superior da espiral do corpo. Comprimento: até 18cm. A concha é usada para camafeus artísticos; buzo; atapu, guatapi, itapu, uatapu; vatapu;
·  xué-açu – xué-guaçu – xuê-guaçu – xuê-açu  = sapo-cururu; anfíbio anuro, bufonídeo (Bufo marinus), distribuído na América Central e América do Sul, de coloração geral amarelada com tons de verde, abdome amarelo-claro com manchas pardas, e pele com glândulas verrucosas. A fêmea é cinza-amarelada, manchada de negro, com o abdome branco-sujo. Comprimento: até 18cm. Alimenta-se de insetos e outros artrópodes, sendo considerado útil à agricultura. É a espécie mais comum no Brasil; sapo-jururu.

Questão   franciscana
     
      Que chances temos de alcançar a paz? Qual é a vossa paz? Qual é a nossa paz? Qual é a paz de Deus? Qual é a paz humana? Paz verdadeira só se alcança se ambas se articularem e se espelharem, a paz divina e a paz humana. Na Oração de São Francisco constatamos a presença dos dramas e das esperanças humanas mais persistentes na história.
Do livro: “A oração de São de Francisco – uma mensagem de paz para o mundo atual”, de Leonardo Boff, publicado pela Editora Sextante, Rio de Janeiro, 1999.