quarta-feira, 8 de junho de 2011

QUESTÃO - 7

AFA
ACADEMIA FRANCISCO DE ASSIS
Questão
2011 – 7ª edição
Já estamos na sétima edição. Que bom! Os homens insistem em não desejar a paz. De um lado, quem detém o poder, ou simplesmente quem exerceu uma vez o poder, não quer mais sair dele; do outro lado, os que são contra o poder constituído, mesmo que seja ou não seja ditatorial. “Existe governo, sou contra” – máxima dos que ainda não exerceram o poder. A luta pelo poder é o maior problema dos seres humanos – isso em nível das nações e em nível pessoal. Vivemos momentos de aflição e de angústia pelo que está acontecendo nos países árabes. A verdade é que existem muitas Líbias, Egitos, Iemens, Arábias, Itálias, Estados Unidos, espalhados nas instituições: nas corporações, nas famílias, nas religiões, nas escolas, nas empresas de iniciativa privada e pública. Há muitas guerras e guerrilhas dentro do próprio ser humano. as pessoas, todos nós somos educados para o sucesso e a fama, par o dinheiro e poder. E, em nome deles, tudo nos é permitido, até matar, invadir, exigir, destruir. Há uma máxima que diz que “se você quiser conhecer um pouco mais alguém, dê-lhe poder”. Há outra que afirma que “o poder corrompe”. O fato é que não queremos nem desejamos a paz e a harmonia. Nada é mais desarmonioso do que a guerra pelo acesso ao poder. Dizem até que o problema da Igreja Católica seja esse e por isso houve e há grandes cisões. Em pouco mais de quinhentos anos, a Igreja que era e estava unificada, sofreu 1.500 cisões – três a cada ano. Especialistas e estudiosos têm a certeza de que o poder é o grande causador dessa catástrofe.
Professor Décio Bragança Silva
QUESTÃO    BÉLICA

      O homem produziu e criou todas as formas e instrumentos de matar. Sua arte de matar está quase perfeita... Talvez, precise de milhões de anos para entender que matar é uma tarefa muito louca. Quão estúpida é a raça humana!
      A humanidade avança e, sem que se dê uma explicação, retrocede, ignorantemente quando faz a guerra. A impressão que dá é que o homem não gosta da felicidade, da alegria, do prazer, do bem-estar, do progresso e desenvolvimento. Quanta indolência!
      A descoberta e ou invenção de ferramentas e máquinas foi um passo decisivo para a humanidade, vivendo ainda nas cavernas, distinguindo-se dos outros seres e dos outros animas pela arte de matar.
      Depois das máquinas para se protegerem e matarem, os homens precisaram de uma força mais poderosa do que eles mesmos. Então, inventaram-se deuses, travestidos de sorte, de acaso, de azar. Assim, a humanidade criou Deus à imagem e semelhança do homem.
      Quando a ganância é muita, quando há escassez de alimentos, o homem apela para a violência, para o roubo, para a morte do outro.
      O homem é um péssimo aluno da escola da vida. É reprovado sempre! Foi reprovado no passado! Continuará a ser reprovado ainda por algum tempo. Não aprende! Em sua volta, tudo é normal e harmonioso. O homem, em última análise, é o desequilibrador do processo natural da escola da vida.
      O isolamento do mundo natural cria uma selvageria inexplicável, porque faz aumentar os mecanismos de auto-defesa. Exemplificando, os meninos de rua, sem escola, sem moradia, são muito mais “selvagens” porque o desenvolvimento só é possível onde muitas pessoas diferentes vivem reunidas, trocando idéias e experiências.
      Cada um é portador de uma série de ideias, de deuses e de costumes. Em grupo, fertiliza-se a imaginação, criando condições de passar da selvageria para a civilização.
      O problema é que também em grupo, estimulado pela volúpia da conquista, cria-se o exército, produz-se a guerra – uma crueldade! A selvageria, antes individual, com a guerra torna-se coletiva. Tanto uma como outra é uma carnificina e um suicídio.
      Todos os homens e todas as nações, o indivíduo e a coletividade, agressivos, violentos, bélicos, matadores acabam por se matar a si próprios, juntamente com seus “inimigos”. Essa agressividade retarda o desenvolvimento humano.
      O que é conseguido com sacrifícios e trabalhos, muitas vezes, é destruído num segundo de insensatez, de estupidez. A humanidade não precisa de heróis, de ídolos, de bravos assassinos. Precisa de fé, de confiança, de esperança, para melhor viver, para ser-mais e para ser-melhor.
      Os pacíficos vivem mais e melhor. Basta folhearmos a história. Exemplo: os chineses, também beligerantes, têm uma civilização milenar e não estão ameaçados de extinção.
      É hora do aparecimento de novos profetas, como um Jeremias que diz: “Nenhuma nação erguerá mais a espada contra outra nação e não se aprenderá mais a guerra.”
      É hora de acabarem-se as guerras, acabarem-se os ódios, os massacres, os derramamentos de sangue, a morte por fome e inanição.
      É hora de acabar com a bajulação do progresso a todo custo e sangue das nações poderosas.
      É hora de ouvir novamente Jeremias, quando invadiu o templo: “Quereis roubar, assassinar, cometer o adultério e depois vir a este templo? Ter-se-ia este templo transformado em antro de assaltantes? Mentirosos, patifes, criminosos, é o que sois. As vossas casas estão repletas de fraude e corrupção. Tornastes-vos poderosos, orgulhosos e ricos, mas os órfãos chamam por vós, os humildes testemunham vossas transgressões.”
      É hora de o lobo e o cordeiro pastarem num mesmo lugar, porque é preferível a vida, mesmo que ameaçada à histeria da morte. A única forma de vida é a paz.
      É hora de perceber que cada ser humano é um componente importante de toda a humanidade. Ninguém é extremamente mau que nada tenha para ensinar e ninguém é extremamente bom que tenha para aprender.
      É hora de entender que todas as misérias e desgraças humanas são produzidas por nós mesmos.
      É hora de pensar que se não temos o poder de criar, também não temos o poder de destruir.
É hora de acabar-se a insensatez, a desonestidade, para podermos amar a justiça, desprezar a guerra e a violência, transformando este mundo numa moradia mais feliz e prazerosa.

QUESTÃO    ÉTICA

Muitos pensam que discutir ética é discutir o sexo dos anjos, ou ainda discutir quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha.
A verdade é que a sociedade e os donos da sociedade, de certa forma, controlam, regulam, regulamentam a ética, atendendo aos seus interesses imediatos, em especial os econômico-financeiro-comerciais.
A verdade é que, também, discutir ética virou moda, modismos. Todos dão palpite sobre o que seja, mas poucos têm claro o que seja.
Estamos acostumados a dizer que vivemos numa crise ética e moral, mas pouco se discute sobre o assunto.
Estamos até familiarizados com a palavra ética e moral, mas todos ainda queremos levar vantagens em tudo, confirmando que a única lei que funciona é a lei de Gerson.
Estamos até íntimos do que se entende por ética e moral, mas todos ainda ultrapassamos um sinal vermelho de trânsito, quando o guarda não está presente; jogamos o lixo fora das cestas e nos bueiros, provocando enchentes; varremos calçadas e pátios com a mangueira aberta; desrespeitamos os direitos, por exemplo, do sono dos outros, colocando o som o mais alto possível; aceitamos um troco a mais nas nossas compras...
Tudo isso, hoje, nos aprece babaca e/ou babaquice e nos sentimos verdadeiros idiotas, já que o mundo é dos espertos, é dos vivos.
Nesse costume, quase que de banalização dos conceitos e das ideias, a ética é confundida com honestidade, com cumprimento dos deveres.
Vez e outra, em divulgação do nome de um candidato a qualquer cargo, vêem-se e ouvem-se frases como estas: “Vote em Fulano. Ele é honesto”; “Vote em Sicrano. Ele é cumpridor dos deveres”; “Vote em Beltrano. Ele é honesto e cumpridor dos deveres”.
Ser honesto e cumpridor dos deveres não são plataformas políticas e, sim, obrigação de todo e qualquer cidadão. Em Uberaba, houve um político que sempre se elegia usando somente a palavra honestidade. Repito: honestidade é obrigação, não é plataforma, nem projeto, nem programa político.
Confunde-se ética também com a prática profissional – o que também legitima a estrutura de dominação. A definição de um padrão de comportamento individual, social e/ou profissional é determinada pela ideologia, aceita e assumida pela maioria.
Podemos entender ideologia, aqui, como relações e práticas sociais, apresentadas através das imagens, de mitos, de ilusões, de mentiras, de conceitos, de idéias, de noções, de empreendimentos, de tentativas, de decisões, renovando processualmente o imaginário coletivo.
Não se pode falar de ética sem entendermos a cumplicidade. Metaforicamente, vamos criar uma imagem: todos os nossos sonhos e desejos, todas as nossas angústias e frustrações, todas as nossas virtudes e ideais, todos os nossos desgostos e pecados são colocados como que num reservatório, como num reservatório do Codau.
Lá dentro tudo isso é misturado e distribuído a todos igualmente. Daí, a ideia de cumplicidade! Daí, a idéia de inconsciente coletivo! Ninguém é mau, porque nasceu mau ou porque quer ser mau.
Se alguém é violento, bravo, estuprador, ladrão, desrespeitoso, bandido... é porque recebe de todos nós influências, guardadas num reservatório comum.
No mínimo, nós permitimos tudo isso, porque não nos indignamos, não denunciamos, não queremos nos envolver, não resistimos, não exigimos punição.
Vivemos, sim, numa sociedade permissiva: “tudo é permitido, até que nada não me atrapalhe!” Da mesma maneira, acontece com as atitudes e as ações positivas.
Somos cúmplices, mesmo que não queiramos, do bem e do mal de todas as pessoas e de nós mesmos.
Prefiro entender a ética como sendo um conjunto de atitudes que possibilitam a todos a libertarem-se das amarras sociais, das algemas psicológicas, dos vícios econômicos, das ilusões religiosas, das enganações políticas, dos poderes das famílias e das escolas, propondo a todos a plena realização da existência, da felicidade, da alegria de se estar vivo e feliz. Ética, nesse sentido, é libertação!
Prefiro entender a ética como sendo um projeto de construção de uma sociedade mais humana, com bases na fé e na transcendência, no amor e na harmonia, na ciência e na sabedoria, na justiça e na concórdia, no trabalho e na cooperação.
As oportunidades e direitos não podem ser consequências e emanadas do poder político e econômico, mas consequências e emanadas das necessidades e das possibilidades, das prioridades e potencialidades humanas.
Prefiro entender a ética como sendo um programa social coletivo e de interesse de todos, apoiado pelas empresas e governo, pelas igrejas e seitas, pelas leis e juízes, pelos professores e escolas, pelos pais e filhos, pelos ricos e pobres, pelos negros e brancos.

QUESTÃO    ECOLÓGICA

A nossa Amazônia, hoje, é uma questão internacional.  É urgente preservar a floresta amazônica- verdadeiramente pulmão do mundo!
A floresta já tem um quinto de sua área destruída, devastada, invadida – o que equivale a 25.000 quilômetros quadrados de destruição por ano.
Há resistência de muitos cientistas e ambientalistas sérios contra o desmatamento e queimadas e apresentam muitas soluções “ditas” alternativas, como um Ennio Candotti, um Luiz Gylvan, um Carlos Nobre, um Paulo Artaxo, um Carlos Walter, uma Marina Silva, um Maurício Wadman, um José Galizia Tundisi, um José Ricardo Santos de Souza, um Tony Clarke, um Marcelo Coutinho Vargas, um Ernani Francisco da Rosa Filho, um Roberto Malvezzi, uma Lídia Rebouças, um Cristovam Buarque, um Aziz Ab1Saber, um Roberto Romano, um Leonardo Boff... e tantos outros anônimos e conhecidos. Nunca são ouvidos!
“São vozes que clamam do deserto, no coração dos políticos!” Há gente muito séria no nosso país.
É inadmissível e ignorância derrubar 1 (um) hectare de floresta para colocar 3 (três) cabeças de gado, já que existem áreas imensas ociosas no Brasil. Esse mesmo hectare, se explorado com critério e inteligência, poderá render 900 bilhões nos próximos 30 anos à indústria químico-farmacêutica.
Cientistas e pesquisadores brasileiros dizem que a Amazônia, além de pulmão do mundo, é uma farmácia natural, uma farmácia a céu aberto, com todos os medicamentos e remédios possíveis.
As pesquisas independentes, sem vínculos com alguma indústria, trazem poucos resultados, porque também há poucos investimentos para tal. Precisamos de políticos corajosos e audazes para fazer o governo investir em pesquisas sérias e úteis para todos e para cada um.
Grandes universidades fazem pesquisas, sim, mas, normalmente, atreladas à iniciativa privada que depois registram patentes, que dão lucros aos patenteador e não à universidade. São pouquíssimas patentes feitas pelas universidades que “emprestam” seus pesquisadores.  
Escola da Libertação sempre foi sonhada pelos grandes educadores da humanidade. A consciência de que se está preso é o primeiro passo para a libertação.
Todas as vezes que falo de educação me lembro de alguns nomes, principalmente o nome de Darcy Ribeiro que nos ensina: “O problema do Brasil não é a pobreza e a miséria. O problema é a nossa ingenuidade, acreditamos em tudo e em todos sem nada questionar ou refletir. Temos uma fé ingênua, um amor ingênuo, uma escola ingênua e por isso somos facilmente enganados e iludidos pelas religiões, nos namoros, nas escolas.”
O futuro será necessariamente dos que se libertaram da ignorância e da ingenuidade, da fome e da miséria, da ganância e da usura. Não era preciso dizer, mas o contrário de quem ainda não se libertou é o escravo, o servo, o servil, o ser vil!

QUESTÃO    ARTÍSTICA

Aleijadinho, Antônio Francisco Lisboa, o mais importante escultor brasileiro do período colonial, viveu em Minas Gerais – lugar que atraía muitas pessoas com a única finalidade de se enriquecerem, explorando as pedras preciosas e os escravos e as pessoas brasileiras.
Sem poder usar os dedos machucados e doentes, trabalhava com o cinzel e martelo amarrados aos pulsos. As cidades onde deixou suas obras são visitadas muito mais por estrangeiros do que por brasileiros. Que pena!
Max Karl Holden, jornalista inglês, em visita ao Brasil, dizia que Aleijadinho fazia seu protesto contra a dominação e exploração dos brasileiros pelos portugueses em suas obras: igrejas riquíssimas, pingando ouro de todos os lados, e as estátuas de santos e anjos, inclusive a de Cristo, feias, muito magras, sangrando por todos os poros.
Uma historinha: certa vez, eu estava acompanhando um amigo de um amigo, um estrangeiro, um inglês, nas cidades históricas de Minas Gerais. Na hora de descanso, depois do almoço, andando pelas ladeiras de Ouro Preto, perguntei-lhe que cidades brasileiras já tinha ouvido lá na Inglaterra, o que sabia sobre o Brasil.
Sua resposta foi muito simples e muito importante, para mim, naquela hora: “Quero conhecer Brasília e esta aqui, Ouro Preto!” Outro amigo intervém na conversa e lhe pergunta por que não Rio de Janeiro, Recife, Foz do Iguaçu, São Paulo e tantas outras.
Sua resposta me foi ainda mais surpreendente: “Essas cidades que você citou existem no mundo inteiro. Agora, Brasília é única, Ouro preto é única.” Depois de algum tempo, arrematou: “Brasília por causa de Oscar Niemayer e Ouro Preto por causa de Aleijadinho!” EH! Precisamos urgentemente de aprender a valorizar os nossos gênios da arte, da ciência, da cultura, da diplomacia, da política.   

QUESTÃO    POLÍTICA

Em ambiente de ódio, de desrespeito, de desdém, de abandono, de miséria, de fome não há amor, harmonia e paz. Colhe-se o que se planta.
Os excluídos nunca têm vez e voz nos meios de comunicação que os consideram um bando de marginais e bandidos, de rebeldes sem causa, de inconformados sem motivos.
Os meios de comunicação preferem as músicas alienantes, as histórias novelísticas e fantásticas, os poemas e os poetas massificantes, os atores e as atrizes que fazem o jogo deles, os escritores superficiais, os jornalistas bonitos e vazios...
O Brasil é um país desequilibrado, por isso sofrido, dolorido, doído, doente. Vejamos: 51% da população é constituída por mulheres. Na política, nas escolas, na economia, nos meios de produção e de comunicação, na indústria e no comércio, nas empresas não deveria ter mais ou menos os mesmos 51% de mulheres?
A mesma situação não deveria acontecer com os negros? Não se trata de cotas para mulheres e/ou para negros. Trata-se de equilíbrio! Peguem-se os números do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas – e apliquem-se os mesmos números proporcionalmente na sociedade, em todas as nossas instituições e organizações.
Diálogo é isso: pé de igualdade. Democracia é isso! Não há democracia num país onde muitos - a maioria - moram nas encostas das grandes cidades, pedindo a Deus que suas casas não deslizem morro abaixo, sem nenhum saneamento básico, desrespeitados em sua dignidade, sem escolas e sem hospitais, sem alimentos e sem empregos, com uma justiça e polícia arbitrárias.
A utopia quer o amor que nos une a todos, que nos vincula a todos, que nos torna cúmplices uns dos outros, que nos leva a ser, a ser-mais, a ser-melhor.
Nascemos para viver e viver bem. Viver bem pressupõe conviver, tolerar, aceitar e lutar pelas diferenças.
Viver bem impõe iniciativas e resistências, rupturas e consentimentos.
Viver bem é estar aberto para aprender e para ensinar. Ninguém é tão sábio que nada possa aprender e ninguém é tão ignorante que nada possa ensinar. Alguns pensam que aprender e ensinar são uma “coisa” só. Quem aprende, ensina; quem ensina, aprende.
Só, a título de citação: o grande mineiro João Guimarães Rosa escreve: “Professor é aquele que de repente aprende”. 
Nunca a aproximação dos mais fortes com os mais fracos foi para fortalecer os mais fracos. Sempre foi para os mais fortes ficarem mais fortes!
Nunca a aproximação dos mais ricos com os mais pobres foi para dividir riquezas e bens, para enriquecer os pobres. Por isso, poucos, muito poucos, têm muito e muitos têm muito pouco.
Assim acontece nas empresas, na política, na economia, na indústria. A aproximação é um meio golpista, porque os mais fracos não suportam a pressão. Daí, os ricos e ficarem mais ricos e mais fortes; e os pobres e os fracos ficarem mais pobres e mais fracos.
Isso também acontece com os grandes conglomerados industriais, comerciais, artísticos, os meios de produção e de comunicação, os partidos políticos.
Resistir a essa mania de globalização que decreta a morte dos menores, dos mais fracos, dos mais pobres não é tarefa fácil. Depende inclusive da vontade de nossos políticos!
A ilusão dos dólares, dos euros e dos ienes ofusca a possibilidade de sobrevivência dos menores. Daí, a subserviência, a obediência, a submissão, a escravidão... “Se não aceitar minha oferta, eu te devoro!” adaptação da máxima do oráculo: “Decifra-me ou te devoro!” Cada vez mais, menos iniciativas criativas.
QUESTÃO    INTERNACIONAL

Ninguém mais duvida que a escalada militar dos Estados Unidos no Oriente Médio (Iraque, Irã, Afeganistão e agora na Líbia, no Egito...) e em todas e quaisquer partes do mundo (Vietnã, Coréia, Colômbia, Granada...) teve e tem interesses políticos e econômicos (mais econômicos do que políticos).
Os Estados Unidos são um país bélico, beligerante, belicoso – que gosta de guerrear. Basta lembrar a sua guerra civil – uma das mais violentas já acontecidas no mundo (e ninguém se lembra disso!) onde irmão matou irmão.
A idéia de terrorismo, passada e repassada pelos meios de comunicação massificantes é uma desculpa, ou uma justificativa para fazerem o que fazem.
Especulação imobiliária, poluição desmedida do planeta, especulação e exploração econômica e financeira, sonegação de impostos e paraísos fiscais, tráfico de drogas e de armas, discriminação de raças e de credos... é também terrorismo.
O Oriente Médio praticamente viveu, sobreviveu sob a égide do Império Britânico por anos e séculos. Os americanos, no fundo, querem ter a hegemonia sobre os países, principalmente depois da Segunda Guerra Mundial e da “famosa” Guerra Fria. (Há riscos da volta da Guerra Fria!!! Observe-se a movimentação de tropas e navios russos pelo mundo, como também o fazem os norte-americanos!!!)
O Oriente Médio, estrategicamente colocado entre a Europa e Ásia, para os americanos, deveria ser um escudo para proteger o Ocidente e, para os russos, deveria ser um escudo para proteger o Oriente.
Acabou oficialmente a Guerra Fria. E agora como justificar tantas bases militares, colocadas na região, por exemplo, no Mediterrâneo?
Aí, vem a explicação: terrorismo! Muçulmano, árabe... não são terroristas! Não será uma mobilização antiimperialista das pessoas? Não será a defesa da cultura, da religião deles? Não será o aparecimento de regimes nacionalistas que querem autonomia e independência?
O Líbano já foi considerado o país mais bonito, mais lindo do mundo! E hoje é um amontoado de entulhos! E por que tanta violência? Não será o pouco poder da ONU, infelizmente manipulada pelos americanos? E por que foi morto, ou mataram o “nosso” Sérgio Vieira?
Estudiosos afirmam que ele seria eleito, sem nenhuma dúvida, o secretário-geral da ONU! E por que a sua morte ainda está envolvida em muitos mistérios? E por que a família dele exige muitas explicações que ainda não foram dadas? O nosso Sérgio fazia o jogo dos americanos? Claro que não!
Nós nunca vamos saber a verdade! O “nosso” Sérgio era considerado o maior e o mais competente negociador da paz do mundo!
Pregava, dentre tantas outras coisas, a liberdade da OPEP - Organização dos Países Exportadores de Petróleo – para determinar o preço do barril de petróleo contrariando os interesses dos grandes monopólios e corporações da energia.
O “nosso” Sérgio esteve na Revolução Iraniana, em 1979, ainda muito moço, intermediando posições antagônicas!
O “nosso” Sérgio, em 1982, se posicionou contra a intervenção imperialista no Líbano que destruiu praticamente o Líbano.
Quando os americanos deram apoio ao Iraque na guerra contra o Irã, o “nosso” Sérgio, Arauto da Paz, Cidadão do Mundo, Diplomata Maior, queria uma “negociação” pacífica, mas os americanos criaram e alimentaram a figura de Sadan Hussein!
Em 1991, os mesmos americanos fizeram a operação Tempestade no Deserto contra Sadan Hussein.
Em 2003, a invasão do Iraque, determinando a morte de Sadan, destruindo praticamente qualquer forma de resistência. Quem estava lá, dentro do conflito? O “nosso” Sérgio!
Talvez tenha sido o único diplomata da ONU morto no conflito. E por que só ele? Porque era e foi o único interessado na PAZ! E nunca ganhou prêmio nenhum!
Nós, brasileiros, não reverenciamos e nos esquecemos com muita facilidade de nossos heróis! Em nenhum jornal e revista, em nenhum canal de televisão, em nenhuma estação de rádio, aparece o nome de Sérgio Vieira.
Talvez, (era candidato a Prêmio Nobel da Paz!) o mundo, com uma ONU mais forte e eficaz seria outro se não tivessem matado esse brasileiro ilustre!
E assim o mundo e as pessoas são jogados de um lado para outro como marionetes, bonecos e palhaços, num circo de atrocidades, violência, intolerância e morte!
QUESTÃO    EDUCACIONAL

O nosso ex-ministro, senador da República e professor Cristovam Buarque logo que assumiu o ministério da Educação, no governo Lula, deixou algumas escolas indignadas e à beira de um ataque de nervos.
Afirmou, na ocasião, que o vestibular das universidades deveria cobrar dos candidatos apenas Português e Matemática. Assim, não seria preciso reservar vagas para ninguém ou para grupos sociais, culturais, raciais, religiosos... Todo mundo caiu de pau!
Sou professor universitário, de Língua Portuguesa, há mais de quarenta anos e sei que alguns universitários, aprovados no vestibular, realmente não sabem escrever, nem ler, nem falar, nem ouvir.
Em conversa com professores das áreas de Ciências Exatas, também afirmam que alguns universitários, aprovados no vestibular, realmente não sabem somar, nem dividir, nem multiplicar, nem diminuir...
Português e Matemática são materiais ou disciplinas instrumentais, isto é, são o meio, o caminho, o mapa da mina, o roteiro, a ferramenta, o instrumento, o atalho para se chegar à Física e à Antropologia, à Química e à Sociologia, à Biologia e à Teologia, à Filosofia e à Ética... 
É-se impossível aprender, por exemplo, Física sem se saber Português e Matemática; aquela para se entender o que se quer e o que se pede; esta para se chegar a uma lógica e a um resultado?
Alguns dias depois, o professor Cristovam Buarque estava junto com outros ministros dando entrevista coletiva. Um jornalista se lembrou do que o ministro da Educação havia dito e perguntou se ele estava falando sério, quando afirmou que os vestibulares deveriam somente exigir Português e Matemática. O Ministro arrematou: “Se não quiserem provas de Português e Matemática, as provas serão de Geografia, História e Ética”. Houve um susto! Sussurros! Risos, até! O jornalista insistiu por que Geografia, História e Ética. O professor Cristovam, sério e circunspecto, pensativo e reflexivo, ditou: “História, para que todos nós saibamos de onde viemos. Geografia, para que todos nós saibamos onde estamos. E Ética, para que todos nós saibamos para onde vamos.”
Já contei mil vezes essa história e ainda vou contá-las muito mais vezes, porque uma boa proposta, ou política educacional tem de se basear em oito habilidades necessárias para a vida de todos e cada cidadão: FALAR – ESCREVER – LER – OUVIR (com a aprendizagem da nossa língua-mãe) SOMAR – DIVIDIR – SUBTRAIR – MULTIPLICAR (com a aprendizagem da aritmética e matemática). É possível aprender tudo – o resto – com essas habilidades.
Acredito que o professor Cristovam matou a pau: um estudante não é nem pode ser um depósito de conhecimentos estanques, que não lhe dizem respeito, que não lhe dizem nada, que nada significam para ele.
Acredito que a Escola de Ensino Fundamental perde tempo, muito tempo, quando se propõem outros saberes que não Português e Matemática.
Nas muitas formaturas de que participei e participo sempre pergunto a um ou outro formando mais chegado quantos livros abriu durante o curso (conhecimento específico), quantos livros leu durante a vida (conhecimento geral). Muitas respostas me são surpreendentes. Já encontrei aluno que nunca leu livro nenhum durante o curso, durante a vida. Claro, já encontrei também alunos que leram – uns mais, outros menos.
O conhecimento é algo em constante fluxo e por isso interessante, instigante, estimulador. Se assim não for, é inútil o conhecimento, as escolas e os professores...
A título de exemplificação, fiz o curso primário, o curso de admissão ao ginásio, o curso ginasial e optei por fazer o curso clássico, antes do curso superior. Estou dizendo isso para dizer que nunca tive estudo formal – com chamada, com provas, com notas, com aprovações e ou com reprovações – de Física, de Química, de Geometria Analítica, de Biologia...
E digo mais, não aprendi a extrair a raiz quadrada, a raiz cúbica, mas não sei por que aprendi, porque, já com mais de sessenta anos, elas, as raízes, nunca me serviram para absolutamente nada, nunca me fizeram falta. Não sou nem mais feliz ou infeliz, mais honesto ou mais desonesto por isso!
Agora, tenho absoluta certeza de que sou mais feliz e mais honesto, porque sei ler, sei falar, sei escrever, sei ouvir. Sei somar, subtrair, dividir e multiplicar
Sou mias feliz e mais honesto, porque tenho consciência de que sou ser humano, único, inteiro, intransferível, irrepetível, responsável pela minha felicidade e pela felicidade dos outros – isso é a minha sorte grande!
  
QUESTÃO    DIDÁTICA

“Quem ensina não tem ódio” – frase ontológica do brilhante professor Milton Santos, falecido há pouco. Talvez, essa seja a maior homenagem que se possa fazer aos professores.
Ensinar é, de fato, um ato divino e amoroso, porque faz nascer o homem, o cidadão no mais puro sentido das palavras. Ensinar é causar! Ensinar é provocar!
“Quem ensina não tem ódio”. Quando iniciei minha carreira, o professor, Irmão marista, Sílvio Casério, do Colégio Marista Diocesano, tentando ensinar como ensinar aos professores mais novos dizia: “podem chamar o professor de tudo: bravo, nervoso, relapso, incompetente, sem comunicação. Os estudantes só não podem chamá-lo de ditador e um ser odioso”. E é bom lembrar-se de que estávamos em plena ditadura militar, no Brasil. Ensinar é inquietar! Ensinar é parir! Ensinar é fazer parir!
“Quem ensina não tem ódio”. Talvez, a profissão mais antiga seja a do professor, porque através do ensinamento e aprendizado é que se sobrevive. E sempre se tem e terá de sobreviver. Mais do que ensinar conteúdos e saberes, o professor tem de ensinar a viver bem, a conviver respeitosamente, a fazer o que deve ser feito, a ser-mais, a ser-melhor. Ensinar é romper! Ensinar é cutucar!
“Quem ensina não tem ódio”. Naquela história da agulha, da linha e do alfinete, Machado de Assis entende que ser professor é abrir caminho e sempre voltar para a sala de aula e biblioteca, como a agulha volta para a sala de costura, enquanto a linha, os estudantes, segue na roupa dos príncipes e dos reis. E isso sem o amargor e a amargura de Machado de Assis, mas com a sensação do dever cumprido. Ensinar é plantar! Ensinar é rasgar os horizontes!
“Quem ensina não tem ódio”. Sócrates é levado à condenação e ao suicídio, porque foi acusado de corromper os jovens. Ensinava os jovens a se conhecerem em profundidade e isso incomodou, já na época, os senhores, os pais que queriam deixar as coisas como estavam, queriam que nada mudasse para continuarem a ser os donos da verdade, da riqueza, dos bens, do poder. Ensinar é mudar! Ensinar é pisar areias inexploradas!
“Quem ensina não tem ódio”. Numa escola, no sentido mais bonito e espetacular possível, nada é proibido, já que ao ser humano lhe são garantidos todos os direitos, inclusive o direito de discordar. Discordar é pensar com a própria cabeça, andar com os próprios pés. Discordar é resistir! Discordar é fazer circular idéias novas. Professor não é trator desgovernado que passa por cima das pessoas, das idéias das pessoas. Ensinar é vislumbrar! Ensinar é encantar! É ficar e tornarem-se os outros encantados!
“Quem ensina não tem ódio”. A escola é um espaço de alegria e prazer, harmonia e jogos, tranqüilidade e encantamentos, paz e eurecas! Visando sempre à socialização e à convivência, à solidariedade e ao coleguismo. Lembro-me, aqui e agora, de uma frase de Schiller: “O homem só é inteiro quando brinca” Brincar é ser e estar livre. Ensinar é livrar-se! Ensinar é libertar-se!
“Quem ensina não tem ódio”. Uma sala de aula, queiram ou não queiram os coordenadores, supervisores, diretores, inspetores, é um espaço de liberdade e de verdade e da verdade, de direitos e de defesa dos direitos, da luta contra os legalismos e burocracia, do embate e do combate e do debate de ideias e ideais, de sonhos e utopias. Por isso, sim, nunca se viu tanta preocupação de substituir o professor por tutor, preceptor, monitor, instrutor, adjuvantes e co-adjuvantes, vídeos, teleconferências, instrução programada – meios de transmissão de conteúdo, mas que não mexem na alma, com a alma humana. Ensinar é resistir! Ensinar é rebelar-se!
“Quem ensina não tem ódio”. Toda sala de aula proporciona o desenvolvimento do pensamento e da criatividade. O professor, na verdade, ajuda o estudante a aprender sozinho, buscando conhecer-se e conhecer aos outros, conhecer o que é de seu interesse e de sua intenção, em clima de muita liberdade! Ensinar é revolucionar! Ensinar é estar!
“Quem ensina não tem ódio”. A sala de aula é ainda o espaço mais democrático, sem restrições à participação dos estudantes, sem preconceitos e sem preocupações de ordem, sem acordos no escuro da noite e sem segundas intenções, sem arrogância e sem prepotência, sem testas franzidas, sem bigodes cerrados, sem braços tensos, sem corações petrificados, sem mentes cheias de certezas e absolutos.
A vitória, o sucesso serão repartidos entre professores e estudantes, contrariando a máxima evolucionista: que vença o mais forte, o mais sem escrúpulos, o mais sem ética, o mais esperto, o mais traiçoeiro, o mais mentiroso, o mais enganador, o mais ganancioso, o mais desonesto. Ensinar é amar e o amor é sempre uma avenida de mão dupla.
QUESTÃO    UTÓPICA

Nas cidades, nas famílias, nos clubes, nas ruas, misturam-se crianças e adultos, ricos e pobres, negros e brancos e pardos, doentes e sadios, homossexuais e heterossexuais...
A universidade brasileira peca quando seleciona, escolhe quem pode e deve ter acesso a ela. É um absurdo a universidade, por exemplo, excluir as crianças.
Qual o problema de crianças frequentarem aulas de informática, por exemplo, junto com os universitários de ciência da computação, sistemas de computação, engenharia da computação?
Qual o problema os adolescentes frequentarem aulas de filosofia, história da filosofia, antropologia?
Qual o problema os jovens, até de pouca escolarização, frequentarem aulas de teatro, de cinema, de dança, de artes plásticas?
Qual o problema pais e mães frequentarem aulas de psicologia da infância, da adolescência, de fitoterapia, de educação sexual, de matemática?
A escola, para mim, um louco desvairado, um utópico incorrigível, a escola tem de ser uma síntese da sociedade, isto é, dentro delas todo mundo tem de estar presente, independentemente de raça, credo, condição financeira, saúde física ou mental...  
A verdade é que se pode aprender a viver, a ser-mais e a ser-melhor, no e com o convívio das crianças, dos adolescentes, dos jovens, com as pessoas pouco escolarizadas, com pais e com mães...
Grande parte de nossos conhecimentos foram adquiridos fora da escola, mas é possível criar uma escola que imite a vida, que seja a própria vida!
É hora de quebrar os espelhos! Aprendemos a falar, andar, amar, pensar, cozinhar e tantas coisas, apesar das escolas, das universidades, dos professores.
É hora de quebrar os espelhos e junto com eles a prepotência, a arrogância, os conceitos e os preconceitos das escolas e das universidades, dos professores e dos cientistas!
Isso é tão verdadeiro que as pessoas de sucesso, que quando entrevistados, nunca falam de suas escolas, de seus professores, de suas universidades.
Será que alguém sabe quem foi o professor de um Beethoven, de um Pasteur, de um Darwin, de um Einstein?
Roberto Menna Barreto, em seu livro de Publicidade, começa falando dessas pessoas citadas que foram sempre maus estudantes e alguns deles foram até expulsos da escola.
Einstein foi várias vezes reprovado em latim e em matemática!
Beethoven foi expulso do conservatório de música, quando tinha nove anos. Seu professor, na época alegou, que ele nunca aprenderia música.
Darwin nunca conseguiu entrar em uma escola de medicina.
É hora de a escola pensar e repensar, fletir e refletir para que existe! Nosso ex-presidente tinha e tem pouca escolaridade. Sabe muito mais do que a escola lhe ensinou! Podemos não concordar com ele, até não gostar dele, mas sua pouca escolaridade é um fato, é uma verdade! Chega a ser uma afronta, um desaforo, para os intelectuais, para os escolarizados, para os professores... Há pessoas com dois, três cursos superiores e nada fazem nem para-si-mesmas, nem para-os-outros!
É preciso também repensar o papel dos professores. Sem dúvida, professor numa escola transformadora, libertadora, revolucionária,
·    não poderá ser o mestre-de-cerimônia desta palhaçada escolar;
·    não poderá ser os batedores deste desfile de mediocridade e roubalheira;
·    não poderá ser um treinador de futebol deste campeonato institucionalizado da mídia eletrônica;
·    não poderá ser um ditador de normas moralistas de uma sociedade hipócrita e exclusiva;
·    não poderá ser um “dador” de aulas;
·    não poderá ser um repetidor de “coisas” em que ele mesmo não acredita;
·    não poderá ser o catalisador substituto de todos os problemas gerados pela irresponsabilidade de muitos pais e mães que jogam a responsabilidade para as escolas;
·    não poderá ser o dono da verdade só porque tem todos os títulos possíveis, conseguidos até de forma ilegal e sem ética;
·    não poderá ser o comandante de quartel, nem cão de guarda, porque também escola não é nem cadeia, nem hospício, nem quartel;
·    não poderá ser o juiz que pune, ou absolve, porque também escola não é tribunal e mesmo que fosse os réus-estudantes não têm defensores e são julgados à revelia;
·    não poderá ser o medico de uma doença imaginária que, pelas estatísticas mundiais, gasta 17 segundos para atender, para ouvir um paciente, e porque também escola não é hospital;
·    não poderá ser o ideólogo sacana que determina e define o que é bom ou mau, o que é certo, ou errado;
·    não poderá ser o modelo de comportamentos e atitudes obedientes e de subserviência;
·    não poderá ser o pastor ameaçador que inventa o céu e o inferno para os bons e para os maus, respectivamente, mesmo porque escola não é templo religioso;
·    não poderá ser o amante ideal que satisfaz as muitas carências, inclusive as dele, porque escola não é motel;
·    não poderá se o profeta do caos, sem esperança e entusiasmo e com a certeza de que nada pode mudar, transformar;
·    não poderá ser o porteiro do templo sagrado que determina quem pode ou não pode entrar, dependendo do pagamento do dízimo;
·    não poderá ser o palrador de palavras sem sentido, como um papagaio;
·    não poderá ser o pai ou o substituto do pai e da mãe que se apresenta como guia dos caminhos;
·    não poderá ser o carcereiro sacana que está atento para que os estudantes-prisioneiros não façam túneis e serrem as grades, mas lhes oferece comida podre, fria, fedorenta;
·    não poderá ser o gari, encarregado de limpar a cidade dos homens que criam o lixo, o descartável, o desperdício;
·    não poderá ser o motorista de coletivos que leva seus passageiros-estudantes por estradas e ruas e avenidas previamente definidas...
O professor poderá ser o agente de transformação social, o revolucionário e visionário entusiasta de uma sociedade diferente. Outra maneira de viver, conviver, sobreviver é possível!
QUESTÃO    JURÍDICA

Fala-se muito entre estudantes e professores, nas rodas de amigos e nos meios de comunicação de reforma do Judiciário. Só se faz uma reforma depois de ouvir as pessoas interessadas e/ou as pessoas prejudicadas por causa de uma determinada ação política. Segue-se depois uma discussão até a sua exaustão.
O povo brasileiro é extrema e profundamente democrático. Muitos alegam que esse povo não sabe nada, que não votar, não quer nada, é preguiçoso e indolente – o que é uma falácia. As ditaduras – principalmente a de 30 e de 64 – foram uma afronta ao povo e à nação brasileira. Nessas épocas houve muitas prisões sem que houvesse um crime.
O instituto de habeas corpus é uma proteção a todos e qualquer cidadão. Se assim não fosse, possivelmente, nós nem existíamos, hoje. Os grandes ditadores e metidos à besta já teriam eliminado a nossa civilização. No fundo, é um NÃO – alto e bom som e tom – contra a violência e a ilegalidade do abuso dos poderes constituídos. No fundo, é um SIM – alto e bom tom e som – à liberdade e ao estado de direito.
Quando se criou o habeas corpus, na Europa, houve muita pressão das universidades e de alguns setores da Igreja Católica para a sua criação, apesar de muitas resistências.
No Brasil, foi incluído no Código do processo criminal, em 1832, algum tempo depois da proclamação da independência, enquanto, por exemplo, na Inglaterra havia sido criado em 1679. O Habeas Corpus chegou atrasado no Brasil e mesmo assim com algumas rusgas e ódios. O fato é que a liberdade é um direito.
Nos momentos de ditadura, aqui e em todos os lugares, a primeira coisa que se faz é rasgar a Constituição desses países. Rasgar uma constituição significa transformar todos em escravos, submetidos à tortura e à violência institucionalizada.
Os governos, aqui e ali, usam argumentos como “crimes políticos, crimes contra principalmente a segurança nacional, contra a ordem econômica e social, contra a economia popular...” para a suspensão do direito à liberdade.
As pessoas da minha geração se lembram das arbitrariedades cometidas nas décadas de sessenta e setenta. Muitas prisões, expulsões e mortes de muitos estudantes, professores, pesquisadores e operários, dentre eles alguns rebeldes e revolucionários que não ofereciam nenhum problema à nação. Queriam a liberdade de expressão, do livre pensar, de se organizar.
Com a democratização do país, foi a criada a “Lei de Anistia”. Gastaram-se (até hoje se gastam!) muitíssimos milhões de reais com indenizações, com integração nos empregos públicos. Nessa onda, muitos indevidamente (quem sou eu para dizer isso!) passaram a receber altos salários – o que também é uma injustiça.
Democracia autêntica significa “dar” poderes independentes ao Poder Judiciário. Não queremos um judiciário dependente, subserviente ao executivo. A independência do Judiciário é o crivo da democracia. Talvez, ainda não tenhamos experimentado essa independência. E sem democracia não há Estado de Direito.
O ser humano cresce, desenvolve-se pela liberdade, igualdade e democracia (fraternidade?!). Só o Poder Judiciário (não estou enchendo a bola dele, não!) é que garante esses pressupostos universais, esses direitos. Em outras palavras, sua função é diminuir a desigualdade humana. Garantir a liberdade. Propor, real e concretamente, a democracia.
Trocando mais ainda em miúdos: só o judiciário poderá “obrigar” o executivo a cumprir a Constituição, criar escolas para todos, hospitais para todos, assistência jurídica para todos, estradas boas para todos, saneamento básico para todos, residências para todos, oportunidades para todos, luz elétrica para todos...
Sabemos, sob o ponto de vista até filosófico, que quem comete um crime, não o cometeu sozinho. A sociedade, pouco exigente em relação a seus direitos, é também responsável. Um homem sem família, sem escolas, sem saúde, sem residência, sem nada... teoricamente, não poderá oferecer muito à sociedade.
O contrário também é verdadeiro: uma pessoa com família organizada, estudando em escolas, principalmente nas universidades públicas, com saneamento e higiene garantidos, com livre acesso aos bens, com residências próprias... oferece muito pouco à sociedade. Falta-nos consciência social!
Há estatísticas feitas no mundo inteiro provando que a criminalidade diminui quando há independência do judiciário. Não se trata de endurecer as leis, adotar a pena de morte como solução de problemas. As leis podem ser até muito mais brandas, se fossem aplicadas a todos, indistintamente. As penitenciárias estão cheias de analfabetos, pobres, loucos, desvalidos da sorte, abandonados pelo Estado, jogados, empilhados, exprimidos em celas frias e fedorentas.
Há muitos colarinhos brancos, corruptores e corruptos, pessoas que oferecem e aceitam propinas, engravatados e travestidos de empresários, com grandes e bons advogados, soltos e livres, como se nada temessem, acima do Bem e do Mal. A impunidade é mãe da criminalidade!
Os meios de comunicação de massa se permitem passar filmes, fazer novelas, noticiar, aceitar publicidades, que estimulam a violência e desvios de comportamento, a permissividade e maldade humana, em nome de audiência e pontos nas pesquisas de audiência. Quantos crimes, assaltos, sequestros, execução sumária, trambiques, falcatruas invadem nossas casas, via satélite e via Internet!
Fazendo uma comparação simplista: o judiciário tem de ser o purgatório que nos levará a todos para o céu, destino da humanidade. Céu, aqui, não tem conotação religiosa, não, não é sua obrigação mandar as pessoas para o inferno – nossas penitenciárias. A salvação é coletiva, quando cada um faz o que tem de ser feito. Quem absolve um criminoso ou condena um inocente, é tão criminoso quanto o criminoso.
Conheço muitos advogados sérios, dentre eles um Serginho Tiveron, um André Del Negri, um Nogueira, um Delfino, uma Roberta, uma Mara, um Renê Bernardes, uma Claudinha Sicília, uma Andrea Fabri, uma Maria Angélica e tantos outros, que defendem, com unhas e dentes, o Estado de Direito, onde não pode haver, por exemplo, arbitrariedades e tudo tem de ser analisado sob as regras jurídicas, feitas a partir da Constituição e da Democracia.       
    
QUESTÃO    VERNÁCULA

A formação de palavras é um estudo verdadeiramente fascinante. Na realidade, não há nenhum idioma puro. As pessoas vão criando palavras dependendo de sua necessidade, sem muita explicação. “A necessidade faz o sapo pular” – diziam os antigos. Conhecendo radicais gregos, latinos, celtas, ingleses, japoneses ou de qualquer língua, misturamos radicais e formamos novas palavras.
Com o avanço das ciências, novas palavras têm de ser criadas. Uma ferramenta nova, um produto novo, como as pessoas quando nascem são registradas e/ou batizadas, novos nomes vão sendo registrados e dicionarizados, sem nenhum critério, praticamente.
Hoje, vamos “brincar” com o radical: LOGIA – com o auxílio do Dicionário Aurélio. Vamos citar as palavras referentes, vocábulos ligados à ciência.
Sabendo o sentido de LOGIA, você poderá criar outras palavras, Vamos, então, dar o sentido de LOGIA = discurso, expressão, linguagem; estudo, ciência; coleção.
Como são muitas, mas muitas palavras com o radical LOGIA, vamos, hoje, começar com a letra N até a Letra Z (Continuação da edição anterior) Agora, algumas palavras:
·  necrologia = lista de mortos; necrológio;
·  nefrologia = parte da medicina que estuda as doenças renais;
·  nematologia = ramo da zoologia que estuda os nematódeos;
·  neologia = emprego de palavras novas, ou de novas acepções;
·  neonatologia = ramo da medicina que se ocupa do diagnóstico e tratamento de doenças de recém-nascido;
·  neossologia = o estudo das aves recém-nascidas;
·  neurofisiologia = parte da fisiologia que trata do sistema nervoso;  
·  neurologia – nevrologia = ramo da medicina que se ocupa das doenças do sistema nervoso em todos os seus aspectos;  
·  neuroncologia = ramo da oncologia que se dedica ao estudo, em seus vários aspectos, dos tumores do sistema nervoso;
·  neurologia – nevropatologia = ramo da patologia que se ocupa das doenças do sistema nervoso;
·  neurorradiologia = ramo da radiologia que se ocupa das doenças do sistema nervoso;
·  nomologia = estudo das leis que presidem aos fenômenos naturais;
·  noologia = estudo da mente; a ciência dos fenômenos considerados como puramente mentais em sua origem;
·  nosologia = estudo das moléstias;
·  numerologia = estudo da significação oculta dos números e da influência deles no caráter e no destino das pessoas;
·  nutrologia = ramo da medicina que se ocupa da nutrição em todos os seus aspectos, normais, patológicos, clínicos e terapêuticos;
·  oceanologia = oceanografia;
·  odontologia = parte da medicina que se ocupa da higiene, do tratamento e da profilaxia das doenças dentárias; conjunto de ciências que se estudam para o exercício da profissão de cirurgião-dentista;
·  ofiologia = parte da zoologia que trata dos ofídios; tratado acerca das serpentes;
·  oftalmologia = ramo da medicina que estuda os olhos em todos os aspectos; oculística;
·  oncologia – cancerologia = estudo dos tumores em todos os seus aspectos (causas, estrutura, tratamento, etc.);
·  onirologia = conjunto de conhecimentos relativos aos sonhos;
·  onomasiologia = o estudo das expressões de que dispõe uma língua para traduzir determinada noção, e que parte, pois, do significado para estudar o significante;
·  ontologia = parte da filosofia que trata do ser enquanto ser, isto é, do ser concebido como tendo uma natureza comum que é inerente a todos e a cada um dos seres;
·  oologia - ovologia = descrição do ovo, no ponto de vista da geração;
·  orfanologia = legislação relativa aos órfãos;
·  organologia = disciplina que trata da descrição e da classificação de qualquer instrumento musical, tanto da tradição ocidental como da oriental e mesmo dos povos ágrafos, e que leva em conta o material empregado, a forma, a qualidade do som produzido, o timbre, o modo de execução, etc;
·  ornitologia = parte da zoologia que trata das aves; tratado acerca das aves;
·  orologia = orogenia; conjunto de fenômenos que determinam a formação das montanhas, não só os relacionados ao diastrofismo, mas também os fenômenos vulcânicos e causas erosivas; estudo ou descrição desses fenômenos; orognosia ou oreognosia;
·  orquidologia = estudo das orquídeas;
·  osmologia = tratado acerca dos odores ou aromas;
·  osteologia = tratado acerca dos ossos;
·  ostracologia = parte da zoologia que estuda as conchas;
·  otologia = ramo da medicina que se ocupa das doenças dos ouvidos, em todos os seus aspectos;
·  otorrinolaringologia = parte da medicina consagrada ao estudo e tratamento das doenças do ouvido, do nariz e da garganta;
·  ovniologia – ufologia = ciência, estudo ou tratado acerca dos óvnis;
·  paleantropologia – paleoantropologia – paleoetnologia – paleetnologia  = parte da paleontologia que tem por objeto as espécies ancestrais da humanidade, e que estuda a família dos hominídeos a partir das evidências fósseis de sua separação evolutiva de outros grupos de primatas; paleontologia humana;
·  palearqueologia = estudo arqueológico dos objetos que pertenceram aos homens pré-históricos;
·  paleoclimatologia = estudo dos climas dos antigos períodos geológicos baseado, principalmente, na análise de sedimentos fósseis desses períodos;
·  paleoecologia = ramo da ecologia que trata da identificação dos seres vivos extintos e interpreta ecossistemas de períodos geológicos passados;
·  paleofitologia = tratado das plantas fósseis;
·  paleologia = o estudo das línguas antigas;
·  paleontologia = ciência que estuda animais e vegetais fósseis; tratado relativo a essa ciência;
·  paleozoologia = ramo da paleontologia que estuda os animais fósseis; tratado acerca dessa ciência;
·  palinologia = parte da botânica dedicada ao estudo do pólen;
·  panteologia = história de todos os deuses pagãos;
·  papirologia – codicologia = estudo dos papiros; diplomática; epigrafia; paleografia;
·  parapsicologia = ciência que estuda experimentalmente os fenômenos ditos ocultos (comunicação com o espírito dos mortos, dissociação da personalidade, comunicação telepática, etc.);
·  parasitologia = estudo científico dos parasitos; Parasitologia agrícola = ramo da agronomia que estuda os problemas causados por parasitos, especialmente por pragas à agricultura, e que pesquisa, também, insetos que não se constituem em pragas;
·  paremiologia = coleção de parêmias ou provérbios; tratado acerca de parêmias;
·  paramologia = concessão da qual imediatamente se tira vantagem;
·  partenologia = estudo sobre a constituição e as doenças de mulheres virgens;
·  patologia = ramo da medicina que se ocupa da natureza e das modificações estruturais e/ou funcionais produzidas por doença no organismo;
·  patrologia = conhecimento da vida e das obras dos Padres da Igreja; tratado a respeito deles; coleção dos seus escritos;
·  pedologia = estudo natural e integral da criança, sob o aspecto biológico, o antropológico e o psicológico; edafologia = ciência que estuda os solos;
·  penalogia = parte da ciência penal que estuda os problemas filosóficos, sociológicos e jurídicos respeitantes ao fundamento e aplicação das penas, como medida de repressão ou defesa da sociedade;
·  perinatalogia = ramo da medicina que se ocupa do feto e do recém-nascido durante o período perinatal;
·  perissologia = vício de linguagem que consiste em repetir várias vezes, por palavras diferentes, um pensamento já enunciado;
·  pestologia = ramo da ciência que estuda as pestes em todos os seus aspectos;
·  petrologia = estudo da origem, transformações, estrutura, composição, etc., das rochas;
·  piretologia = estudo ou tratado acerca das febres;
·  pirologia = Tratado sobre o fogo;
·  planetologia = Planetografia; estudo dos planetas;
·  pneumatologia = tratado dos espíritos, dos seres intermediários que formam a ligação entre Deus e o homem;
·  pneumologia – pneumonologia = tratado ou estudo acerca dos pulmões; ramo da medicina que se ocupa do estudo, em todos os seus aspectos, das doenças pleuropulmonares;
·  polemologia = estudo da guerra como fenômeno social autônomo;
·  politicologia = estudo da política; ciência política;
·  pomologia = o estudo das árvores frutíferas;
·  posologia = indicação das doses em que devem ser aplicados medicamentos;
·  potamologia = a parte da geografia que estuda os rios; potamografia;
·  primatologia = parte da zoologia que estuda os primatas;
·  processologia = estudo ou conhecimento dos processos aplicáveis a uma arte ou ciência;
·  proctologia = ramo da medicina que se ocupa das doenças do reto e do ânus, em todos os seus aspectos;
·  protistologia = parte da biologia que trata dos protistas;
·  protozoologia = parte da zoologia que trata dos protozoários;
·  psicobiologia = ramo da biologia que estuda os mecanismos, relações e ações recíprocas entre o soma e a mente nos animais;
·  psicofarmacologia = ramo da farmacologia que estuda a ação de substâncias sobre funções psíquicas normais, e psicopatias;
·  psicofisiologia = estudo científico das relações entre a atividade fisiológica e o psiquismo;
·  psicologia = c ciência dos fenômenos psíquicos e do comportamento; conjunto de estados e disposições psíquicas de idéias de um indivíduo ou de um grupo de indivíduos; conjunto de conhecimentos relativos a essa ciência, ou que têm implicações com ela, ministrados nas respectivas faculdades; estudo psicológico de uma obra de arte, de um tema, etc.; conhecimento intuitivo e/ou empírico dos sentimentos de outrem; aptidão para prever ou compreender comportamentos alheios;
·  psicopatolologia = ramo da patologia que estuda a descrição, a classificação e os mecanismos de evolução das psicopatias;
·  psicopedologia = estudo da atividade psíquica infantil;
·  psicossociologia = estudo da natureza da sociedade e da sua influência nas funções psíquicas;
·  pteridologia = parte da botânica que trata dos pteridófitos;
·  quilologia = tratado sobre o quilo;
·  quirologia = arte de conversar por meio de sinais feitos com os dedos; dactilologia;
·  rabdologia = método de calcular com pauzinhos nos quais se acham gravados os números simples;
·  radiobiologia = estudo dos efeitos biológicos das radiações; estudo dos efeitos biológicos das radiações que possuem energia suficiente para ionizar os principais elementos encontrados nos materiais biológicos (C, N, O, H);
·  radioecologia = ramo da ecologia que estuda as relações dos organismos vivos com as radiações ou com os radioelementos que poluem o meio;
·  radiologia – roentgenologia = estudo científico de raios X e dos corpos radioativos; ramo da medicina que faz uso de energia radiante, com fins diagnósticos ou terapêuticos;
·  reflexologia = estudo dos reflexos; escola que reduz todos os fenômenos psíquicos a reflexos condicionados;
·  reologia = parte da física que investiga as propriedades e o comportamento mecânico dos corpos deformáveis que não são nem sólidos nem líquidos;
·  reumatologia = ramo da medicina que se ocupa, em todos os seus aspectos, de doenças não cirúrgicas (ainda que, eventualmente venham a sê-lo) de aparelho locomotor e de outras doenças do tecido conjuntivo. É difícil precisar, ao menos na prática, os limites da reumatologia, pois ela tem várias áreas em comum com outras especialidades, notadamente a ortopedia e a neurologia;
·  rinologia = estudo do nariz, das suas doenças e tratamento delas;
·  rodologia = parte da botânica que se ocupa das rosas;
·  runologia = estudo dos caracteres rúnicos;
·  sacarologia = tratado sobre o açúcar;
·  sanscritologia = tratado da língua e literatura sânscritas;
·  sarcologia = tratado acerca do tecido muscular ou das partes carnudas do corpo;
·  saurologia = parte da zoologia que trata dos reptis sáurios;
·  sedimentologia = ramo da geologia que estuda a gênese dos sedimentos e o processo de formação das rochas;
·  semasiologia – sematologia = o estudo das relações entre sinais e símbolos, e daquilo que eles representam; semântica; semiótica; o estudo do sentido das palavras, o qual parte do significante para estudar o significado, em oposição à onomasiologia; linguagem dos sinais ou da comunicação dos espíritos por meio dos movimentos dos corpos inertes;
·  semiologia – sintomatologia = ciência geral dos signos, segundo Ferdinand de Saussure, que estuda todos os fenômenos culturais como se fossem sistemas de signos, isto é, sistemas de significação. Em oposição à lingüística, que se restringe ao estudo dos signos lingüísticos, ou seja, da linguagem, a semiologia tem por objeto qualquer sistema de signos (imagens, gestos, vestuários, ritos, etc.); semiótica; estudo e descrição dos sinais e sintomas de uma doença;
·  serologia – sorologia = ramo da imunologia que se ocupa do estudo, in vitro, das reações que, no soro, ocorrem entre antígeno e anticorpo;
·  sexologia = ciência que estuda os problemas concernentes à sexualidade;
·  siglologia = estudo das formas siglares;
·  simbologia – simbolologia = estudo dos símbolos;
·  sincorologia = parte da ecologia que trata da distribuição das comunidades no espaço e no tempo;
·  sindesmologia = o estudo dos ligamentos;
·  sinecologia – fitossociologia = ramo da ecologia que trata das relações entre comunidades animais ou vegetais e o meio ambiente;
·  sinologia = estudo do que se relaciona com a China;
·  sinesteologia = o estudo das articulações;
·  sintaxiologia = tratado sobre a sintaxe;
·  sintomotologia = conhecimento e estudo dos sintomas que indicam estados mórbidos;
·  sismologia = o estudo dos tremores de terra ocorridos na superfície do globo terrestre;
·  sistematologia = o estudo dos sistemas;
·  sitiologia = o estudo dos alimentos ou da alimentação;
·  sociobiologia = o estudo biológico do comportamento e de outras características sociais dos animais e dos seres humanos, cuja base teórica é a idéia darwiniana de evolução (conforme as modificações trazidas pelas teorias genéticas mais recentes), e que procura explicar a evolução dos fenômenos sociais em função da contribuição destes para a preservação da espécie, tendo como princípio básico a idéia de que as ações dos indivíduos tendem sempre a maximizar a preservação de seu patrimônio genético na espécie;
·  sociologia = estudo objetivo das relações que se estabelecem, consciente ou inconscientemente, entre pessoas que vivem numa comunidade ou num grupo social, ou entre grupos sociais diferentes que vivem no seio de uma sociedade mais ampla; estudo objetivo das relações que surgem e se reproduzem, especificamente, com base na coexistência de diferentes pessoas ou grupos em uma sociedade mais ampla, bem como das instituições, normas, leis e valores conscientes ou inconscientes que essas relações tendem a gerar no seio do grupo; estudo objetivo das relações sociais, isto é, das relações que só se estabelecem com fundamento na coexistência social, as quais se concretizam em normas, leis, valores e instituições consciente ou inconscientemente incorporadas pelos indivíduos que constituem a sociedade; tratado ou compêndio de sociologia; exemplar de um desses tratados ou compêndios;
·  somatologia = ciência que trata do corpo humano em seu aspecto somático;
·  soteriologia = parte da teologia que trata da salvação do homem;
·  tanatologia = tratado sobre a morte; teoria da morte; parte da medicina legal que se ocupa da morte e dos problemas médico-legais com ela relacionados;
·  tautologia = vício de linguagem que consiste em dizer, por formas diversas, sempre a mesma coisa; proposição que tem por sujeito e predicado um mesmo conceito, expresso ou não pelo mesmo termo; raciocínio que consiste em repetir com outras palavras o que se pretende demonstrar; função lógica que sempre se converte em uma proposição verdadeira sejam quais forem os valores assumidos por suas variáveis;
·  taxeologia – taxiologia – taxologia = ciência das classificações;
·  tecnologia = conjunto de conhecimentos, esp. princípios científicos, que se aplicam a um determinado ramo de atividade; a totalidade desses conhecimentos;
·  teleologia = estudo da finalidade; doutrina que considera o mundo como um sistema de relações entre meios e fins; teologismo; estudo dos fins humanos;
·  tematologia = parte da morfologia em que se estuda a constituição das formas específicas ou temas de cada uma das classes gramaticais que entram no discurso e foram classificadas na lexicologia;
·  teologia = estudo das questões referentes ao conhecimento da divindade, de seus atributos e relações com o mundo e com os homens, e à verdade religiosa; o estudo racional dos textos sagrados, dos dogmas e das tradições do cristianismo; tratado ou compêndio de teologia; o conjunto de conhecimentos relativos a teologia, ou que têm implicações com ela, ministrados em cursos ou nas respectivas faculdades;
·  teratologia = estudo das monstruosidades;
·  terminologia = conjunto dos termos próprios duma arte ou duma ciência; nomenclatura; tratado acerca desses termos; emprego de palavras peculiares a um escritor, a uma região, etc; estudo da identificação e delimitação de conceitos peculiares a qualquer ciência, profissão, arte, ofício, etc., e da designação de cada um deles por um certo termo; disciplina lingüística lato sensu voltada para o estudo e a utilização do sistema de símbolos e sinais lingüísticos us. para comunicação humana em áreas especializadas do saber;
·  termologia = parte da física referente ao calor;
·  tetralogia = termo genérico aplicado a quatro sintomas ou lesões que, ocorrendo concorrentemente, caracterizam certas doenças; na música, conjunto de quatro óperas; usa-se principalmente com relação a O Anel dos Nibelungos, ciclo dramático de Richard Wagner (1813-1883) que compreende as óperas O Ouro do Reno, A Valquíria, Siegfried e O Crepúsculo dos Deuses, todas baseadas no tema da maldição ligada à posse do ouro; no teatro, conjunto de quatro peças teatrais - três tragédias e um drama satírico — que os antigos poetas gregos apresentavam em concurso; Tetralogia de Fallot = cardiopatia em que se encontra estenose de artéria pulmonar, comunicação interventricular, dextroposição da aorta e hipertrofia ventricular direita;
·  tetrapodologia = tratado acerca dos quadrúpedes;
·  tiflologia = tratado sobre a instrução dos cegos;
·  timologia = doutrina dos valores;
·  tipologia – biotipologia = coleção de caracteres tipográficos utilizados num projeto gráfico; tipografia; o estudo dos diversos modos pelos quais as línguas podem diferir umas das outras;
·  tiptologia = experiência a que procedem os espíritas, com mesas giradoras, chapéus, etc; comunicação dos espíritos por meio de pancadas;
·  tisiologia = ramo da medicina que estuda a tuberculose em todos os seus aspectos e localizações;
·  tocologia = obstetrícia;
·  topologia = topografia; tratado da colocação ou disposição de certas espécies de palavras; parte da matemática na qual se investigam as propriedades das configurações que permanecem invariantes nas transformações biunívocas e bicontínuas;
·  toreumatologia = o estudo da torêutica; arte ou processo de esculpir ou cinzelar sobre metais, marfim ou madeira, etc.;  
·  toxicologia = o estudo dos tóxicos;  
·  traumatologia = ramo da medicina que se ocupa dos traumatismos;
·  tricologia = tratado sobre os pêlos ou os cabelos;
·  trilogia = na Grécia antiga, poema dramático constituído de três tragédias sobre um mesmo tema, para apresentação nos concursos públicos; peça científica ou literária em três partes; conjunto de três obras ligadas entre si por um tema comum; trindade, tríade, terno; em patologia, conjunto de três lesões, três sintomas, observados num indivíduo; Trilogia de Fallot, em cardiologia = combinação de estenose arterial pulmonar, comunicação interauricular e hipertrofia ventricular direita;
·  tropologia = uso de linguagem figurada; tratado acerca dos tropos;  
·  tupinologia = conjunto de conhecimentos a respeito dos tupis;
·  ufologia = ovniologia;
·  uranologia = tratado do céu; uranografia; estudo do estado do céu nas diferentes épocas da idade da Terra;  
·  urologia = parte da medicina que se ocupa das doenças dos rins que demandam intervenção cirúrgica, e das doenças dos demais órgãos das vias urinárias;
·  venereologia = parte da medicina que se ocupa das doenças venéreas;
·  virologia = parte da biologia que estuda os vírus;
·  vitimologia = teoria que tende a justificar um crime pelas atitudes com que a vítima como que o motiva;
·  vulcanologia = parte da geologia que trata dos vulcões;
·  xenologia = ciência que estuda as relações entre os parasitos e seus hospedeiros;
·  xilologia = parte da botânica dedicada ao estudo da madeira;
·  zimologia = ciência que trata dos fermentos e da fermentação.

QUESTÃO    FRANCISCANA
     
      “Senhor, fazei um instrumento de vossa paz!” Os grandes mestres espirituais como Buda, Moisés, Cristo, Krishna e outros eram tidos como senhores pelos discípulos e pelas multidões. Entretanto, eles se consideravam simples servos de Deus e de toda a criatura humana. Essa atitude de serviço que rompe barreiras e que inclui a todos traz como efeito a paz, a paz verdadeira por que todos ansiamos.

Ó Deus, sois o único Senhor de nossa vida, de nosso coração e de nosso destino. Libertai-nos dos falsos senhores que nos iludem com suas promessas, pois não trazem nem vida nem paz. Dai-nos força para resistir e para buscar a paz através da justiça e do serviço humilde a todos. Amém!”
Do livro: ”A Oração de São Francisco – uma mensagem de paz para o mundo atual” de Leonardo Boff, publicado pela Editora Sextante, 1999, Rio de Janeiro.